{"id":78,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=78"},"modified":"2023-03-13T20:43:39","modified_gmt":"2023-03-13T23:43:39","slug":"breve-analise-politica-sobre-as-manifestacoes-de-rua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=78","title":{"rendered":"Breve an\u00e1lise pol\u00edtica sobre as manifesta\u00e7\u00f5es de rua"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/rua.jpg\" title=\"Do momento que o setor ou categoria inicia a luta, ao instante que sai dela, tudo tamb\u00e9m \u00e9 uma experi\u00eancia pol\u00edtica. Parte desta experi\u00eancia \u00e9 o ato de rua, de onde nenhum militante deve sair como entrou. - Foto:Meu transporte\" alt=\"Do momento que o setor ou categoria inicia a luta, ao instante que sai dela, tudo tamb\u00e9m \u00e9 uma experi\u00eancia pol\u00edtica. Parte desta experi\u00eancia \u00e9 o ato de rua, de onde nenhum militante deve sair como entrou. - Foto:Meu transporte\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Do momento que o setor ou categoria inicia a luta, ao instante que sai dela, tudo tamb\u00e9m \u00e9 uma experi\u00eancia pol\u00edtica. Parte desta experi\u00eancia \u00e9 o ato de rua, de onde nenhum militante deve sair como entrou.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:Meu transporte<\/small><\/figure>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Tahoma\">Rio de Janeiro, julho de 2000<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Tahoma\">Nos &uacute;ltimos meses, diversas manifesta&ccedil;&otilde;es, passeatas, acampamentos, ocupa&ccedil;&otilde;es e demais a&ccedil;&otilde;es de rua vem sido noticiadas com alto grau de sensacionalismo. Busca a m&iacute;dia oficial, <st2:hm>justificar<\/st2:hm> a rea&ccedil;&atilde;o da direita contra as formas de luta popular, com leis repressivas e raz&otilde;es de Estado. Independente destes motivos da direita para <st2:hdm>reprimir<\/st2:hdm>, cabe <st2:hdm>refletir<\/st2:hdm> um pouco das raz&otilde;es e estrat&eacute;gias dos atos de rua no contexto da luta popular brasileira. Vamos <st2:hdm>situar<\/st2:hdm> este texto nas passeatas e manifesta&ccedil;&otilde;es urbanas, considerando as especificidades das lutas no campo e na cidade, por mais que estas venham cada vez mais a se <st2:hm>fundir<\/st2:hm>. A princ&iacute;pio, listamos tr&ecirc;s grupos de motiva&ccedil;&otilde;es, cujas influ&ecirc;ncias variam a cada situa&ccedil;&atilde;o, categoria em luta e campanha p&uacute;blica. Analisamos abaixo um a um.<\/font><\/font><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><strong><font face=\"Tahoma\">A pol&iacute;tica de massas<\/font><\/strong><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Tahoma\">Toda e qualquer passeata, ato rel&acirc;mpago e manifesta&ccedil;&atilde;o de rua (com ou sem confronto), por princ&iacute;pio, implica em <st2:hdm>expressar<\/st2:hdm> publicamente uma luta espec&iacute;fica. &Eacute; na rua que a classe d&aacute; vaz&atilde;o e torna p&uacute;blica uma pauta de reivindica&ccedil;&otilde;es, as raz&otilde;es de uma greve ou protesto contra esta ou aquela opress&atilde;o do inimigo de classe. Tomando as ruas da cidade burguesa, a categoria ou setor estaria clamando a solidariedade dos demais oprimidos, tanto para <st2:hm>apoiar<\/st2:hm> a sua luta espec&iacute;fica, como para outros setores aderirem a manifesta&ccedil;&atilde;o. Ao <st2:hm>sair<\/st2:hm> do seu local de trabalho, estudo e moradia e <st2:hm>aderir<\/st2:hm> ao cord&atilde;o popular, o povo ganha forma, rosto e conte&uacute;do, solidariamente se juntando aos companheiros em luta a <st2:hm>partir<\/st2:hm> de seu pr&oacute;prio cotidiano. <\/font><\/font><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Tahoma\">Fazendo isso, a classe consegue <st2:hm>tornar<\/st2:hm> p&uacute;blica e vis&iacute;vel sua pr&oacute;pria pauta e ponto de vista. Ainda que considerando tudo em termos ideais, mesmo reduzindo estes conceitos a termos de hoje, veremos que &eacute; exatamente isto que acontece. Quando h&aacute; mais de 1000 pessoas na rua, por exemplo, podemos <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> certeza que ao menos 4000 ser&atilde;o influenciadas diretamente pela passeata, isto porque dos 1000 manifestantes, cada um deve se <st4:infinitivo>relacionar<\/st4:infinitivo> com outras 4 pessoas (no m&iacute;nimo), e <st2:hm>comentar<\/st2:hm> minimamente os lances mais espetaculares da manifesta&ccedil;&atilde;o. Ainda que este participante n&atilde;o conhe&ccedil;a inteiramente os pontos da pauta de reivindica&ccedil;&otilde;es. Se rompe o bloqueio da m&iacute;dia oficial, j&aacute; que esta sempre que pode, coloca a esquerda e o movimento popular na invisibilidade. Quando se cria palavras de ordem, gritos de guerra, can&ccedil;&otilde;es de luta e outros mecanismos, cada tend&ecirc;ncia e categoria busca <st2:hm>popularizar<\/st2:hm> a sua linha de trabalho, concretiz&aacute;-la na pr&aacute;tica pol&iacute;tica, tornando-a p&uacute;blica em passeata e manifesta&ccedil;&atilde;o. Quase sempre, a corrente e linha hegem&ocirc;nica da categoria em luta, vai <st2:hdm>expressar<\/st2:hdm> nas suas palavras de ordem e can&ccedil;&otilde;es seus conceitos b&aacute;sicos. Assim, numa conjuntura favor&aacute;vel, no cora&ccedil;&atilde;o da cidade capitalista, os conceitos v&atilde;o saindo, dizendo aquilo que a classe em luta fala para si e ao povo a qual pertence.<\/font><\/font><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><strong><font face=\"Tahoma\">O enfrentamento <\/font><\/strong><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Tahoma\">Um cord&atilde;o em passeata toma a avenida de um grande centro do pa&iacute;s. Imediatamente, h&aacute; uma interfer&ecirc;ncia na vida da cidade capitalista. <st2:hdm>Cortar<\/st2:hdm> uma rua, &eacute; como <st2:hm>parar<\/st2:hm> uma art&eacute;ria ou veia de um corpo humano. Quando o tr&acirc;nsito n&atilde;o anda, soma-se ao caos urbano o protesto popular, os carros e ve&iacute;culos coletivos n&atilde;o circulam, a economia e a vida social ordenada &eacute; afetada. O Estado como express&atilde;o institucional da sociedade de classes, tem de <st2:hm>intervir<\/st2:hm>. <st2:hm>Fazer<\/st2:hm> uma passeata, quando a luta &eacute; aut&ecirc;ntica, n&atilde;o &eacute; <st2:hdm>pedir<\/st2:hdm> licen&ccedil;a e sim <st2:hdm>tomar<\/st2:hdm> a rua. O povo em marcha ocupa e impede o tr&acirc;nsito na cidade, e uma vez que est&aacute; em luta, busca <st2:hm>atingir<\/st2:hm> seus objetivos pr&eacute;-tra&ccedil;ados, como por ex: <st2:hm>ocupar<\/st2:hm> tal pr&eacute;dio p&uacute;blico, <st2:hdm>pedir<\/st2:hdm> a solidariedade de estudantes, trabalhadores, moradores de rua e transeuntes, <st2:hdm>protestar<\/st2:hdm> em frente a tal lugar e at&eacute; mesmo <st2:hm>desafiar<\/st2:hm> o aparato repressivo. Um exemplo disto &eacute; quando uma marcha p&aacute;ra em frente a uma delegacia para <st2:hdm>libertar<\/st2:hdm> um companheiro preso, ou protesta em frente a um banco ou o consulado dos Estados Unidos.<\/font><\/font><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Tahoma\">Uma outra caracter&iacute;stica &eacute; o enfrentamento em si. O povo em marcha enfrenta a repress&atilde;o e isto faz parte at&eacute; da forma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Poucos s&atilde;o os militantes que continuam inocentes ou iludidos ap&oacute;s <st2:hdm>enfrentar<\/st2:hdm> fisicamente a repress&atilde;o. Desde a simples <st3:sinonimos>correria<\/st3:sinonimos> at&eacute; o enfrentamento de rua sistem&aacute;tico, tudo faz parte de um aprendizado e tamb&eacute;m de uma pr&aacute;tica pol&iacute;tica. Uma vez que a etapa &eacute; de acumula&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as e luta a n&iacute;vel de massas, &eacute; o pr&oacute;prio povo, em quantidade massiva, que deve <st2:hm>ser<\/st2:hm> o protagonista da luta, incluindo a&iacute; o confronto em si. Quando o Choque avan&ccedil;a em linha ou em meia-lua de cent&uacute;ria, escudos enfileirados, batendo com o cassetete no escudo, com capacetes, bombas e g&aacute;s; a situa&ccedil;&atilde;o emocional se altera e a confian&ccedil;a balan&ccedil;a. &Eacute; uma prova de fogo para o militante. Obviamente, que o n&iacute;vel do enfrentamento de rua a n&iacute;vel de massas, deve <st2:hm>ser<\/st2:hm> sempre avaliado politicamente, quando e a que ponto, e sempre cumprindo com as linhas b&aacute;sicas definidas na assembl&eacute;ia da categoria em luta. Um outro aspecto interessante &eacute; a vit&oacute;ria num conflito espec&iacute;fico. Isto aumenta a confian&ccedil;a da base organizada e fortalece as posi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas dos setores de esquerda combativa.<\/font><\/font><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Tahoma\"><strong>A experi&ecirc;ncia pol&iacute;tica<\/strong> <\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Tahoma\">Do momento que o setor ou categoria inicia a luta, ao instante que sai dela, tudo tamb&eacute;m &eacute; uma experi&ecirc;ncia pol&iacute;tica. Parte desta experi&ecirc;ncia &eacute; o ato de rua, de onde nenhum militante deve <st2:hm>sair<\/st2:hm> como entrou. &Eacute; a experi&ecirc;ncia de pr&aacute;tica pol&iacute;tica que fortalece cada membro de uma base organizada, e com o tempo, gera o caldo de cultura para se <st2:hm>aprovar<\/st2:hm> medidas radicalizadas. Tais como, a ocupa&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os de trabalho e estudo com atividades em conjunto com as comunidades da &aacute;rea.<\/font><\/font><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Tahoma\">Muito importante para a luta popular, &eacute; quando a classe come&ccedil;a a <st2:hm>perceber<\/st2:hm> que tem seu pr&oacute;prio mecanismo de delibera&ccedil;&atilde;o, e este mecanismo funciona. Neste momento, ainda que de forma muito t&iacute;mida, brota a semente do <st2:hm>Poder<\/st2:hm> Popular. <st2:hm>Fazer<\/st2:hm> <st2:hm>valer<\/st2:hm> delibera&ccedil;&otilde;es e demonstr&aacute;-las publicamente nas ruas da metr&oacute;pole, &eacute; uma da fun&ccedil;&otilde;es das passeatas e atos de rua. Mesmo que por poucas horas, quando &eacute; tomada parte da cidade, percebe-se a capacidade de organiza&ccedil;&atilde;o do povo. <st2:hm>Fazer<\/st2:hm> <st2:hm>valer<\/st2:hm> e <st2:hm>avan&ccedil;ar<\/st2:hm> esta capacidade &eacute; a fun&ccedil;&atilde;o da milit&acirc;ncia mais comprometida. <\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Courier New\"><font face=\"Courier New\"><font face=\"Courier New\"><font face=\"Courier New\"><font face=\"Courier New\"><font face=\"Courier New\"><font face=\"Courier New\"><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<\/font><\/font><\/font><\/font><\/font><\/font><\/font><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do momento que o setor ou categoria inicia a luta, ao instante que sai dela, tudo tamb\u00e9m \u00e9 uma experi\u00eancia pol\u00edtica. Parte desta experi\u00eancia \u00e9 o ato de rua, de onde nenhum militante deve sair como entrou. 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