{"id":854,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=854"},"modified":"2023-03-13T21:17:25","modified_gmt":"2023-03-14T00:17:25","slug":"o-vazio-cultural-dos-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=854","title":{"rendered":"O vazio cultural dos brasileiros"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/interrogacao.jpg\" title=\"N\u00e3o se constr\u00f3i um pa\u00eds, nem sequer um projeto de pa\u00eds, sem bagagem cultural, identidades coletivas e um estoque de signos, narrativas e linguagens compartilhadas entre a massa cr\u00edtica e os eleitos.  - Foto:\" alt=\"N\u00e3o se constr\u00f3i um pa\u00eds, nem sequer um projeto de pa\u00eds, sem bagagem cultural, identidades coletivas e um estoque de signos, narrativas e linguagens compartilhadas entre a massa cr\u00edtica e os eleitos.  - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">N\u00e3o se constr\u00f3i um pa\u00eds, nem sequer um projeto de pa\u00eds, sem bagagem cultural, identidades coletivas e um estoque de signos, narrativas e linguagens compartilhadas entre a massa cr\u00edtica e os eleitos. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">4\u00aa 26 de mar\u00e7o de 2008; Vila Setembrina dos Farrapos; Continente de S\u00e3o Sep\u00e9<\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">A edi\u00e7\u00e3o de domingo do jornal O Globo, trouxe nas <a href=\"http:\/\/www.fecomercio-rj.org.br\/publique\/cgi\/cgilua.exe\/sys\/start.htm?infoid=3824&amp;sid=97\">p\u00e1ginas 16 e 17 de sua Revista<\/a> os dados de uma pesquisa a respeito dos h\u00e1bitos de consumo cultural do brasileiro. A mat\u00e9ria \u00e9 do rep\u00f3rter Fellipe Awi e a pesquisa foi encomendada pelo Sistema Fecom\u00e9rcio-RJ. Os n\u00fameros s\u00e3o estarrecedores e por si s\u00f3 j\u00e1 merecem manchetes sem fim. Neste artigo, apresento um resumo dos dados e na seq\u00fc\u00eancia uma an\u00e1lise cr\u00edtica dos motivos que levaram a 11\u00aa economia do mundo a ter os mais aterradores \u00edndices de defici\u00eancia cognitiva do Continente que ter\u00edamos de liderar.<\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">O primeiro enunciado afirma um h\u00e1bito transversal a todas as classes. No ano de 2007, 55% dos brasileiros passaram longe de qualquer programa\u00e7\u00e3o cultural. Destes 69% disseram que n\u00e3o leram nenhum livro ao longo de 365 dias! De cada dois cidad\u00e3os do Brasil, um n\u00e3o leu um livro, nem foi ao cinema, ao teatro, a uma exposi\u00e7\u00e3o de arte ou a um espet\u00e1culo de dan\u00e7a ou m\u00fasica! A falta de h\u00e1bito foi \u00e0 primeira motiva\u00e7\u00e3o para as classes D e E (58%) e da A e B (57%). Em segundo lugar como motiva\u00e7\u00e3o veio \u201cn\u00e3o gosto\u201d, em terceiro \u201cn\u00e3o tenho acesso\u201d e apenas em quarto \u201cn\u00e3o posso pagar\u201d. <\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">Dentre as formas narrativas a s\u00e9tima arte foi a que mais sofreu a aus\u00eancia. Al\u00e9m de sermos invadidos pelos blockbusters<\/i> (vers\u00e3o p\u00f3s-moderna dos enlatados), 87% dos brasileiros sequer foi ao cinema no ano passado! Para piorar, o custo das entradas e dos produtos culturais \u00e9 percebido como caro e abusivo. Segundo os entrevistados, um ingresso de cinema deveria custar R$ 8,00; de teatro R$ 14,00 e o pre\u00e7o m\u00e9dio de um livro novo sairia por R$ 19,00. <\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">Somos um dos pa\u00edses com maior n\u00famero absoluto de internautas, mas sequer processamos o consumo massivo dos bens est\u00e9ticos da modernidade. Para complicar ainda mais a situa\u00e7\u00e3o, boa parte dos munic\u00edpios do pa\u00eds n\u00e3o tem equipamentos culturais adequados. Apenas 8,7% t\u00eam uma sala de cinema; 21,2% t\u00eam teatros ou salas de espet\u00e1culos e livrarias existem em somente 30% deles. Para uma conta r\u00e1pida e aproximada, de cada 100 munic\u00edpios, cinema existe em 8, teatros em 20 e livrarias em 30. <\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">Fora toda a concentra\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica, do monop\u00f3lio dos fluxos de informa\u00e7\u00e3o, das chacinas de identidade cometidas quando se acabam com sotaques e est\u00e9ticas, o Brasil ainda tem car\u00eancia de equipamentos. Muitos podem se perguntar, porque um analista pol\u00edtico dedica um artigo a respeito da car\u00eancia cultural nacional? Simplesmente porque um n\u00e3o vive sem o outro. Quanto menos leitura tiver o eleitor, pior ter\u00e1 de ser o discurso para lhe fazer chegar uma proposta; quanto mais pobre for o imagin\u00e1rio e refer\u00eancia de cada um, mais med\u00edocres ter\u00e3o de serem as figuras de linguagem para falar ao povo. Da\u00ed o porqu\u00ea das g\u00edrias e exemplos futeboleiros seguidas vezes aplicados por pol\u00edticos profissionais para convencerem as maiorias a fazer algo que nos prejudica diretamente.<\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">Um pa\u00eds \u00e9 constru\u00eddo por suas manifesta\u00e7\u00f5es e realiza\u00e7\u00f5es. No primeiro quesito, <a href=\"http:\/\/www.ulepicc.org.br\/\">a informa\u00e7\u00e3o, a comunica\u00e7\u00e3o e a cultura andam juntas<\/a>. Este grande campo do saber e da atividade humana formam as representa\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas, os v\u00ednculos com nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria; a trajet\u00f3ria coletiva \u00e9 individualizada atrav\u00e9s da linguagem. N\u00e3o existiria religi\u00e3o monote\u00edsta sem livro sagrado, assim como n\u00e3o h\u00e1 civiliza\u00e7\u00e3o sem escrita. Portanto, temos duas constata\u00e7\u00f5es. N\u00e3o h\u00e1 democracia que resista a ignor\u00e2ncia estrutural e a falta de dom\u00ednio da norma culta da l\u00edngua. E, o Brasil precisa urgentemente de uma pol\u00edtica p\u00fablica (ou seja, universal e n\u00e3o seletiva) para que ao menos os munic\u00edpios tenham os equipamentos culturais necess\u00e1rios para seu desenvolvimento. Caso contr\u00e1rio, teremos de nos contentar com o lixo cultural vendido nos DVDs piratas e com a isen\u00e7\u00e3o fiscal atrav\u00e9s de leis de incentivos e projetinhos. <\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">O aspecto interessante da pesquisa da Fecom\u00e9rcio-RJ \u00e9 a queda de um mito. Exp\u00f5e que o mau exemplo vem de cima, demonstrando a falta de h\u00e1bitos e gosto para consumo de bens culturais das classes A e B. Nenhuma elite nacional pode ter planos ousados se n\u00e3o enxerga a si mesmo. A capilaridade da mem\u00f3ria e da identidade \u00e9 um projeto de na\u00e7\u00e3o em si. \u00c9 inimagin\u00e1vel a coes\u00e3o dos costumes dos Estados Unidos sem a presen\u00e7a em todo o pa\u00eds do <a href=\"http:\/\/www.si.edu\/opa\/annualrpts\/2007report\/Smithsonian2007.pdf\">Instituto Smithsoniano<\/a>, da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e do cinema como forma de exporta\u00e7\u00e3o de usos e costumes. <\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">N\u00e3o precisamos ir t\u00e3o longe para compararmos a n\u00f3s mesmos. Em pa\u00edses vizinhos e mais pobres, como o Uruguai e <a href=\"http:\/\/www.overmundo.com.br\/overblog\/quem-sabe-ler\">na Argentina, a propor\u00e7\u00e3o de livrarias<\/a> e de leitores \u00e9 muito maior do que aqui. Sem a produ\u00e7\u00e3o, circula\u00e7\u00e3o, difus\u00e3o e consumo de nossos pr\u00f3prios bens culturais nem seremos um projeto de na\u00e7\u00e3o inacabada porque sequer teremos este projeto. Identidade, cultura e capacidade cognitiva \u00e9 coisa s\u00e9ria e ultrapassa o interesse direto na rela\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-eleitor; governo-cidadania; consumo-consumidor; Estado-na\u00e7\u00e3o e elite-povo. <\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">Por falar em mau exemplo, no or\u00e7amento dos minist\u00e9rios e gastos de governo est\u00e1 refletida a ignor\u00e2ncia que vem de cima. Enquanto o <a href=\"http:\/\/www.cultura.gov.br\/site\/?p=10847\">Minist\u00e9rio da Cultura tem para 2008 o or\u00e7amento previsto de R$ 1,1 bilh\u00e3o<\/a> est\u00e3o previstos <a href=\"http:\/\/www.cofecon.org.br\/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=1226&amp;Itemid=99\">R$ 248 bilh\u00f5es para o pagamento de juros<\/a> e amortiza\u00e7\u00f5es da d\u00edvida federal. S\u00e3o n\u00fameros que falam por si. <\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/pais\/noblat\/post.asp?cod_Post=94971&amp;a=112\">Este artigo<\/a> foi originalmente publicado no blog de <a href=\"http:\/\/www.noblat.com.br\/\">Ricardo Noblat<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o se constr\u00f3i um pa\u00eds, nem sequer um projeto de pa\u00eds, sem bagagem cultural, identidades coletivas e um estoque de signos, narrativas e linguagens compartilhadas entre a massa cr\u00edtica e os eleitos. 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