{"id":867,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=867"},"modified":"2023-03-13T21:15:41","modified_gmt":"2023-03-14T00:15:41","slug":"outra-politica-a-producao-audiovisual-no-municipio-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=867","title":{"rendered":"Outra Pol\u00edtica: a produ\u00e7\u00e3o audiovisual no munic\u00edpio (3)"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/charge-distribuicao-renda.gif\" title=\"Nesta charge de Bira, o retrato da m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o no quesito renda. Para os produtos e a produ\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o e cultura, a despropor\u00e7\u00e3o \u00e9 a mesma.\n\n - Foto:\" alt=\"Nesta charge de Bira, o retrato da m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o no quesito renda. Para os produtos e a produ\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o e cultura, a despropor\u00e7\u00e3o \u00e9 a mesma.\n\n - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Nesta charge de Bira, o retrato da m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o no quesito renda. Para os produtos e a produ\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o e cultura, a despropor\u00e7\u00e3o \u00e9 a mesma.<\/p>\n<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p >5\u00aa, 22 de Maio de 2008; Vila Setembrina dos Marujos da Ponta de Itapu\u00e3; Continente dos Bravos de \u2018Mboror\u00e9; Liga Federal de los guascas y comuneros<\/p>\n<p >Com este artigo, encerro a trilogia da coluna a respeito da \u201cprodu\u00e7\u00e3o audiovisual no \u00e2mbito municipal\u201d. Na \u00faltima quinzena, conclu\u00eda que o gargalo desta proposta est\u00e1 na viabilidade da distribui\u00e7\u00e3o dos v\u00eddeos e realiza\u00e7\u00f5es audiovisuais. Distribuir e financiar s\u00e3o problemas estruturais de toda a produ\u00e7\u00e3o brasileira e latino-americana. Buscar uma sa\u00edda para este problema \u00e9 uma das fun\u00e7\u00f5es do debate e deste colunista. <\/p>\n<p >Recordamos que nas quinzenas anteriores levantamos a hip\u00f3tese de que um poss\u00edvel Festival ou Mostra (n\u00e3o competitiva) serviria como motiva\u00e7\u00e3o para construir uma linguagem audiovisual no n\u00edvel de governo mais b\u00e1sico do pa\u00eds. Pelos c\u00e1lculos feitos, para uma cidade com cerca de 200 mil habitantes, haveria 60 escolas municipais, podendo ter em cada uma destas institui\u00e7\u00f5es uma m\u00e9dia de 1 oficineiro orientando a 25 pessoas iniciadas na realiza\u00e7\u00e3o audiovisual. O produto deste esfor\u00e7o da Mostra ou Festival seria um pacote de curtas de <st1:metricconverter w:st=\"on\" ProductID=\"5\u2019\">5\u2019<\/st1:metricconverter>, <st1:metricconverter w:st=\"on\" ProductID=\"10\u2019\">10\u2019<\/st1:metricconverter> ou <st1:metricconverter w:st=\"on\" ProductID=\"15\u2019\">15\u2019<\/st1:metricconverter>, cujo montante poderia chegar a 300 obras \u2013 indo das mais b\u00e1sicas e experimentais at\u00e9 as semi-profissionais. Este conjunto de obras sairia a um custo de R$30,00 nos tr\u00eas DVDs, visando \u00e0 venda de 1370 pacotes, para cobrir os custos com m\u00e3o de obra. Se a venda atingir os 2.000 exemplares a R$30,00 o pacote, o faturamento bruto de R$ 60.000,00 cobriria todos os custos da Mostra ou Festival.<\/p>\n<p >\u00c9 praticamente imposs\u00edvel imaginar a garantia de venda de 2.000 exemplares de pacote de 3 DVDs com curtas experimentais. Isto porque, como as obras t\u00eam origem experimental, e n\u00e3o contam com forte m\u00eddia de difus\u00e3o, \u00e9 certo que circular\u00e3o pouco se forem contar apenas com \u201ca m\u00e3o invis\u00edvel do mercado\u201d. Afirmo que esta premissa \u00e9 falsa, porque n\u00e3o existe \u201cm\u00e3o de mercado\u201d a n\u00e3o ser em um n\u00edvel de economia ainda concorrencial e baixo custo (como na venda de lanches, por exemplo). Esta m\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 \u201cde mercado\u201d e \u00e9 bem vis\u00edvel. Parto deste ponto de vista para afirmar que este tipo de realiza\u00e7\u00e3o s\u00f3 \u00e9 vi\u00e1vel se for enquadrado como pol\u00edtica p\u00fablica. A isso me refiro rubrica or\u00e7ament\u00e1ria e n\u00e3o Leis de Incentivo \u00e0 evas\u00e3o fiscal ou manobras semelhantes para esvaziar o caixa do Estado. <\/p>\n<p >A Constitui\u00e7\u00e3o prev\u00ea que 18% do or\u00e7amento federal t\u00eam de ser aplicado para a educa\u00e7\u00e3o. E, para estados e munic\u00edpios, o valor chega a 25% do bruto. Ou seja, ao inv\u00e9s da \u201cm\u00e3o invis\u00edvel que n\u00e3o existe\u201d, entendemos que a rubrica devida deva ser a da educa\u00e7\u00e3o. Produzir cultura n\u00e3o \u00e9 algo secund\u00e1rio e cada vez mais a capacidade de fazer e criticar a m\u00eddia s\u00e3o uma necessidade da civiliza\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea. Uma forma de entrar na disputa pela circula\u00e7\u00e3o de produtos audiovisuais \u00e9 considerar a produ\u00e7\u00e3o como material did\u00e1tico, admitir a necessidade de promover a chamada educomunica\u00e7\u00e3o e retomar o incentivo \u00e0s artes da rede p\u00fablica. Tudo isto sem gerar muitos gastos. <\/p>\n<p >Tomo como base de c\u00e1lculo para esta viabilidade o mapa pol\u00edtico do estado onde resido, o Rio Grande do Sul. Farei uma conta aproximada, considerando uma das 25 associa\u00e7\u00f5es regionais de munic\u00edpios afiliadas na Federa\u00e7\u00e3o de Associa\u00e7\u00f5es de Munic\u00edpios do Rio Grande do Sul (Famurs). Estou supondo, sem contas de rigor, que na Associa\u00e7\u00e3o dos Munic\u00edpios da Regi\u00e3o Sudoeste do Estado (ASSUDOESTE), onde constam os munic\u00edpios de Bag\u00e9, Ca\u00e7apava do Sul, Candiota, Hulha Negra, Lavras do Sul, Acegu\u00e1 e Dom Pedrito, num total de 7. Estou supondo que estas administra\u00e7\u00f5es tenham um total de 120 escolas municipais, dentre urbanas e rurais, o que d\u00e1 um volume razo\u00e1vel. Se e caso uma cidade n\u00e3o tenha condi\u00e7\u00f5es log\u00edsticas de realizar uma Mostra, esta pode ser constru\u00edda dentro de sua Associa\u00e7\u00e3o regional de munic\u00edpios. E, para troca e compra de produtos, dentro da rubrica do or\u00e7amento da educa\u00e7\u00e3o, a distribui\u00e7\u00e3o e a viabilidade tamb\u00e9m devem dar-se atrav\u00e9s de outras associa\u00e7\u00f5es regionais.<\/p>\n<p >Um exemplo est\u00e1 na associa\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima da ASSUDOESTE. Uma das entidades vizinhas desta da Microrregi\u00e3o do Sudoeste RioGrandense \u00e9 a Associa\u00e7\u00e3o dos Munic\u00edpios da Fronteira Oeste (AMFRO). Nesta constam os munic\u00edpios de Alegrete, Itaqui, Manoel Viana, Ros\u00e1rio do Sul, Santana do Livramento, S\u00e3o Gabriel, Barra do Quara\u00ed, Ma\u00e7ambar\u00e1, Quara\u00ed, Santa Margarida do Sul, S\u00e3o Borja e Uruguaiana, num total de 12. <\/p>\n<p >Uma base poss\u00edvel de conta \u00e9 dividir os custos de compra na rubrica de material did\u00e1tico dos DVDs entre os munic\u00edpios da associa\u00e7\u00e3o vizinha. Assim, entre estas 12 administra\u00e7\u00f5es da AMFRO, estaria o rateio de R$60.000,00 dos custos de produtos de uma Mostra, saindo por R$5.000,00 por cada administra\u00e7\u00e3o. O valor total deve ser adquirido pela associa\u00e7\u00e3o e rateado o custo de acordo com o n\u00famero de escolas municipais e aparelhos culturais de cada cidade. <\/p>\n<p >Ampliando a proposta, a distribui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m poderia ser feita por dentro do municipalismo brasileiro, comprometendo-se com a compra a pelo menos uma associa\u00e7\u00e3o regional de munic\u00edpios por estado brasileiro. Supondo que uma entidade deste porte tenha 12 administra\u00e7\u00f5es, como a AMFRO. Ent\u00e3o, bastaria que outras quatro associa\u00e7\u00f5es de munic\u00edpios, uma por cada Regi\u00e3o (norte, sudeste, centro-oeste e nordeste), al\u00e9m da regi\u00e3o sul (j\u00e1 contemplada) ratear a compra e estariam cobertos os gastos. Caso isso venha a ocorrer e os custos seriam divididos em R$ 12.000 por associa\u00e7\u00e3o de munic\u00edpios, saindo em m\u00e9dia, R$ 1000 por administra\u00e7\u00e3o. Este valor, dentro da rubrica anual de educa\u00e7\u00e3o, \u00e9 simplesmente irris\u00f3rio.<\/p>\n<p >Entendo que o mecanismo proposto pode se reeditar em outras \u00e1reas e ainda dentro da ICC (informa\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o e cultura), viabilizando a produ\u00e7\u00e3o cultural, midi\u00e1tica, a leitura cr\u00edtica da m\u00eddia comercial, os ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o social locais e a educa\u00e7\u00e3o para a m\u00eddia (educomunica\u00e7\u00e3o). A constru\u00e7\u00e3o horizontal dessa rede e teia de produ\u00e7\u00e3o nacional \u00e9 uma das bases do desenvolvimento do munic\u00edpio. A identidade e a produ\u00e7\u00e3o de discursos projetam o local para outros patamares. A rela\u00e7\u00e3o direta entre munic\u00edpios proporciona uma cadeia que atende \u00e0s necessidades urgentes para fixar as fam\u00edlias em locais distantes dos grandes centros metropolitanos. Como j\u00e1 disse antes, o \u201cvalor agregado\u201d de uma iniciativa como essa \u00e9 incalcul\u00e1vel. <\/p>\n<p ><a href=\"http:\/\/www.40graus.com\/\">Este artigo <span style=\"COLOR: windowtext; TEXT-DECORATION: none; text-underline: none\">foi originalmente publicado no portal 40 Graus.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta charge de Bira, o retrato da m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o no quesito renda. Para os produtos e a produ\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o e cultura, a despropor\u00e7\u00e3o \u00e9 a mesma. 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