{"id":847,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=847"},"modified":"2023-03-13T21:17:11","modified_gmt":"2023-03-14T00:17:11","slug":"o-xadrez-politico-militar-na-america-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=847","title":{"rendered":"O xadrez pol\u00edtico-militar na Am\u00e9rica do Sul"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Correa_Evo_Hugo.jpg\" title=\"A chegada ao poder de Ch\u00e1vez, Correa e Morales caracterizou uma ruptura no pacto liberal-democr\u00e1tico do Continente. Esta desestabiliza\u00e7\u00e3o da democracia delegativa obrigou a Col\u00f4mbia a agir, internacionalizando sua guerra civil antes que Venezuela e Equador se transformassem em santu\u00e1rio definitivo para a for\u00e7a beligerante FARC.  - Foto:\" alt=\"A chegada ao poder de Ch\u00e1vez, Correa e Morales caracterizou uma ruptura no pacto liberal-democr\u00e1tico do Continente. Esta desestabiliza\u00e7\u00e3o da democracia delegativa obrigou a Col\u00f4mbia a agir, internacionalizando sua guerra civil antes que Venezuela e Equador se transformassem em santu\u00e1rio definitivo para a for\u00e7a beligerante FARC.  - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A chegada ao poder de Ch\u00e1vez, Correa e Morales caracterizou uma ruptura no pacto liberal-democr\u00e1tico do Continente. Esta desestabiliza\u00e7\u00e3o da democracia delegativa obrigou a Col\u00f4mbia a agir, internacionalizando sua guerra civil antes que Venezuela e Equador se transformassem em santu\u00e1rio definitivo para a for\u00e7a beligerante FARC. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">4\u00aa, 5 de mar\u00e7o de 2008, Vila Setembrina dos Farrapos, Continente de S\u00e3o Sep\u00e9<\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">A possibilidade de guerra na Am\u00e9rica do Sul \u00e9 real. Caso ocorra o conflito, ser\u00e1 uma alian\u00e7a de dois Estados nacionais contra outro. Embora o clima beligerante e as provoca\u00e7\u00f5es m\u00fatuas j\u00e1 durem alguns meses, a a\u00e7\u00e3o iniciadora foi da Col\u00f4mbia. Ou seja, o Estado agressor, perante a no\u00e7\u00e3o de soberania, foi o do presidente \u00c1lvaro Uribe V\u00e9lez. Suas tropas invadiram territ\u00f3rio equatoriano para eliminar a um acampamento da dissid\u00eancia armada. <a href=\"http:\/\/www.aporrea.org\/internacionales\/n110141.html\">N\u00e3o h\u00e1 argumento no mundo que justifique isso.<\/a> <\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">Esta poss\u00edvel guerra detona com a id\u00e9ia da democracia delegativa como \u00fanica sa\u00edda institucional vi\u00e1vel. Bastou com que tr\u00eas pa\u00edses (Venezuela, Equador e Bol\u00edvia) elegessem governos dissidentes da ordem internacional constitu\u00edda para que toda a prega\u00e7\u00e3o de estabilidade neoliberal escorresse pelo ralo. Pelos crit\u00e9rios ortodoxos, nenhum dos governos em p\u00e9 de guerra est\u00e1 ileg\u00edtimo. Uribe, Ch\u00e1vez e Correa foram eleitos. Detalhe, segundo observadores internacionais, todos os pleitos se deram de forma limpa. A \u201ccoincid\u00eancia\u201d n\u00e3o acaba a\u00ed. Os dois primeiros tamb\u00e9m conseguiram a reelei\u00e7\u00e3o, e ambos por reforma constitucional. Ch\u00e1vez e Uribe peleiam na interna de seu pa\u00eds por um terceiro mandato. Se democracia se limita a c\u00e2mbio de governo de turno a cada quatro, cinco ou seis anos, segundo as regras do jogo, tanto Col\u00f4mbia como Venezuela s\u00e3o \u201cexemplos\u201d democr\u00e1ticos. <\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">O que vemos \u00e9 a mudan\u00e7a de etapa de um processo conflitivo. <a href=\"http:\/\/www.rebelion.org\/noticia.php?id=64130\">O ataque das for\u00e7as conjuntas<\/a> do Ex\u00e9rcito e da Pol\u00edcia Nacional da Col\u00f4mbia contra um acampamento das FARC em territ\u00f3rio equatoriano \u00e9 o estopim de uma tens\u00e3o iniciada no contragolpe venezuelano de abril de 2002. \u00c9 necess\u00e1ria uma leitura acurada e livre de preconceitos para podermos compreender o que de fato est\u00e1 acontecendo. <\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">O problema de analisar uma conjuntura debaixo de como\u00e7\u00e3o \u00e9 perder a capacidade de raciocinar. No plano argumentativo, entendo que o folclore e o falso moralismo v\u00eam ganhando espa\u00e7o. O argumento de que Ch\u00e1vez est\u00e1 interferindo na soberania colombiana \u00e9 correto. A afirmativa de que as FARC s\u00e3o financiadas pelo narcotr\u00e1fico \u00e9 parcialmente certo. O governo chavista interfere na pol\u00edtica interna da Col\u00f4mbia, assim como os Estados Unidos geram a segunda maior fonte de renda daquele Estado. Toda a economia da <a href=\"http:\/\/www.scielo.org.co\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0124-59962007000200017&amp;lng=es&amp;nrm=iso&amp;tlng=es\">terra de Garc\u00eda M\u00e1rquez \u00e9 permeada pelo narcotr\u00e1fico<\/a> e pela ajuda militar estadunidense. N\u00e3o foi por acaso que <a href=\"http:\/\/www.eltiempo.com\/politica\/2008-03-04\/ARTICULO-WEB-NOTA_INTERIOR-3985275.html\">Bush Jr. telefonou a Uribe<\/a> e lhe confirmou o apoio necess\u00e1rio. Condoleezza Rice tomou medida parecida e, junto com Jos\u00e9 Maria Aznar, <a href=\"http:\/\/www.radioelo.org\/?GOLPE-DE-ESTADO-CONTRA-HUGO-CHAVEZ\">reconheceu o governo golpista da Venezuela em 2002<\/a>. Dias depois, Hugo Ch\u00e1vez voltara ao poder. <\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">A legitimidade pol\u00edtica de um governo se d\u00e1 de acordo com sua elei\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o no poder. A rela\u00e7\u00e3o com os pa\u00edses vizinhos tamb\u00e9m. \u00c1lvaro Uribe V\u00e9lez foi eleito e reeleito; agora vai rufando os tambores da elimina\u00e7\u00e3o da oposi\u00e7\u00e3o armada para assim garantir o terceiro mandato. O que Uribe promoveu \u00e9 algo irrealiz\u00e1vel sem o apoio total dos Estados Unidos. N\u00e3o se trata de uma simples a\u00e7\u00e3o de policiamento de fronteira, mas de atentado contra a soberania de um pa\u00eds. Mesmo nos per\u00edodos das ditaduras militares do Cone Sul, os regimes de for\u00e7a se coordenavam, trocando prisioneiros e operando com a complac\u00eancia m\u00fatua. Em algumas conjunturas, como no governo Carter, as ditaduras agiram em contra da determina\u00e7\u00e3o dos EUA. Agora se trata do oposto. <\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">No caso da Col\u00f4mbia, existe tudo menos autodetermina\u00e7\u00e3o de um Estado nacional. O pa\u00eds produtor do caf\u00e9 mais apreciado no mundo opera como <a href=\"http:\/\/usinfo.state.gov\/esp\/home\/regions\/south_america\/colombia.html\">sat\u00e9lite dos EUA, aliado incondicional<\/a>. Cumpre o sonho de Menem, que tanto buscou as rela\u00e7\u00f5es carnais com a superpot\u00eancia e nada conseguiu. Tivesse a Argentina dos anos \u201990 uma guerra civil visceral e com certeza teria apoio financeiro jorrando. No caso colombiano, n\u00e3o interessa para o governo Uribe e menos ainda para o que resta da administra\u00e7\u00e3o Bush abrir uma terceira frente de guerra no mundo. Isto porque, se e caso Equador e Venezuela declararem guerra em contra da Col\u00f4mbia, os EUA ser\u00e3o obrigados a se posicionar. Talvez n\u00e3o enviem tropas, at\u00e9 porque isso seria um tiro no p\u00e9. Mas, o dobro do aporte financeiro e um refor\u00e7o no envio de material b\u00e9lico, s\u00e3o certos. Quanto ao n\u00famero real de \u201cconsultores\u201d militares, sinceramente, seria uma leviandade afirmar que cresceria. J\u00e1 s\u00e3o muitos, agindo junto \u00e0s for\u00e7as estatais assim como na prote\u00e7\u00e3o das instala\u00e7\u00f5es petrol\u00edferas. <\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">Uma guerra na Am\u00e9rica do Sul obrigaria os Estados Unidos a jogar em quatro tabuleiros simult\u00e2neos. A superpot\u00eancia teria a obriga\u00e7\u00e3o de assegurar a vit\u00f3ria militar de Uribe, e de redobrar esfor\u00e7os para derrubar os governos eleitos do Equador, Venezuela e Bol\u00edvia. O territ\u00f3rio colombiano, al\u00e9m das batalhas convencionais em uma ou duas fronteiras, sofreria o acirramento da guerra civil interna, levando ao limite as capacidades militares de todas as for\u00e7as beligerantes. Tanto as FARC como a outra guerrilha de esquerda \u2013 o Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional (<a href=\"http:\/\/news.bbc.co.uk\/hi\/spanish\/latin_america\/newsid_6170000\/6170481.stm\">ELN<\/a>) \u2013 como tamb\u00e9m da alian\u00e7a paramilitar de extrema direita \u2013 Autodefesas Unidas da Col\u00f4mbia <a href=\"http:\/\/www.derechos.org\/nizkor\/colombia\/doc\/uribe22.html\">(AUC), aliadas de Uribe<\/a> \u2013 se veriam obrigadas a sair do impasse e apostar em vit\u00f3ria pol\u00edtico-militar para um dos lados. O pior \u00e9 o pano de fundo. Com exce\u00e7\u00e3o do ELN, todos estes atores pol\u00edticos, governo colombiano inclu\u00eddo, dependem direta ou indiretamente do plantio e refino de coca, assim como das culturas em larga escala de palma africana. Com a guerra em duas frentes, interna e externa, <a href=\"http:\/\/www.elespectador.com\/ElEspectador\/Secciones\/Detalles.aspx?idNoticia=22087&amp;idSeccion=20\">esta explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica vai triplicar sua intensidade<\/a>.<\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">\u00c9 prov\u00e1vel que a beliger\u00e2ncia fique apenas nas manobras militares, passando a a\u00e7\u00e3o para os ambientes diplom\u00e1ticos. Com ou sem guerra declarada, este conflito ultrapassa a uma disputa entre pa\u00edses e se desenrola sobre um cen\u00e1rio complexo. A \u00fanica solu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida seria a queda de um dos chefes de Estado. E isso n\u00e3o vai acontecer t\u00e3o cedo. <\/p>\n<p ><a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/pais\/noblat\/post.asp?cod_Post=92468&amp;a=112\">Este artigo<\/a> foi originalmente publicado no blog de <a href=\"http:\/\/www.noblat.com.br\/\">Ricardo Noblat<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A chegada ao poder de Ch\u00e1vez, Correa e Morales caracterizou uma ruptura no pacto liberal-democr\u00e1tico do Continente. Esta desestabiliza\u00e7\u00e3o da democracia delegativa obrigou a Col\u00f4mbia a agir, internacionalizando sua guerra civil antes que Venezuela e Equador se transformassem em santu\u00e1rio definitivo para a for\u00e7a beligerante FARC. 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