{"id":80,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=80"},"modified":"2023-03-13T20:43:40","modified_gmt":"2023-03-13T23:43:40","slug":"importancia-da-teoria-huerta-grande","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=80","title":{"rendered":"Import\u00e2ncia da Teoria (Huerta Grande)"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/band33s.jpg\" title=\"A bandeira da segunda guerra de liberta\u00e7\u00e3o do Uruguay, com a epop\u00e9ia dos 33 orientales \u00e0 frente. S\u00edmbolo e cores de um pa\u00eds artiguista, inspirador de uma teoria de luta de classes arraigada nas ra\u00edzes da terra onde nasce. - Foto:\" alt=\"A bandeira da segunda guerra de liberta\u00e7\u00e3o do Uruguay, com a epop\u00e9ia dos 33 orientales \u00e0 frente. S\u00edmbolo e cores de um pa\u00eds artiguista, inspirador de uma teoria de luta de classes arraigada nas ra\u00edzes da terra onde nasce. - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A bandeira da segunda guerra de liberta\u00e7\u00e3o do Uruguay, com a epop\u00e9ia dos 33 orientales \u00e0 frente. S\u00edmbolo e cores de um pa\u00eds artiguista, inspirador de uma teoria de luta de classes arraigada nas ra\u00edzes da terra onde nasce.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p>Para entender o que acontece (a conjuntura) \u00e9 preciso poder pensar corretamente. Pensar corretamente significa ordenar e tratar de forma adequada os dados que se produzem, em quantidade, sobre a realidade. <\/p>\n<p>Pensar corretamente \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para analisar de forma correta o que acontece em um pa\u00eds, num momento dado da Hist\u00f3ria desse pa\u00eds ou de qualquer outro. Isso exige instrumentos. Esses instrumentos s\u00e3o os conceitos. Para pensar com coer\u00eancia \u00e9 necess\u00e1rio um conjunto de conceitos coerentemente articulados entre si. Se exige um sistema de conceitos, uma teoria. <\/p>\n<p>Sem teoria se corre o risco de pensar cada problema s\u00f3 em particular, isoladamente, a partir de pontos de vista que podem ser diferentes em cada caso. Ou em base a subjetividades, palpites, apar\u00eancias, etc. <\/p>\n<p>Um partido\/organiza\u00e7\u00e3o pode evitar graves erros porque pensou a si mesmo a partir de conceitos que t\u00eam um grau importante de coer\u00eancia. Tamb\u00e9m cometeu erros graves por um insuficiente desenvolvimento de seu pensamento te\u00f3rico enquanto Organiza\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica. <\/p>\n<p>Para propor um programa \u00e9 preciso conhecer a realidade econ\u00f4mica, ideol\u00f3gica e das rela\u00e7\u00f5es sociais em nosso pa\u00eds. O mesmo vale para se formular uma linha pol\u00edtica suficientemente clara e concreta. Caso se conhe\u00e7a pouco e mal a realidade, n\u00e3o haver\u00e1 programa e s\u00f3 poder\u00e1 haver uma linha muito geral, muito dif\u00edcil de concretizar em cada lugar em que a Organiza\u00e7\u00e3o trabalhe. N\u00e3o havendo uma linha clara e concreta n\u00e3o h\u00e1 pol\u00edtica eficaz. A vontade pol\u00edtica da Organiza\u00e7\u00e3o corre ent\u00e3o o risco de diluir-se. O &#8220;voluntarismo&#8221; se converte em fazer com boa vontade o que vai aparecendo. Mas n\u00e3o se incide de modo determinado sobre os acontecimentos, na base de sua previs\u00e3o aproximada. Ao contr\u00e1rio, assim o fazer pol\u00edtico da Organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 determinado pelos acontecimentos e perante eles se atua espontaneamente. <\/p>\n<p>Sem linha para o trabalho te\u00f3rico, uma Organiza\u00e7\u00e3o, por maior que seja, \u00e9 confundida por condi\u00e7\u00f5es que ela n\u00e3o condiciona nem compreende. A linha pol\u00edtica pressup\u00f5e um programa, ou seja, as metas que se quer alcan\u00e7ar em cada etapa. O programa indica que for\u00e7as s\u00e3o favor\u00e1veis, quais s\u00e3o os inimigos e quem s\u00e3o os aliados circunstanciais. Mas para saber isso \u00e9 preciso conhecer profundamente a realidade do pa\u00eds. Por isso, adquirir agora esse conhecimento \u00e9 a tarefa priorit\u00e1ria. E para conhecer \u00e9 preciso teoria. <\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o (ou o partido) necessita de um esquema claro para poder pensar coerentemente o pa\u00eds e a regi\u00e3o (Am\u00e9rica Latina) e as lutas da classe oprimida atrav\u00e9s da Hist\u00f3ria. Precisamos ter um cabedal eficaz para ordenar a massa crescente de dados referentes \u00e0 nossa realidade econ\u00f4mica, pol\u00edtica e ideol\u00f3gica. Precisamos ter um m\u00e9todo para tratar esses dados. Para ver quais s\u00e3o os mais importantes, quais se precisa primeiro e quais depois. Para poder assim administrar corretamente nossas for\u00e7as dispon\u00edveis para cada frente de trabalho. Um esquema conceitual que permita vincular umas coisas com outras, seguindo uma ordem sistem\u00e1tica, coerente e que nos sirva para o que queremos fazer como milit\u00e2ncia org\u00e2nica de partido. Que nos aproxime exemplos de como trabalhar com esses outros esquemas conceituais que atuam em outras realidades. <\/p>\n<p>Mas este trabalho de conhecer nosso pa\u00eds teremos que fazer n\u00f3s mesmos, porque ningu\u00e9m vai fazer por n\u00f3s. <\/p>\n<p>N\u00e3o iremos inventar esquemas te\u00f3ricos a partir do zero. N\u00e3o vamos criar uma nova teoria em todos os seus termos. E \u00e9 assim por causa do atraso geral do nosso meio e suas institui\u00e7\u00f5es especializadas e nossa escassa disponibilidade para empreender essa tarefa. <\/p>\n<p>Teremos, ent\u00e3o, que tomar a teoria conforme vamos elaborando, analisando-a criticamente. N\u00e3o podemos aceitar qualquer teoria de olhos fechados, sem cr\u00edtica, como se fosse um dogma. <\/p>\n<p>Queremos estudar e pensar o pa\u00eds e a regi\u00e3o como revolucion\u00e1rios. Ent\u00e3o, entre os elementos que incluem as diferentes tend\u00eancias das correntes socialistas, tomaremos sempre os elementos que melhor nos sirvam para isso: para pensar e analisar de forma revolucion\u00e1ria o pa\u00eds, a regi\u00e3o ou outras regi\u00f5es e experi\u00eancias semelhantes a nossa.. <\/p>\n<p>N\u00e3o iremos adotar uma teoria para p\u00f4-la em um &#8220;cartazinho de moda&#8221;. Para viver repetindo &#8220;cita\u00e7\u00f5es&#8221; que outros disseram em outros lugares, em outro tempo, a prop\u00f3sito de outras cita\u00e7\u00f5es e problemas. A teoria n\u00e3o \u00e9 para isso. Para isso a usam os charlat\u00e3es. <\/p>\n<p>A teoria \u00e9 um instrumento, uma ferramenta, serve para fazer um trabalho, serve para produzir o conhecimento que necessitamos produzir. A primeira coisa que nos interessa conhecer \u00e9 o nosso pa\u00eds. Se uma teoria n\u00e3o nos serve para produzir novos conhecimentos \u00fateis para a pr\u00e1tica pol\u00edtica, ent\u00e3o esta teoria n\u00e3o serve para nada. Se for assim, esta se converte em mero tema de palestra improdutiva, de est\u00e9ril pol\u00eamica ideologizante. <\/p>\n<p>Quem compra um grande torno moderno e, ao inv\u00e9s de tornear fica falando do torno, faz um mal papel, \u00e9 um charlat\u00e3o. Errado est\u00e1, da mesma forma, aquele que, podendo ter um torno e us\u00e1-lo, prefere tornear \u00e0 m\u00e3o, porque era assim que se fazia antes. <\/p>\n<p>Algumas diferen\u00e7as entre teoria e ideologia <br \/>Cabe aqui pontuar algumas diferen\u00e7as entre o que habitualmente se chama teoria e ideologia. <\/p>\n<p>A teoria aponta para a elabora\u00e7\u00e3o de instrumentos conceituais para pensar rigorosamente e conhecer profundamente a realidade concreta. \u00c9 neste sentido que se pode falar da teoria como equivalente \u00e0 ci\u00eancia. <\/p>\n<p>A ideologia, em troca, \u00e9 composta de elementos de natureza n\u00e3o cient\u00edfica, que contribuem para dinamizar a a\u00e7\u00e3o, motivando-a, baseada em circunst\u00e2ncias que, ainda que tendo rela\u00e7\u00e3o com as condi\u00e7\u00f5es objetivas, n\u00e3o derivam dela, no sentido estrito. A ideologia est\u00e1 condicionada pelas condi\u00e7\u00f5es objetivas, ainda que n\u00e3o seja determinada mecanicamente por elas. <\/p>\n<p>A an\u00e1lise profunda e rigorosa de uma situa\u00e7\u00e3o concreta, em seus termos reais, rigorosos, objetivos, ser\u00e1 assim uma an\u00e1lise te\u00f3rica de car\u00e1ter o mais cient\u00edfico poss\u00edvel. A express\u00e3o de motiva\u00e7\u00f5es, a proposta de objetivos, de aspira\u00e7\u00f5es, de metas ideais, isso pertence ao campo da ideologia. <\/p>\n<p>A teoria torna precisa, circunstancializa as condicionantes da a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica: a ideologia motiva-a e a impulsiona, configurando-a em suas metas &#8220;ideais&#8221; e seu estilo. <\/p>\n<p>Entre teoria e ideologia existe uma estreita vincula\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que as propostas destas se confundem e se ap\u00f3iam nas conclus\u00f5es da an\u00e1lise te\u00f3rica. Uma ideologia ser\u00e1 tanto mais eficaz como motor da a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, quanto mais firmemente se ap\u00f3ie nas aquisi\u00e7\u00f5es da teoria. <\/p>\n<p>Os alcances do trabalho te\u00f3rico <br \/>O trabalho te\u00f3rico \u00e9 sempre um trabalho que se sustenta e se baseia nos processos reais, no que acontece na realidade hist\u00f3rica. Sem d\u00favida, como trabalho, se situa inteiramente no campo do pensamento: n\u00e3o h\u00e1 conceitos que sejam mais reais que outros. <\/p>\n<p>A respeito disso cabe pontuar duas proposi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas: <br \/>1 &#8211; A distin\u00e7\u00e3o entre a realidade existente, concreta, os processos reais, hist\u00f3ricos e por outro lado os processos do pensamento, apontados ao conhecimento e compreens\u00e3o daquela realidade. \u00c9 necess\u00e1rio, para dizer em outros termos, afirmar a diferen\u00e7a entre o ser e o pensamento, entre a realidade tal como \u00e9 e o conhecimento que sobre ela se pode ter. <br \/>2 &#8211; A primazia do ser sobre o pensamento, da realidade sobre o conhecimento. Dito de outra maneira, \u00e9 mais importante, pesa mais como determinante do curso dos acontecimentos o que se passa na realidade, do que o que sobre esses fatos se possa pensar ou conhecer. <\/p>\n<p>A partir destas afirma\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas, cabe realizar certos apontamentos para precisar os alcances do trabalho te\u00f3rico. Ou seja, o esfor\u00e7o do conhecimento guiado por prop\u00f3sitos de conhecimento rigoroso. <\/p>\n<p>O trabalho te\u00f3rico \u00e9 sempre realizado a partir de uma mat\u00e9ria prima determinada. N\u00e3o parte do real concreto, da realidade propriamente dita, sen\u00e3o que parte de informa\u00e7\u00f5es, de dados e no\u00e7\u00f5es sobre esta realidade. Este material prim\u00e1rio \u00e9 tratado, no processo de trabalho te\u00f3rico, por meio de certos conceitos \u00fateis, de certos instrumentos do pensamento. O produto deste tratamento \u00e9 o conhecimento. <\/p>\n<p>Dito em outros termos: s\u00f3 existem, propriamente falando, objetos reais, concretos e singulares (situa\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas determinadas, em momentos determinados). O processo do pensamento te\u00f3rico tem por fim conhec\u00ea-los. <\/p>\n<p>\u00c0s vezes o trabalho de conhecimento aponta para objetos abstratos, que n\u00e3o existem na realidade, que s\u00f3 existem no pensamento, mas que s\u00e3o instrumentos indispens\u00e1veis, condi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via para poder conhecer os objetos reais (por exemplo o conceito de classe social, etc.). No processo de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento, portanto, se transforma a mat\u00e9ria prima (percep\u00e7\u00e3o superficial da realidade) em um produto (conhecimento rigoroso, cient\u00edfico, dela). <\/p>\n<p>O termo &#8220;conhecimento cient\u00edfico&#8221; deve se tornar preciso no que diz respeito \u00e0 realidade social. Aplicado a esta realidade, alude \u00e0 sua compreens\u00e3o em termos rigorosos, o mais aproximado poss\u00edvel da realidade tal como ela \u00e9. <\/p>\n<p>Fica dito com isso que o processo de conhecimento da realidade social, como o de toda realidade objeto de estudo, \u00e9 suscet\u00edvel de um aprofundamento te\u00f3rico infinito. Assim como a f\u00edsica, a qu\u00edmica e outras ci\u00eancias podem aprofundar infinitamente o conhecimento das realidades que constituem seus respectivos objetos de estudo, a ci\u00eancia social pode aprofundar indefinidamente o conhecimento da realidade social. Por isso \u00e9 inadequado esperar um conhecimento &#8220;acabado&#8221; da realidade social para come\u00e7ar a atuar sobre ela tratando de transform\u00e1-la. N\u00e3o menos inadequado \u00e9 tentar transform\u00e1-la sem conhec\u00ea-la a fundo. <\/p>\n<p>O conhecimento rigoroso, cient\u00edfico, da realidade local, de nossa forma\u00e7\u00e3o social, s\u00f3 se conquista trabalhando sobre informa\u00e7\u00f5es, dados estat\u00edsticos, etc., por meio dos instrumentos conceituais mais abstratos que proporcionam e constituem a teoria, Atrav\u00e9s da pr\u00e1tica te\u00f3rica busca-se a produ\u00e7\u00e3o desses instrumentos conceituais, cada vez mais precisos e mais concretos, que conduzam ao conhecimento da realidade espec\u00edfica de nosso meio. <\/p>\n<p>Somente a partir de uma compreens\u00e3o te\u00f3rica adequada, ou seja, profunda e cient\u00edfica, podem desenvolver-se elementos ideol\u00f3gicos (aspira\u00e7\u00f5es, valores, ideais, etc.) que constituem os meios adequados para a transforma\u00e7\u00e3o de tal realidade social com coer\u00eancia de princ\u00edpios e efic\u00e1cia na pr\u00e1tica pol\u00edtica. <\/p>\n<p>A pr\u00e1tica pol\u00edtica e o conhecimento da realidade <br \/>Uma pr\u00e1tica pol\u00edtica eficaz exige, portanto, o conhecimento da realidade (teoria), a postula\u00e7\u00e3o harm\u00f4nica com ela de valores objetivos de transforma\u00e7\u00e3o (ideologia) e meios pol\u00edticos concretos para conquist\u00e1-la (pr\u00e1tica pol\u00edtica). Os tr\u00eas elementos se fundem em uma unidade dial\u00e9tica que constitui um esfor\u00e7o pela transforma\u00e7\u00e3o social que o partido\/organiza\u00e7\u00e3o postula. <\/p>\n<p>Pergunta-se: <br \/>&#8220;Devemos esperar um desenvolvimento te\u00f3rico acabado para come\u00e7ar a atuar ? N\u00e3o!&#8221; O desenvolvimento te\u00f3rico n\u00e3o \u00e9 um problema acad\u00eamico, n\u00e3o parte do zero. Se fundamenta, se motiva e se desenvolve a partir da exist\u00eancia de valores ideol\u00f3gicos, de uma pr\u00e1tica pol\u00edtica. Mais ou menos corretos, mais ou menos err\u00f4neos, estes elementos existem historicamente antes que a teoria, e motivaram seu desenvolvimento. <\/p>\n<p>A luta de classes existiu muito antes de sua conceitua\u00e7\u00e3o te\u00f3rica. A luta dos oprimidos e explorados n\u00e3o esperou a elabora\u00e7\u00e3o do trabalho te\u00f3rico que desse raz\u00e3o para ela desencadear-se. Seu ser, sua exist\u00eancia, foi anterior ao seu conhecimento, \u00e0 an\u00e1lise te\u00f3rica de sua exist\u00eancia. <\/p>\n<p>Por isso, a partir dessa comprova\u00e7\u00e3o b\u00e1sica \u00e9 que surge como fundamental e priorit\u00e1rio a atua\u00e7\u00e3o, a pr\u00e1tica pol\u00edtica. Somente a partir dela, em sua exist\u00eancia concreta, nas condi\u00e7\u00f5es comprovadas de seu desenvolvimento, pode chegar a elaborar-se um pensamento te\u00f3rico \u00fatil. Que n\u00e3o seja uma gratuita acumula\u00e7\u00e3o de postula\u00e7\u00f5es abstratas com mais ou menos coer\u00eancia e l\u00f3gica interna, mas sem coer\u00eancia com o desenvolvimento de processos reais. Para teorizar com efic\u00e1cia \u00e9 imprescind\u00edvel atuar. <\/p>\n<p>&#8220;Podemos prescindir da teoria em nossas urg\u00eancias pr\u00e1ticas? N\u00e3o!&#8221; Pode existir, admitimos, uma pr\u00e1tica pol\u00edtica fundamentada somente em crit\u00e9rios ideol\u00f3gicos, ou seja, n\u00e3o fundamentada ou insuficientemente fundamentada em adequadas an\u00e1lises te\u00f3ricas. Isso \u00e9 o habitual em nosso meio e as esquerdas insistem em incorrer neste erro.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m poder\u00e1 sustentar que existe, em nossa realidade e ainda na regi\u00e3o latino-americana, uma an\u00e1lise te\u00f3rica 100% adequada. Uma compreens\u00e3o conceitual suficiente, menos ainda. Esta comprova\u00e7\u00e3o \u00e9 extensiva, por outra parte, ao conjunto da realidade. A teoria \u00e9 esbo\u00e7ada em uma etapa apenas inicial de desenvolvimento. Apesar disto, h\u00e1 muitos dec\u00eanios se combate, se luta. Esta comprova\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve conduzir ao desd\u00e9m da import\u00e2ncia fundamental do trabalho te\u00f3rico. <\/p>\n<p>\u00c0 pergunta formulada antes cabe responder ent\u00e3o: o priorit\u00e1rio \u00e9 a pr\u00e1tica, mas a condi\u00e7\u00e3o de efic\u00e1cia desta radica no conhecimento o mais rigoroso da realidade. <\/p>\n<p>Em uma realidade como a nossa, com a forma\u00e7\u00e3o social de nosso pa\u00eds, o desenvolvimento te\u00f3rico tem que partir, como em todas as partes, de um conjunto de conceitos te\u00f3ricos eficazes, operando sobre uma massa o mais ampla poss\u00edvel de dados, que se constitua a mat\u00e9ria prima da pr\u00e1tica te\u00f3rica. <\/p>\n<p>Os dados por si s\u00f3, tomados isoladamente, sem um tratamento conceitual adequado, n\u00e3o d\u00e3o no\u00e7\u00e3o da realidade. Simplesmente adornam e dissimulam as ideologias a cujo servi\u00e7o se funcionalizam aqueles dados. <\/p>\n<p>Os conceitos abstratos, em si mesmos, sem se encaixar em uma base informativa adequada, n\u00e3o aportam tampouco ao conhecimento das realidades. <\/p>\n<p>O trabalho no campo te\u00f3rico que se desenvolve em nosso pa\u00eds, flutua habitualmente entre ambos extremos err\u00f4neos. <\/p>\n<p>Obs. final: \u00c9 incr\u00edvel como, mais de 30 anos depois, estas palavras seguem v\u00e1lidas. Valem em todo a Am\u00e9rica Latina, e em especial na Am\u00e9rica de fala portuguesa, tamb\u00e9m conhecida como Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A bandeira da segunda guerra de liberta\u00e7\u00e3o do Uruguay, com a epop\u00e9ia dos 33 orientales \u00e0 frente. S\u00edmbolo e cores de um pa\u00eds artiguista, inspirador de uma teoria de luta de classes arraigada nas ra\u00edzes da terra onde nasce. 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