{"id":74,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=74"},"modified":"2023-03-13T20:43:33","modified_gmt":"2023-03-13T23:43:33","slug":"o-menino-no-muro-a-vitima-e-o-martirio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=74","title":{"rendered":"O menino no muro, a v\u00edtima e o mart\u00edrio"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Muhammad Jamal AdDurah.jpg\" title=\"TV francesa mostra desespero de um pai tentando proteger o filho palestino durante ocupa\u00e7\u00e3o da faixa de Gaza por tropas israelenses. Tanto Muhammad Jamal Ad-Durah, 12 anos, quanto seu protetor acabariam mortos em poucos minutos.   - Foto:Addameer\" alt=\"TV francesa mostra desespero de um pai tentando proteger o filho palestino durante ocupa\u00e7\u00e3o da faixa de Gaza por tropas israelenses. Tanto Muhammad Jamal Ad-Durah, 12 anos, quanto seu protetor acabariam mortos em poucos minutos.   - Foto:Addameer\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">TV francesa mostra desespero de um pai tentando proteger o filho palestino durante ocupa\u00e7\u00e3o da faixa de Gaza por tropas israelenses. Tanto Muhammad Jamal Ad-Durah, 12 anos, quanto seu protetor acabariam mortos em poucos minutos.  <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:Addameer<\/small><\/figure>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Verdana\">Rio de Janeiro, dezembro de 2000<\/font><\/font><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Verdana\">Introdu&ccedil;&atilde;o:<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Verdana\">O tema foi escolhido porque acredito ser poss&iacute;vel um razo&aacute;vel desenvolvimento no assunto. O mart&iacute;rio pode parecer uma sandice, &quot;fanatismo&quot; ou imbecilidade para o ocidente, mas &eacute; algo profundamente enraizado no universo das culturas &aacute;rabes, e atrav&eacute;s destas, no mundo isl&acirc;mico. N&atilde;o sou especialista no tema, mas partindo de um olhar de &quot;dentro&quot;, acredito ser vi&aacute;vel uma cr&iacute;tica com algo de consist&ecirc;ncia. <\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Courier New\"><font face=\"Courier New\"><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font face=\"Verdana\">J&aacute; explico. Sou descendente de fam&iacute;lia &aacute;rabe e j&aacute; tive alguma participa&ccedil;&atilde;o na pol&iacute;tica desta comunidade no Brasil. Participei entre os anos de 1993 e 1995 do Comit&ecirc; pela Liberta&ccedil;&atilde;o da brasileira Lamia Maruf Hassan, ex-condenada a pris&atilde;o perp&eacute;tua numa cadeia da Palestina Ocupada. L&acirc;mia foi solta ap&oacute;s 13 anos de pris&atilde;o. Quando afirmo que sou descendente de &aacute;rabes, esta por si j&aacute; &eacute; uma afirma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. A direita da col&ocirc;nia diria &quot;descendo de libaneses maronitas&quot;, provavelmente uma suposta esquerda &aacute;rabe-brasileira diria, &quot;descendo de &aacute;rabes crist&atilde;os&quot;. Como me posiciono no setor &agrave; esquerda, afirmo minha descend&ecirc;ncia &aacute;rabe e a familiaridade com o discurso libertador destes povos (afetuosamente nos chamamos de &quot;brimos&quot;). A partir deste ponto de vista, embora buscando um certo rigor desapaixonado, procuro desenvolver o tema do Mart&iacute;rio nos grupos combatentes &aacute;rabes, tanto de motiva&ccedil;&atilde;o fundamentalista isl&acirc;mica como os pan-arabistas revolucion&aacute;rios, tais como a FPLP e a FDLP.<\/font><br \/>\n<\/font><\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Verdana\"><strong>A v&iacute;tima<\/strong><\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Verdana\">&quot;At&eacute; quando? At&eacute; quando teremos de exercer a fun&ccedil;&atilde;o de carrascos colonialistas em terras ocupadas por n&oacute;s?&quot; Sem nenhum exagero, estas palavras poderiam ser proferidas por um grupo de pacifistas israelenses ou talvez por um partido socialista judeu, como o Matzpen (ou o pouco que restou dele). O crime foi flagrado por uma c&acirc;mara da TV francesa, gerando a imagem do menino assassinado que correu o mundo, instantaneamente, atrav&eacute;s de internet e televis&atilde;o.<\/font><\/font><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Verdana\">Os telejornais do ocidente aos quais assisti (BBC inglesa, CNN estadunidense e TVE espanhola), traziam em suas chamadas: &quot;Viol&ecirc;ncia no Oriente M&eacute;dio&quot;. A mesma manchete foi reproduzida nos jornais e telejornais brasileiros. Descontextualizada, a mensagem de horror do garoto assassinado passava a um p&uacute;blico distante e seguro em seus lares que num lugar estranho, onde o &uacute;nico aparelho civilizat&oacute;rio &eacute; um Estado ocidental (Israel), a viol&ecirc;ncia atinge n&iacute;veis &quot;incontrol&aacute;veis&quot;. Com o flagrante do assassinato, n&atilde;o &eacute; permiss&iacute;vel para os ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o utilizarem termos como &quot;fanatismo de radicais isl&acirc;micos&quot;. Por sinal, esta corrente pol&iacute;tica, radical isl&acirc;mico, sequer existe nos pa&iacute;ses &aacute;rabes (h&aacute; uma profunda confus&atilde;o com o integrismo, que sim existe). A m&iacute;dia brasileira, como reprodutora perif&eacute;rica dos discursos centrais, passa a id&eacute;ia: &quot;vejam a que absurdo chegou a situa&ccedil;&atilde;o neste lugar&quot;. Todas as chamadas e manchetes enfocam a viol&ecirc;ncia como algo isolado, no m&aacute;ximo como uma revers&atilde;o ao &quot;processo de paz&quot;. <\/font><\/font><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Verdana\">As imagens mostram uma crian&ccedil;a assustada, protegida pelo corpo do pai, este tamb&eacute;m ferido, e servindo como alvo para as tropas de ocupa&ccedil;&atilde;o por mais de meia hora. O discurso de neutralidade transmite um fato sem causa. A &quot;viol&ecirc;ncia&quot;, que consterna e constrange os pa&iacute;ses centrais, os mesmos que financiam o Estado de Israel. A crian&ccedil;a &eacute; uma &quot;v&iacute;tima&quot; das circunst&acirc;ncias. Aos 12 anos, seu &uacute;nico crime foi ter estado no lugar errado, na hora errada. <\/font><\/font><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Verdana\">A m&iacute;dia tenta comover a &quot;opini&atilde;o p&uacute;blica&quot;, dizendo que aquele menino nada tinha que ver com seus colegas de col&eacute;gio, 70% de uma classe prim&aacute;ria que ap&oacute;s as aulas vai atirar pedras contra os soldados invasores. Seu pai tampouco, embora homem adulto e palestino, n&atilde;o tem nenhuma rela&ccedil;&atilde;o com seus vizinhos, parentes, conterr&acirc;neos, amigos e colegas. O discurso individualiza os dois sujeitos como &quot;v&iacute;timas&quot; de sofrimentos. Este sofrer aparece como um fato isolado e sem causa, quando muito horroriza mas n&atilde;o explica, universaliza pelo singular (poderia ser o filho de qualquer um, outra crian&ccedil;a), mas n&atilde;o generaliza a compreens&atilde;o da causa (pode ser meu filho pensa um outro pai palestino, outra crian&ccedil;a semita).<\/font><\/font><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Verdana\">O menino assassinado no muro virou um s&iacute;mbolo no mundo &aacute;rabe. Dado como exemplo vivo de covardia e brutalidade, sua morte foi e &eacute; usada para distintas interpreta&ccedil;&otilde;es al&eacute;m daquela que citei acima. Uma destas, a qual tento me focar, &eacute; a do mart&iacute;rio. E, por mais absurdo que possa parecer aos olhos n&atilde;o habituados, o garoto Muhammad Jamal Ad-Durah &eacute; tudo menos um m&aacute;rtir, ao menos aos olhos &aacute;rabes. <\/font><\/font><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Verdana\">No dicion&aacute;rio do MEC editado em 1963, a defini&ccedil;&atilde;o de m&aacute;rtir &eacute;: &quot;pessoa que sofreu tormentos ou a morte, por sustentar f&eacute; crist&atilde;; indiv&iacute;duo que sofre por causa de suas cren&ccedil;as ou opini&otilde;es; pessoa que sofre muito&quot;. Na mesma edi&ccedil;&atilde;o, mart&iacute;rio est&aacute; definido assim: &quot;sofrimento ou supl&iacute;cio de m&aacute;rtir; tormento ou grande sofrimento&quot;. Destas defini&ccedil;&otilde;es, somente &quot;indiv&iacute;duo que sofre por causa de suas causas ou opini&otilde;es&quot; seria apropriada. O menino assassinado no muro n&atilde;o &eacute; um m&aacute;rtir porque n&atilde;o estava passando por tudo aquilo em fun&ccedil;&atilde;o de convic&ccedil;&otilde;es ou compromissos. <\/font><\/font><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Verdana\">A causa mortis do garoto foi uma pol&iacute;tica de Estado, prepotente, imperialista e invasor, que o matou como exemplo. Em situa&ccedil;&otilde;es extremas, os discursos s&atilde;o feitos a bala, tal como neste caso. Se as tropas estavam num conflito de rua (baixa intensidade segundo os manuais militares, anti-dist&uacute;rbios de acordo com orienta&ccedil;&otilde;es policiais), nem o garoto nem seu pai eram objetivos t&aacute;ticos. Naquele cen&aacute;rio, talvez fossem um alvo secund&aacute;rio, uma forma de desmoralizar e semear o p&acirc;nico entre a multid&atilde;o (turba segundo a criminal&iacute;stica) em Intifada (levante, tal como o Levante do Gueto de Vars&oacute;via). <\/font><\/font><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Verdana\">O objetivo de longo prazo para o assassinato da crian&ccedil;a foi uma afirma&ccedil;&atilde;o em duas frentes. Simboliza uma posi&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;a, disputa de influ&ecirc;ncia entre setores trabalhistas, a direita do Likud e a ultra-direita de colonos e ortodoxos, por sobre a oficialidade de alta patente em tempo integral (as for&ccedil;as armadas de Israel s&atilde;o compostas por conscritos, reservistas e profissionais). Igualmente, aponta para a pol&iacute;tica externa, tanto para os financiadores de Israel (EUA e Alemanha principalmente) como para os &quot;vizinhos&quot; &aacute;rabes. A mensagem foi n&iacute;tida e direta. Demonstraram com fatos o que acontecer&aacute;, s&oacute; que em larga escala, com a popula&ccedil;&atilde;o civil palestina. Partem do princ&iacute;pio de garantir o &quot;espa&ccedil;o vital&quot; de um Estado expansionista e internacionalizado, afirmando-o como express&atilde;o institu&iacute;da de um povo eleito, demonstra&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;a das v&iacute;timas de injusti&ccedil;as hist&oacute;ricas que &quot;nunca, nunca, nunca permitir&aacute; que tudo se repita outra vez, custe o que custar, doa a quem doer&quot;. Estas palavras s&atilde;o de Ronaldo Gomlevsky, ex-presidente da FIERJ, num evento em 1992 no Teatro Casagrande, zona sul do Rio de Janeiro. O dirigente sionista foi um dos articuladores da presen&ccedil;a do Mossad (servi&ccedil;o de intelig&ecirc;ncia israelense no estrangeiro) no Brasil, durante o governo Collor.<\/font><\/font><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Verdana\">Os tiros no menino transpunham uma pol&iacute;tica de Estado digna do Reich nazista, embora com o discurso de eternas v&iacute;timas, mesmo quando o papel &eacute; de carrasco. Tal discurso recobra ciclicamente seu f&ocirc;lego, desde que por q&uuml;est&otilde;es geopol&iacute;ticas, a esquerda judaica foi desaparecendo pouco a pouco, e um tema t&atilde;o caro como o holocausto, foi migrando dos intelectuais e grupos de esquerda judaica nos EUA (como o anarquista Noam Chomsky), para as m&atilde;os da direita financeira e seu lobby em Washington e Nova Iorque.<\/font><\/font><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Verdana\">Com o posicionamento &agrave; esquerda do nacionalismo &aacute;rabe (fundamentalmente a partir do movimento nacional &aacute;rabe, de base majorit&aacute;ria crist&atilde; e ortodoxa) nos anos 1950, somada a Guerra de Independ&ecirc;ncia da Arg&eacute;lia e o &quot;socialismo &aacute;rabe&quot; dos primeiros anos de vit&oacute;ria (1962-1965, governo Ahmad ben-Bella), o ocidente apontou Israel como seu parceiro para a estrat&eacute;gica q&uuml;est&atilde;o da seguran&ccedil;a regional (especialmente no tema do petr&oacute;leo). Esta posi&ccedil;&atilde;o, somada a hegemonia da direita sionista no interior das diversas comunidades judaicas, coube a esta direita a ger&ecirc;ncia do discurso da vitimiza&ccedil;&atilde;o permanente dos judeus ao redor do mundo. Mais particularmente, esta persegui&ccedil;&atilde;o ocorreu na di&aacute;spora europ&eacute;ia, sobre comunidades sefraditas na pen&iacute;nsula ib&eacute;rica, e asquenazis no leste europeu.<\/font><\/font><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Verdana\">O discurso da eterna persegui&ccedil;&atilde;o ganha contornos ideol&oacute;gicos com a cria&ccedil;&atilde;o do Estado de Israel. N&atilde;o quero entrar no tema do sionismo, mesmo porque consideraria isto uma leviandade. Ainda que seu projeto tenha sido concretizado a partir da lideran&ccedil;a de Theodor Herzl, homem de boa circula&ccedil;&atilde;o no imp&eacute;rio Austro-H&uacute;ngaro e posteriormente principal lobista junto aos banqueiros e dirigentes ingleses (executores do mandato na Palestina ocupada), n&atilde;o acredito na hist&oacute;ria de mitos e personalidades. O sionismo como sentimento hist&oacute;rico e milenar, &eacute; fato e &eacute; leg&iacute;timo. T&atilde;o concreto como a aus&ecirc;ncia da direita judaica na comand&acirc;ncia do Levante do Gueto de Vars&oacute;via. Os maiores dirigentes e membros das elites financeiras j&aacute; haviam comprado seus passaportes no in&iacute;cio da ocupa&ccedil;&atilde;o alem&atilde; na Pol&ocirc;nia, protegendo-se do holocausto e guardando suas finan&ccedil;as (convertidas em d&oacute;lar) em contas su&iacute;&ccedil;as. <\/font><\/font><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Verdana\">Voltando ao tema da vitimiza&ccedil;&atilde;o, uma vez que este se torna elemento de propaganda de Estado, faz-se necess&aacute;rio a todo o momento ser revigorado, &quot;redescoberto&quot;, revivido. Ao contr&aacute;rio do que um ing&ecirc;nuo observador possa imaginar, a pol&iacute;tica do Estado de Israel n&atilde;o se aplica hoje contra a ressurgida extrema-direita europ&eacute;ia (esta sim anti-semita convicta). Como pr&aacute;tica de Estado, reflexo de hegemonia empresarial em diversos pa&iacute;ses, executora do maior lobby de comunidade nos EUA, a vitimiza&ccedil;&atilde;o se aplica como discurso legitimador de uma pol&iacute;tica de domina&ccedil;&atilde;o. Ainda que inimagin&aacute;vel, ao menos em tese, o assassinato do garoto semita &eacute; uma &quot;prote&ccedil;&atilde;o&quot; das tropas israelenses contra a persegui&ccedil;&atilde;o ao qual seu povo &eacute; acossado (persegui&ccedil;&atilde;o anti-semita, portanto, tamb&eacute;m anti-&aacute;rabe). Nem o mais esquizofr&ecirc;nico dos pensadores pode contestar que o anti-semitismo &eacute; uma inven&ccedil;&atilde;o europ&eacute;ia e ocidental, nunca verificado no mundo &aacute;rabe, mesmo porque seria absurdo imaginar um povo que persegue a si pr&oacute;prio.<\/font><\/font><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Verdana\">Muhammad foi assassinado. Em nome da defesa do espa&ccedil;o vital de um Estado imperialista e anti-semita, ainda que alegando estar se defendendo das amea&ccedil;as a sua pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia. O garoto foi morto em fun&ccedil;&atilde;o de uma disposi&ccedil;&atilde;o t&aacute;tica de tropas de ocupa&ccedil;&atilde;o. A crian&ccedil;a foi feita de v&iacute;tima das &quot;v&iacute;timas&quot; que o atacaram, sofrendo os efeitos colaterais de uma elite que apenas se &quot;defende&quot; de amea&ccedil;as de invasores (que por &quot;coincid&ecirc;ncia&quot;, habitam aquelas terras h&aacute; mais de 5 mil anos). N&atilde;o &eacute; um m&aacute;rtir palestino, quanto a isto, n&atilde;o nenhuma d&uacute;vida. <\/font><\/font><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Verdana\"><strong>Fedayins <\/strong><\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Verdana\">&quot;Minha honra &eacute; mais importante que minha vida, por isso vou lutar orgulhoso nas ruas pela Intifada!&quot; (refr&atilde;o do hino oficioso da primeira Intifada &#8211; 1987-1992, rendeu dois anos num campo de concentra&ccedil;&atilde;o ao autor, pena executada pelas For&ccedil;as de &quot;Defesa&quot; de Israel). Para expor algo de minha compreens&atilde;o ao tema do mart&iacute;rio, recorrerei um pouco &agrave;s palavras de ordem e s&iacute;mbolos da luta palestina e &aacute;rabe a partir dos anos 1950. Entendo ser fundamental contextualizar a segunda Intifada a partir do primeiro levante, e o n&iacute;vel de dramaticidade que este trouxe para a popula&ccedil;&atilde;o residente na Palestina ocupada.<\/font><\/font><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Verdana\">A OLP foi fundada atrav&eacute;s de um grupo de jovens dirigentes de classe m&eacute;dia (dentre estes o engenheiro civil Yasser Arafat), em Cairo, Egito, no ano de 1964. Pela primeira vez desde a guerra de liberta&ccedil;&atilde;o de 1936-1939 (contra o mandato brit&acirc;nico), os pr&oacute;prios palestinos tomavam as r&eacute;deas de seu processo. A este chamaram de &quot;revolu&ccedil;&atilde;o nacional palestina&quot;. Entendiam ser fundamental a luta armada contra o Estado imperialista, e para isto, deveriam operar a partir dos territ&oacute;rios vizinhos, pa&iacute;ses &aacute;rabes nem sempre t&atilde;o amistosos com eles. Aos seus comandos guerrilheiros, operadores de luta n&atilde;o-convencional no deserto do Sinai, na Cisjord&acirc;nia e Galil&eacute;ia, deram o nome de fedayins.<\/font><\/font><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Verdana\">Geralmente os combatentes de causas consideradas &quot;justas&quot; no mundo &aacute;rabe s&atilde;o chamados de mudjahiddins (algo parecido como combatentes de uma luta justa e sagrada). A t&atilde;o falada e mal compreendida jihad, temida no ocidente como sin&ocirc;nimo de luta de fan&aacute;ticos, &eacute; simplesmente a guerra (sagrada por conseq&uuml;&ecirc;ncia de uma maioria cr&eacute;dula de uma religi&atilde;o revelada). Se h&aacute; algo de horror a&iacute;, &eacute; na guerra como tal, sempre horr&iacute;vel e b&aacute;rbara. Mas voltemos aos combatentes palestinos.<\/font><\/font><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Verdana\">Fedayin significa: &quot;aquele que se sacrifica&quot;. Num outro contexto, poderia significar o sacrif&iacute;cio de uma m&atilde;e por sua prole, ou de um fellah (campon&ecirc;s &aacute;rabe) arando o deserto &#8211; a tal da &quot;terra sem povo&quot; comprada nos anos 1930 por grileiros sionistas financiados por banqueiros ingleses (como os Rotschild e Rockfeller). Na situa&ccedil;&atilde;o da di&aacute;spora palestina, visto os riscos que as opera&ccedil;&otilde;es guerrilheiras traziam, ser um dos que &quot;se sacrificam&quot;, era a melhor expectativa de vida (e morte) que um jovem palestino (de ambos os sexos) poderia ter. Pouco ou nada mudou desde ent&atilde;o para a maioria destes filhos de Ismail.<\/font><\/font><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Verdana\">&quot;Seremos her&oacute;is ou m&aacute;rtires&quot; foi o lema instaurado entre os fedayins. O mart&iacute;rio veio &agrave; tona, como um sentimento presente desde os tempos que a palestina Maria pariu o mesti&ccedil;o Jesus, que dividia com Barrab&aacute;s a lideran&ccedil;a na luta contra Roma. Num outro momento, Muhammad (Maom&eacute;) valeu-se da cultura do mart&iacute;rio para as vit&oacute;rias na &quot;avan&ccedil;ada verde&quot;, junto com um r&iacute;gido c&oacute;digo de condutas e deveres (crendo ter sido este revelado para ele pelo anjo Gabriel numa caverna na atual Ar&aacute;bia Saudita), revelado em suratas, e sistematizado no Cor&atilde;o. Noutro momento, o sacrif&iacute;cio de F&aacute;tima fez crescer o credo popular isl&acirc;mico xii (xiita na vers&atilde;o do ocidente), majorit&aacute;rio entre os mais pobres, a n&atilde;o ser no Ir&atilde; (antiga P&eacute;rsia), onde foi transformado em religi&atilde;o oficial de Estado.<\/font><\/font><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Verdana\">Na primeira e na &uacute;ltima cena do filme &quot;A batalha de Argel&quot;, o mart&iacute;rio de um ex-ladr&atilde;o, tendo ao seu lado uma crian&ccedil;a, eterniza a luta no casbah, santu&aacute;rio da luta na capital argelina contra o dom&iacute;nio franc&ecirc;s. Trancados num cofre embutido, Ali, o mudjahid argelino e seu amigo, se deixam explodir por op&ccedil;&atilde;o, para servirem de exemplo aos seus e n&atilde;o arriscar de &quot;cantarem&quot; a nenhum companheiro nas sess&otilde;es de tortura ministradas pelos p&aacute;ra-quedistas franceses. O sacrif&iacute;cio dos dois, levou-os ao para&iacute;so (segundo a interpreta&ccedil;&atilde;o da Frente de Liberta&ccedil;&atilde;o Argelina, FLN, e abalizada pelos muftis e sufis) e elevou o exemplo ao infinito.<\/font><\/font><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Verdana\">O discurso cl&aacute;ssico da esquerda ocidental come&ccedil;ou a se romper no mundo &aacute;rabe quando a Frente de Liberta&ccedil;&atilde;o Nacional (FLN) terminou sua alian&ccedil;a com o Partido Comunista Franc&ecirc;s. Numa reuni&atilde;o em Paris, Ben Bella e Boumeddiene (entre outros) discutiam com o comit&ecirc; central dos stalinistas o lan&ccedil;amento ou n&atilde;o da luta armada pela independ&ecirc;ncia da Arg&eacute;lia. O PC franc&ecirc;s alegou que n&atilde;o era o momento (nos primeiros meses de 1956), uma vez que a chance de vit&oacute;ria eleitoral seria grande, e por decreto, a Arg&eacute;lia deixaria de ser col&ocirc;nia da Fran&ccedil;a. O comando da FLN agradeceu a disposi&ccedil;&atilde;o de &quot;luta&quot; dos companheiros franceses (muitos ex-maquis da resist&ecirc;ncia anti-nazi) e voltou para a Arg&eacute;lia sem nenhum acordo. Uma semana depois a FLN deflagrava a guerra na willaya (regi&atilde;o militar de seu bra&ccedil;o armado, o ELN argelino) da Cab&iacute;lia (regi&atilde;o de maioria b&eacute;rbere). Alguns meses passados, a frente pol&iacute;tica encabe&ccedil;ada pelos stalinistas franceses n&atilde;o ganhou elei&ccedil;&atilde;o alguma. Seis anos depois, e um milh&atilde;o de &aacute;rabes mortos, a Arg&eacute;lia conquistava sua independ&ecirc;ncia.<\/font><\/font><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Verdana\">A pr&oacute;pria cria&ccedil;&atilde;o da FLN foi um rompimento com o marxismo europeu. Na sua constitui&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica, definiram as bases de um futuro &quot;socialismo &aacute;rabe&quot;, uma postura mais &agrave; esquerda que o nacionalismo de Nasser (Egito), ou o militarismo do baas (partido nacional-militar &aacute;rabe). Conseguindo aproximar-se de sufis do interior e muftis do casbah, incorporou ao seu discurso a pr&oacute;pria trajet&oacute;ria do povo e da regi&atilde;o a qual se tornou o instrumento pol&iacute;tico-militar de liberta&ccedil;&atilde;o. <\/font><\/font><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Verdana\">Os partidos &aacute;rabes tem de absorver (e muito) as fun&ccedil;&otilde;es das mesquitas, a organiza&ccedil;&atilde;o da moral e do com&eacute;rcio (entre os homens de bem), o ensino, os aparelhos de previd&ecirc;ncia (caridade), a prote&ccedil;&atilde;o &agrave;s mulheres, a autoridade judicial (interpretando os c&oacute;digos) e o poder militar. A guerra popular, ou seja, a pol&iacute;tica beligerante impulsionada por uma for&ccedil;a organizadora (como Muhammad na avan&ccedil;ada verde e Barrab&aacute;s entre os zelotes) &eacute; um fen&ocirc;meno t&atilde;o presente entre os semitas como o deserto, com&eacute;rcio e o infeliz autoritarismo de seus l&iacute;deres e estruturas.<\/font><\/font><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Verdana\">Na FLN, os mudjahiddins transformaram-se em m&aacute;rtires. Nas v&aacute;rias correntes e partidos que compuseram a OLP, os fedayins j&aacute; partiram do princ&iacute;pio que &quot;seriam her&oacute;is ou m&aacute;rtires&quot;. O mart&iacute;rio implica o sacrif&iacute;cio volunt&aacute;rio por uma causa que se considera justa. Com tal n&iacute;vel de desprendimento, seria ing&ecirc;nuo imaginar que esta op&ccedil;&atilde;o &eacute; apenas e t&atilde;o somente um &quot;ato de boa vontade&quot;. O her&oacute;i &eacute; o oposto do covarde, e o m&aacute;rtir o oposto da v&iacute;tima (ao menos entre os &aacute;rabes militantes, sejam nacionalistas, integristas ou socialistas).<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Verdana\">Num domingo qualquer de novembro de 2000, a Globo expunha horrorizada uma mat&eacute;ria com o xeque l&iacute;der e n&uacute;mero 1 do Hizballah (partido religioso-militar dos camponeses xiitas do Sul do L&iacute;bano). O rep&oacute;rter esportivo global, deslocado para a mat&eacute;ria de editoria internacional, narrava os homens-bombas, interpelando como &quot;um homem pode mandar o seu pr&oacute;prio filho para a morte?!&quot;. Um garoto de 15 anos foi l&iacute;der de um comando suicida. Semtex, dinamite &#8211; allahuacbahr! &#8211; e cabum!, adeus filho do xeque, levando junto alguns soldados israelenses das tropas de ocupa&ccedil;&atilde;o.<\/font><\/font><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Verdana\">Em tese, tanto o garoto como os jovens soldados, seriam apenas meros pe&otilde;es num complexo jogo do xadrez pol&iacute;tico da regi&atilde;o. Sim, de certa forma, n&atilde;o deixam de ser isso. Mas n&atilde;o apenas isso. O garoto eterniza seu sofrimento, e eleva o de seus iguais ao infinito. A mensagem &eacute; simples: &quot;serei her&oacute;i ou m&aacute;rtir&quot;; e para o filho do l&iacute;der xiita, n&atilde;o h&aacute; nem nunca houve uma outra op&ccedil;&atilde;o ou expectativa de vida.<\/font><\/font><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Verdana\">No in&iacute;cio dos anos 60, os novos l&iacute;deres palestinos conclamavam que era hora de deixarem de &quot;ser filhos da vergonha&quot;. Deveriam &quot;erguer-se, ficarem de p&eacute; e partir a caminho&quot;. Com 13% de crist&atilde;os (de rito cat&oacute;lico ou greco-ortodoxo), se comparavam a &quot;L&aacute;zaro&quot;, e uma vez ressucitados, deveriam ser &quot;her&oacute;is ou m&aacute;rtires&quot;. Caso mortos em combate, a OLP sustentaria para sempre sua m&atilde;e, esposa e filhos. O sentimento dos filhos dos fellahs (camponeses) ent&atilde;o sem terra, seria lutar ou viver como p&aacute;rias vagando em campos de refugiados; ou ent&atilde;o aburguesando-se numa di&aacute;spora europ&eacute;ia e norte-americana (como a fam&iacute;lia de Edward Said, talvez o maior intelectual palestino vivo, professor de literatura em Columbia, NY). Para que isso n&atilde;o ocorresse, tornaram-se fedayins, guerrilheiros da di&aacute;spora, treinados desde que nasceram, e partindo em opera&ccedil;&otilde;es a partir dos 12 anos de idade.<\/font><\/font><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Verdana\">Como o sofrimento do mart&iacute;rio &eacute; a gl&oacute;ria maior dos &quot;filhos de Deus&quot;, seu efeito se irradia de forma descontrolada pelas ruas do mundo &aacute;rabe. De quinze anos para c&aacute; hegemonicamente os partidos integristas vem substituindo as organiza&ccedil;&otilde;es de esquerda e nacionalistas, canalizando este sentimento para a constru&ccedil;&atilde;o de Estados com base na sharia (a lei isl&acirc;mica, a interpreta&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica das suratas que o anjo Gabriel narrou ao Profeta na caverna). As elites dos Estados &aacute;rabes sempre manipularam este sentimento, procurando control&aacute;-lo ou canalizando-o da forma menos danosa (para as elites destes pa&iacute;ses) o poss&iacute;vel. Na di&aacute;spora palestina, at&eacute; a retirada for&ccedil;ada do L&iacute;bano em 1983 (antes dos massacres de Sabra e Chatila, chamada de Baba Yar dos &aacute;rabes), este sentimento era imposs&iacute;vel de controlar.<\/font><\/font><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Verdana\">Na primeira Intifada (1987-1992), passando o protagonismo da luta de liberta&ccedil;&atilde;o para a massa sub-empregada em Gaza e na Cisjord&acirc;nia ocupada, esta retomou o sentimento (o da gl&oacute;ria do mart&iacute;rio) e transformou-o em pol&iacute;tica p&uacute;blica, no levante total dos Territ&oacute;rios Ocupados em 1967. Sobre a juventude palestina da segunda metade dos anos 80, foi entregue toda a expectativa de perman&ecirc;ncia hist&oacute;rica de um povo sob ocupa&ccedil;&atilde;o estrangeira. <\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Verdana\">Os cartazes do ex&iacute;lio diziam: &quot;A Intifada nos devolveu o orgulho, vamos aliment&aacute;-la de esperan&ccedil;a&quot;. Com o recrudescimento do Levante, a pol&iacute;tica de controle de multid&otilde;es dos israelenses era a &quot;dos bra&ccedil;os quebrados&quot;. Acreditavam que quebrando os bra&ccedil;os dos manifestantes mais jovens, semeariam o p&acirc;nico entre os meninos. A juventude palestina evocou o mito de &quot;David&quot; e chamou a si mesma de &quot;jovens das pedras&quot;, e continuou quebrando o pau todo santo dia.<\/font><\/font><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Verdana\">Voltando ao assassinato do menino no muro, a pol&iacute;tica de controle israelense incorre na mesma medida, agora substituindo os bra&ccedil;os quebrados pelas balas. Eternizaram o menino da pior forma poss&iacute;vel, como v&iacute;tima das tropas de ocupa&ccedil;&atilde;o. O sentimento do sacrif&iacute;cio volunt&aacute;rio foi mais uma vez convocado, tendo Israel colaborado em difundir o contra-exemplo (o da v&iacute;tima semita assassinada por europeus que se dizem &quot;v&iacute;timas do anti-semitismo&quot;). O mart&iacute;rio das crian&ccedil;as transmite seu sofrimento ao infinito, apontando algo da estrutura que os faz sofrer, mas tendo a &quot;sorte&quot; de poder apontar a si mesmos contra os alvos e s&iacute;mbolos vivos (e logo em seguida mortos) dos &quot;malditos&quot; inimigos.<\/font><\/font><br \/>\n<font face=\"Courier New\"><font face=\"Courier New\"><font face=\"Courier New\"><font face=\"Courier New\"><font face=\"Courier New\"><font face=\"Courier New\"><font face=\"Courier New\"><font face=\"Courier New\"><font face=\"Courier New\"><font face=\"Courier New\"><font face=\"Courier New\"><font face=\"Courier New\"><font face=\"Courier New\"><font face=\"Courier New\"><font face=\"Courier New\"><font face=\"Courier New\"><font face=\"Courier New\"><font face=\"Courier New\"><font face=\"Courier New\"><font face=\"Courier New\"><font face=\"Courier New\"><font face=\"Courier New\"><font face=\"Courier New\"><font face=\"Courier New\"><font face=\"Courier New\"><font face=\"Courier New\"><font face=\"Courier New\"><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<\/font><\/font><\/font><\/font><\/font><\/font><\/font><\/font><\/font><\/font><\/font><\/font><\/font><\/font><\/font><\/font><\/font><\/font><\/font><\/font><\/font><\/font><\/font><\/font><\/font><\/font><\/font><\/font><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>TV francesa mostra desespero de um pai tentando proteger o filho palestino durante ocupa\u00e7\u00e3o da faixa de Gaza por tropas israelenses. Tanto Muhammad Jamal Ad-Durah, 12 anos, quanto seu protetor acabariam mortos em poucos minutos. Foto:Addameer Rio de Janeiro, dezembro de 2000 &nbsp; Introdu&ccedil;&atilde;o: O tema foi escolhido porque acredito ser poss&iacute;vel um razo&aacute;vel desenvolvimento [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-74","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/74","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=74"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/74\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10973,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/74\/revisions\/10973"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=74"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=74"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=74"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}