{"id":849,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=849"},"modified":"2023-03-13T21:17:18","modified_gmt":"2023-03-14T00:17:18","slug":"as-eleicoes-municipais-e-o-tecido-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=849","title":{"rendered":"As elei\u00e7\u00f5es municipais e o tecido social"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/moscazul.jpg\" title=\"O pleito municipal \u00e9 a mosca azul da polititica, politiquer\u00eda em castellano, ao alcance de todos. Ao inv\u00e9s de se debater os temas de fundo do munic\u00edpio, a atividade da campanha para verean\u00e7a e prefeito desenvolve-se com o ataque ao tecido social organizado.\n\n\n\n\n - Foto:\" alt=\"O pleito municipal \u00e9 a mosca azul da polititica, politiquer\u00eda em castellano, ao alcance de todos. Ao inv\u00e9s de se debater os temas de fundo do munic\u00edpio, a atividade da campanha para verean\u00e7a e prefeito desenvolve-se com o ataque ao tecido social organizado.\n\n\n\n\n - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">O pleito municipal \u00e9 a mosca azul da polititica, politiquer\u00eda em castellano, ao alcance de todos. Ao inv\u00e9s de se debater os temas de fundo do munic\u00edpio, a atividade da campanha para verean\u00e7a e prefeito desenvolve-se com o ataque ao tecido social organizado.<\/p>\n<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">2008, como todo ano par, \u00e9 eleitoral. O pleito marca o calend\u00e1rio e divide os 365 dias em quatro momentos. Tudo come\u00e7a no ver\u00e3o pr\u00e9-carnavalesco, com licen\u00e7a do Parlamento e a economia girando no entorno das f\u00e9rias (janeiro e fevereiro); no per\u00edodo de preparo, quando as for\u00e7as pol\u00edticas acumulam banha para queimar na campanha (de mar\u00e7o a julho); a campanha em si, concentrada e tentando superar a apatia estruturante (agosto e setembro); termina com ressaca e arranjos p\u00f3s-eleitorais (outubro, novembro e dezembro).<\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">Neste caso, o que me preocupa \u00e9 capacitar entidades e militantes sociais para evitar a contamina\u00e7\u00e3o pelo clientelismo. O xis da quest\u00e3o est\u00e1 no dia a dia. Vivemos nos munic\u00edpios e n\u00e3o na blogosfera. Nossas rela\u00e7\u00f5es cotidianas s\u00e3o mediatizadas, mas os canos de esgoto continuam vazando de fronte \u00e0s casas da maioria dos ga\u00fachos. Amizades, inimizades, h\u00e1bitos, costumes e conviv\u00eancias coletivas seguem existindo nos bairros, centros e cidades. Sobre e dentro deste tecido social opera o cabo eleitoral e as estruturas profissionais de representa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">Est\u00e1 enganado quem pensa a pol\u00edtica municipal apenas atrav\u00e9s dos favores individuais e na amplia\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 cidade. Tanto o voto como a revolta est\u00e1 contida nas entrelinhas das comunidades e grupos de interesse, leg\u00edtimos ou n\u00e3o, legais ou ilegais. O combust\u00edvel motivacional vai das frustra\u00e7\u00f5es acumuladas pelos roubos promovidos por viciados em craque, \u00e0s metas estrat\u00e9gicas de instala\u00e7\u00e3o de uma empresa que comprou meia d\u00fazia de lideran\u00e7as locais. No meio desse turbilh\u00e3o, est\u00e1 o cotidiano pouco vis\u00edvel. \u00c9 o famoso \u201cquem conhece quem que pode indicar a fulano e beltrano\u201d. A partir de mar\u00e7o, cada promo\u00e7\u00e3o de meio-frango e carreteiro ser\u00e1 vista com desconfian\u00e7a, mas disputada a pau. O futuro de um vereador muitas vezes depende de cinq\u00fcenta votos. Exemplificando: tr\u00eas festas gratuitas, dois grupos de pagodes ou vanera semi-desconhecidos mais quatro n\u00facleos familiares e o candidato est\u00e1 no p\u00e1reo. <\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">O ataque ao tecido social urbano-metropoltiano \u00e9 cada vez maior. Tanto a elei\u00e7\u00e3o de prefeito ou vereador como a indica\u00e7\u00e3o de secret\u00e1rios municipais est\u00e1 ancorada na trama da organiza\u00e7\u00e3o da sociedade local. Tudo depende do grau de confian\u00e7a m\u00fatua gerado com a certeza dos anos de conviv\u00eancia. O tecido social est\u00e1 nas canchas de futebol de terra batida, pedra e areia; nas creches onde faltam recreacionistas e merenda; nas paradas de \u00f4nibus onde todos se juntam e come\u00e7am a falar mal das autoridades locais; nos ch\u00e1s com bolo dos clubes de m\u00e3es e comunidades pastorais; nas falas de pastores pentecostais para obreiros e fi\u00e9is; nos CTGs de ch\u00e3o batido e espa\u00e7os semelhantes. <\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">A elei\u00e7\u00e3o no munic\u00edpio \u00e9 a mosca azul do povo. Estando ao alcance de todos, termina por desarticular quase todo o tecido social de origem popular. Se a entidade n\u00e3o se precaver, termina perdendo seus de militantes de base e l\u00edderes comunit\u00e1rios para os interesses mais difusos e nada republicanos.<\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">Este artigo foi publicado originalmente na edi\u00e7\u00e3o impressa da Revista Voto, No 41, Mar\u00e7o de 2008, p\u00e1g. 58<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pleito municipal \u00e9 a mosca azul da polititica, politiquer\u00eda em castellano, ao alcance de todos. Ao inv\u00e9s de se debater os temas de fundo do munic\u00edpio, a atividade da campanha para verean\u00e7a e prefeito desenvolve-se com o ataque ao tecido social organizado. Foto: 2008, como todo ano par, \u00e9 eleitoral. 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