{"id":788,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=788"},"modified":"2023-03-13T21:17:05","modified_gmt":"2023-03-14T00:17:05","slug":"depois-de-bush","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=788","title":{"rendered":"Depois de Bush"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/bush-y-lula2.jpg\" title=\"O pe\u00e3o e o herdeiro pol\u00edtico se encontram na locomotiva do pa\u00eds, visitam o orgulho nacional e preparam a 10\u00aa economia para ser uma plataforma de exporta\u00e7\u00e3o de etanol para o Imp\u00e9rio.  - Foto:\" alt=\"O pe\u00e3o e o herdeiro pol\u00edtico se encontram na locomotiva do pa\u00eds, visitam o orgulho nacional e preparam a 10\u00aa economia para ser uma plataforma de exporta\u00e7\u00e3o de etanol para o Imp\u00e9rio.  - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">O pe\u00e3o e o herdeiro pol\u00edtico se encontram na locomotiva do pa\u00eds, visitam o orgulho nacional e preparam a 10\u00aa economia para ser uma plataforma de exporta\u00e7\u00e3o de etanol para o Imp\u00e9rio. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p >3\u00aa, 13 de mar\u00e7o de 2007, Vila Setembrina dos Farrapos, Continente de S\u00e3o Sep\u00e9<\/p>\n<p >A visita do presidente dos EUA George W. Bush marcou uma virada na pol\u00edtica externa do pa\u00eds mais poderoso do mundo. Lula fez o cl\u00e1ssico papel do subimperialismo nacional, abrindo uma cunha para a substitui\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo por energia renov\u00e1vel, definindo nosso pa\u00eds como um Estado acima da realidade do continente. Como quase sempre, provavelmente vamos nos contentar em vender mat\u00e9ria-prima e n\u00e3o tecnologia. E, o \u201cgrande m\u00e9rito\u201d pode ser a qualifica\u00e7\u00e3o, por parte de Washington, de sermos um \u201cparceiro diferenciado\u201d. <\/p>\n<p >\u00c9 certo que em um encontro desse n\u00edvel, quase tudo j\u00e1 est\u00e1 acordado antes da chegada do dignat\u00e1rio. Mas, tamb\u00e9m \u00e9 correto afirmar que \u00e9 poss\u00edvel meter, de costado, um ou mais temas n\u00e3o previstos. Luiz In\u00e1cio n\u00e3o arrancou nada de concreto em rela\u00e7\u00e3o ao subs\u00eddio do governo de l\u00e1 para seus produtores prim\u00e1rios. Al\u00e9m de um constrangimento toler\u00e1vel, nada pode ser afirmado quanto da diminui\u00e7\u00e3o \u00e0s barreiras de entrada dos produtos brasileiros. <\/p>\n<p >Uma manobra midi\u00e1tica tentou salva-guardar a \u201cautonomia\u201d brasileira e a fun\u00e7\u00e3o de embaixador de parte dos interesses dos EUA. Muitos analistas disseram que a visita era de interesse econ\u00f4mico e n\u00e3o pol\u00edtico. Outros, afirmaram que a miss\u00e3o de Bush Jr. era fazer pol\u00edtica com a promessa de compra da produ\u00e7\u00e3o em massa do etanol. E, no meio desse giro t\u00e1tico para o sul do mundo, o Brasil poderia aproveitar para tornar-se um ator internacional. Entre as duas vers\u00f5es, a segunda \u00e9 mais fact\u00edvel, embora trabalhe com premissas equivocadas.<\/p>\n<p >Como j\u00e1 dissemos, foram laudas sem fim debatendo se a viagem do mandat\u00e1rio texano tinha mais \u00eanfase pol\u00edtica ou econ\u00f4mica. Propomos aqui uma an\u00e1lise inversa. Primeiro, porque entendemos existir uma interdepend\u00eancia estrutural entre economia, pol\u00edtica e ideologia. Segundo, porque vemos como dever de oficio inverter a an\u00e1lise a partir do ponto de vista dos latino-americanos. Nesse sentido, o Brasil n\u00e3o jogou um papel, mas sim um papel\u00e3o.<\/p>\n<p >N\u00e3o seria historicamente equivocado chamar aos Estados Unidos de Imp\u00e9rio. Ao contr\u00e1rio, \u00e9 um acerto conceitual. Portanto, o que nos espanta \u00e9 o suposto \u201cespanto\u201d de boa parte dos formadores de opini\u00e3o brasileiros. Octavio Ianni em texto ainda dos anos \u201960, definiu ao intelectual m\u00e9dio brasileiro como esquizofr\u00eanico. Fala em portugu\u00eas, embora siga pensando com conceitos coloniais. Se fosse um carpinteiro, simplesmente morreria de fome, por n\u00e3o usar a ferramenta correta para o trabalho adequado. <\/p>\n<p >Vejamos os porqu\u00eas. Se a fun\u00e7\u00e3o \u00e9 analisar as melhores condi\u00e7\u00f5es de criarmos um projeto de Estado que atenda a maioria e insira o pa\u00eds a partir de seu lugar de origem, ent\u00e3o todos est\u00e3o deixando muito a desejar. Agora, se a fun\u00e7\u00e3o \u00e9 ser uma f\u00e1brica de discursos, criando e recopiando bens simb\u00f3licos para fundamentar a famosa inser\u00e7\u00e3o subordinada, t\u00e3o defendida e praticada por FHC desde a Teoria da Depend\u00eancia, ent\u00e3o a maioria dos pensadores \u201cbrasileiros\u201d est\u00e1 trabalhando bem.<\/p>\n<p >Todo pa\u00eds quer e precisa comercializar e vender seus produtos, a distin\u00e7\u00e3o \u00e9 onde est\u00e1 a \u00eanfase? Escutando um dos primeiros cortados do governo Lula, o ex-presidente do BNDES e professor de economia da UFRJ Carlos Lessa, alerta para um fator. Somos l\u00edderes mundiais em tecnologia do a\u00e7\u00facar e do \u00e1lcool. Desde os tempos do IAA, passando pela Coopersucar, o Pr\u00f3-\u00c1lcool e agora as pesquisas de ponta da Embrapa, temos muito suor brasileiro aplicado em gera\u00e7\u00e3o de bioenergia. Usando a linguagem corrente, ter\u00edamos outras commodities<\/i>, com maior valor agregado, do que a exporta\u00e7\u00e3o direta de biomassa processada. <\/p>\n<p >Sendo assim, porque vamos seguir fazendo a equa\u00e7\u00e3o indigesta? O pa\u00eds envia navios graneleiros, e em breve tamb\u00e9m super-petroleiros adequados para levarem etanol, ancorando parte essencial do PIB em produtos quase-prim\u00e1rios. Com estas riquezas, mantendo a figura de linguagem, importamos uma traineira de microchips.<\/p>\n<p >No mundo real, vamos comprando tecnologia japonesa de TV Digital, negaceamos os R$ 640 milh\u00f5es necess\u00e1rios para abrirmos mais quatro CEITECs e atingir a maturidade e autonomia <st1:PersonName w:st=\"on\" ProductID=\"em micro-eletr\u00f4nica. Com\">em micro-eletr\u00f4nica. Com<\/st1:PersonName> isso, botamos em risco toda a cadeia industrial do \u201cVale do Sil\u00edcio Tupiniquim\u201d, localizado no Sul de Minas Gerais. Na cabe\u00e7a dos gestores da macro-economia, portanto, operadores pol\u00edticos e difusores ideol\u00f3gicos por excel\u00eancia, o tema da autosustentabilidade \u00e9 apenas um recurso discursivo. Para eles, n\u00e3o \u00e9 nem pode ser posta em pr\u00e1tica.<\/p>\n<p >Atingimos a auto-sufici\u00eancia em petr\u00f3leo, ao menos na extra\u00e7\u00e3o e n\u00e3o no refino, mas o combust\u00edvel nacional n\u00e3o financia nosso crescimento. A poupan\u00e7a interna, b\u00ea-a-b\u00e1 do desenvolvimento segundo tucanos como Bresser Pereira, \u00e9 deixada de lado. A jogatina financeira atrai mais do que a economia real. O super\u00e1vit escoa pelo ralo da taxa de juros e nos servi\u00e7os da d\u00edvida. E agora, ao inv\u00e9s do Brasil disputar a lideran\u00e7a do Continente, aponta para uma posi\u00e7\u00e3o individual. Ou seja, iremos atuar como sempre, de forma subordinada e coadjuvante.<\/p>\n<p >Tamanha cegueira me faz recordar uma das cenas de Sur (1988), magistral filme do argentino Fernando Pino Solanas. Em meio a um di\u00e1logo entre surdos, um militar do governo Videla pergunta para o preso pol\u00edtico:<\/p>\n<p >&#8211; \u201cMas afinal o que \u00e9 o Sul que voc\u00eas tanto defendem?\u201d<\/p>\n<p >&#8211; \u201cGeneral, se o senhor n\u00e3o sabe o que \u00e9 o Sul, \u00e9 porque \u00e9 do Norte!\u201d<\/p>\n<p >Artigo originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pe\u00e3o e o herdeiro pol\u00edtico se encontram na locomotiva do pa\u00eds, visitam o orgulho nacional e preparam a 10\u00aa economia para ser uma plataforma de exporta\u00e7\u00e3o de etanol para o Imp\u00e9rio. Foto: 3\u00aa, 13 de mar\u00e7o de 2007, Vila Setembrina dos Farrapos, Continente de S\u00e3o Sep\u00e9 A visita do presidente dos EUA George W. 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