{"id":841,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=841"},"modified":"2023-03-13T21:14:21","modified_gmt":"2023-03-14T00:14:21","slug":"soja-a-rainha-do-sul-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=841","title":{"rendered":"Soja, a rainha do Sul &#8211; 1"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/soja_sem_fim.gif\" title=\"Campos de soja sem fim, o Rio Grande semeia a transgenia, escoa a safra pelo porto do Rio Grande, utilizando o asfalto das BRs e reconstituindo a via f\u00e9rrea sob controle da ALL. Exportamos dez graneleiros de soja para uma traineira de microeletr\u00f4nica.  - Foto:\" alt=\"Campos de soja sem fim, o Rio Grande semeia a transgenia, escoa a safra pelo porto do Rio Grande, utilizando o asfalto das BRs e reconstituindo a via f\u00e9rrea sob controle da ALL. Exportamos dez graneleiros de soja para uma traineira de microeletr\u00f4nica.  - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Campos de soja sem fim, o Rio Grande semeia a transgenia, escoa a safra pelo porto do Rio Grande, utilizando o asfalto das BRs e reconstituindo a via f\u00e9rrea sob controle da ALL. Exportamos dez graneleiros de soja para uma traineira de microeletr\u00f4nica. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">4\u00aa, 16 de janeiro de 2008, Vila Setembrina dos Farrapos, Continente de S\u00e3o Sep\u00e9 <\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">O Brasil vive uma etapa inversa da constru\u00e7\u00e3o do Estado Nacional Desenvolvimentista. Ap\u00f3s a crise de 1929, os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina come\u00e7aram a industrializar-se na pol\u00edtica de substitui\u00e7\u00e3o de exporta\u00e7\u00f5es. Hoje, ancoramos a balan\u00e7a comercial brasileira em cima do agroneg\u00f3cio. Neste cen\u00e1rio, o cultivo de gr\u00e3os (cereais, leguminosas e oleaginosas) est\u00e1 em destaque e a soja \u00e9 a rainha. Guardadas as devidas propor\u00e7\u00f5es, o avan\u00e7o da sojicultura \u00e9 um fen\u00f4meno regional, atingindo Bol\u00edvia, Paraguai, Uruguai, Argentina e as cinco regi\u00f5es de nosso pa\u00eds. A oleaginosa, cujo <a href=\"http:\/\/www.abeq.org.br\/view.php?id=363\">maior comprador mundial \u00e9 a China<\/a>, redesenha o mapa da agricultura, da economia e da pol\u00edtica do Cone Sul. Fa\u00e7o a abordagem a partir de dados emp\u00edricos da soja no Brasil em geral e no Rio Grande do Sul. Semana que vem, analiso alguns efeitos desta cultura no Cone Sul. <\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">A estimativa de fechamento da safra brasileira de gr\u00e3os de 2007 \u00e9 de <a href=\"http:\/\/www.agrosoft.org.br\/?q=node\/28696\">133 milh\u00f5es de toneladas<\/a>. Na \u00faltima safra recorde, a de 2003, o Brasil produziu 123,6 milh\u00f5es de toneladas. Os n\u00fameros de 2007 s\u00e3o 13,7% superiores aos de 2006, quando o pa\u00eds alcan\u00e7ou a marca de 117 milh\u00f5es de toneladas. O peda\u00e7o do territ\u00f3rio brasileiro ocupado pela mancha de gr\u00e3os totaliza a 45,4 milh\u00f5es de hectares. Quase a metade, 20,6 milh\u00f5es de hectares, foi soja cultivada. Outros 9,2 milh\u00f5es foram semeados com milho<\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">Apenas como ilustra\u00e7\u00e3o comparativa, o Brasil plantou em gr\u00e3os uma \u00e1rea equivalente a mais do dois estados do Paran\u00e1 juntos. Apenas o cultivo da soja supera em dimens\u00e3o o estado natal do poeta Paulo Leminski. A oleaginosa equivale a 42,8% do total do cultivo de gr\u00e3os, atingindo a marca de 58, 2 milh\u00f5es a tonelada. <a href=\"http:\/\/www.anba.com.br\/noticia.php?id=16983\">O pre\u00e7o m\u00e9dio da tonelada de soja em gr\u00e3o<\/a>, novembro de 2007, ficou em US$ 342,90, sendo que a exporta\u00e7\u00e3o da oleaginosa em gr\u00e3o rendeu US$ 290,4 milh\u00f5es. No acumulado do ano, na modalidade em gr\u00e3os, a m\u00e9dia ultrapassa os US$ 3 bi e 500 milh\u00f5es. <\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">Produzindo para o mercado externo, cotando o pre\u00e7o da alimenta\u00e7\u00e3o com os mesmos valores do com\u00e9rcio exterior, o Brasil vive um paradoxo. Batemos recordes de produtividade e o pre\u00e7o do alimento sobe nas g\u00f4ndolas de supermercado. Um dos exemplos mais sentidos \u00e9 o do feij\u00e3o. Trata-se de uma cultura com destino no mercado interno e ainda assim os pre\u00e7os sobem. Para o ministro da Agricultura do Brasil, Reinhold Stephanes (JC\/RS, edi\u00e7\u00e3o de 09\/01\/2008, p\u00e1g. 9) \u00e9 o patamar mundial que empurra os <a href=\"http:\/\/www.cisoja.com.br\/index.php?p=noticia&amp;idN=1247\">pre\u00e7os para cima<\/a>. Insisto no tema e no conceito. A tal inexorabilidade da economia nada mais \u00e9 do que desgoverno. Funcionassem os estoques reguladores e n\u00e3o haveria alta descontrolada. Mas aqui o Estado funciona como socorrista e n\u00e3o como eixo de planejamento estrat\u00e9gico. Quando planeja, atende a interesses privados. Por isso somos sempre \u201csurpreendidos\u201d. <\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">Vale observar que o comando da pasta da Agricultura reflete a extens\u00e3o da base aliada. <a href=\"http:\/\/portal.rpc.com.br\/gazetadopovo\/brasil\/conteudo.phtml?id=646051\">Stephanes<\/a>, economista nascido na divisa de Porto Uni\u00e3o (SC) com Uni\u00e3o da Vit\u00f3ria (PR), foi presidente do antigo INPS durante o governo Geisel, ex-ministro da Previd\u00eancia de Itamar, e acompanhou a marcha rumo ao \u201ccentro\u201d da pol\u00edtica, passando pela Arena, PDS, PFL e por fim PMDB. Quando assumiu o minist\u00e9rio do setor prim\u00e1rio, estava em seu sexto mandato como deputado federal pelo Paran\u00e1. Segue o padr\u00e3o do minist\u00e9rio no per\u00edodo anterior, quando era comandada a pasta pelo professor Roberto Rodrigues, este sim, homem de confian\u00e7a do agroneg\u00f3cio. <\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">Ainda segundo o ministro respons\u00e1vel pela agricultura, pecu\u00e1ria e abastecimento do pa\u00eds, os alimentos s\u00e3o commodities valorizadas e <st1:PersonName w:st=\"on\" ProductID=\"em alta. Alguns\">em alta. Alguns<\/st1:PersonName> fatores incidem sobre esta perspectiva, tais como: o cultivo de gr\u00e3os e cana como mat\u00e9ria prima para gera\u00e7\u00e3o de energia; o crescimento da expectativa de vida e os problemas decorrentes do aquecimento global e desastres clim\u00e1ticos. <\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">Neste contexto, conforme j\u00e1 foi dito, EUA e China inclinam a balan\u00e7a mundial. A ainda maior pot\u00eancia do mundo retirou, nos \u00faltimos tr\u00eas anos, a 80 milh\u00f5es de toneladas de milho para produzir etanol. Ou seja, o milho e derivados deixam a mesa do estadunidense para preencher seus tanques de combust\u00edvel. J\u00e1 a futura maior pot\u00eancia mundial tem um problema inflacion\u00e1rio no pre\u00e7o dos alimentos. Aumentou o consumo de carnes, gr\u00e3os e l\u00e1cteos, for\u00e7ando os pre\u00e7os chineses para cima. A contra medida do <a href=\"http:\/\/www.desempregozero.org.br\/artigos\/o_brasil_a_caminho_de_se_orientar_um_pensamento.pdf\">governo confucionista<\/a> foi baixar as tarifas de importa\u00e7\u00e3o, tentando aumentar a oferta e estabilizar os pre\u00e7os internos. <\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">Os efeitos j\u00e1 se fazem sentir com a busca desesperada pelo aumento da produtividade. Um exemplo \u00e9 o cultivo da soja no Rio Grande do Sul, onde dos 3,8 milh\u00f5es de hectares plantados, <a href=\"http:\/\/www.cisoja.com.br\/index.php?p=noticia&amp;idN=1403\">95% foram semeados com variedades transg\u00eanicas<\/a>. N\u00e3o por acaso, houve um aumento de 20% do herbicida glifosato e at\u00e9 50% <st1:PersonName w:st=\"on\" ProductID=\"em fertilizantes. Ainda\">em fertilizantes. Ainda<\/st1:PersonName> assim, os custos com insumos por hectare eram de US$ 66,00 e com a soja transg\u00eanica \u00e9 de US$ 22,00. Apenas para como exemplo da gravidade do tema, o <a href=\"http:\/\/boasaude.uol.com.br\/lib\/emailorprint.cfm?id=3901&amp;type=lib\">glifosato<\/a> \u00e9 o mesmo herbicida utilizado na Col\u00f4mbia para erradica\u00e7\u00e3o de coca. Vale lembrar tamb\u00e9m que no uso de sementes transg\u00eanicas, o pacote costuma ser completo. O mesmo complexo industrial que vende a semente comercializa tamb\u00e9m os fertilizantes.<\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">Quero fazer uma reflex\u00e3o. Batemos recordes de produtividade e seguimos cada vez mais dependentes dos \u201chumores\u201d de tecnocratas chineses. H\u00e1 meio s\u00e9culo, quando o Brasil come\u00e7ou a se industrializar, \u00e9ramos um pa\u00eds agr\u00edcola que queria entrar na modernidade. Hoje somos um pa\u00eds ainda industrial, entrando na p\u00f3s-modernidade como exportador de gr\u00e3os e n\u00e3o de tecnologia. Enquanto a balan\u00e7a comercial estoura com o agroneg\u00f3cio, a commodity chamada feij\u00e3o pesa cada vez mais no bolso do brasileiro. A responsabilidade de garantir oferta de alimento barato e de qualidade, com dom\u00ednio nacional da cadeia produtiva, \u00e9 tarefa de governo e de Estado.<\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">Artigo originalmente publicado no blog de <a href=\"http:\/\/www.noblat.com.br\/\">Ricardo Noblat<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Campos de soja sem fim, o Rio Grande semeia a transgenia, escoa a safra pelo porto do Rio Grande, utilizando o asfalto das BRs e reconstituindo a via f\u00e9rrea sob controle da ALL. Exportamos dez graneleiros de soja para uma traineira de microeletr\u00f4nica. 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