{"id":750,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=750"},"modified":"2023-03-13T21:18:11","modified_gmt":"2023-03-14T00:18:11","slug":"uma-campanha-ausente-de-informacao-estrategica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=750","title":{"rendered":"Uma campanha ausente de informa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/caixa vazia.jpg\" title=\"Sem saber utilizar as ferramentas contidas na caixa, uma caixa, cheia ou vazia, est\u00e1 sempre vazia de sentido para quem n\u00e3o domina seus recursos O mesmo vale para as ferramentas conceituais embutidas nos discursos ausentes de conte\u00fado anal\u00edtico.\n\n\n - Foto:\" alt=\"Sem saber utilizar as ferramentas contidas na caixa, uma caixa, cheia ou vazia, est\u00e1 sempre vazia de sentido para quem n\u00e3o domina seus recursos O mesmo vale para as ferramentas conceituais embutidas nos discursos ausentes de conte\u00fado anal\u00edtico.\n\n\n - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Sem saber utilizar as ferramentas contidas na caixa, uma caixa, cheia ou vazia, est\u00e1 sempre vazia de sentido para quem n\u00e3o domina seus recursos O mesmo vale para as ferramentas conceituais embutidas nos discursos ausentes de conte\u00fado anal\u00edtico.<\/p>\n<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p >Vila Setembrina dos Farrapos, Continente de S\u00e3o Sep\u00e9, 22 de agosto de 2006<\/p>\n<p >Em plena campanha eleitoral, uma das impress\u00f5es recorrentes \u00e9 estarmos vivendo um grande vazio pol\u00edtico. N\u00e3o falamos do cl\u00e1ssico \u201cvazio de poder\u201d, coisa que na pr\u00e1tica n\u00e3o existe. Mas, a afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 de sensa\u00e7\u00e3o de vazio, onde a propaganda dos candidatos est\u00e1 muito desvinculada de sua capacidade de materializa\u00e7\u00e3o. Semana passada, expusemos como a falta de informa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica implica no duplo discurso teatralizado. Neste texto, traremos um exemplo de conceitos fundamentais que passam a l\u00e9guas de dist\u00e2ncia de todos os palanques.<\/p>\n<p >Para trabalharmos com informa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica, \u00e9 necess\u00e1rio reafirmar a id\u00e9ia formadora do conceito de estrat\u00e9gia e informa\u00e7\u00e3o. Comecemos pelo segundo. A informa\u00e7\u00e3o, para ser utilizada al\u00e9m do r\u00f3tulo, necessita passar por um processo de an\u00e1lise. Destes processos, o mais conhecido e popularizado em milhares de consultorias de marketing e administra\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma vers\u00e3o civil do chamado ciclo de intelig\u00eancia. Se fosse uma f\u00e1brica ainda fordista, a mat\u00e9ria prima passaria pela seguinte linha de montagem: coleta\/capta\u00e7\u00e3o \u2013 classifica\u00e7\u00e3o \u2013 primeira an\u00e1lise (bruta) \u2013 segunda an\u00e1lise (fina) \u2013 processo (sempre comparativo) \u2013 destino e operacionaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p >Embora pare\u00e7a algo complexo, tal processo \u00e9 de uso comum de um sem n\u00famero de espa\u00e7os de decis\u00e3o. Na aus\u00eancia de an\u00e1lise e destino da informa\u00e7\u00e3o, os dados pouco ou nada diferem de uma caixa vazia. Ou seja, ainda que tenha validade est\u00e9tica, a n\u00e3o ser que o objetivo seja colecionar caixas, uma caixa vazia serve para quase nada. O mesmo ocorre nas campanhas. Um candidato afirma que vai destinar uma certa quantia, X R$ milh\u00f5es de reais para um setor de governo, digamos, o saneamento. Mas, sem a informa\u00e7\u00e3o precisa de quantos milh\u00f5es de reais s\u00e3o necess\u00e1rios para o investimento inicial no sistema cloacal, o eleitor fica sem saber se a quantia prometida \u00e9 muita ou pouca. Ou seja, sem saber quanto \u00e9 o investimento m\u00ednimo para um determinado empreendimento, R$ 10 milh\u00f5es de reais podem ser muito ou pouco, significativo ou irris\u00f3rio. <\/p>\n<p >J\u00e1 a id\u00e9ia de estrat\u00e9gia \u00e9 por si s\u00f3 alvo de desinforma\u00e7\u00e3o. Em \u00faltima analise, estrat\u00e9gia implica em conflito, antagonismo, disputa e luta. Considerando que ningu\u00e9m age sozinho, a autonomia estrat\u00e9gica implica em supremacia na intera\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica. A disputa em um cen\u00e1rio complexo necessariamente, passa pela aplica\u00e7\u00e3o do ciclo de intelig\u00eancia sobre os demais atores presentes no contexto do conflito (manobras) e a resultante dos ciclos de an\u00e1lise e embates a cada teatro de opera\u00e7\u00f5es (batalhas). Trazendo a compara\u00e7\u00e3o para o terreno da pol\u00edtica brasileira, \u00e9 not\u00f3rio e sabido que os lobbies e cons\u00f3rcios pol\u00edtico-empresariais entram em conflito por diversos interesses simult\u00e2neos. Peleiam entre si no limite da sobreviv\u00eancia de seus membros como setor de classe dominante. Na maior parte das vezes, a raz\u00e3o de classe fala mais alto e o instinto de auto-preserva\u00e7\u00e3o e acordo superam os \u00f3dios gerados e geradores de disputa.<\/p>\n<p >Assim, se a massa do eleitorado tivesse acesso n\u00e3o s\u00f3 ao jarg\u00e3o da an\u00e1lise, mas aos instrumentos dos analistas, seria mais f\u00e1cil compreender e n\u00e3o ser surpreendido pelos jogos de bastidores. O instinto de preserva\u00e7\u00e3o salvou os mensaleiros, boa parte dos an\u00f5es do or\u00e7amento e retira da lista dezenas de sanguessugas. Este mesmo sentimento impede que Geraldo Alckmin saia de sua indecis\u00e3o de aceitar a opini\u00e3o do PFL e de setores tucanos e parta para o vale tudo eleitoral. <\/p>\n<p >Fernando Collor de Mello n\u00e3o teve este pudor, trouxe a Miriam Cordeiro para a campanha de 1989 e venceu a disputa na base da baixaria, escorado na edi\u00e7\u00e3o do Jornal Nacional e com dinheiro jorrando do caixa 2 das transnacionais. Em compensa\u00e7\u00e3o, a oposi\u00e7\u00e3o sofrida e o abandono de seus ex-apoiadores esgotaram sua capacidade de governo. Mesmo nos piores momentos de FHC, o PT como estrutura partid\u00e1ria evitou embarcar em situa\u00e7\u00f5es complicadas como a do Dossi\u00ea Cayman (tanto o falso como o verdadeiro) ou ent\u00e3o abordar temas de ordem pessoal, como o da jornalista da Rede Globo, Miriam Dutra. <\/p>\n<p >Particularmente entendo que a disputa eleitoral n\u00e3o deveria grassar pela baixaria. Mas, do ponto de vista estrito da atual oposi\u00e7\u00e3o, ou a alian\u00e7a de PSDB e PFL aponta o alvo para o presidente, ou ent\u00e3o \u00e9 melhor desistir da disputa presidencial. Se por um lado, a informa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica a respeito de ex-mulheres e ex-amantes \u00e9 importante para uma campanha teatralizada, por outro, para a popula\u00e7\u00e3o isto n\u00e3o \u00e9 nada estrat\u00e9gico. At\u00e9 porque n\u00e3o implica em nenhum interesse irreconcili\u00e1vel sendo disputado. Ou seja, para a maioria dos brasileiros n\u00e3o passa de f\u00e1bula folhetinesca de quinta categoria. <\/p>\n<p >Com o intuito de aportar, minimamente, para este debate p\u00fablico, desejo ir al\u00e9m da baixaria de campanha e trazer alguns elementos conceituais. Traduzindo para linguagem corrente, trago algumas ferramentas e no artigo seguinte concluo a an\u00e1lise cr\u00edtica oferecendo uma proje\u00e7\u00e3o de poss\u00edvel emprego destes conceitos. Este exerc\u00edcio seria parte de um treinamento b\u00e1sico para os eleitores, se e caso viv\u00eassemos sob um regime de democracia participativa, direta e deliberativa. Isto \u00e9, justo o oposto do regime de mando indireto, delegativo e de hiato de representa\u00e7\u00e3o. Assim, algumas informa\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas que em nossa opini\u00e3o deveriam ser pauta obrigat\u00f3ria para os elementos de discurso dos candidatos s\u00e3o as seguintes orienta\u00e7\u00f5es de governo:<\/p>\n<p >&#8211; concess\u00f5es p\u00fablicas: os servi\u00e7os concedidos pelo p\u00fablico atrav\u00e9s do Estado e sua necess\u00e1ria regula\u00e7\u00e3o; um exemplo s\u00e3o as concess\u00f5es para canais de r\u00e1dio e TV.<\/p>\n<p >&#8211; pol\u00edtica econ\u00f4mica: as fontes de receita e administra\u00e7\u00e3o do Estado, a carga tribut\u00e1ria, a aplica\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento; como \u00e9 o caso da muito aplicada e pouco discutida DRU, a Desvincula\u00e7\u00e3o dos Recursos da Uni\u00e3o, contingenciando verbas e canalizando-as para o esgoto da ciranda financeira.<\/p>\n<p >&#8211; economia pol\u00edtica e infra-estruturas necess\u00e1rias: os modelos de servi\u00e7os e neg\u00f3cios aplicados \u00e1rea por \u00e1rea e suas necess\u00e1rias cadeias produtivas; tal \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o da cadeia de semi-condutores e de micro-eletr\u00f4nica, especificamente na urgente necessidade de fabrica\u00e7\u00e3o de chips no Brasil.<\/p>\n<p >&#8211; pol\u00edticas p\u00fablicas: as a\u00e7\u00f5es de governo para atender demandas da sociedade, universalizando o acesso a bens, servi\u00e7os e oportunidades atrav\u00e9s de pesado investimento p\u00fablico; este \u00e9 o caso emergencial da inclus\u00e3o digital e do acesso a conte\u00fado e produ\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p >Estes quatro conceitos e as respectivas informa\u00e7\u00f5es correspondentes para sua execu\u00e7\u00e3o no mundo real deveriam ser pauta da disputa. Este debate, assim como a matriz energ\u00e9tica a ser aplicada em nosso desenvolvimento, a pol\u00edtica externa do Brasil, o modelo agr\u00edcola e fundi\u00e1rio, dentre outros, seria informa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica para as maiorias do pa\u00eds. Uma vez que a campanha n\u00e3o passa por decidirmos nosso destino, mas somente alguma vari\u00e1vel de um destino pr\u00e9-tra\u00e7ado, o conflito antag\u00f4nico que veremos \u00e9 entre candidatos, e n\u00e3o entre propostas de fundo.<\/p>\n<p >Quando a luta popular n\u00e3o pauta as decis\u00f5es, nos resta apostar na capacidade de convencimento dos marketeiros de plant\u00e3o. Se e caso Geraldo escutar seus aliados do PFL, a campanha pode ao menos ficar mais emocionante. Ent\u00e3o, teremos a \u201calegria\u201d de assistir passivamente a uma telenovela real, um choque indireto entre atores do quilate de Ricardo S\u00e9rgio de Oliveira e Eduardo Jorge Caldas de um lado, e Del\u00fabio Soares e Paulo Okamotto do outro.<\/p>\n<p >Do jeito que a campanha anda murcha, n\u00e3o teremos a disputa na forma da baixaria das acusa\u00e7\u00f5es reais de Caixa 2, dentre outras irregularidades. Infelizmente, nesta arena tamb\u00e9m n\u00e3o vai entrar em jogo o destino do povo e do pa\u00eds.<\/p>\n<p >Artigo originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sem saber utilizar as ferramentas contidas na caixa, uma caixa, cheia ou vazia, est\u00e1 sempre vazia de sentido para quem n\u00e3o domina seus recursos O mesmo vale para as ferramentas conceituais embutidas nos discursos ausentes de conte\u00fado anal\u00edtico. 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