{"id":783,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=783"},"modified":"2023-03-13T21:21:11","modified_gmt":"2023-03-14T00:21:11","slug":"o-carnaval-das-milicias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=783","title":{"rendered":"O Carnaval das mil\u00edcias"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sergiocabralfo.jpg\" title=\"O atual governador S\u00e9rgio Cabral Filho, l\u00edder da legenda Chaguista, ex-tucano carioca, tamb\u00e9m nada sabia, nunca soube e talvez jamais saber\u00e1.\n\n - Foto:\" alt=\"O atual governador S\u00e9rgio Cabral Filho, l\u00edder da legenda Chaguista, ex-tucano carioca, tamb\u00e9m nada sabia, nunca soube e talvez jamais saber\u00e1.\n\n - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">O atual governador S\u00e9rgio Cabral Filho, l\u00edder da legenda Chaguista, ex-tucano carioca, tamb\u00e9m nada sabia, nunca soube e talvez jamais saber\u00e1.<\/p>\n<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p >3\u00aa, 20 de fevereiro de 2007 S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro<\/p>\n<p >Em tese qualquer morador de uma cidade brasileira pode discar 190 e esperar pelo atendimento de uma viatura da pol\u00edcia. Isto em tese, pois para um em cada tr\u00eas cariocas e fluminenses esse direito n\u00e3o \u00e9 atendido. A viola\u00e7\u00e3o b\u00e1sica do direito a seguran\u00e7a \u00e9 assumida de forma c\u00ednica pelos poderes de fato do Estado. N\u00e3o h\u00e1 como negar, o aparelho policial do estado do Rio de Janeiro n\u00e3o atende a popula\u00e7\u00e3o que mais o necessita. Impedida de ir contra suas pr\u00f3prias limita\u00e7\u00f5es corporativas, faz da ilegalidade a extens\u00e3o de seu poder limitado. <\/p>\n<p >A indiferen\u00e7a para com a maioria n\u00e3o \u00e9 uma exclusividade das pol\u00edcias civil e militar do Rio. Tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o as \u00fanicas a terem problemas de funcionamento. Mas, \u00e9 preciso reconhecer que estas institui\u00e7\u00f5es est\u00e3o no limite. Ao n\u00e3o atender um chamado em \u00e1rea de favela, o Estado abre m\u00e3o de exercer o poder p\u00fablico. Na aus\u00eancia deste, entra a atua\u00e7\u00e3o paralela. <\/p>\n<p >Al\u00e9m da omiss\u00e3o estatal, repete-se o mito da desinforma\u00e7\u00e3o dos pol\u00edticos profissionais. Pressionado, o governador S\u00e9rgio Cabral Filho diz estar surpreso. \u00c9 poss\u00edvel? Considerando que o governo de Rosinha Matheus, aliou-se com o PMDB, herdeiro de Chagas Freitas e capitaneado pelo ex-senador, essa afirma\u00e7\u00e3o torna-se infundada. No Rio assim como no Brasil, todos sabem de tudo e ningu\u00e9m fala abertamente o que sabe. <\/p>\n<p >Naturalizada a promiscuidade absurda, depois os juros s\u00e3o cobrados pela parcela exclu\u00edda dos direitos b\u00e1sicos. O pior \u00e9 que nada disto \u00e9 novidade. Na mesma cidade considerada capital mundial do samba e do carnaval, segundo o Gabinete Militar da Prefeitura do Rio, as Mil\u00edcias de para-policiais tomam uma favela a cada 12 dias. A not\u00edcia aparece como nota no rodap\u00e9 de jornal. Assim, um absurdo entra como detalhe. Uma comunidade de favela, onde em m\u00e9dia vivem mais de 10.000 brasileiros, passa a ser controlada por uma vers\u00e3o local das Autodefensas Unidas de Col\u00f4mbia (AUC). Antes, j\u00e1 havia controle territorial por traficantes, coligados em uma rede de quadrilhas. Troca-se de cinismo, mas ningu\u00e9m \u00e9 punido. <\/p>\n<p >Enquanto a extens\u00e3o paralela da repress\u00e3o estatal avan\u00e7a, o Rio comemora o carnaval. A festa popular aut\u00eantica tem a presen\u00e7a fixa de um setor da ilegalidade bastante tolerado. Nesta ind\u00fastria, a Banca do Bicho \u00e9 aceita, convivendo nos camarotes ao lado de autoridades eleitas, executivos de transnacionais e estrelas da m\u00eddia. Assim como o controle das favelas e a aus\u00eancia da pol\u00edcia, n\u00e3o se trata de coisa nova. Os bicheiros, vers\u00e3o brasileira de jogo ilegal, operadores de ca\u00e7a-n\u00edqueis, redes de transporte clandestino, transferindo dinheiro l\u00edquido, sem fonte, receita ou destino, pouco s\u00e3o incomodados. Ao contr\u00e1rio, s\u00e3o \u201cfolcl\u00f3ricos\u201d. <\/p>\n<p >Os \u201cbanqueiros\u201d do bicho s\u00e3o tolerados na cidade h\u00e1 quase 100 anos e no carnaval carioca h\u00e1 pelo menos 50. As redes de quadrilhas, conhecidas como Comando Vermelho (CV), Terceiro Comando (TC) e a ca\u00e7ula delas, Amigos dos Amigos (ADA) convivem na metr\u00f3pole fluminense h\u00e1 no m\u00ednimo 25 anos. Agora, fundindo a pr\u00e1tica do \u201carr\u00eago semanal\u201d com a da \u201cpol\u00edcia mineira\u201d, para tristeza da hist\u00f3ria da esquerda, os para-policiais ganham denomina\u00e7\u00e3o de Mil\u00edcias. <\/p>\n<p >Esta \u00e9 a soma do pior que tamanha omiss\u00e3o e promiscuidade conseguiram gerar. Em uma estrutura fluida e paralela, o saber acumulado dos grupos de exterm\u00ednio, esquadr\u00f5es da morte, homens de ouro, da corrup\u00e7\u00e3o e autonomia policial ganha a forma de poder de fato. Se isto n\u00e3o for motivo suficiente para a interven\u00e7\u00e3o de uma for\u00e7a-tarefa federal na Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica deste estado, em todos os seus mandos e escal\u00f5es hier\u00e1rquicos, ent\u00e3o n\u00e3o existem motivos para nenhuma outra pol\u00edtica de seguran\u00e7a no Brasil. <\/p>\n<p >Caso considerem exagero, pe\u00e7o que acompanhem o racioc\u00ednio. Algu\u00e9m em s\u00e3 consci\u00eancia pode admitir que uma autoridade n\u00e3o esteja informada a respeito das Mil\u00edcias? Seguindo o racioc\u00ednio, como pode um coronel, tenente-coronel ou major, comandante de um Batalh\u00e3o da PM, desconhecer algo que ocorra em uma comunidade de favela localizada em sua \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o? Ou o Servi\u00e7o Reservado da Pol\u00edcia Militar (P2) daquela unidade n\u00e3o o informa, ou ent\u00e3o este oficial se omite. Resultado l\u00f3gico, ou este comandante perdeu o poder de mando, ou ent\u00e3o se recusa a exerc\u00ea-lo. <\/p>\n<p >O mesmo vale para os delegados da regi\u00e3o, suas redes de X-9 (informantes), os respectivos enlaces com a Coordenadoria de Intelig\u00eancia Policial (Pol\u00edcia Civil) e a Subsecretaria de Intelig\u00eancia da Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica do Estado do Rio de Janeiro. \u00c9 inadmiss\u00edvel que a autoridade policial utilize o argumento de ser \u201csurpreendida\u201d pela atua\u00e7\u00e3o das Mil\u00edcias. Detalhe indigesto, estes esquadr\u00f5es s\u00e3o compostos por membros e ex-membros dos aparelhos policiais. Caso de fato se confirme esta desinforma\u00e7\u00e3o, estes Servi\u00e7os est\u00e3o inaptos para a fun\u00e7\u00e3o que teriam de exercer. <\/p>\n<p >\u00c9 preciso ser insistente e vigilante com o tema. Mil vezes pior do que um bandido armado controlando um territ\u00f3rio de periferia \u00e9 um policial sem farda ou distintivo matando e morrendo pelo controle deste terreno. N\u00e3o se trata de ind\u00edcios e sim de certezas. As tais Mil\u00edcias v\u00e3o caminhando a passos largos para serem indissol\u00faveis. Ao que tudo indica, ou o Estado toma as r\u00e9deas sobre seu aparelho repressivo, ou o problema se tornar\u00e1 incontrol\u00e1vel em curt\u00edssimo prazo.<\/p>\n<p >Artigo originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O atual governador S\u00e9rgio Cabral Filho, l\u00edder da legenda Chaguista, ex-tucano carioca, tamb\u00e9m nada sabia, nunca soube e talvez jamais saber\u00e1. Foto: 3\u00aa, 20 de fevereiro de 2007 S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro Em tese qualquer morador de uma cidade brasileira pode discar 190 e esperar pelo atendimento de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-783","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/783","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=783"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/783\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11443,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/783\/revisions\/11443"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=783"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=783"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=783"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}