{"id":761,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=761"},"modified":"2023-03-13T21:19:09","modified_gmt":"2023-03-14T00:19:09","slug":"pesquisas-eleitorais-e-o-posicionamento-de-aliados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=761","title":{"rendered":"Pesquisas eleitorais e o posicionamento de aliados"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/dinheiro_do_vedoin.bmp\" title=\"O efeito das pesquisas abafou o choque midi\u00e1tico gerado com a foto tirada pelo delegado da PF, lotado da SR de S\u00e3o Paulo, e que arriscara a carreira para gerar esta imagem equivalente a um atentado.\n\n - Foto:\" alt=\"O efeito das pesquisas abafou o choque midi\u00e1tico gerado com a foto tirada pelo delegado da PF, lotado da SR de S\u00e3o Paulo, e que arriscara a carreira para gerar esta imagem equivalente a um atentado.\n\n - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">O efeito das pesquisas abafou o choque midi\u00e1tico gerado com a foto tirada pelo delegado da PF, lotado da SR de S\u00e3o Paulo, e que arriscara a carreira para gerar esta imagem equivalente a um atentado.<\/p>\n<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p >3\u00aa, 24 de outubro de 2006 Vila Setembrina dos Farrapos, Continente de S\u00e3o Sep\u00e9 <\/p>\n<p >Faltam cinco dias para as elei\u00e7\u00f5es e provavelmente o pleito nacional \u00e9 uma corrida com favorito e azar\u00e3o. Dentre os v\u00e1rios fatores que levaram \u00e0 disparada de Luiz In\u00e1cio em rela\u00e7\u00e3o a Geraldo Alckmin, tr\u00eas foram importantes. O primeiro e mais sentido, a demora para a retomada da campanha por parte da chapa tucana-pefelista. O segundo, os resultados imediatos dos debates, a contar com o primeiro realizado pelo Grupo Bandeirantes, quando o Chuchu ganhou mas n\u00e3o levou. J\u00e1 o terceiro fator, \u00e9 de uso continuado, eterno vetor de reclama\u00e7\u00f5es, protestos e fonte de renda. Estamos falando das pesquisas eleitorais e seus efeitos diretos e indiretos.<\/p>\n<p >Finda a apura\u00e7\u00e3o nacional, j\u00e1 apontado o segundo turno para a corrida da presid\u00eancia, e o telefone do escrit\u00f3rio de campanha do PSDB nacional n\u00e3o parou de tocar. Isto porque, a \u00fanica pesquisa que vale, \u00e0quela apurada na urna eletr\u00f4nica, trouxera de volta boa parte do empresariado para seu candidato favorito. Uma margem de diferen\u00e7a de oito pontos, ainda que a dist\u00e2ncia da situa\u00e7\u00e3o fosse de apenas 1% para a vit\u00f3ria, alimentara de esperan\u00e7as o n\u00edvel ideol\u00f3gico dos investidores de campanha. <\/p>\n<p >De forma vacilante, pouco a pouco uma parte do capital circulante no Brasil voltava sua f\u00e9 para o candidato org\u00e2nico da direita de sempre. \u00c9 certo que o governo Lula foi muito amigo, aliado de todas as horas, tendo escalado representantes da ind\u00fastria nacional, da Banca, do latif\u00fandio e do oligop\u00f3lio das comunica\u00e7\u00f5es para os respectivos postos-chave e minist\u00e9rios. No \u201cgoverno de fato\u201d do Banco Central e do Copom, ainda com toda a chiadeira dos juros e do c\u00e2mbio, o Planalto deixou mandar quem sempre governara no mundo real, por mais que n\u00e3o houvesse sido eleito de direito. <\/p>\n<p >Mesmo com todos estes fatores, boa parte dos setores de classes dominantes e suas elites dirigentes operando no Brasil se alinharam novamente com o PSDB e a tropa de choque do PFL. Sendo assim, o que os levou a recuar para uma posi\u00e7\u00e3o defensiva em menos de 10 dias? Afirmamos que, apesar da contest\u00e1vel relev\u00e2ncia cientifica das pesquisas eleitorais, a difus\u00e3o das mesmas, geram efeitos devastadores em aliados e eleitores recalcitrantes. <\/p>\n<p >Uma hip\u00f3tese de vetor para estes recuos s\u00e3o os efeitos diretos e indiretos gerados pela difus\u00e3o das pesquisas eleitorais. N\u00e3o vamos entrar aqui em uma profunda discuss\u00e3o metodol\u00f3gica das formas de fazer pesquisa, dos grupos de controle, dos padr\u00f5es de rigidez e do imediatismo das mesmas. Expomos nosso ponto de vista de que a pesquisa \u00e9 uma infer\u00eancia da realidade parcial, sacando uma fotografia muito focada, e com crit\u00e9rios no m\u00ednimo discut\u00edveis. Mas, lembramos que este n\u00e3o \u00e9 o foco do artigo.<\/p>\n<p >A pol\u00edtica se faz com v\u00e1rios fatores diretos e indiretos. Um dos diretos, e dos mais relevantes, \u00e9 o posicionamento dos agentes entre concorrentes. Um exemplo, Lula terminou o primeiro turno h\u00e1 menos de dois pontos percentuais de resolver a elei\u00e7\u00e3o naquela rodada. Este \u00e9 um enunciado. Outro afirmaria que Alckmin estava apenas a oito pontos do candidato da situa\u00e7\u00e3o. A radiografia de um momento dado, tanto pode ser de uma elei\u00e7\u00e3o quase decidida como de uma disputa acirrada.<\/p>\n<p >Deste modo, a difus\u00e3o da pesquisa, particularmente nos primeiros resultados posteriores ao 1\u00ba turno, paralisa a possibilidade de embalar a candidatura p\u00f3s-moderna do PSD com a UDN. Os mesmos aliados de \u00faltima hora mudam sua forma de proceder, gerando um efeito de letargia indireta nos c\u00edrculos estaduais j\u00e1 vitoriosos do PSDB. Centenas de capit\u00e3es de ind\u00fastrias e representantes de banqueiros que telefonavam entusiasmadamente para o tesoureiro de Alckmin, menos de duas semanas ap\u00f3s, simplesmente pararam de atender ao telefone. O efeito direto \u00e9 o de paralisia e des\u00e2nimo. Ao puxar a marcha mais lenta, o domin\u00f3 come\u00e7a a cair ao contr\u00e1rio. <\/p>\n<p >O mesmo se pode afirmar do comprometimento de A\u00e9cio Neves e Jos\u00e9 Serra. Antes da opera\u00e7\u00e3o de contra-intelig\u00eancia de um setor da PF agarrar no flagrante aos homens de Lorenzetti e Berzoini, o sobrinho de Tancredo flertava discretamente com o Planalto. A aproxima\u00e7\u00e3o vinha no blefe do pr\u00f3prio Lula, que o mesmo romperia com o PT, navegaria nos ventos de seus mais de 50 milh\u00f5es de votos, nos aliados do stablishment e em seu estado-maior do atual n\u00facleo duro. O governador reeleito das Minas Gerais comeu parte da isca e depois recuara para suas pr\u00f3prias tendas, tardiamente.<\/p>\n<p >Com o economista de Princeton, Jos\u00e9 Serra, passou o mesmo. Candidato de Fernando Henrique para o Planalto, teria todas as chances de disputar voto a voto com Lula este pleito. A chapa perfeita para o tucanato seria o ex-prefeito de S\u00e3o Paulo para presidente, FHC correndo para o Pal\u00e1cio dos Bandeirantes e o herdeiro pol\u00edtico de M\u00e1rio Covas indo para o cargo de honra ao m\u00e9rito no Senado. Alckmin virou a mesa na interna partid\u00e1ria, levando Serra a preferir n\u00e3o deflagrar a luta fratricida novamente. O emprego da metodologia \u201cgolberyana\u201d de 2002 cobrava seu pre\u00e7o quatro anos depois. Mesmo assim, o PFL amaciara, a alian\u00e7a seria poss\u00edvel, mas o problema da falta de coes\u00e3o estava dentro do tucanato paulista.<\/p>\n<p >Sou da opini\u00e3o que a inoc\u00eancia pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 uma premissa v\u00e1lida para operadores experimentados. Assim, uma alian\u00e7a com pouca coes\u00e3o, necessitava de fatores externos para fortalec\u00ea-la. Estes foram fornecidos atrav\u00e9s da marca\u00e7\u00e3o cerrada de um setor da PF e da oportunidade fornecida de municiar a campanha de Geraldo com o pr\u00eamio do dossi\u00ea falso. O complemento necess\u00e1rio \u00e9 o dado de realidade. <\/p>\n<p >O cen\u00e1rio do real \u00e9 muito dif\u00edcil de ser transmitido na comunica\u00e7\u00e3o de massa, e eis que entra em cena a prova material. Uma delas foi obtida, a famosa foto do dinheiro, a imagem e semelhan\u00e7a das pilhas de notas sem origem flagradas na empresa Lunus, pertencente ao marido da hoje aliada de Lula, Roseana Sarney. Ainda assim, na aus\u00eancia de um esc\u00e2ndalo maior e mais compreens\u00edvel por parte do grosso do eleitorado, necessitavam-se pesquisas favor\u00e1veis.<\/p>\n<p >Estas, por mais imprecisas que sejam, fizeram muita falta na virada da primeira para a segunda semana do returno eleitoral. Alguns n\u00fameros que gerassem uma sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a um pouco mais fact\u00edvel para os s\u00f3cios e aliados de Geraldo, motivariam o arranque final necess\u00e1rio. Sabemos o que esta vontade pol\u00edtica somada com os meios necess\u00e1rios pode proporcionar. A experi\u00eancia que a democracia brasileira gerou foi a do segundo turno do vale-tudo de 1989. Lula reagiu mal naquele momento e teria a chance de agir mal novamente.<\/p>\n<p >O dado final \u00e9 o pr\u00f3prio posicionamento dos aliados ideol\u00f3gicos, mas que est\u00e3o muito contentes com o governo do PT. Para ganhar esta elei\u00e7\u00e3o, peleando contra n\u00fameros favor\u00e1veis, indicadores de assistencialismo melhores do que nos oito anos de FHC, s\u00f3 partindo para o tudo ou nada. Reprisar o m\u00eas de novembro de 1989 implicaria uma pr\u00e9-condi\u00e7\u00e3o de possibilidade de vit\u00f3ria. O lastro de seguran\u00e7a para o estado-maior fraturado dos tucanos e pefelistas seriam as t\u00e3o contestadas pesquisas eleitorais. <\/p>\n<p >Ao que tudo indica a candidatura de Geraldo Alckmin n\u00e3o tem e nem gera o grau de certeza necess\u00e1rio para a reta final. O v\u00e1cuo est\u00e1, tanto em sua interna, como nos poss\u00edveis investidores estrat\u00e9gicos.<\/p>\n<p >Artigo originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O efeito das pesquisas abafou o choque midi\u00e1tico gerado com a foto tirada pelo delegado da PF, lotado da SR de S\u00e3o Paulo, e que arriscara a carreira para gerar esta imagem equivalente a um atentado. 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