{"id":776,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=776"},"modified":"2023-03-13T21:20:57","modified_gmt":"2023-03-14T00:20:57","slug":"o-vice-governador-esta-na-oposicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=776","title":{"rendered":"O vice-governador est\u00e1 na oposi\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/yeda_zachia_feijo.jpg\" title=\"Na direita Yeda, no centro-direita Z\u00e1chia e na ponta mais \u00e0 direita, com pretens\u00f5es ultra-liberais, o vice Feij\u00f3. Abaixo da runha, o Rio Grande e seu d\u00e9ficit estrutural.\n\n - Foto:\" alt=\"Na direita Yeda, no centro-direita Z\u00e1chia e na ponta mais \u00e0 direita, com pretens\u00f5es ultra-liberais, o vice Feij\u00f3. Abaixo da runha, o Rio Grande e seu d\u00e9ficit estrutural.\n\n - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Na direita Yeda, no centro-direita Z\u00e1chia e na ponta mais \u00e0 direita, com pretens\u00f5es ultra-liberais, o vice Feij\u00f3. Abaixo da runha, o Rio Grande e seu d\u00e9ficit estrutural.<\/p>\n<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p >3\u00aa 16 de janeiro de 2007, Vila Setembrina dos Farrapos, Continente de S\u00e3o Sep\u00e9<\/p>\n<p >Mal baixou a poeira da derrota de seu projeto econ\u00f4mico na Assembl\u00e9ia e a governadora Yeda Crusius voltou \u00e0 carga. Na noite do domingo passado, durante o programa Canal Livre da TV Bandeirantes, o pa\u00eds pode conhecer o affaire Yeda contra Feij\u00f3. Ou, para uma an\u00e1lise um pouco mais fina, a disputa pelo controle do Estado no interior de um mesmo governo.<\/p>\n<p >Mesmo com ares de novidade, o Rio Grande do Sul se v\u00ea diante de um brete. Dentro do Piratini, estaria representado o campo da pol\u00edtica, com seus c\u00e1lculos mais sofisticados, intentando marcar uma gest\u00e3o estruturante. Isto como elemento de discurso. No Palacinho do vice-governador, o outro lado dos poderes de fato do RS. A todo o momento fazendo for\u00e7a para desmerecer os entes estatais, se encontra o jovem l\u00edder empresarial indicado como vice-governador na chapa apoiada pelo sistema F (Fiergs-Fecom\u00e9rcio-Federasul-Farsul). <\/p>\n<p >O apoio foi impl\u00edcito no 1\u00ba turno, ainda dividindo votos e dividendos com o recalcitrante Rigotto. O dentista caxiense por sinal, concorreu aliado de S\u00f4nia Santos indicada pela legenda de S\u00e9rgio Zambiasi (PTB\/RS). Nunca \u00e9 demais lembrar que o senador radialista cumpriu fielmente o pacto de alian\u00e7as. Apoiara o governo Lula no Planalto e o co-governo do PMDB\/RS no pago. Com uma candidatura d\u00fabia, estando o pr\u00f3prio Rigotto muito pr\u00f3ximo de Lula nos dois primeiros anos de governo, a confian\u00e7a estava abalada. <\/p>\n<p >Eis que o empresariado decide concorrer com candidatura pr\u00f3pria apoiando um racha for\u00e7ado dentro dos tucanos ga\u00fachos. Jamais imaginara que estaria na oposi\u00e7\u00e3o com menos de dois meses de governo. Yeda tampouco imaginou ser alvo de alian\u00e7a t\u00e3o ins\u00f3lita. Na pol\u00edtica, do PFL junto com a Frente Popular. No campo econ\u00f4mico, no pacto de classes, quando CUT e For\u00e7a Sindical marcharam ao lado da patronal para brecar o pacote formulado por Carlos Crusius, Aod Cunha e seu time de confian\u00e7a. <\/p>\n<p >Qualquer an\u00e1lise realista, indo al\u00e9m das fantasias neo-institucionais, deve levar em conta o conjunto de agentes e fatores e indicar qual a determin\u00e2ncia. Compreendendo que a gera\u00e7\u00e3o de fatos midi\u00e1ticos \u00e9 uma das trincheiras permanentes das disputas de corredores, a coisa est\u00e1 pior do que aparenta. Yeda, ao vivo e em rede nacional, fez transparecer a inc\u00f4moda posi\u00e7\u00e3o do PFL, especificamente a do vice-governador Paulo Afonso Feij\u00f3. <\/p>\n<p >Este \u00e9 um recado direto aos aliados estrat\u00e9gicos durante os oito anos de governo Fernando Henrique. Sendo um partido fraco no estado e a governadora est\u00e1 contra a parede. Acuada entre os financiadores de sua campanha, as corpora\u00e7\u00f5es da elite do Estado (em especial o Judici\u00e1rio e o MP) e os aliados pouco ou nada org\u00e2nicos, o N\u00facleo Duro apelou. De forma discreta, se disse imbu\u00edda de um mandato com programa, delegado pela autoridade maior, a do voto nas urnas. Para arrasar de vez, associou a fala de Feij\u00f3 com a do deputado estadual Ad\u00e3o Villaverde, fiel escudeiro de Tarso Genro. Segundo a professora de economia da UFRGS, a oposi\u00e7\u00e3o tem na vanguarda o PFL e o PT.<\/p>\n<p >Feij\u00f3 contra-atacou no dia seguinte e n\u00e3o mandou recado. Tornou a referir-se ao \u201cbando de burocratas\u201d que controla o Estado e impede o \u201cdesenvolvimento das for\u00e7as produtivas\u201d. Entrou em uma arena delicada, onde todos os envolvidos t\u00eam telhado de vidro. Na busca por uma maior fundamenta\u00e7\u00e3o para a gritaria empresarial, teve gente ressuscitando Lord Keynes. Na origem do debate, a tentativa de semear alguma disc\u00f3rdia no grupo de confian\u00e7a da governadora. <\/p>\n<p >Outro fato midi\u00e1tico, este em rede estadual seria a resposta do Palacinho. O colunista Afonso Ritter publicou na segunda-feira, 15 de janeiro, em sua coluna no Jornal do Com\u00e9rcio, a vers\u00e3o de diverg\u00eancia de pensamento econ\u00f4mico. Segundo ele, Feij\u00f3 n\u00e3o se declara neoliberal embora defenda um Estado menos concentrador. Ainda segundo Ritter, Yeda tem forma\u00e7\u00e3o keynesiana, e tenta aplicar o receitu\u00e1rio do g\u00eanio ingl\u00eas no combalido caixa ga\u00facho. Outra cortina de fuma\u00e7a para encobertar o foco da disputa. <\/p>\n<p >Yeda Crusius \u00e9 t\u00e3o keynesiana quanto Carlos Sperotto (presidente da Farsul) \u00e9 socialista. N\u00e3o se trata de diverg\u00eancia pelo modelo econ\u00f4mico. O foco do embate \u00e9 o pr\u00f3prio controle do Estado. Quando o pacote econ\u00f4mico do Tarifa\u00e7o foi derrotado, atirou-se fora junto, \u00e1gua e crian\u00e7a que se banhava. Mesmo discordando frontalmente, \u00e9 preciso se reconhecer que o projeto continha um intento de alternativa estruturante para as finan\u00e7as p\u00fablicas. Na aus\u00eancia de solu\u00e7\u00f5es estruturais, s\u00f3 resta cortar no que d\u00e1, mantendo o congelamento dos servidores e deixando lacunas nas determina\u00e7\u00f5es constitucionais para a Sa\u00fade e Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p >O vice-governador declara frontalmente estar contra os rumos do governo e ataca os secret\u00e1rios de confian\u00e7a, em especial ao secret\u00e1rio da Fazenda Aod Cunha. O \u201cbando de burocratas\u201d que o mesmo se refere \u00e9 o grupo de confian\u00e7a gerado no interior da Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Economia e Estat\u00edstica (FEE), capitaneado pelo pr\u00f3prio Aod. Verificamos assim, uma disputa entre operadores pol\u00edtico-t\u00e9cnicos e lideran\u00e7as empresariais. <\/p>\n<p >N\u00e3o entrou em jogo at\u00e9 agora o elemento mais importante. S\u00e3o os recursos p\u00fablicos do Rio Grande do Sul, com os fundos de investimento da Caixa RS, Banrisul e BRDE. \u00c9 este o dinheiro p\u00fablico que h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas financia toda a expans\u00e3o empresarial e moderniza\u00e7\u00e3o produtiva no estado. Curiosamente, nem Yeda nem Feij\u00f3 se pronunciaram a respeito. Lord Keynes sim teria posi\u00e7\u00e3o, por sinal, bem distinta da governadora e do seu vice na oposi\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p >Artigo originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na direita Yeda, no centro-direita Z\u00e1chia e na ponta mais \u00e0 direita, com pretens\u00f5es ultra-liberais, o vice Feij\u00f3. Abaixo da runha, o Rio Grande e seu d\u00e9ficit estrutural. 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