{"id":82,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=82"},"modified":"2023-03-13T20:43:46","modified_gmt":"2023-03-13T23:43:46","slug":"analise-geral-a-partir-do-atentado-contra-o-wtc-e-o-pentagono","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=82","title":{"rendered":"An\u00e1lise geral a partir do atentado contra o WTC e o pent\u00e1gono"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/islamismo.jpg\" title=\"A grande m\u00eddia corporativa vem bombardeando o conceito de \"radical isl\u00e2mico\" h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada. Refor\u00e7a este termo como fator motivador para os piores atentados e desumanidades chamados de \"terrorismo\", a exemplo do que aconteceu nos Estados Unidos no dia 11 de setembro de 2001. Simplesmente, este conceito de \"radical isl\u00e2mico\" n\u00e3o existe e n\u00e3o tem fundamento nos pa\u00edses \u00e1rabes e\/ou de f\u00e9 isl\u00e2mica. - Foto:Matutando\" alt=\"A grande m\u00eddia corporativa vem bombardeando o conceito de \"radical isl\u00e2mico\" h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada. Refor\u00e7a este termo como fator motivador para os piores atentados e desumanidades chamados de \"terrorismo\", a exemplo do que aconteceu nos Estados Unidos no dia 11 de setembro de 2001. Simplesmente, este conceito de \"radical isl\u00e2mico\" n\u00e3o existe e n\u00e3o tem fundamento nos pa\u00edses \u00e1rabes e\/ou de f\u00e9 isl\u00e2mica. - Foto:Matutando\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A grande m\u00eddia corporativa vem bombardeando o conceito de &#8220;radical isl\u00e2mico&#8221; h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada. Refor\u00e7a este termo como fator motivador para os piores atentados e desumanidades chamados de &#8220;terrorismo&#8221;, a exemplo do que aconteceu nos Estados Unidos no dia 11 de setembro de 2001. Simplesmente, este conceito de &#8220;radical isl\u00e2mico&#8221; n\u00e3o existe e n\u00e3o tem fundamento nos pa\u00edses \u00e1rabes e\/ou de f\u00e9 isl\u00e2mica.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:Matutando<\/small><\/figure>\n<p>Rio de Janeiro, 15 de setembro de 2001<\/p>\n<p>Este texto tem o intuito de buscar aprofundar o poss&iacute;vel, ser did&aacute;tico e expor os motivos e processos reais que levaram aos atentados contra as torres do World Trade Center (WTC) em Nova York e no Pent&aacute;gono em Washington, capital dos EUA. Partindo do fato que &eacute; por todos conhecido, tentaremos aprofundar a respeito dos agentes da a&ccedil;&atilde;o e o processo que os levou a tomar como medida este tipo de atentado.<\/p>\n<p>&Eacute; necess&aacute;rio esclarecer que o n&iacute;vel de rigor n&atilde;o &eacute; muito alto, sendo que as informa&ccedil;&otilde;es mais precisas poder&atilde;o ser encontradas na m&iacute;dia e nas p&aacute;ginas de Internet especializadas, tanto as acad&ecirc;micas como as p&aacute;ginas oficiais dos atores envolvidos. Apesar de n&atilde;o utilizar o sobrenome paterno, eu, como autor deste texto, sou pela minha pr&oacute;pria descend&ecirc;ncia, ambientado no tema. Al&eacute;m do interesse de estudos, tive alguma participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, nos apoios poss&iacute;veis &agrave; Causa Palestina, no Comit&ecirc; pela Liberta&ccedil;&atilde;o da Presa pol&iacute;tica brasileira L&acirc;mia Maruf Hassan (presa em Israel de 1985 a 1997) e me correspondendo com parte das for&ccedil;as de esquerda atuando neste processo.<\/p>\n<p>Esclarecemos tamb&eacute;m que sou analista e militante libert&aacute;rio, comprometido com os processos desta corrente na Am&eacute;rica Latina. Assim, entendemos que ficar&aacute; mais f&aacute;cil para quem for ler o material compreender os pontos de vista e crit&eacute;rios de an&aacute;lise utilizados. Pede-se o m&aacute;ximo de frieza para apurar o maior rigor poss&iacute;vel, e assim ao menos compreender e emitir uma opini&atilde;o pol&iacute;tica a respeito do tema. Cremos que s&oacute; a verdade liberta e s&oacute; a realidade transforma, n&atilde;o podendo jamais um analista de rigor e\/ou um militante sincero e dedicado, confundir os planos de seu desejo com os processos reais nos quais atua.<\/p>\n<p>Apenas para contextualizar o tempo da produ&ccedil;&atilde;o deste material, este foi escrito depois do atentado e antes da retalia&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o cabem aqui especula&ccedil;&otilde;es futuras e sim compreender os processos at&eacute; o momento da a&ccedil;&atilde;o nos EUA.<\/p>\n<p><strong>1) A a&ccedil;&atilde;o <\/strong><\/p>\n<p>Na manh&atilde; do dia 11 de setembro de 2001, 4 avi&otilde;es de duas companhias estadunidenses (American Airlines e United Airlines) que fariam v&ocirc;os de costa a costa (da costa leste &agrave; costa oeste) foram seq&uuml;estrados. A m&eacute;dia de homens operando no seq&uuml;estro das aeronaves variou entre a 4 a 5 pessoas. A a&ccedil;&atilde;o do foi efetivada partindo desses princ&iacute;pios:<br \/>\n-amea&ccedil;a f&iacute;sica ao pessoal de servi&ccedil;o de bordo utilizando armas brancas;<br \/>\n-amea&ccedil;a de bomba atrav&eacute;s de explosivos atados ao corpo;<br \/>\n-a maioria dos seq&uuml;estradores sabia manobrar, em v&ocirc;o, avi&otilde;es comerciais, alguns deles inclusive com treinamento de avia&ccedil;&atilde;o militar.<\/p>\n<p>A seq&uuml;&ecirc;ncia dos atentados foi primeiro numa das torres, 18 minutos na outra e um terceiro avi&atilde;o, aproximadamente meia hora depois no Pent&aacute;gono. O quarto avi&atilde;o foi derrubado por ca&ccedil;as da For&ccedil;a A&eacute;rea dos EUA (USAF) sobre uma &aacute;rea rural do estado vizinho da Pennsylvania quando se dirigia para dois poss&iacute;veis alvos: a Casa Branca ou o avi&atilde;o presidencial (Air Force One).<\/p>\n<p>O intuito da a&ccedil;&atilde;o n&atilde;o era necessariamente &quot;militar&quot; no sentido cl&aacute;ssico do termo. Os operadores se suicidaram, levando com eles a tripula&ccedil;&atilde;o e quem estava dentro das duas torres, de altos empres&aacute;rios a faxineiros, al&eacute;m de funcion&aacute;rios do Departamento de Defesa dos EUA. Contavam com o &oacute;bvio, a presen&ccedil;a de c&acirc;maras de TV e a difus&atilde;o do fato ao m&aacute;ximo (as defini&ccedil;&otilde;es de &quot;terrorismo&quot; vemos depois).<\/p>\n<p>Alguns padr&otilde;es s&atilde;o tamb&eacute;m &oacute;bvios no que diz respeito a origem dos seq&uuml;estradores. Segundo os inqu&eacute;ritos do FBI, eram &aacute;rabes, de religi&atilde;o mu&ccedil;ulmana (adeptos do maior de seus credos, o suni , chamado de sunita), de nacionalidade saudita, eg&iacute;pcia e libanesa, homens mais velhos, entre 30 e 40 anos. Estas nacionalidades, em especial a saudita, recebiam menos aten&ccedil;&atilde;o por parte da Ag&ecirc;ncia de Imigra&ccedil;&atilde;o dos EUA (INS), em fun&ccedil;&atilde;o de serem pa&iacute;ses aliados dos EUA (Ar&aacute;bia Saudita e Egito).<\/p>\n<p>Quanto ao treinamento de avia&ccedil;&atilde;o, alguns deles, sauditas, tamb&eacute;m receberam treinamento militar, em t&iacute;picos cursos de interc&acirc;mbio para pa&iacute;ses aliados (&quot;na&ccedil;&otilde;es amigas&quot;). Os demais parece que treinaram dentro dos EUA, em cursos livres de avia&ccedil;&atilde;o civil, treinando em simuladores de boeings.<\/p>\n<p>Um c&aacute;lculo simples, de no m&iacute;nimo dois apoiadores para cada seq&uuml;estrador em a&ccedil;&atilde;o, sendo 4 ou 5 por avi&atilde;o, chegamos a uma m&eacute;dia de 16 a 20 homens no ato do seq&uuml;estro e outros 32 a 40 em terra, circulando em torno dessas c&eacute;lulas, nos EUA ou na Europa Ocidental (em especial Alemanha, Inglaterra e Fran&ccedil;a).<\/p>\n<p>Quanto aos preju&iacute;zos com o atentado, a &uacute;ltima quantia girava em torno de US$ 40 bilh&otilde;es de d&oacute;lares apenas para a reconstru&ccedil;&atilde;o da infra-estrutura urbana da parte sul da ilha de Manhattan. Mais alguns bilh&otilde;es de d&oacute;lares tamb&eacute;m no Pent&aacute;gono, ainda que suas instala&ccedil;&otilde;es principais estejam no subsolo, num bunker (abrigo defensivo contra bombardeio) de concreto e cimento feito para resistir a um ataque nuclear. Outro preju&iacute;zo &eacute; o aumento de custos com seguran&ccedil;a, tanto na avia&ccedil;&atilde;o comercial como no pagamento de resseguros, o que pode gerar recess&atilde;o nos EUA vindo de encontro &agrave; queda do PIB deles, desaquecimento da economia, t&iacute;picas medidas de governos do Partido Republicano. A ind&uacute;stria da avia&ccedil;&atilde;o comercial iniciou uma quebradeira generalizada, que n&atilde;o d&aacute; sinais de parar t&atilde;o cedo. Apenas para um dado comparativo, a ajuda anual dos EUA para Israel &eacute; da ordem de US$ 5 bilh&otilde;es. Com o atentado contra o WTC, o preju&iacute;zo financeiro equivale, no m&iacute;nimo, a 8 anos de ajuda militar e de infra-estrutura ao Estado de Israel<\/p>\n<p><strong>2) A motiva&ccedil;&atilde;o: O que &eacute; integrismo isl&acirc;mico?<\/strong><\/p>\n<p>A grande m&iacute;dia corporativa vem bombardeando o conceito de &quot;radical isl&acirc;mico&quot; desde h&aacute; mais de uma d&eacute;cada. Refor&ccedil;a este termo como fator motivador para os piores atentados e desumanidades chamados de &quot;terrorismo&quot;. Simplesmente, este conceito de &quot;radical isl&acirc;mico&quot;, n&atilde;o existe e n&atilde;o tem fundamento nos pa&iacute;ses &aacute;rabes e\/ou de f&eacute; isl&acirc;mica.<\/p>\n<p>A id&eacute;ia mais pr&oacute;xima do fator ideol&oacute;gico dos grupos assim acusados (&agrave; frente descrevemos brevemente quais s&atilde;o) &eacute; a denomina&ccedil;&atilde;o integrista ou fundamentalista. O que vem a ser isso? A grosso modo, &eacute; a aceita&ccedil;&atilde;o integral, ou de todos os fundamentos, da interpreta&ccedil;&atilde;o legal em forma de lei, a sharia (leis, usos e costumes) das suratas, versos que seriam a descri&ccedil;&atilde;o do Profeta das palavras de Deus.<\/p>\n<p>&Eacute; necess&aacute;ria uma breve explica&ccedil;&atilde;o do que &eacute; e como funciona tudo isso. O islamismo &eacute; uma religi&atilde;o monote&iacute;sta (de aceita&ccedil;&atilde;o de um Deus &uacute;nico) e revelada. As palavras b&aacute;sicas s&atilde;o escritas em forma de suratas, versos sagrados, recitados pelo Profeta (Mohhammad, erroneamente traduzido por Maom&eacute;) de cabe&ccedil;a ap&oacute;s 3 dias seguidos imerso numa caverna. O anjo Gabriel os teria dito, frente &agrave; frente a Mohhammad (ent&atilde;o, chefe de caravana), em nome do Deus &uacute;nico, o mesmo do Velho Testamento. As chances de interpreta&ccedil;&atilde;o da palavra escrita s&atilde;o muito poucas, uma vez que o Profeta era analfabeto e os disse para o escriba da caravana no dialeto de sua tribo, semita como as demais, e parte dos dialetos do idioma &aacute;rabe.<\/p>\n<p>Este local fica na Pen&iacute;nsula Ar&aacute;bica, onde se localizam os Emirados &Aacute;rabes Unidos, o Y&ecirc;men e a Ar&aacute;bia Saudita. No interior do pa&iacute;s saudita fica a cidade de Meca (onde se localiza a Kaaba, pedra angular e sagrada da religi&atilde;o) e Medina , a segunda cidade sagrada do Islam; a terceira cidade sagrada &eacute; Jerusal&eacute;m. &Eacute; justamente neste pa&iacute;s, o Estado que seria o protetor de Meca, onde est&atilde;o baseadas grande parte das tropas dos EUA, defendendo as reservas de petr&oacute;leo (2\/3 das reservas mundiais) ali localizadas. Por mar, a 5a frota deles &quot;protege&quot; o Golfo P&eacute;rsico.<\/p>\n<p>Retornando ao integrismo, este surgiu no s&eacute;culo XVIII, numa seita mu&ccedil;ulmana chamada de &quot;wahabita&quot;, que deu as bases teol&oacute;gicas para sua vers&atilde;o mais pol&iacute;tica. No s&eacute;culo XIX, o integrismo ganha sua linha pol&iacute;tica, como uma das linhas pol&iacute;tico-sociais nos pa&iacute;ses &aacute;rabes para combater o Imp&eacute;rio Otomano (atual Turquia) que ocupava a maior parte dos territ&oacute;rios que hoje constituem Estados &Aacute;rabes. Com o fim da 1a Guerra Mundial e a derrota Otomana, estes territ&oacute;rios passaram a ter mandato ingl&ecirc;s ou franc&ecirc;s em sua maioria. O integrismo teria surgido junto da outra vers&atilde;o de alternativa regional, o nacionalismo pan-arabista, criado por jovens eg&iacute;pcios, sendo a maioria destes militantes de origem crist&atilde; e de classe m&eacute;dia. Os integristas eg&iacute;pcios ganham a defini&ccedil;&atilde;o de Irmandade Mu&ccedil;ulmana, a partir da d&eacute;cada de 1870.<\/p>\n<p>Esta linha de organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-social s&oacute; veio a ser majorit&aacute;ria a partir de Revolu&ccedil;&atilde;o Iraniana (1979), mais acertadamente no ano de 1980, quando a teocracia xii (conhecido no ocidente como xiita, o segundo maior credo isl&acirc;mico, geralmente com base nos setores mais pobres) com Khomeini &agrave; frente, derrotou as for&ccedil;as de esquerda suas ex-aliadas contra o regime do X&aacute;, t&iacute;tere da CIA ap&oacute;s um golpe no final da d&eacute;cada de 1950. Outro fator que para isso colaborou foi a ocupa&ccedil;&atilde;o militar da ex-URSS sobre o Afeganist&atilde;o, pa&iacute;s de maioria sunita mas que, assim como o Ir&atilde; e o Paquist&atilde;o, n&atilde;o &eacute; &aacute;rabe. A posi&ccedil;&atilde;o dos grupos de esquerda &aacute;rabe, mesmo os mais tradicionais, como a Frente Popular pela Liberta&ccedil;&atilde;o da Palestina (FPLP) e a Frente Democr&aacute;tica pela Liberta&ccedil;&atilde;o da Palestina (FDLP), de &quot;acatar&quot; a pol&iacute;tica externa sovi&eacute;tica realmente caiu muito mal nas maiorias &aacute;rabes e mu&ccedil;ulmanas. Colaborando com tudo isso, o apoio da CIA e suas redes para incentivar os grupos integristas, a forma&ccedil;&atilde;o de volunt&aacute;rios &quot;afganis&quot; (argelinos, eg&iacute;pcios, sauditas, sudaneses que foram lutar contra as tropas sovi&eacute;ticas) e financiar a leg&iacute;tima resist&ecirc;ncia contra a ocupa&ccedil;&atilde;o estrangeira no Afeganist&atilde;o. A base de apoio era a enorme fronteira com o Paquist&atilde;o, pa&iacute;s com maioria da mesma etnia que comp&otilde;e a maioria do povo afeg&atilde;o.<\/p>\n<p>O integrismo se d&aacute; a partir da interpreta&ccedil;&atilde;o de s&aacute;bios (mullahs, muezims, muftis, xeikhs) sobre os textos sagrados do Cor&atilde;o, e tornando como v&aacute;lidas e &uacute;nicas estas interpreta&ccedil;&otilde;es (chamadas de sharias, lei isl&acirc;mica) para a vida social e pol&iacute;tica. A legitimidade se forma a partir da posi&ccedil;&atilde;o central das mesquitas como espa&ccedil;o mais sadio e preservado da vida nos pa&iacute;ses &aacute;rabes e isl&acirc;micos.<\/p>\n<p>Esta interpreta&ccedil;&atilde;o pode ganhar contornos inclusive belicosos, com a convocat&oacute;ria da Jihad. Ao contr&aacute;rio do que a m&iacute;dia divulga, Jihad n&atilde;o &eacute; guerra santa, mas simplesmente guerra. Mudjahid &eacute; o guerreiro que evoca e pratica a Jihad. O que sim tem relev&acirc;ncia &eacute; a no&ccedil;&atilde;o de que toda guerra s&oacute; &eacute; aceita pela popula&ccedil;&atilde;o caso tenha contornos sagrados, defendendo ou portando algum conte&uacute;do ou bandeira pass&iacute;veis de serem validados por alguma interpreta&ccedil;&atilde;o do Cor&atilde;o (causas justas, trabalho s&eacute;rio, esfor&ccedil;o positivo). Assim, de forma aproximada, podemos traduzir Jihad por luta justa.<\/p>\n<p>Nas mesquitas e em seu entorno, se encontram as institui&ccedil;&otilde;es sociais mais fortes em sociedades com um grau baix&iacute;ssimo de participa&ccedil;&atilde;o popular: as creches; as madrastas, escolas religiosas de instru&ccedil;&atilde;o fundamental, que s&atilde;o gr&aacute;tis e d&atilde;o roupas e alimenta&ccedil;&atilde;o para os alunos, o que j&aacute; &eacute; muito para pa&iacute;ses miser&aacute;veis; no entorno delas sempre h&aacute; um mercado popular e de venda direta; s&atilde;o espa&ccedil;os limpos e seguros onde &eacute; poss&iacute;vel descansar e meditar; o pagamento de d&iacute;zimo pelos homens de bem &eacute; obrigat&oacute;rio. Este dinheiro que todos pagam e colaboram com os fundos sociais das mesquitas, as sociedades beneficientes e a partir de tudo isto, o espa&ccedil;o social prop&iacute;cio para cria&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento de partidos integristas.<br \/>\nO Islam, ao contr&aacute;rio do catolicismo, tem uma difus&atilde;o mais ampla. O fiel estudioso vai se aprofundando no estudo da l&iacute;ngua &aacute;rabe cl&aacute;ssica escrita e quanto mais estuda o Cor&atilde;o e se funde na sua institui&ccedil;&atilde;o local (mesquita e sociedade), vai ganhando autoridade moral e de conhecimento sobre os fi&eacute;is. Para o Islam, o corpo &eacute; o templo, sendo com isso incentivados costumes de higiene, alimenta&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de (como quanto a carne de porco, a lavagem das m&atilde;os, n&atilde;o-fumar e n&atilde;o-beber). Outras considera&ccedil;&otilde;es de costumes tamb&eacute;m s&atilde;o de responsabilidades dos muezins, at&eacute; o ponto de validar como lei sua interpreta&ccedil;&atilde;o das palavras do Profeta.<\/p>\n<p>&Eacute; preciso compreender que sem a participa&ccedil;&atilde;o de autoridades religiosas aderidas, &eacute; imposs&iacute;vel mobilizar a popula&ccedil;&atilde;o mais pobre nos pa&iacute;ses &aacute;rabes e nos demais pa&iacute;ses mu&ccedil;ulmanos. &Eacute; um posto de muito prest&iacute;gio, e tamb&eacute;m de reconhecimento. Estes s&atilde;o pa&iacute;ses de maioria analfabeta (ex: o analfabetismo no Paquist&atilde;o &eacute; da ordem de 60% e no Afeganist&atilde;o quase 80% da popula&ccedil;&atilde;o), e mesmo quando n&atilde;o-&aacute;rabes, o Cor&atilde;o s&oacute; &eacute; escrito na &iacute;ntegra em &aacute;rabe, portanto &eacute; necess&aacute;rio conhecer profundamente o idioma para corretamente interpretar as palavras de Mohhammad. Mesmo grupos e organiza&ccedil;&otilde;es mais &agrave; esquerda, como era a Frente de Liberta&ccedil;&atilde;o Nacional (FLN) argelina na guerra contra a ocupa&ccedil;&atilde;o colonial francesa (1954-1962) contava com autoridades religiosas apoiando e reconhecendo sua autoridade terrena sobre os problemas sociais.<\/p>\n<p>Este &eacute; o fato diferenciador. O partido integrista concebe uma &uacute;nica autoridade, social e sagrada, regula a vida atrav&eacute;s da sharia e n&atilde;o admite contesta&ccedil;&otilde;es, a n&atilde;o ser do ponto de vista pragm&aacute;tico, ou seja, a partir de uma outra posi&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;a. Por exemplo, o HAMAS palestino dialoga com a esquerda palestina porque esta tamb&eacute;m opera militarmente e tem for&ccedil;a social para disputar com eles o protagonismo na luta de liberta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Al&eacute;m de n&atilde;o ter muito a no&ccedil;&atilde;o do di&aacute;logo, o integrismo canaliza o descontentamento contra regimes corruptos e t&atilde;o ou mais autorit&aacute;rios do que eles. Como j&aacute; foi dito antes, a mesquita &eacute; o espa&ccedil;o preservado para uma maioria popular, miser&aacute;vel e analfabeta, e profundamente decepcionada e ofendida em sua dignidade enquanto &aacute;rabe e mu&ccedil;ulmanos em fun&ccedil;&atilde;o da prepot&ecirc;ncia dos EUA e Israel. Al&eacute;m disso, h&aacute; pouca ou nenhuma distribui&ccedil;&atilde;o de renda e participa&ccedil;&atilde;o social em seus pa&iacute;ses.<\/p>\n<p>Outra diferen&ccedil;a da postura dos partidos integristas &eacute; a insurg&ecirc;ncia contra os regimes, atuando com muita flexibilidade t&aacute;tica. Tanto se realizam campanhas por &quot;moraliza&ccedil;&atilde;o de costumes&quot;, como combate &agrave;s influ&ecirc;ncias ocidentais (filmes, cal&ccedil;as jeans, autonomia de h&aacute;bitos para mulheres), disputas eleitorais e atentados violentos. Tamb&eacute;m se organizam pela base social, a partir das sociedades beneficientes das mesquitas, oferecendo servi&ccedil;os b&aacute;sicos de sa&uacute;de e alimenta&ccedil;&atilde;o. Quando o Estado inexiste, como no sul do L&iacute;bano ou nos territ&oacute;rios ocupados de Gaza e Cisjord&acirc;nia, a&iacute; os servi&ccedil;os sociais dos partidos integristas funcionam por vezes como a &uacute;nica garantia social para milh&otilde;es de pessoas.<\/p>\n<p>Cabe uma observa&ccedil;&atilde;o, que &eacute; a de que o integrismo n&atilde;o ocorre apenas em pa&iacute;ses &aacute;rabes, mas tamb&eacute;m em pa&iacute;ses e popula&ccedil;&otilde;es de f&eacute; isl&acirc;mica.Desde a prov&iacute;ncia de Xinjiang, fronteira da China com o Paquist&atilde;o, passando pela Chech&ecirc;nia sob ocupa&ccedil;&atilde;o russa at&eacute; a Turquia membra da OTAN. Por outro lado, &eacute; imposs&iacute;vel afirmar ao Isl&atilde; sem se referir &agrave; centralidade &aacute;rabe desta cultura e civiliza&ccedil;&atilde;o. Se formos levar em conta apenas o fato de que o Cor&atilde;o s&oacute; pode ser escrito na &iacute;ntegra em &aacute;rabe, que a maior parte dos mu&ccedil;ulmanos (&aacute;rabes ou n&atilde;o) &eacute; analfabeta em seu idioma de origem, d&aacute; para imaginar o que significa aprender uma outra l&iacute;ngua e a relev&acirc;ncia que esta l&iacute;ngua (a do Profeta) tem para estas culturas. A l&iacute;ngua e a compreens&atilde;o da cultura &aacute;rabe passa a ser um dos fatores de prest&iacute;gio para popula&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-&aacute;rabes embora islamizadas.<\/p>\n<p>Uma r&aacute;pida descri&ccedil;&atilde;o das organiza&ccedil;&otilde;es integristas, aquelas que n&atilde;o s&atilde;o governo, mais importantes no momento s&atilde;o: <br \/>\n&#8211; Movimento de Resist&ecirc;ncia Isl&acirc;mica (HAMAS), fundado nos anos 1980, palestino e sunita, agindo nos territ&oacute;rios ocupados em 1967 por Israel<\/p>\n<p>&#8211; Jihad Palestino, tamb&eacute;m fundado nos anos 1980, no mesmo terreno do Hamas e tamb&eacute;m sunita e palestino<\/p>\n<p>&#8211; Hizballah (Partido de Deus), organiza&ccedil;&atilde;o dos camponeses xiitas do sul do L&iacute;bano criada em 1983 para combater a ocupa&ccedil;&atilde;o desta regi&atilde;o por Israel.<\/p>\n<p>&#8211; Jihad Eg&iacute;pcia &#8211; de maioria sunita, mais antigo, seria o sucessor da Irmandade Mu&ccedil;ulmana, tamb&eacute;m sunita<\/p>\n<p>&#8211; Frente Isl&acirc;mica de Salva&ccedil;&atilde;o (FIS), frente pol&iacute;tica vencedora das elei&ccedil;&otilde;es gerais na Arg&eacute;lia em 1994 e desencadeadora de luta armada no pa&iacute;s ap&oacute;s o autogolpe de Estado feito pelas For&ccedil;as Armadas. Dentro da FIS est&aacute; o GIA (Grupo Isl&acirc;mico Armado), organiza&ccedil;&atilde;o que tem maior volume operacional e comete maior n&uacute;mero de atentados conhecidos. Tamb&eacute;m sunita.<\/p>\n<p>Os Estados com governo integrista, ou ao menos hegemonia integrista s&atilde;o:<\/p>\n<p>&#8211; Ar&aacute;bia Saudita, monarquia governada pela sharia interpretada a partir dos muezins seguidores e s&uacute;ditos da fam&iacute;lia real. Pa&iacute;s e regime de credo sunita, incentivador da seita wahabita, aliados dos EUA, e recentemente de Israel, &quot;protetora&quot; da Meca e hospedeira das tropas de ocupa&ccedil;&atilde;o da OTAN no Golfo P&eacute;rsico. &Uacute;nico pa&iacute;s integrista aliado dos EUA.<\/p>\n<p>&#8211; Ir&atilde;, governado pela teocracia dos aiatollahs, autoridades do credo xiita, desde 1979, e desde 1980 como partido hegem&ocirc;nico. Pa&iacute;s de maioria xiita (&uacute;nico lugar onde este credo &eacute; secularmente religi&atilde;o oficial).<\/p>\n<p>&#8211; Sud&atilde;o, governado por uma minoria &aacute;rabe sunita, fundamentalista, e detentora do poder sobre a maioria negra (tamb&eacute;m sunita) do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>&#8211; Afeganist&atilde;o, controlado majoritariamente pelo Partido dos Estudantes (Talib&atilde; em persa),desde 1995. Pa&iacute;s de maioria sunita, o Talib&atilde; &eacute; ex-aliado dos EUA, recebendo apoio da Ar&aacute;bia Saudita, Paquist&atilde;o, Emirados &Aacute;rabes e EUA na conquista do poder em 1995.<\/p>\n<p>No plano operacional, os chamados terroristas operam em duas formas. Territorialmente nos pa&iacute;ses aos quais tentam ganhar as massas populares mais pobres, e com os tipos de atividades que j&aacute; foram descritos. E a outra &eacute; na forma de rede, onde o t&atilde;o falado Osama Bin Laden e sua Al Qaeda (A Base) &eacute; uma das redes mais fortes. &Eacute; forte justamente por ser uma rede, ajudando e coordenando indiretamente c&eacute;lulas espalhadas em muitos lugares. Capital flutuante, bases de propaganda a partir de mesquitas, popula&ccedil;&atilde;o que emigra e se auto-financia abrindo pequenos com&eacute;rcios (ex: as cidades de Chu&iacute; e Foz do Igua&ccedil;&uacute;), c&eacute;lulas com bom n&iacute;vel de autonomia (horizontalizadas), pessoal recrutado nas for&ccedil;as armadas dos regimes inimigos, nas camadas intelectualizadas e profissionais liberais, capacidade de crescimento de operadores, uma vez que quanto mais a&ccedil;&otilde;es, mais volunt&aacute;rios surgem.<\/p>\n<p>Apenas para citar o jornal O Globo , pa&iacute;ses e regi&otilde;es &aacute;rabes que os EUA alegam que tem atividade integrista com gente sendo recrutada para a&ccedil;&otilde;es violentas hoje s&atilde;o: Arg&eacute;lia, Tun&iacute;sia, Egito, Sud&atilde;o, Territ&oacute;rios Ocupados da Palestina, L&iacute;bano, Jord&acirc;nia, Y&ecirc;men, e Ar&aacute;bia Saudita.<\/p>\n<p>N&atilde;o-&aacute;rabes: Afeganist&atilde;o, Paquist&atilde;o, Tadjiquist&atilde;o, Azerbaij&atilde;o, prov&iacute;ncia de Xinjiang (China), Chech&ecirc;nia (R&uacute;ssia) e Cachemira (&Iacute;ndia) (na &Aacute;sia Central); Mal&aacute;sia e Filipinas (Sudeste Asi&aacute;tico); Som&aacute;lia e Eritr&eacute;ia (chifre da &Aacute;frica Oriental); Cro&aacute;cia, B&oacute;snia, Alb&acirc;nia, Kosovo (Balc&atilde;s). Al&eacute;m destes, a terceira for&ccedil;a pol&iacute;tica turca &eacute; uma Frente Integrista.<br \/>\n&Eacute; necess&aacute;rio compreender que nem todos os pa&iacute;ses acima tem integrismo, mas sim popula&ccedil;&atilde;o de f&eacute; isl&acirc;mica que tem a religi&atilde;o como fator de identidade. Mas, &eacute; fato que na disputa da identidade popular e nacional, o integrismo cresce como refer&ecirc;ncia ideol&oacute;gica, abrindo campo para a&ccedil;&otilde;es de viol&ecirc;ncia indiscriminada. <\/p>\n<p>Alguns Estados tratam com integristas no plano t&aacute;tico (ex: a intelig&ecirc;ncia iraquiana, L&iacute;bia e S&iacute;ria com o Hizballah) sem necessariamente vincular-se a a&ccedil;&atilde;o. Campos de treinamento para distintos grupos &aacute;rabes sempre existiram (Arg&eacute;lia, L&iacute;bia, S&iacute;ria, Jord&acirc;nia e Egito nos anos 70 80), isto quando a esquerda disputava a hegemonia, em especial atrav&eacute;s dos fedayin (guerrilheiros) palestinos. Apoio financeiro oficial vem do Ir&atilde; e Sud&atilde;o, al&eacute;m de empres&aacute;rios e militares fi&eacute;is em todo o mundo &aacute;rabe e isl&acirc;mico, em especial os sauditas (aliados dos EUA). Campos de treinamento para integristas s&atilde;o co-financiados e postos a disposi&ccedil;&atilde;o de distintos grupos das redes integristas, se localizando hoje em lugares onde quase n&atilde;o h&aacute; presen&ccedil;a do Estado, como no Sud&atilde;o e Afeganist&atilde;o. A no&ccedil;&atilde;o de rede, com autonomia entre as c&eacute;lulas de uma pr&oacute;pria rede, rela&ccedil;&otilde;es amistosas entre os partidos integristas e algum grau de manipula&ccedil;&atilde;o por parte de Estados e servi&ccedil;os de intelig&ecirc;ncia que os ap&oacute;iam s&atilde;o suposi&ccedil;&otilde;es bastante prov&aacute;veis.<\/p>\n<p>Os pa&iacute;ses europeus ocidentais com grande n&uacute;mero de col&ocirc;nia e imigra&ccedil;&atilde;o &aacute;rabe e mu&ccedil;ulmana (Fran&ccedil;a, Inglaterra e Alemanha, em escala de propor&ccedil;&atilde;o) s&atilde;o propensos a receberem c&eacute;lulas, ou at&eacute; formarem suas pr&oacute;prias unidades de combate com motiva&ccedil;&atilde;o integrista. A FIS e o GIA, por exemplo, tem forte presen&ccedil;a na col&ocirc;nia argelina na Fran&ccedil;a. Outra motiva&ccedil;&atilde;o &eacute; a onda de supremacia racial, anti-imigra&ccedil;&atilde;o, que tem aos &aacute;rabes como um dos alvos cl&aacute;ssicos. Como exemplo, citamos a popula&ccedil;&atilde;o &aacute;rabe parisiense, que &eacute; chamada de &quot;os cinza&quot; (porque seriam cinzas como os ratos de esgotos). Considerando a presen&ccedil;a de muezins da FIS nas mesquistas para onde freq&uuml;entam estes jovens, &eacute; poss&iacute;vel dimensionar o tamanho do potencial de crescimento integrista.<\/p>\n<p><strong>3) Israel, aliados dos EUA, subimperialismo e imperialismo<\/strong><\/p>\n<p>A presen&ccedil;a do Estado de Israel e o apoio dos EUA ao pa&iacute;s sionista sem d&uacute;vida &eacute; um fator de tens&atilde;o na regi&atilde;o e que se verifica em todo o mundo &aacute;rabe e isl&acirc;mico. Por outro lado, a exist&ecirc;ncia do conflito &aacute;rabe-israelense &eacute; o grande bode-expiat&oacute;rio para todos os males dos pa&iacute;ses &aacute;rabes. Torna-se um excelente fator para a corrida armamentista, para gastar somas alt&iacute;ssimas com a &quot;defesa&quot;, n&atilde;o investir nada na distribui&ccedil;&atilde;o de renda e justificar todo autoritarismo de monarquias (Marrocos, Tun&iacute;sia, Ar&aacute;bia Saudita, Emirados, Kuwait, Jord&acirc;nia), ditaduras familiares com base militar (S&iacute;ria e Iraque), ditaduras militares (Arg&eacute;lia, Egito) e composi&ccedil;&otilde;es &eacute;tnicas sem divis&atilde;o de renda (L&iacute;bano).<\/p>\n<p>O papel do Estado de Israel equivale para a regi&atilde;o &agrave; fun&ccedil;&atilde;o de subimperialismo, da &eacute;poca das fronteiras ideol&oacute;gicas (1945-1991), como eram pa&iacute;ses como Brasil, &Aacute;frica do Sul, Turquia e Tail&acirc;ndia em suas respectivas regi&otilde;es. A presen&ccedil;a israelense, garante supremacia militar, coagindo as reservas e os pre&ccedil;os do petr&oacute;leo em todo o mundo. &Oacute;bvio que o tema de Israel e o sionismo &eacute; mais complexo, e antecede o cen&aacute;rio tra&ccedil;ado acima. Mas, fora as quest&otilde;es pr&oacute;prias da exist&ecirc;ncia de Israel como um direito (em termos pol&iacute;ticos &eacute; correto e &quot;inevit&aacute;vel&quot;), o pa&iacute;s funciona como aparelho civilizador, a base de guerra, da economia e pol&iacute;tica do ocidente na regi&atilde;o. Apenas para citar, tamb&eacute;m coage o conjunto das comunidades judias ao redor do mundo, hegemonizadas que s&atilde;o pela direita sionista e concordando com sua pr&oacute;pria condi&ccedil;&atilde;o de classe (dominante). <\/p>\n<p>Os EUA, Israel e o ocidente operam com outras formas de alian&ccedil;a, em especial de uns 20 anos para c&aacute;. O primeiro pa&iacute;s a assinar acordo de paz e reconhecer o direito &agrave; exist&ecirc;ncia de Israel foi o Egito, no governo Anwar Sadat (em 1981, a Jihad de l&aacute; mandou o presidente Sadat para o inferno). No in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1970 (1970-1971), a guerra civil jordaniana contra a monarquia hachemita (pa&iacute;s de maioria palestina) levou a expuls&atilde;o da OLP para Beirute (posteriormente expulsa para T&uacute;nis, Tun&iacute;sia, at&eacute; assinarem os acordos de Oslo, em 1993) empurrou a Jord&acirc;nia para o grupo de pa&iacute;ses &quot;traidores da Causa &Aacute;rabe&quot;. A Ar&aacute;bia Saudita, primeiro pa&iacute;s fundamentalista e sempre alinhado com o ocidente, embora n&atilde;o reconhecesse Israel at&eacute; os acordos de Oslo, &eacute; outro aliado cl&aacute;ssico ocidental (em especial ap&oacute;s a Guerra do Golfo). Dos aliados hist&oacute;ricos do ocidente, os mais not&oacute;rios s&atilde;o a monarquia marroquina (com a Fran&ccedil;a) e as fam&iacute;lias crist&atilde;s dominantes no L&iacute;bano.<\/p>\n<p>A partir da tomada do poder pela teocracia xiita no Ir&atilde;, o ocidente articulou uma disputa de fronteiras quase inexistente, fortalecendo o poderio militar do Partido Baas (partido militar &aacute;rabe, uma das linhas de liberta&ccedil;&atilde;o nacional &aacute;rabe, no poder na S&iacute;ria, L&iacute;bia e Iraque) na figura da fam&iacute;lia Hussein e seu chefe, Saddam Hussein. Nesta guerra, Ir&atilde;-Iraque, se acentuou uma divis&atilde;o na pol&iacute;tica interna dos pa&iacute;ses &aacute;rabes e acirrou a contradi&ccedil;&atilde;o entre o projeto pan-arabista e o projeto integrista (se &eacute; que se pode chamar de &quot;projeto pol&iacute;tico&quot; integrista). O Baas iraquiano convocava uma unidade pan-&aacute;rabe contra o antigo inimigo persa. O Ir&atilde; convocava a unidade isl&acirc;mica, em especial dos mais pobres, geralmente comunidades de credo xiita, contra a agress&atilde;o do aliado do ocidente. Os EUA e a direita israelense riam de orelha a orelha e satisfeitas.<\/p>\n<p>Outra contradi&ccedil;&atilde;o, em sintonia com esta, foi a ocupa&ccedil;&atilde;o sovi&eacute;tica do Afeganist&atilde;o. Obviamente que os EUA elegeram como aliado t&aacute;tico a resist&ecirc;ncia afgani, e compuseram uma rede de apoio aos volunt&aacute;rios &aacute;rabes que foram lutar contra a invas&atilde;o de um pa&iacute;s do ocidente (a R&uacute;ssia ortodoxa, inimiga hist&oacute;rica, travestida de pa&iacute;s l&iacute;der da URSS), que n&atilde;o conseguia &quot;comover&quot; sequer os pa&iacute;ses islamizados de sua Uni&atilde;o contra o Afeganist&atilde;o. Isso gerou uma profunda como&ccedil;&atilde;o no mundo &aacute;rabe e ajudou a virar de vez o jogo da hegemonia dos anseios populares para os integristas. Calcula-se que aproximadamente 20 mil volunt&aacute;rios eg&iacute;pcios e argelinos foram lutar contra as tropas sovi&eacute;ticas de ocupa&ccedil;&atilde;o (de 1979-1989). &Eacute; esta a gera&ccedil;&atilde;o her&oacute;ica da FIS (e a GIA mais barra pesada) e da Jihad Eg&iacute;pcia (e tamb&eacute;m da FIS do Egito, frente eleitoral) que hoje opera nestes pa&iacute;ses. O ocidente conseguiu destruir de vez a chance de unidade &aacute;rabe por esquerda.<\/p>\n<p>Na ocupa&ccedil;&atilde;o e guerra civil libanesa, se construiu uma frente palestino-&aacute;rabe-mu&ccedil;ulmana em Beirute Ocidental, contra os sionistas-crist&atilde;os-ocidentais. Esta seria a &uacute;ltima grande alian&ccedil;a com a esquerda &agrave; frente da resist&ecirc;ncia &aacute;rabe-palestina. O Hizballah foi criado justo em 1983, ano dos massacres de Sabra e Chatila (campos de refugiados palestinos), da retirada de Beirute dos fedayin (e da estrutura da OLP para T&uacute;nis) e da guerra civil palestina em fun&ccedil;&atilde;o da dinastia corrupta da Fatah (partido majorit&aacute;rio da OLP, com Arafat &agrave; frente). O Hizballah superou a Amal (mil&iacute;cia sunita libanesa, mas sat&eacute;lite da S&iacute;ria; hoje s&atilde;o aliadas eleitorais), com verba iraniana, convocando sua pr&oacute;pria unidade &aacute;rabe-isl&acirc;mica, unificando os discursos e passando &agrave; frente na resist&ecirc;ncia contra a ocupa&ccedil;&atilde;o sionista do Sul do L&iacute;bano.<\/p>\n<p>Aliados t&aacute;ticos do ocidente, o agora famoso Osama Bin Laden (n&atilde;o por acaso saudita) e suas redes, ou a rede que &eacute; parte de outras, tamb&eacute;m funcionou no apoio contra o Iraque na Guerra do Golfo. Com as redes j&aacute; prontas, e a infiltra&ccedil;&atilde;o da CIA atrav&eacute;s do Curdist&atilde;o hist&oacute;rico (norte da S&iacute;ria, oeste da Turquia, norte do Iraque, leste do Ir&atilde;), mais dinheiro jorrou para as m&atilde;os dos integristas. Ap&oacute;s a guerra, os integristas viraram seu objetivo (geral), apontando seus anseios para as conquistas dos bodes expiat&oacute;rios da regi&atilde;o: o Estado subimperialista de Israel e a agora forte presen&ccedil;a dos EUA na regi&atilde;o. Os constantes e infundados bombardeios sobre o Iraque (cujo governo de Hussein ap&oacute;s a Guerra do Golfo, n&atilde;o caiu por op&ccedil;&atilde;o da OTAN) e a queda no n&iacute;vel de vida e do pre&ccedil;o do petr&oacute;leo levaram &agrave;s massas &aacute;rabes a entenderem que n&atilde;o haveria sa&iacute;da pelos modelos anteriores nacional-&aacute;rabe-progressista.<\/p>\n<p>Para piorar de vez a situa&ccedil;&atilde;o, os acordos de Oslo, que n&atilde;o foram discutidos por nenhum outro partido palestino que n&atilde;o a Fatah (de Arafat), apontavam para uma rendi&ccedil;&atilde;o palestina e n&atilde;o a reconquista dos pr&oacute;prios territ&oacute;rios. Com isso levou a forma&ccedil;&atilde;o de um comit&ecirc; opositor contra a direita palestina, da Autoridade Nacional Palestina (ANP), frente essa que p&otilde;e a esquerda (FPLP e um ou outro grupo pequeno), os nacionais-militares (os grupos baasistas palestinos, como Al-Saika, outrora fortes) e os integristas sunis palestinos (HAMAS e Jihad Palestino) a formar um bloco. Isso, mais a manipula&ccedil;&atilde;o do Hizballah pelo governo S&iacute;rio (que funciona como poder moderador no L&iacute;bano, durante e ap&oacute;s a guerra civil) levou a outro bloco de alian&ccedil;as.<\/p>\n<p>Estados com ou sem v&iacute;nculos integristas (como L&iacute;bia e S&iacute;ria, em menor parte o Iraque) passam a colaborar com estas redes. A queda da URSS brecou o financiamento b&eacute;lico de v&aacute;rios pa&iacute;ses, o apoio da OLP ao Iraque quebrou o or&ccedil;amento do governo palestino no ex&iacute;lio (de cada US$ 3 d&oacute;lares que recebiam, passou a entrar s&oacute; 1 ou 0,50 centavos), e mais uma vez funcionou o bloco de alian&ccedil;a t&aacute;tica ocidental (uma vez que a Liga &Aacute;rabe nada fez, e o dinheiro saudita e dos pa&iacute;ses do Golfo acabou) quebrando qualquer discurso de unidade destes pa&iacute;ses. Para completar a &quot;desgra&ccedil;a&quot; nacional-&aacute;rabe, as capitula&ccedil;&otilde;es escancaradas do Egito, depois Jord&acirc;nia, da direita Fatah (hegem&ocirc;nica na OLP), o fim da guerra civil libanesa sem alterar a correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as internas nem a distribui&ccedil;&atilde;o de renda ou poder, as conversa&ccedil;&otilde;es com a S&iacute;ria e Israel, al&eacute;m da baixa de perfil da L&iacute;bia levou ao melhor dos cen&aacute;rios para os integristas.<\/p>\n<p>Os Estados &aacute;rabes, na sua quase totalidade, s&atilde;o ditaduras, e o pior, nem combatem mais o bode expiat&oacute;rio. Capitularam na &uacute;nica luta leg&iacute;tima que ainda tinham, contra o imperialismo e Israel. J&aacute; os integristas derrotam a URSS no Afeganist&atilde;o, tem autonomia de pol&iacute;tica externa no Ir&atilde;, n&atilde;o assinam acordo de paz atrav&eacute;s do HAMAS, derrotam Israel com o Hizballah, vencem a elei&ccedil;&atilde;o na Arg&eacute;lia (tomam um golpe de for&ccedil;a e encaram os militares) e declaram guerra ao governo traidor dos &aacute;rabes, o eg&iacute;pcio. O integrismo passa a ser a &quot;melhor op&ccedil;&atilde;o&quot; para as massas &aacute;rabes, al&eacute;m de quebrar o discurso pan-nacional, substitu&iacute;do (na medida do poss&iacute;vel) por um discurso pela reconstru&ccedil;&atilde;o da Umma, rumo ao pan-isl&acirc;mico.<\/p>\n<p>Os ex-aliados contra a esquerda &aacute;rabe, contra os movimentos de liberta&ccedil;&atilde;o nacional e, tamb&eacute;m &eacute; importante falar, contra a pol&iacute;tica externa sovi&eacute;tica na regi&atilde;o, viraram o jogo contra os ex-padrinhos e tomam &agrave; frente na luta contra o ocidente. Para piorar a situa&ccedil;&atilde;o, as tropas da OTAN (com os EUA &agrave; frente) est&atilde;o ocupando a Ar&aacute;bia Saudita desde 1990. Discurso pronto, e leg&iacute;timo, para expulsar os infi&eacute;is de Meca e Medina! Quais os objetivos estrat&eacute;gicos do imperialismo em ocupar o territ&oacute;rio saudita? A quest&atilde;o do petr&oacute;leo e cumprir a pauta do ocidente em rela&ccedil;&atilde;o a pagarem o pre&ccedil;o justo por terem perseguido aos judeus, desde Roma at&eacute; a 2a Guerra mundial. As pautas sociais dos pa&iacute;ses &aacute;rabes, assim como no mundo isl&acirc;mico, n&atilde;o &eacute; nem ser&aacute; respeitada. Indiretamente, os integristas ajudam socialmente muito mais que os governos &aacute;rabes e isl&acirc;micos corruptos (como os indon&eacute;sio, malaio e paquistan&ecirc;s por exemplo).<\/p>\n<p>Globalmente, o discurso anti-imperialista tem muito mais &ecirc;nfase por parte do integrismo isl&acirc;mico do que de toda e qualquer outra corrente de oposi&ccedil;&atilde;o ao capitalismo globalizado. O discurso &eacute; mundial, pan-isl&acirc;mico, como proposta m&iacute;nima de civiliza&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o-decadente e com condi&ccedil;&otilde;es melhores de vida. Os indicadores sociais do Ir&atilde; ap&oacute;s a guerra contra o Iraque, s&atilde;o melhores do que qualquer outro pa&iacute;s da regi&atilde;o, a n&atilde;o ser os emirados do Golfo.<\/p>\n<p>A capacidade de se insurgir contra uma proposta de Estado laico, identificado como opressor, corrupto e injusto (o que &eacute; verdade) e a capacidade de perman&ecirc;ncia (atrav&eacute;s de uma interpreta&ccedil;&atilde;o da f&eacute;) com popula&ccedil;&otilde;es com grande capacidade de sacrif&iacute;cio s&atilde;o bases de uma proposta de movimento por uma outra globaliza&ccedil;&atilde;o, a partir da interpreta&ccedil;&atilde;o da sharia. Apenas para complementar, importa lembrar que como oposi&ccedil;&atilde;o ao imperialismo, o integrismo n&atilde;o prop&otilde;e luta de classes, nem antes nem depois da tomada do poder ou da derrota do ocidente. Sua capacidade de reprodu&ccedil;&atilde;o e de crescer mesmo em setores com alto n&iacute;vel de instru&ccedil;&atilde;o s&atilde;o o fruto do est&iacute;mulo que o ocidente deu aos seus aliados t&aacute;ticos contra a esquerda &aacute;rabe nos anos 1970 e 1980.<\/p>\n<p>\n<strong>4) Terrorismo, mart&iacute;rio e combate anti-imperialista<\/strong><\/p>\n<p>Este talvez seja o tema mais delicado, que necessita ser avaliado com cuidado. Existe diferen&ccedil;a entre terror generalizado e terror seletivo, este segundo como forma de desestabilizar uma elite, governo, infra-estrutura ou economia. Ou seja, &quot;terror&quot; que opere como fator auxiliar para uma luta conjunta, em distintas frentes, seja com um objetivo de liberta&ccedil;&atilde;o nacional ou de socialismo. Bem diferente a este terrorismo praticado &agrave; revelia ou indiscriminadamente.<\/p>\n<p>Bakunin falava de terror seletivo, e o praticava, j&aacute; no s&eacute;culo XIX, assim como o Partido da Vontade do Povo Russo, onde militava Kropotkin. Nem sempre tudo &eacute; perfeito e convenhamos, nem toda opera&ccedil;&atilde;o poupa inocentes. Mas, admitir que n&atilde;o &eacute; o objetivo atingir inocentes ou civis, ou trabalhadores que passem pelo local na hora do atentado &eacute; diferente de ter como objetivo estrat&eacute;gico o p&acirc;nico generalizado contra toda uma popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O terror indiscriminado mais se parece com um bombardeio a&eacute;reo contra alvos de um Estado, como cidades, ind&uacute;strias; ou mesmo a chamada terra arrasada, como foi feito pelos EUA no Vietn&atilde; e em El Salvador. &Eacute; distinta da a&ccedil;&atilde;o direta anarquista na Argentina dos anos 20, quando o grupo de Di Giovanni explodiu a embaixada dos EUA por causa do julgamento de Sacco e Vanzetti. Este mesmo grupo explodiu a embaixada da It&aacute;lia ent&atilde;o sob governo fascista. Os alvos eram subordinados &agrave; uma op&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, uma causa popular, e todos sabiam que seriam alvos fixos dos grupos anarquistas. Explos&atilde;o de delegacias e restaurantes de elite (a&ccedil;&otilde;es t&iacute;picas dos anarquistas), atentados contra hot&eacute;is e centros tur&iacute;sticos sem v&iacute;timas (t&iacute;pica a&ccedil;&atilde;o anti-franquista na Espanha dos anos 1960 e 1970) e mesmo elimina&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica de presidentes, ministros, empres&aacute;rios e militares de alta patente sempre tiveram v&iacute;nculo e compreens&atilde;o da classe em luta. S&atilde;o um fator a mais, apoiando a luta popular com o povo &agrave; frente. Em suma, a luta armada defendida pelos anarquistas, tida como um dos n&iacute;veis do enfrentamento total &agrave; ditadura de classe dominante e ao imperialismo n&atilde;o tem correla&ccedil;&atilde;o com o terror indiscriminado.<\/p>\n<p>Este terror decreta como alvos permanentes todos os naturais dos EUA e de Israel, civis ou n&atilde;o, trabalhadores ou empres&aacute;rios, autoridades ou faxineiros, pouco importa. A id&eacute;ia &eacute; gerar o p&acirc;nico em toda uma sociedade, n&atilde;o necessariamente vinculando o medo da elite sair &agrave;s ruas como o choque entre um povo e seu opressor. N&atilde;o tem objetivo militar ou econ&ocirc;mico, a luta &eacute; de signos, o s&iacute;mbolo de uma civiliza&ccedil;&atilde;o vai abaixo, &eacute; um modelo de sociedade combatido. A guarida e o abrigo se torna o conforto espiritual, a aceita&ccedil;&atilde;o total da interpreta&ccedil;&atilde;o da f&eacute; (sharia), transcendendo &agrave; realidade, apontando objetivos de eternidade atrav&eacute;s da luta terrena. De forma inteligente, mistura a&ccedil;&otilde;es leg&iacute;timas e compreens&iacute;veis, como o ataque contra &agrave; fragata dos EUA patrulhando as &aacute;guas do Golfo e o combate &agrave; invas&atilde;o estrangeira sobre o solo afeg&atilde;o; com a&ccedil;&otilde;es de sabotagem econ&ocirc;mica (massacres contra os turistas do Egito, alegando que s&atilde;o infi&eacute;is), chacina contra civis que ap&oacute;iam ou s&atilde;o coagidos pelo governo argelino at&eacute; a&ccedil;&otilde;es como esta do WTC e do Pent&aacute;gono. Note-se que o WTC vem junto do Pent&aacute;gono (um alvo leg&iacute;timo), mas com a utiliza&ccedil;&atilde;o de civis como muni&ccedil;&atilde;o viva.<\/p>\n<p>J&aacute; o mart&iacute;rio, &eacute; muito anterior ao pr&oacute;prio Islam. A id&eacute;ia do mart&iacute;rio e da Jihad, transcende as palavras do Profeta, foram incorporadas e desenvolvidas com a islamiza&ccedil;&atilde;o dos &aacute;rabes, atrav&eacute;s da luta pela tomada da Medina e da posterior &quot;Avan&ccedil;ada Verde&quot; (verde &eacute; a cor da bandeira do Profeta &#8211; erroneamente chamada de marcha verde). &Eacute; um conceito comum mesmo em regimes n&atilde;o-integristas. Nos livros de ensino fundamental s&iacute;rios, por exemplo, a id&eacute;ia de sacrif&iacute;cio por uma causa justa &eacute; difundida. Fedayin (significa, aqueles que se sacrificas) &eacute; o nome adotado pelos guerrilheiros palestinos das primeiras incurs&otilde;es contra os sionistas. &Eacute; uma caracter&iacute;stica das palavras &aacute;rabes entoarem esta id&eacute;ia po&eacute;tica e ao mesmo tempo de for&ccedil;a. A esquerda, os movimentos de liberta&ccedil;&atilde;o nacional e depois os integristas incorporaram este vocabul&aacute;rio e tamb&eacute;m estas id&eacute;ias, enraizadas e leg&iacute;timas no mundo &aacute;rabe.<\/p>\n<p>Assim, a disputa se d&aacute; na forma de combater o imperialismo, e n&atilde;o se h&aacute; combate ou n&atilde;o. &Oacute;bvio que se torna mais dif&iacute;cil fazermos a analogia com nossa realidade aqui na Am&eacute;rica Latina, mas &eacute; preciso compreender que a luta contra Israel e o imperialismo &eacute; um sentimento popular e leg&iacute;timo. E, n&atilde;o ser&aacute; atrav&eacute;s de nenhum acordo secreto, como o de Oslo, que vai acabar. Entendemos que &eacute; imposs&iacute;vel hoje a destrui&ccedil;&atilde;o de Israel, ou conforme os objetivos da extrema-esquerda da regi&atilde;o, promover a luta de classes inter-&eacute;tnica. Quem for hegem&ocirc;nico na pr&aacute;tica de combate ao imperialismo na regi&atilde;o, pode determinar a luta popular e mesmo o sentido de exist&ecirc;ncia dos setores mais desesperados do mundo &aacute;rabe. O mesmo se aplica ao mundo isl&acirc;mico, a&iacute; sim distribu&iacute;do por v&aacute;rios contextos, promovendo uma luta global contra a atual etapa do capitalismo, mas propondo um modelo de sociedade &uacute;nica e bastante autorit&aacute;ria.<\/p>\n<p>&Eacute; preciso lembrar que o Islam n&atilde;o &eacute; uma religi&atilde;o apenas de &aacute;rabes, e embora centralizada na cultura e na regi&atilde;o ar&aacute;bica, trabalha com a hip&oacute;tese de convers&atilde;o e aceita&ccedil;&atilde;o do Islam (rebatizando o fiel na l&iacute;ngua e no padr&atilde;o cultural do Profeta). Apenas como exemplo, o avan&ccedil;o do Islam na &Aacute;frica sub-saariana destruiu ou submeteu culturas milenares, sem no entanto alterar a condi&ccedil;&atilde;o de vida dessas popula&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>\n<strong>5) Coment&aacute;rios do cen&aacute;rio local, Am&eacute;rica Latina e Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Cabem algumas poucas observa&ccedil;&otilde;es para completar esta breve an&aacute;lise. Primeiro &eacute; quanto &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es de origem &aacute;rabe que vivem na Am&eacute;rica Latina. Em alguns pa&iacute;ses, como Brasil, Argentina e Equador, os patr&iacute;cios e brimos (como nos chamamos) s&atilde;o parte atuante das elites, alguns da direita mais corrupta e fascistizante, como &eacute; o caso j&aacute; &quot;caricato&quot; de Paulo Salim Maluf. Estes descendentes s&atilde;o de maioria de &aacute;rabes-crist&atilde;os (melquitas, maronitas, ortodoxos e antioquinos) e quando isl&acirc;micos, de maioria sunita. A imigra&ccedil;&atilde;o xiita &eacute; pequena e recente. O poder da direita &aacute;rabe &eacute; maior do que parece. No Equador j&aacute; fizeram dois ex-presidentes, ambos derrubados por corrup&ccedil;&atilde;o e desmandos. Na Argentina, Saul Menem, vinculado a m&aacute;fia de contrabandistas s&iacute;rios, fez uma d&eacute;cada de governo t&atilde;o corrupto quanto neoliberal.<\/p>\n<p>N&atilde;o s&atilde;o hip&oacute;teses v&aacute;lidas uma poss&iacute;vel persegui&ccedil;&atilde;o a fam&iacute;lias de classe m&eacute;dia e elites brancas, ainda que &aacute;rabes, na Am&eacute;rica Latina. A imigra&ccedil;&atilde;o &aacute;rabe para os EUA pouco ou nada tem a ver com a que veio para c&aacute;. Ainda que a m&iacute;dia se esforce por caricaturar todos os &aacute;rabes, elite alguma gera contradi&ccedil;&atilde;o em seu seio sem motivos v&aacute;lidos. E, o atentado para isso n&atilde;o &eacute; motivo algum.<\/p>\n<p>&Aacute;reas sens&iacute;veis s&atilde;o as zonas de fronteira no Brasil, Corumb&aacute; (MS), Chu&iacute; (RS) e mais do que nenhuma outra, Foz do Igua&ccedil;u (PR). A imigra&ccedil;&atilde;o palestina tem por h&aacute;bito se estabelecer em &aacute;reas de fronteira, e s&atilde;o casos t&iacute;picos estes acima. Em Foz do Igua&ccedil;u a situ&ccedil;&atilde;o &eacute; complicada, pois &eacute; corredor de passagem e possibilita as redes funcionarem, para todas as fun&ccedil;&otilde;es e causas, a integrista inclusive. Atentados como a da Embaixada de Israel (1992) e da AMIA (1994, ambos em Buenos Aires), passaram por l&aacute;, com apoio da intelig&ecirc;ncia iraniana, da extrema-direita argentina e com verba da m&aacute;fia menemista no poder. A situa&ccedil;&atilde;o foi t&atilde;o s&eacute;ria, que para evitar a investiga&ccedil;&atilde;o dos atentados os s&oacute;cios do Menem mataram seu filho num atentado contra o helic&oacute;ptero onde o rapaz passeava. Isto considerando que a Argentina mandou tropas para a Guerra do Golfo, como fato pol&iacute;tico de alinhamento autom&aacute;tico com os EUA. Para quem conhece estes c&oacute;digos, como Menem conhece, sabe o que isto significa.<\/p>\n<p>Um perigo latente para a esquerda combativa daqui &eacute; associar, atrav&eacute;s da m&iacute;dia, toda e qualquer proposta revolucion&aacute;ria com atos contra a &quot;civiliza&ccedil;&atilde;o&quot;. No plano do discurso, as propostas anti-ocidentais dos oprimidos latino-americanos (ou seja, o ide&aacute;rio anti-imperialista daqui) pode perder f&ocirc;lego simb&oacute;lico com o bombardeio ideol&oacute;gico do ocidente. Por fim, a contradi&ccedil;&atilde;o entre as comunidades &aacute;rabes e judias tampouco parece que vai acontecer. S&atilde;o setores elitizados, inclu&iacute;dos, globalizados e brancos, justo o<\/p>\n<p>Uma possibilidade muito remota seria a luta de classes no interior destes setores. Tradi&ccedil;&atilde;o de esquerda h&aacute;, em especial nas comunidades judias asquenazis (da Europa do Leste), incluindo as latino-americanas. Nas fam&iacute;lias &aacute;rabes &eacute; mais dif&iacute;cil, embora exista presen&ccedil;a, em especial em grupos marxistas mais intelectualizados. A volta da brasileira-palestina Lamia Maruf Hassan, presa pol&iacute;tica em Israel de 1984 a 1997, ao inv&eacute;s de ajudar, acabou atrapalhando. Vinculada a Fatah, ela promove discuss&otilde;es entre intelectuais e profissionais liberais burgueses de ambas comunidades, sem nenhuma rela&ccedil;&atilde;o com a contradi&ccedil;&atilde;o destas comunidades e o capitalismo brasileiro.<\/p>\n<p>Como primeiro estudo, parece suficiente. S&oacute; vale um &uacute;ltimo coment&aacute;rio. N&atilde;o se pode submeter toda uma pauta local e nacional das lutas populares latino-americanas em fun&ccedil;&atilde;o de mais uma agress&atilde;o imperialista e prepotente dos EUA em qualquer parte do mundo. Nossa pauta nesse ponto continua sendo o combate e a den&uacute;ncia ao Plano Col&ocirc;mbia e a luta anti-globaliza&ccedil;&atilde;o de perfil popular (e n&atilde;o-europeu ou estadunidense). No plano t&aacute;tico, seria interessante alguma solidariedade &agrave;s esquerdas que existem no Oriente M&eacute;dio, em especial a esquerda palestina.<br \/>\nEsperamos com este texto haver colaborado para a discuss&atilde;o coletiva e o entendimento do problema.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A grande m\u00eddia corporativa vem bombardeando o conceito de &#8220;radical isl\u00e2mico&#8221; h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada. Refor\u00e7a este termo como fator motivador para os piores atentados e desumanidades chamados de &#8220;terrorismo&#8221;, a exemplo do que aconteceu nos Estados Unidos no dia 11 de setembro de 2001. 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