{"id":740,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=740"},"modified":"2023-03-13T21:22:10","modified_gmt":"2023-03-14T00:22:10","slug":"futebol-e-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=740","title":{"rendered":"Futebol e Pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/h60medici.JPG\" title=\" O general do radinho, dividia o Caneco com uma das m\u00e3os, na outra ajudava a operar a repress\u00e3o sistem\u00e1tica. - Foto:\" alt=\" O general do radinho, dividia o Caneco com uma das m\u00e3os, na outra ajudava a operar a repress\u00e3o sistem\u00e1tica. - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\"> O general do radinho, dividia o Caneco com uma das m\u00e3os, na outra ajudava a operar a repress\u00e3o sistem\u00e1tica.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p ><?xml:namespace prefix = st1 ns = \"schemas-houaiss\/mini\" \/>Vila Setembrina dos Farrapos, Continente do <?xml:namespace prefix = st2 ns = \"schemas-houaiss\/acao\" \/>Rio Grande de S\u00e3o Sep\u00e9,<\/p>\n<p >14 de junho de 2006<\/p>\n<p >Imagino que voc\u00ea leitor, ainda deve <st2:hm>estar<\/st2:hm> com taquicardia ap\u00f3s a partida de estr\u00e9ia do Brasil na Copa da Alemanha. Este foi o advers\u00e1rio mais dif\u00edcil. Tivemos pela frente a Cro\u00e1cia e a tens\u00e3o dos mais de 180 milh\u00f5es de t\u00e9cnicos da sele\u00e7\u00e3o. O magro 1 x 0 foi o suficiente para <st2:hm>antever<\/st2:hm> o que vem por a\u00ed. Mas, ao inv\u00e9s do lugar comum destas palavras, este artigo se dedica a <st2:hm>observar<\/st2:hm> comportamentos e casos reveladores das entrelinhas da maior paix\u00e3o nacional. A bola como par\u00f3dia da vida \u00e9 mais profunda do que imaginamos.<\/p>\n<p >O <?xml:namespace prefix = st2 ns = \"schemas-houaiss\/acao\" \/>primeiro <?xml:namespace prefix = st1 ns = \"schemas-houaiss\/mini\" \/>destaque \u00e9 para o comportamento da m\u00eddia brasileira ao longo dos \u00faltimos anos. Depois de duas CPIs do futebol brasileiro, uma na C\u00e2mara e outra no Senado, por \u201cm\u00e1gica\u201d foram suspensas as investiga\u00e7\u00f5es a respeito da gest\u00e3o de Ricardo Teixeira \u00e0 frente da CBF. Na mesma f\u00f3rmula de desaparecimento, sumiram os dezessete pedidos de indiciamento barrados pelo Judici\u00e1rio do Rio de Janeiro, protegendo assim, o presidente da entidade, que comanda o futebol no pa\u00eds. <\/p>\n<p >Nunca \u00e9 demais <st2:hdm>lembrar<\/st2:hdm>, que Ricardo Teixeira \u00e9 o ex-genro de Jo\u00e3o Havelange; este por sinal quando jovem, foi atleta de p\u00f3lo aqu\u00e1tico do Fluminense Football Club. Quando da conquista do tricampeonato em 1970, Havelange comandava a ent\u00e3o Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Desportos (CBD), M\u00e1rio Jorge Lobo Zagallo era o t\u00e9cnico e Carlos Alberto Parreira fazia parte da equipe de prepara\u00e7\u00e3o f\u00edsica. E, para n\u00e3o <st2:hdm>esquecer<\/st2:hdm> do \u00f3bvio, viv\u00edamos o governo do general Em\u00edlio Garrastaz\u00fa M\u00e9dici, da arma da cavalaria e natural de Bag\u00e9.<\/p>\n<p >Tudo isto desapareceu por m\u00e1gica, vindo a <st2:hm>fazer<\/st2:hm> parte mais do folclore do futebol do que de seus bastidores. O mesmo ocorre com os chamados cartolas e suas mete\u00f3ricas e um tanto estapaf\u00fardias carreiras pol\u00edticas. A paix\u00e3o nacional se v\u00ea \u201crepresentada\u201d por seus dirigentes \u201camadores\u201d tamb\u00e9m dubl\u00eas de pol\u00edticos profissionais. A promo\u00e7\u00e3o de um dirigente da bola para o cargo de dirigente pol\u00edtico \u00e9 algo controverso. A quem ele representa? Quais interesses defende? Se fosse um gestor profissional, teria a obriga\u00e7\u00e3o de <st2:hm>apresentar<\/st2:hm> rendimentos, balan\u00e7os, contratos registrados e, minimamente, <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> uma boa gest\u00e3o financeira. Como s\u00e3o \u201camadores\u201d, n\u00e3o prestam contas daquilo que fazem. <\/p>\n<p >Para <st2:hm>sanear<\/st2:hm> o ambiente, poder\u00edamos <st2:hm>pensar<\/st2:hm> em duas normas imediatas. Uma delas, seria a exig\u00eancia de quarentena para os dirigentes de futebol. O precedente j\u00e1 est\u00e1 aberto. Os altos tecnocratas, ap\u00f3s exercerem fun\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas no Estado, tem de <st2:hm>esperar<\/st2:hm> um certo tempo at\u00e9 voltarem para a iniciativa privada. \u00c9 certo que o tempo \u00e9 curto, e os contatos e influ\u00eancias n\u00e3o se esgotam em um ano. Mas, que j\u00e1 \u00e9 uma boa medida, isto \u00e9. <\/p>\n<p >O mesmo grassa para jornalistas que se candidatam a cargos p\u00fablicos, tendo eles de se <st2:hdm>afastar<\/st2:hdm> da m\u00eddia alguns meses antes das elei\u00e7\u00f5es. J\u00e1 os dirigentes desportivos, possuem um palanque de risco, com p\u00fablico cativo, duas ou tr\u00eas vezes por semana de acordo com o time que controlam. Ficassem de quarentena por dois anos no m\u00ednimo, impedidos de <?xml:namespace prefix = st3 ns = \"schemas-houaiss\/verbo\" \/><st3:infinitivo>concorrer<\/st3:infinitivo> a cargos p\u00fablicos logo ap\u00f3s a gest\u00e3o de um clube de futebol, e haveriam altera\u00e7\u00f5es profundas.<\/p>\n<p >No Rio Grande, temos v\u00e1rios exemplos de carreira e trajet\u00f3ria pol\u00edtica vinculada ao futebol. Distinto do que ocorre em demais estados da Uni\u00e3o, aqui o modelo \u00e9 mais parecido com o Uruguai e a Argentina. O ex-presidente da Banda Oriental, J\u00falio Maria Sanguinetti, \u00e9 t\u00e3o, umbilicalmente, ligado ao Partido Colorado como \u00e0 diretiva do Pe\u00f1arol. Exemplos assim s\u00e3o identific\u00e1veis tamb\u00e9m com pol\u00edticos do Partido Blanco e o Clube Nacional de Futebol. <\/p>\n<p >J\u00e1 na Argentina, a mescla incendi\u00e1ria de peronismo e paix\u00e3o boquense levou \u00e0 cen\u00e1rios muito interessantes. Tanto do campo popular como do aparelhamento do Partido Justicialista pelas m\u00e1fias menemistas. Exemplo claro disso \u00e9 a trajet\u00f3ria do senhor Carlos Macri, dubl\u00ea de presidente do Club Boca Jrs. e dirigente e candidato <st2:hdm>parlamentar<\/st2:hdm> do PJ ligado a Carlos Saul Menem. Me recordo de uma campanha pol\u00edtica Argentina ocorrida no ano de 1997. Nos muros da Bombonera estava pichado:<\/p>\n<p >Vota Macri! De Boca y peronista como tu!<\/p>\n<p >Do lado de c\u00e1 do Rio Uruguay, ocorre o mesmo. A oligarquia ga\u00facha, em geral sobre-representada por seu campo jur\u00eddico, assiste uma leva de advogados com carreira pol\u00edtica entreverada com a dirig\u00eancia de Internacional e Gr\u00eamio. O modo de <st2:hm>funcionar<\/st2:hm> de pol\u00edticos ligados ao futebol ga\u00facho \u00e9 institucionalizado. Exemplos atuais s\u00e3o v\u00e1rios, como Paulo Odone, atual presidente do Gr\u00eamio e vereador pelo PPS em Porto Alegre; Jos\u00e9 Ot\u00e1vio Germano, deputado federal pelo PP e ex-dirigente tricolor; Fernando Z\u00e1chia, deputado estadual pelo PMDB, ex-dirigente colorado e figura presente na m\u00eddia esportiva; e o mais not\u00f3rio de todos a n\u00edvel nacional, o ex-deputado federal e atual vereador pelo mesmo partido, o colorado Ibsen Pinheiro.<\/p>\n<p >Os exemplos s\u00e3o distintos, porque estes dirigentes e pol\u00edticos, longe de serem folcl\u00f3ricos, s\u00e3o muito competentes. Nem por isso deixam de <st2:hdm>praticar<\/st2:hdm> uma certa demagogia futeboleira. Mas, o problema de fundo \u00e9 outro. No Rio Grande do Sul existe e \u00e9 aceit\u00e1vel, a no\u00e7\u00e3o de que \u00e9 leg\u00edtimo <st2:hm>fazer<\/st2:hm> pol\u00edtica na interna de um clube de futebol e ao mesmo tempo <st2:hm>transplantar<\/st2:hm> essa \u201crepresenta\u00e7\u00e3o\u201d para as urnas. Ou seja, se alguma medida houvesse para <st2:hm>combater<\/st2:hm> este tipo de pr\u00e1tica pol\u00edtica, o maior foco contr\u00e1rio sairia daqui.<\/p>\n<p >Mas, sejamos justos, a cegueira e surdez da m\u00eddia n\u00e3o \u00e9 exclusividade ga\u00facha. A cr\u00f4nica esportiva, sem d\u00favida uma das mais belas e tocantes formas narrativas contempor\u00e2neas, deriva mais para a f\u00e1bula do que para o jornalismo investigativo. Das vezes que se encheu de coragem, nos ofereceu belos exemplos. <\/p>\n<p >Me lembro da revista <st2:hm>Placar<\/st2:hm> dos anos \u201880, ainda semanal e sob a batuta de Juca Kfouri. Naquelas linhas, muitos como eu, tanto aprendemos a <st2:hdm>tomar<\/st2:hdm> o gosto pela leitura, como nos iniciamos na pol\u00edtica atrav\u00e9s da apura\u00e7\u00e3o dos esc\u00e2ndalos da loteria esportiva. Na literatura social brasileira, Edilberto Coutinho, escritor divino e esquecido, fez poesia urbana nas cr\u00f4nicas do cl\u00e1ssico do g\u00eanero, \u201cMaracan\u00e3 Adeus\u201d. Os exemplos s\u00e3o muitos, mas absurdamente minorit\u00e1rios se comparados com a m\u00eddia desportiva chapa branca. A mesma que destina laudas sem fim apurando quantas bolhas estouraram nos p\u00e9s de Ronaldo, e nenhum linha sobre o contrato da Nike com a Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Futebol.<\/p>\n<p >Longe de <st2:hm>defender<\/st2:hm> uma cr\u00f4nica esportiva s\u00e9ria e sisuda, gostaria de <st2:hm>ver<\/st2:hm> a investiga\u00e7\u00e3o t\u00e3o precisa e detalhada quanto a an\u00e1lise das varia\u00e7\u00f5es t\u00e1ticas em cada coletivo da sele\u00e7\u00e3o. Mas, fica a pergunta, haveria anunciante para um jornalismo assim?<\/p>\n<p >Creio que sim. N\u00e3o apenas anunciante como um p\u00fablico ainda mais fiel, bem informado e fiscalizador dos desmandos da cartolagem. O radinho de pilha colado ao ouvido do general n\u00e3o maculou a conquista do tri no M\u00e9xico. Mais forte que M\u00e9dici e Orlando Geisel estava a presen\u00e7a do alegretense Jo\u00e3o Saldanha. Al\u00e7ado ao Olimpo da gl\u00f3ria, optou por <st2:hm>ficar<\/st2:hm> entre os mortais. Deixou o posto de treinador da sele\u00e7\u00e3o brasileira mas n\u00e3o a dignidade. Mandou o presidente <st2:hm>escalar<\/st2:hm> o minist\u00e9rio, pois o time quem escalava era ele.<\/p>\n<p >Que Jo\u00e3o Saldanha sirva de exemplo para os pol\u00edticos e assessores de campanha de 2006.<\/p>\n<p >Artigo originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O general do radinho, dividia o Caneco com uma das m\u00e3os, na outra ajudava a operar a repress\u00e3o sistem\u00e1tica. 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