{"id":809,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=809"},"modified":"2023-03-13T21:04:13","modified_gmt":"2023-03-14T00:04:13","slug":"as-cotas-raciais-e-sociais-na-ufrgs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=809","title":{"rendered":"As cotas raciais e sociais na UFRGS"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pixa__es_contra_cotas_iv__2_.jpg\" title=\"No acirramento do debate, as posi\u00e7\u00f5es mais racistas terminam por ser explicitadas. Picha\u00e7\u00f5es deste n\u00edvel foram vistas no entorno da reitoria da UFRGS.\n\n\n\n\n - Foto:\" alt=\"No acirramento do debate, as posi\u00e7\u00f5es mais racistas terminam por ser explicitadas. Picha\u00e7\u00f5es deste n\u00edvel foram vistas no entorno da reitoria da UFRGS.\n\n\n\n\n - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">No acirramento do debate, as posi\u00e7\u00f5es mais racistas terminam por ser explicitadas. Picha\u00e7\u00f5es deste n\u00edvel foram vistas no entorno da reitoria da UFRGS.<\/p>\n<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p >3\u00aa, 26 de junho de 2007, Vila Setembrina dos Farrapos, Continente de S\u00e3o Sep\u00e9<\/p>\n<p >Na pr\u00f3xima 6\u00aa feira dia 29 de junho a hist\u00f3ria da maior institui\u00e7\u00e3o de ensino superior do sul do Brasil estar\u00e1 sendo reescrita. <a href=\"http:\/\/ufrgsprocotas.noblogs.org\/\">O projeto que aprova 10% de cotas sociais e outros 10% para os afro-descendentes (negros) ser\u00e1 votada<\/a>. At\u00e9 <st1:metricconverter w:st=\"on\" ProductID=\"2010, a\">2010, a<\/st1:metricconverter> reserva de cotas atingiria a 40% dos egressos do vestibular. A inst\u00e2ncia deliberativa, o <a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/consun\/\">Conselho<\/a> da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (<a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/ufrgs\/a_ufrgs\/index.asp\">UFRGS<\/a>) est\u00e1 dividido. Em todos os cursos e institutos, passando pelas ci\u00eancias humanas, sociais aplicadas, exatas e da terra, da sa\u00fade\/biom\u00e9dicas e agropecu\u00e1rias, o tema causa pol\u00eamica. \u00c9 tamanho o debate que chegou a <a href=\"http:\/\/www.clicrbs.com.br\/clicnoticias\/jsp\/default.jsp?uf=1&amp;local=1&amp;tab=00002&amp;newsID=a1541409.htm&amp;subTab=23\">atingir a m\u00eddia estadual<\/a>.<\/p>\n<p >A semana anterior ao <a href=\"http:\/\/esporte.uol.com.br\/futebol\/ultimas\/2007\/06\/24\/ult59u124050.jhtm\">Gre-Nal do Beira Rio<\/a>, teve ao menos dois programas em m\u00eddia eletr\u00f4nica e de ampla difus\u00e3o. Na <a href=\"http:\/\/www.clicrbs.com.br\/tvcom\/jsp\/default.jsp?template=1120.dwt&amp;uf=1&amp;local=1&amp;mnit=1&amp;pg=programas\">TV Com<\/a>, canal 36 do UHF, empresa do Grupo RBS, o programa Conversas Cruzadas (di\u00e1rio) trouxe o tema. No dia seguinte, na <a href=\"http:\/\/www.bandrs.com.br\/radiobandeirantes\/programacao.php#8\">R\u00e1dio Band AM 640<\/a>, foi a vez do programa <a href=\"http:\/\/www.bandrs.com.br\/radiobandeirantes\/index.php?e=325\">Manh\u00e3 Bandeirantes<\/a>, com Darci Filho na mesa, conduzir o debate. Chamo a aten\u00e7\u00e3o para a relev\u00e2ncia. Quando a m\u00eddia pauta, e quase sempre \u00e9 o quarto poder que pauta a tem\u00e1tica, o conceito de agenda pol\u00edtica fica subordinado aos significados gerados por esta ind\u00fastria. Desta vez foi ao inverso. <\/p>\n<p >A <a href=\"http:\/\/www.gtacoesafirmativas.co.nr\/\">campanha das cotas sociais e raciais<\/a> come\u00e7ou a ser debatida na UFRGS h\u00e1 pelo menos cinco anos. O tema chegara ao Brasil no inicio dos anos \u201990, sendo uma vers\u00e3o brasileira da pol\u00edtica de <a href=\"http:\/\/www.comciencia.br\/reportagens\/negros\/01.shtml\">a\u00e7\u00f5es afirmativas<\/a> dos EUA. Alguns estados aplicaram esta pol\u00edtica ou parte dela. \u00c9 o <a href=\"http:\/\/www.lpp-uerj.net\/olped\/AcoesAfirmativas\/exibir_opiniao.asp?codnoticias=21867\">caso do Rio de Janeiro<\/a> e da <a href=\"http:\/\/www.universia.com.br\/html\/noticia\/noticia_clipping_ccdda.html\">Bahia<\/a>. Em universidades p\u00fablicas estaduais e federais, o primeiro mito, de que estes estudantes entrariam pela porta dos fundos, caiu por terra. O desempenho \u00e9 bom e a evas\u00e3o pequena. Outros mitos constru\u00eddos devem ter o mesmo caminho.<\/p>\n<p >Para entrar na quest\u00e3o, a primeira necessidade \u00e9 uma premissa. <a href=\"http:\/\/www.adital.com.br\/site\/noticia.asp?lang=PT&amp;cod=12148\">Tem racismo no Brasil ou n\u00e3o<\/a>? Se existe, <a href=\"http:\/\/www.fundaj.gov.br\/tpd\/128.html\">como este se manifesta<\/a>? Mais, havendo racismo, o preconceito \u00e9 um sintoma e n\u00e3o uma causa. A conseq\u00fc\u00eancia \u00e9 o elevador de servi\u00e7o e o quarto de empregada, peda\u00e7os constitutivos do modo de vida das elites brasileiras. N\u00e3o compreendo o racismo brasileiro como uma <a href=\"http:\/\/www.itsabouttimebpp.com\/Chapter_History\/images\/NY\/Dedicated_to_the_Black_Panther_Party.jpg\">vers\u00e3o parecida dos Estados Unidos<\/a> ou mesmo a <a href=\"http:\/\/www.codmanacademy.org\/branches\/jus04-05\/images\/pagemaster\/riotsmall.jpg\">\u00c1frica do Sul<\/a>. O exemplo serve como propaganda pol\u00edtica, mas n\u00e3o para <a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?pid=S0104-62762002000100002&amp;script=sci_arttext\">elaborar um conceito operacional<\/a>.<\/p>\n<p >Assim, come\u00e7o afirmando que <a href=\"http:\/\/www.pnud.org.br\/pobreza_desigualdade\/reportagens\/index.php?id01=222&amp;lay=pde\">existe racismo<\/a> e a exclus\u00e3o de espa\u00e7os de poder passa pela universidade. Nossa elite tem forma\u00e7\u00e3o civil sendo o Estado brasileiro criado por bachar\u00e9is-parlamentares eleitos no <a href=\"http:\/\/www.cantoni.pro.br\/historia\/eleitores.html\">voto censit\u00e1rio<\/a> quando debatiam nas <a href=\"http:\/\/www.culturabrasil.org\/revolucaodoporto.htm\">Cortes do Porto<\/a>. Ou seja, nas institui\u00e7\u00f5es de ensino superior o pensamento de esquerda \u00e9 tolerado. J\u00e1 a presen\u00e7a popular n\u00e3o.<\/p>\n<p >No caso espec\u00edfico do Rio Grande, a tend\u00eancia piora. \u00c9 absurda a imagem do estado ga\u00facho como o mais racista do pa\u00eds. Longe disso, a constitui\u00e7\u00e3o do ga\u00facho original passa por sua descend\u00eancia ind\u00edgena. A Rep\u00fablica Rio-Grandense, <a href=\"http:\/\/www.ihp.org.br\/docs\/cmb20041222.htm\">tra\u00edda pelos latifundi\u00e1rios charqueadores<\/a>, se vitoriosa fosse, haveria sido constru\u00edda com as cargas de <a href=\"http:\/\/resenet.com.br\/lanceiros_negros.htm\">Lanceiros Negros<\/a>. Mesmo assim, os cerca de 20% de afro-descendentes no Rio Grande do Sul mant\u00eam a m\u00e9dia brasileira de estarem com renda e IDHS abaixo dos brancos.<\/p>\n<p >Na UFRGS, menina dos olhos das elites locais, fundados seus alicerces na <a href=\"http:\/\/www.consciencia.net\/2003\/12\/12\/maestri1.html\">ditadura positivista<\/a>, a propor\u00e7\u00e3o \u00e9 terr\u00edvel. O Brasil \u00e9 o segundo pa\u00eds do mundo em popula\u00e7\u00e3o africana. S\u00e3o 47% de negros brasileiros, mas apenas 2% dos jovens negros est\u00e3o nas universidades. No pago a m\u00e9dia \u00e9 a mesma para os estudantes. Professores, bem, estes s\u00e3o apenas 0,3% do total. Se isso n\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia, e n\u00e3o \u00e9, portanto o racismo \u00e9 estrutural.<\/p>\n<p >O tema das cotas tem outro problema al\u00e9m do preconceito. \u00c9 a reserva de mercado. A ind\u00fastria do vestibular atinge a muitos interesses, incluindo a listagem final dos aprovados. As maiores redes de cursinhos conseguem ficar com as vagas mais disputadas, justo nos cursos onde a procura \u00e9 enorme. Deste modo, a <a href=\"http:\/\/www.clicrbs.com.br\/pdf\/3008848.pdf\">presen\u00e7a de estudantes de origem humilde<\/a> ser\u00e1 notada com for\u00e7a em carreiras como direito, medicina, odontologia, cont\u00e1beis, inform\u00e1tica e nas engenharias. <\/p>\n<p >Percebam, n\u00e3o afirmo que os estudantes destes cursos em todo o Brasil tenham um perfil elitista. Apenas digo que dentro da UFRGS n\u00e3o se nota a presen\u00e7a popular. E mais, apesar das posi\u00e7\u00f5es estarem divididas, alunos destes cursos (parte deles) se mobiliza por direita, contra as cotas. Isso \u00e9 rar\u00edssimo dentro de qualquer universidade. Em geral, a posi\u00e7\u00e3o mais conservadora \u00e9 a apatia pol\u00edtica e a nega\u00e7\u00e3o do muito viciado movimento estudantil. Apenas quando a atua\u00e7\u00e3o ou a causa incomodam muito <a href=\"http:\/\/www.clicrbs.com.br\/clicnoticias\/jsp\/default.jsp?newsID=a1540841.htm&amp;template=2503.dwt&amp;section=Not\u00edcias\">a parte mais reacion\u00e1ria se exp\u00f5e<\/a>. Isto ocorreu na <a href=\"http:\/\/ocupacaousp.noblogs.org\/\">ocupa\u00e7\u00e3o da reitoria da USP<\/a> e agora na quest\u00e3o das cotas no sul.<\/p>\n<p >Entendo que o tema n\u00e3o se esgota, sendo que o debate e a pol\u00eamica apenas iniciam. Se por um lado temos o risco, real, de haver uma <a href=\"http:\/\/www.clicrbs.com.br\/jsp\/rt.jsp?rootdir=\/shared&amp;width=758&amp;height=502&amp;file=3042817.jpg&amp;author=Adriana%20Franciosi&amp;copyright=Ag%EAncia%20RBS&amp;legend=Cal%E7ada%20tamb%E9m%20foi%20pichada&amp;template=24.dwt\">racializa\u00e7\u00e3o da luta social no Brasil<\/a>; por outro prisma, essa racializa\u00e7\u00e3o \u00e9 urgente e necess\u00e1ria. O mito da democracia racial noz faz cego perante um Estado que manteve o <a href=\"http:\/\/www.biblio.com.br\/conteudo\/PauloBarreto\/agaleriasuperior.htm\">crime de vadiagem<\/a> mesmo ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura sem nenhuma repara\u00e7\u00e3o. Nos Estados Unidos ao menos prometeram (mas n\u00e3o concederam) <a href=\"http:\/\/www.mre.gov.br\/portugues\/noticiario\/nacional\/selecao_detalhe.asp?ID_RESENHA=67259&amp;Imprime=on\">40 acres e uma mula<\/a> para cada <a href=\"http:\/\/images.google.com.br\/imgres?imgurl=http:\/\/www2.netdoor.com\/~jgh\/photos\/guar_lrg.jpg&amp;imgrefurl=http:\/\/www2.netdoor.com\/~jgh\/&amp;h=236&amp;w=499&amp;sz=26&amp;hl=pt-BR&amp;start=1&amp;um=1&amp;tbnid=M1gFDpm9j60jRM:&amp;tbnh=61&amp;tbnw=130&amp;prev=\/images%3Fq%3Dblack%2Bsoldiers%2Bin%2Bthe%2Bcivil%2Bwar%26svnum%3D10%26um%3D1%26hl%3Dpt-BR%26lr%3Dlang_pt\">homem negro e livre ap\u00f3s a vit\u00f3ria<\/a> da Uni\u00e3o na Guerra de Secess\u00e3o. Aqui, nem a falsa promessa houve.<\/p>\n<p >No dia <a href=\"http:\/\/www.clicrbs.com.br\/clicnoticias\/jsp\/default.jsp?newsID=a1532469.htm&amp;template=2503.dwt&amp;section=Not\u00edcias\">29 de manh\u00e3<\/a>, tanto pode haver um resgate da hist\u00f3ria dos descendentes daqueles que constru\u00edram as <a href=\"http:\/\/www.sic.org.br\/PDF\/charqueadas.pdf\">charqueadas com o lombo<\/a>, como pode ser mais um dia de frustra\u00e7\u00e3o. Em ambas as hip\u00f3teses, se e caso as lideran\u00e7as negras n\u00e3o se omitirem, esse <a href=\"http:\/\/www.clicrbs.com.br\/clicnoticias\/jsp\/default.jsp?newsID=a1538289.htm&amp;template=2503.dwt&amp;section=Not\u00edcias\">vendaval de raz\u00f5es<\/a> pode entrar em um novo ciclo de embates. <\/p>\n<p >Artigo originalmente publicado no blog de <a href=\"http:\/\/www.noblat.com.br\/\">Ricardo Noblat<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No acirramento do debate, as posi\u00e7\u00f5es mais racistas terminam por ser explicitadas. Picha\u00e7\u00f5es deste n\u00edvel foram vistas no entorno da reitoria da UFRGS. 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