{"id":789,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=789"},"modified":"2023-03-13T21:17:05","modified_gmt":"2023-03-14T00:17:05","slug":"a-crise-da-politica-e-a-esquerda-brasileira-em-crise-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=789","title":{"rendered":"A crise da pol\u00edtica e a esquerda brasileira em crise \u2013 1"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/quadrilha_do_pt.jpg\" title=\"Todos os homens do presidente, na vers\u00e3o brasileira dos esc\u00e2ndalos da ex-esquerda quando chega ao governo e muda a sua pr\u00f3pria trajet\u00f3ria.  - Foto:\" alt=\"Todos os homens do presidente, na vers\u00e3o brasileira dos esc\u00e2ndalos da ex-esquerda quando chega ao governo e muda a sua pr\u00f3pria trajet\u00f3ria.  - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Todos os homens do presidente, na vers\u00e3o brasileira dos esc\u00e2ndalos da ex-esquerda quando chega ao governo e muda a sua pr\u00f3pria trajet\u00f3ria. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p >2\u00aa , 19 de mar\u00e7o de 2007, Vila Setembrina dos Farrapos, Continente de S\u00e3o Sep\u00e9 <\/p>\n<p >Retomo minha contribui\u00e7\u00e3o neste portal trazendo para debate um tema muito presente. J\u00e1 virou senso comum afirmar que a esquerda brasileira, embora tenha chegado a ocupar uma parcela importante do poder com a elei\u00e7\u00e3o de Lula, est\u00e1 em plena crise. Concordando com esta afirma\u00e7\u00e3o, gostaria de ampliar a id\u00e9ia de crise da pol\u00edtica, onde a fun\u00e7\u00e3o e o papel est\u00e3o cada vez mais subordinados \u00e0s l\u00f3gicas outras, distintas das rela\u00e7\u00f5es entre lealdade partid\u00e1ria e fidelidade program\u00e1tica.<\/p>\n<p >A posse de Luiz In\u00e1cio em 1\u00ba de janeiro de 2003 afirma um tipo brasileiro de \u201csonho americano\u201d, segundo o vice-presidente e industrial do ramo t\u00eaxtil, Jos\u00e9 de Alencar. Lula surge na vida p\u00fablica a partir de um posto de interventor, ruma sua trajet\u00f3ria para a esquerda e depois a nega. Como disse o atual ministro da Justi\u00e7a Tarso Genro, nega peremptoriamente a identidade com a qual flertou sem nunca chegar a haver sido de corpo e alma. <\/p>\n<p >Poder\u00edamos discutir este fen\u00f4meno como o pre\u00e7o da acomoda\u00e7\u00e3o dos corpos, segundo uma mirada foucaultiana, onde a rebeli\u00e3o ou sujei\u00e7\u00e3o dos jetos, torna os sujeitos socialmente mold\u00e1veis. Assim, em bom portugu\u00eas, vemos ao exemplo do professor de sociologia da USP Fernando Henrique Cardoso bradar \u201cesque\u00e7am o que eu escrevi\u201d. Infelizmente, o problema maior n\u00e3o \u00e9 se esquecer uma leva de conceitos colonizados, mas sim o efeito de desconstru\u00e7\u00e3o das identidades pol\u00edticas que esta frase gera.<\/p>\n<p >Se assim n\u00e3o fosse, porque a gera\u00e7\u00e3o fundadora da extinta A\u00e7\u00e3o Popular, encabe\u00e7ada pelo finado S\u00e9rgio Motta e o atual governador de S\u00e3o Paulo, Jos\u00e9 Serra, tenha encarnado a terceiriza\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro?! O mesmo se pode afirmar hoje, quando se encara com senso cr\u00edtico a forma de vida p\u00fablica de militantes hist\u00f3ricos da esquerda brasileira como Jos\u00e9 Dirceu, Jos\u00e9 Geno\u00edno e Dilma Roussef. Percebam que cito a ex-presos pol\u00edticos, hoje mestres da sobreviv\u00eancia em ambientes hostis, moldando ao entorno \u00e0s suas vontades e ambi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p >Tudo isto anda em companhia da homilia ao p\u00f3s-modernismo, em grande parte, vers\u00e3o cultural e identit\u00e1ria do neoliberalismo. Dissolvem-se os grupos de press\u00e3o, bases program\u00e1ticas, vindo tudo a ser mero casu\u00edsmo entreverado com interesse obscuro. Sem teoria, n\u00e3o se faz pol\u00edtica, apenas polititica e fisiologismo. Sem organicidade, prevalece o indiv\u00edduo por sobre o coletivo. As duas afirma\u00e7\u00f5es acima, comuns e correntes entre os grupos da direita p\u00f3s-Abertura, de 4 anos para c\u00e1 tornaram-se pr\u00e1tica hegem\u00f4nica na \u201cesquerda tupiniquim\u201d. <\/p>\n<p >O paradigma escorregadio est\u00e1 na aus\u00eancia de orienta\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica. A pol\u00edtica cai na vala comum carecendo de instrumento apropriado. \u00c9 correta a avalia\u00e7\u00e3o que a id\u00e9ia de partido de tipo burgu\u00eas, intermedi\u00e1rio e negociador de demandas experimentando o auge da crise de sentido. Mas, a no\u00e7\u00e3o de minoria ativa, org\u00e2nica, origem e fonte do partido de quadros, tamb\u00e9m se encontra nas trevas. Assim, ao rejeitar a id\u00e9ia de pol\u00edtica parlamentar, joga-se fora a \u00e1gua e a crian\u00e7a junto. Ou seja, esta crise \u00e9 de modelo e de teoria de partido de esquerda. <\/p>\n<p >Na aus\u00eancia de uma no\u00e7\u00e3o funcional e determinada para cumprir sua meta, prevalecem os indiv\u00edduos por cima das correntes. Ao associar a id\u00e9ia de partido com a de partido de massas ou fisiol\u00f3gicos, a esquerda brasileira abandona a real possibilidade de c\u00e2mbio profundo. Dado o talento nato para os rachas e divis\u00f5es sem fim, \u00e9 not\u00e1vel o ressuscitar de chefes pol\u00edticos e pequenos caudilhos. Isto tanto nas frentes sociais como na esfera pol\u00edtica. A marcha inexor\u00e1vel rumo ao individualismo sem fim, faz com que grupos, coletivos, correntes, tend\u00eancias e at\u00e9 mesmo organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas finalistas sejam algo em extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p >D\u00e1 sua contribui\u00e7\u00e3o para a pasmaceira a \u201cci\u00eancia\u201d pol\u00edtica conhecida nos corredores acad\u00eamicos como \u201cneo-neo\u201d. Isto \u00e9, neoinstitucionalista e neoliberal, promovendo a venda casada de regime pol\u00edtico com forma de produ\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. O pior do cen\u00e1rio tenebroso, \u00e9 que os expoentes da superficialidade democr\u00e1tica s\u00e3o ex-militantes arrependidos. Subestimando a pr\u00f3pria experi\u00eancia, decoram de tr\u00e1s pra frente a centenas de baboseiras colonialistas travestidas de conceitos anal\u00edticos. O coquetel de bobagens inunda ao tem\u00e1rio da pol\u00edtica brasileira, promovendo discuss\u00f5es vazias como a de uma poss\u00edvel reforma pol\u00edtica sem uma base social para promov\u00ea-la.<\/p>\n<p >Como nem tudo est\u00e1 perdido vai se reconfigurando a pol\u00edtica como espa\u00e7o org\u00e2nico e de discuss\u00e3o coletiva, mas por fora do jogo institucional. Reinventa-se a democracia real e participativa a despeito da aus\u00eancia de participa\u00e7\u00e3o na democracia ritual. Mas, para sair do brete, \u00e9 necess\u00e1rio analisar os fatores que levaram a milit\u00e2ncia de Pindorama a se portar desta forma. <\/p>\n<p >Cortar na carne ser\u00e1 a busca incessante da autocr\u00edtica, retomando o debate estrat\u00e9gico. Recordando ao pajador da pampa, Carlos El Gaucho Molina, mais dif\u00edcil do que mirar ao horizonte \u00e9 mirar para adentro. Eis a tarefa urgente da esquerda brasileira.<\/p>\n<p >Artigo originalmente publicado no portal 40 Graus<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todos os homens do presidente, na vers\u00e3o brasileira dos esc\u00e2ndalos da ex-esquerda quando chega ao governo e muda a sua pr\u00f3pria trajet\u00f3ria. Foto: 2\u00aa , 19 de mar\u00e7o de 2007, Vila Setembrina dos Farrapos, Continente de S\u00e3o Sep\u00e9 Retomo minha contribui\u00e7\u00e3o neste portal trazendo para debate um tema muito presente. 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