{"id":852,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=852"},"modified":"2023-03-13T21:17:24","modified_gmt":"2023-03-14T00:17:24","slug":"soja-a-rainha-do-sul-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=852","title":{"rendered":"Soja, a rainha do Sul \u2013 2"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/lavoura de soja.jpg\" title=\"Avan\u00e7ando sobre \u00e1reas verdes, sugando recursos h\u00eddricos, plantando e utilizando insumos transg\u00eanicos, o Brasil e o Cone Sul retornam para a condi\u00e7\u00e3o pr\u00e9 1930 de plataforma de exporta\u00e7\u00e3o de produtos prim\u00e1rios. A China, os caloteiros do agrobusiness, a jogatina da d\u00edvida interna e as transnacionais aplaudem este decreto de morte de nossa economia pol\u00edtica.\n\n\n\n - Foto:\" alt=\"Avan\u00e7ando sobre \u00e1reas verdes, sugando recursos h\u00eddricos, plantando e utilizando insumos transg\u00eanicos, o Brasil e o Cone Sul retornam para a condi\u00e7\u00e3o pr\u00e9 1930 de plataforma de exporta\u00e7\u00e3o de produtos prim\u00e1rios. A China, os caloteiros do agrobusiness, a jogatina da d\u00edvida interna e as transnacionais aplaudem este decreto de morte de nossa economia pol\u00edtica.\n\n\n\n - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Avan\u00e7ando sobre \u00e1reas verdes, sugando recursos h\u00eddricos, plantando e utilizando insumos transg\u00eanicos, o Brasil e o Cone Sul retornam para a condi\u00e7\u00e3o pr\u00e9 1930 de plataforma de exporta\u00e7\u00e3o de produtos prim\u00e1rios. A China, os caloteiros do agrobusiness, a jogatina da d\u00edvida interna e as transnacionais aplaudem este decreto de morte de nossa economia pol\u00edtica.<\/p>\n<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">Com atraso: artigo de 23 de janeiro de 2008 \u2013 Vila Setembrina dos Lanceiros Negros tra\u00eddos \u2013 Continente dos Guascas de Andresito Guacuray e Nicolau Languiru <\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">O debate de fundo a respeito da soja trata tanto da soberania dos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, em especial os do Cone Sul, como da fun\u00e7\u00e3o dos alimentos no s\u00e9culo XXI. No primeiro quesito, temos a repeti\u00e7\u00e3o de um problema j\u00e1 visto antes, quando toda a economia do Brasil dependia da cultura do caf\u00e9. O craque da Bolsa de Nova York em 1929 foi o apogeu de uma crise j\u00e1 antes anunciada. N\u00e3o foi por falta de aviso, mas com certeza por aus\u00eancia de planejamento. O Brasil de 2008 \u00e9 outro. Somos a 11\u00aa economia do mundo e temos expertise em distintas \u00e1reas. S\u00f3 seremos \u201csurpreendidos\u201d como povo e na\u00e7\u00e3o se os governantes deste pa\u00eds assim o quiserem. O assunto \u00e9 delicado porque estamos falando de um setor gigantesco. Todo o agroneg\u00f3cio tem o <a href=\"http:\/\/www.jornaldepiracicaba.com.br\/news.php?news_id=56631\">super\u00e1vit projetado entre US$ 55 e US$ 60 bi<\/a>.<\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">Do outro lado do mundo, destino da maior parte da sojicultura brasileira, um an\u00fancio importante foi feito na \u00faltima semana do ano de 2007. O ministro das finan\u00e7as chin\u00eas, Xie Xuren, afirmou que seu governo manter\u00e1 a tarifa de importa\u00e7\u00e3o de soja no simb\u00f3lico patamar de 1%. A tarifa assim permanecer\u00e1 at\u00e9 31 de mar\u00e7o, com a finalidade de assegurar um bom abastecimento de \u00f3leo comest\u00edvel no voraz mercado da China. No momento n\u00e3o h\u00e1 limite para saciar este apetite. No m\u00e9dio prazo, ficaremos todos \u00e0 merc\u00ea dos \u201chumores e sinaliza\u00e7\u00f5es\u201d da China caso a pr\u00f3xima maior pot\u00eancia do mundo altere sua pol\u00edtica de importa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">Uma alternativa para a diminui\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es de sojas e gr\u00e3os em geral aponta para outra pol\u00eamica. Isto porque o outro debate \u00e9 o destino dos alimentos e produtos prim\u00e1rios. O perigo de utilizarmos largas \u00e1reas com monocultura. Se os combust\u00edveis f\u00f3sseis s\u00e3o poluentes e n\u00e3o renov\u00e1veis, podemos afirmar o mesmo em rela\u00e7\u00e3o aos recursos h\u00eddricos (para irriga\u00e7\u00e3o em larga escala), o uso de pesticidas e o controle de toda a cadeia de insumos por poucas transnacionais tamb\u00e9m produtoras de transg\u00eanicos. A pesquisa agropecu\u00e1ria brasileira \u00e9 de ponta e d\u00e1 resultados. Isto n\u00e3o est\u00e1 em discuss\u00e3o, mas sim o tipo de pesquisa aplicada e seu destino. No momento em que a balan\u00e7a comercial permanece ancorada sobre a produ\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria em dimens\u00f5es absurdas, o pa\u00eds j\u00e1 fez uma op\u00e7\u00e3o e vai pagar um pre\u00e7o por isso. N\u00e3o h\u00e1 super\u00e1vit que suplante o uso e avan\u00e7o desregulado do plantio de soja na Amaz\u00f4nia legal. <\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">Com nossos vizinhos ocorre algo parecido. O governo da Frente Ampla n\u00e3o apenas manteve o modelo do agroneg\u00f3cio como incentivou. No Uruguai, pa\u00eds de terras f\u00e9rteis, popula\u00e7\u00e3o envelhecida e com o interior despovoado, a \u00e1rea plantada alcan\u00e7ou 425 mil hectares. Isto equivale a um aumento de 5000%, ou mais de cinq\u00fcenta vezes o tamanho da \u00e1rea cultivada com esta oleaginosa na safra 1999\/2000. Como sempre o foco de exporta\u00e7\u00e3o \u00e9 na China. <\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">Este analista concorda com a avalia\u00e7\u00e3o da consultoria uruguaia, especializada no agro como neg\u00f3cio, <a href=\"http:\/\/www.elagro.com\/\">Blasina &amp; Tard\u00e1guila<\/a>. Afirmam que no Cone Sul, a soja vai redesenhando tanto o setor prim\u00e1rio, como a economia e a pol\u00edtica regional. \u00c9 o tipo de afirma\u00e7\u00e3o que pode e deve ser levada <st1:PersonName w:st=\"on\" ProductID=\"em conta. Esta\">em conta. Esta<\/st1:PersonName> empresa lidera o setor na Banda Oriental e jamais faria alarmismo contra uma cultura que lhes rende muitos dividendos. <\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">Os custos sociais e os problemas no longo prazo j\u00e1 se fazem notar. A soja lidera a balan\u00e7a comercial de Brasil e Uruguai al\u00e9m de tampar o rombo no d\u00e9ficit p\u00fablico na Argentina. Outros dois pa\u00edses sofrem diretamente o efeito da sojicultura: Paraguai e Bol\u00edvia.<\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">A leva de \u201c<a href=\"http:\/\/www.ultimahora.com\/home\/index.php?p=weblog_detalle&amp;idBlogPost=238\">brasilguayos<\/a><\/i>\u201d agora \u00e9 seguida por \u201curuparaguayos<\/i>\u201d. Com a valoriza\u00e7\u00e3o das terras na Campanha uruguaia, os vizinhos mais ao sul seguem os passos de ga\u00fachos brasileiros que se mudaram para o Paraguai no final da d\u00e9cada de \u201960. Novas \u00e1reas de selva e chaco v\u00e3o sendo derrubadas para o plantio de soja e o resultado social \u00e9 um novo \u00eaxodo rural, desta vez com guaranis expulsos de suas terras ancestrais. Os novos colonizadores compram terras ainda baratas e <a href=\"http:\/\/www.biodiversidadla.org\/content\/view\/full\/15749\">fumigam as \u00e1reas<\/a>. O resultado tem duas vers\u00f5es. A da vit\u00f3ria comercial, com o Paraguai em 2007, atingindo pela primeira vez na hist\u00f3ria, a marca de US$ 1 bilh\u00e3o em exporta\u00e7\u00e3o de soja. E o da derrota \u00e9tnico-cultural. O povo original cujo idioma \u00e9 aprendido nas escolas v\u00ea seus descendentes, os guaranis de hoje, acampados e vagando em Assun\u00e7\u00e3o. \u00c9 outra bomba rel\u00f3gio social acionada na Am\u00e9rica Latina. <\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">J\u00e1 na Bol\u00edvia, cuja \u00e1rea agricult\u00e1vel tamb\u00e9m conta com a presen\u00e7a de produtores brasileiros, uma das culturas de maior rendimento na prov\u00edncia de <a href=\"http:\/\/soyabolivia.blogspot.com\/2005_05_01_archive.html\">Santa Cruz \u00e9 a da soja<\/a>. O interessante no caso boliviano \u00e9 que a maioria dos que cultivam a soja <st1:PersonName w:st=\"on\" ProductID=\"em Santa Cruz\">em Santa Cruz<\/st1:PersonName> s\u00e3o micro e pequenos produtores. Ainda assim, a intermedia\u00e7\u00e3o \u00e9 feita pela C\u00e2mara Agropecu\u00e1ria do Oriente (<a href=\"http:\/\/www.constituyentesoberana.org\/info\/?q=arroceros-oriente\">CAO<\/a>) e pela Associa\u00e7\u00e3o de Produtores de Oleaginosas e Trigo (<a href=\"http:\/\/www.ibce.org.bo\/ComExt\/comex110A.htm\">Anapo<\/a>). Uma das medidas do governo Morales \u00e9 quebrar o monop\u00f3lio de representa\u00e7\u00e3o e conceder os cr\u00e9ditos agr\u00edcolas diretamente aos pequenos produtores cruce\u00f1os. <\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">Voltando ao caso brasileiro, n\u00e3o restam d\u00favidas que o agroneg\u00f3cio \u00e9 a locomotiva da economia brasileira, puxando a balan\u00e7a comercial e garantindo o super\u00e1vit prim\u00e1rio. <a href=\"http:\/\/www.estadao.com.br\/economia\/not_eco109612,0.htm\">A receita bruta das exporta\u00e7\u00f5es do setor prim\u00e1rio aumentou 18,2% em 2007<\/a>, com super\u00e1vit de 16,4% superior ao ano de 2006. Em valores absolutos o agro brasileiro exportou US$ 58,41 bi, tendo super\u00e1vit na balan\u00e7a de US$ 49,7 bi. As vendas do complexo soja (gr\u00e3o\/farinha\/\u00f3leo) cresceram 22,3% em rela\u00e7\u00e3o a 2006 atingindo a US$ 11,38 bi. Entre os vinte produtos mais rent\u00e1veis na agricultura brasileira, a soja \u00e9 a l\u00edder, com renda projetada para 2008 de R$ 32,4 bi, <a href=\"http:\/\/www.anppas.org.br\/encontro_anual\/encontro2\/GT\/GT05\/clarissa_barreto.pdf\">sendo cultivada do Rio Grande \u00e0 Amaz\u00f4nia<\/a>. N\u00e3o est\u00e1 em discuss\u00e3o a lucratividade da soja e de outras monoculturas. O debate no Brasil e no Continente, \u00e9 saber qual a conseq\u00fc\u00eancia estrat\u00e9gica disso.<\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/pais\/noblat\/post.asp?cod_Post=87747&amp;a=112\">Este artigo<\/a> originalmente publicado no blog de <a href=\"http:\/\/www.noblat.com.br\/\">Ricardo Noblat<\/a> em 24 de janeiro de 2008 \u2013 nos equivocamos e demoramos a postar em nosso pr\u00f3prio portal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Avan\u00e7ando sobre \u00e1reas verdes, sugando recursos h\u00eddricos, plantando e utilizando insumos transg\u00eanicos, o Brasil e o Cone Sul retornam para a condi\u00e7\u00e3o pr\u00e9 1930 de plataforma de exporta\u00e7\u00e3o de produtos prim\u00e1rios. A China, os caloteiros do agrobusiness, a jogatina da d\u00edvida interna e as transnacionais aplaudem este decreto de morte de nossa economia pol\u00edtica. 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