{"id":792,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=792"},"modified":"2023-03-13T21:03:53","modified_gmt":"2023-03-14T00:03:53","slug":"o-brete-da-esquerda-sindical-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=792","title":{"rendered":"O brete da esquerda sindical brasileira"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/fundacaocut_site.jpg\" title=\"Da funda\u00e7\u00e3o ao momento em que assume o Minist\u00e9rio do Trabalho, a CUT cruzou os passos marcados da institucionaliza\u00e7\u00e3o sindical, acomodando suas for\u00e7as que j\u00e1 n\u00e3o ocupam as ruas.  - Foto:\" alt=\"Da funda\u00e7\u00e3o ao momento em que assume o Minist\u00e9rio do Trabalho, a CUT cruzou os passos marcados da institucionaliza\u00e7\u00e3o sindical, acomodando suas for\u00e7as que j\u00e1 n\u00e3o ocupam as ruas.  - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Da funda\u00e7\u00e3o ao momento em que assume o Minist\u00e9rio do Trabalho, a CUT cruzou os passos marcados da institucionaliza\u00e7\u00e3o sindical, acomodando suas for\u00e7as que j\u00e1 n\u00e3o ocupam as ruas. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p >2a, 19\/03\/2007, Vila Setembrina dos Farrapos, Continente de S\u00e3o Sep\u00e9<\/p>\n<p >Toda a esquerda brasileira entrou em crise, tanto de objetivo como de identidade, ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o do presidente Luiz In\u00e1cio. \u00c9 senso comum entre os sindicalistas a no\u00e7\u00e3o de que \u00e9 mais f\u00e1cil derrubar um pelego do que algu\u00e9m com trajet\u00f3ria na classe. Como se dizia na Argentina dos anos \u201970, \u201cpior que um burocrata \u00e0 frente de uma estrutura, \u00e9 um burocrata her\u00f3ico\u201d. <\/p>\n<p >Mesmo sabendo que toda compara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica \u00e9 um risco, vale a tentativa. Oriundo do ber\u00e7o do sindicalismo fabril contempor\u00e2neo, Lula, torneiro mec\u00e2nico de forma\u00e7\u00e3o, cumpriu todos os passos de algu\u00e9m que veio da base. Antes de ser considerado um \u201caut\u00eantico\u201d, foi interventor do Sindicato dos Metal\u00fargicos de S\u00e3o Bernardo do Campo. Aceito e referendado como l\u00edder oper\u00e1rio, cristalizou uma lideran\u00e7a onde movia massas e paix\u00f5es. O ent\u00e3o governador Paulo Maluf que o diga.<\/p>\n<p >Ap\u00f3s seguidas greves entre 1978 e 1980, os trabalhadores organizados entraram na reestrutura\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria convocada por Golbery do Couto e Silva, o bruxo da ditadura. Tamanha energia somada a falta de reconhecimento no MDB e nos partidos comunistas geraram primeiro o PT e tr\u00eas anos depois a CUT. <\/p>\n<p >Sobrava esp\u00edrito combativo e isso n\u00e3o \u00e9 figura de linguagem. Na semana anterior ao 1\u00ba de maio de 1980, cuja concentra\u00e7\u00e3o ocorreu <st1:PersonName w:st=\"on\" ProductID=\"em Vila S\u00f4nia\">em Vila S\u00f4nia<\/st1:PersonName>, S\u00e3o Paulo capital, ocorreu um fen\u00f4meno visto apenas nas greves de 1917. Esgotou o estoque de armas de corte no ABC. Ou seja, a classe oper\u00e1ria estava disposta a tudo, incluindo a luta direta contra a repress\u00e3o.<\/p>\n<p >O pr\u00f3prio nascedouro da Central \u00danica dos Trabalhadores, em 1983, foi fruto de um racha na classe trabalhadora. A partir do 1\u00aa Confer\u00eancia Nacional das Classes Trabalhadoras, entre 21 e 23 de agosto de 1981, se definiram o Bloco Combativo (pr\u00f3-CUT e anti-stalinista) e a Unidade Sindical (ent\u00e3o formado por MR-8, PCB e PC do B, ainda ligado ao sistema federativo). No 1\u00ba Conclat, terminado em 28 de agosto de <st1:metricconverter w:st=\"on\" ProductID=\"1983, a\">1983, a<\/st1:metricconverter> CUT \u00e9 fundada. Em <st1:metricconverter w:st=\"on\" ProductID=\"1986, a\">1986, a<\/st1:metricconverter> divis\u00e3o mais \u00e0 direita veio a formar a CGT, da qual a For\u00e7a Sindical \u00e9 herdeira direta. <\/p>\n<p >A an\u00e1lise comparativa dos per\u00edodos hist\u00f3ricos p\u00e1ra aqui. Ao contr\u00e1rio do momento atual, no final dos anos \u201970 e inicio dos \u201980, vivia-se um per\u00edodo de ascen\u00e7\u00e3o das lutas. O milagre econ\u00f4mico mostrava seus efeitos colaterais, as plantas industriais ainda empregavam milhares de trabalhadores e havia um sentido coletivo para buscar a derrota do regime militar. Ap\u00f3s o 1\u00ba mandato de Lula, a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 oposta.<\/p>\n<p >N\u00e3o apenas a esquerda governando ao lado da Banca confundiu a todos, como a reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva fragmenta a classe trabalhadora. Para piorar, o ministro do Trabalho \u00e9 ex-presidente da maior central sindical do pa\u00eds. Se o objetivo \u00e9 domar a classe trabalhadora, adequando aqueles que ainda tem emprego formal para a perda de ainda mais direitos, ent\u00e3o a meta vai sendo cumprida.<\/p>\n<p >Mas, sendo a orienta\u00e7\u00e3o reorganizar os trabalhadores, redefinindo formas de luta e defendendo direitos hist\u00f3ricos, neste caso o tempo urge. Restam poucas alternativas, e a disputa por aparelhos e burocracias vai polarizar a disc\u00f3rdia ao inv\u00e9s de unificar as lutas poss\u00edveis. A esquerda do sindicalismo brasileiro precisa antes que nada juntar os militantes com trajet\u00f3ria ilibada e ainda com vontade de lutar. E, se preparar para uma longa jornada, voltando boa parte do tempo para a forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e o trabalho de base. At\u00e9 porque, este 2\u00ba mandato n\u00e3o ter\u00e1 grandes como\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p >Lula n\u00e3o vai repetir os erros de 2003, quando votou a Reforma da Previd\u00eancia. A chamada flexibiliza\u00e7\u00e3o das leis trabalhistas ser\u00e1 a conta-gotas, acompanhando o ritmo da queda na taxa de juros e as negocia\u00e7\u00f5es do PAC. O detalhe \u00e9 que o primeiro capital de giro para o Plano de Metas j\u00e1 est\u00e1 definido, e \u00e9 o FGTS e o FAT. Se n\u00e3o reagirem logo, os trabalhadores mais uma vez pagar\u00e3o a maior parte da conta.<\/p>\n<p >Artigo originalmente publicado na Revista Voto, Ano 3, No. 30, p\u00e1gina 42<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da funda\u00e7\u00e3o ao momento em que assume o Minist\u00e9rio do Trabalho, a CUT cruzou os passos marcados da institucionaliza\u00e7\u00e3o sindical, acomodando suas for\u00e7as que j\u00e1 n\u00e3o ocupam as ruas. 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