{"id":871,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=871"},"modified":"2023-03-13T21:15:47","modified_gmt":"2023-03-14T00:15:47","slug":"porque-e-importante-a-formacao-sindical","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=871","title":{"rendered":"Porque \u00e9 importante a forma\u00e7\u00e3o sindical?"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/ferrer2.jpg\" title=\"Francisco Ferrer, educador libert\u00e1rio fuzilado em Barcelona em 1911, embora seja nome de rua em Porto Alegre, tem sua mem\u00f3ria apagada pelos formadores sindicais especializados em costurar acordos   - Foto:\" alt=\"Francisco Ferrer, educador libert\u00e1rio fuzilado em Barcelona em 1911, embora seja nome de rua em Porto Alegre, tem sua mem\u00f3ria apagada pelos formadores sindicais especializados em costurar acordos   - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Francisco Ferrer, educador libert\u00e1rio fuzilado em Barcelona em 1911, embora seja nome de rua em Porto Alegre, tem sua mem\u00f3ria apagada pelos formadores sindicais especializados em costurar acordos  <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p >Um dos maiores problemas na organiza\u00e7\u00e3o sindical na atualidade \u00e9 o quesito \u201cforma\u00e7\u00e3o\u201d. O senso comum aponta que a forma\u00e7\u00e3o \u00e9 o ato do estudo dirigido e orientado para uma determinada finalidade. \u00c9 um curioso paradoxo. Quanto maior \u00e9 a sobrecarga de informa\u00e7\u00e3o, menos formados e informados est\u00e3o os militantes. Porque ser\u00e1? <\/p>\n<p >Na origem do sindicalismo no Brasil, e particularmente no Rio Grande, a id\u00e9ia de forma\u00e7\u00e3o andava ao lado da vontade pol\u00edtica e pedag\u00f3gica. Explico. Os trabalhadores organizados a partir de sindicatos livres compreendiam que a concep\u00e7\u00e3o de classe era uma vis\u00e3o de mundo. Com muita intensidade ideol\u00f3gica, os ativistas e militantes das tr\u00eas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX buscavam contrapor a educa\u00e7\u00e3o para o trabalho assalariado com outra pedagogia. Assim, dentro de uma entidade sindical, cultura n\u00e3o era visto como \u201cfrescura\u201d, muito pelo contr\u00e1rio. Viviam, estudavam, peleavam e se divertiam em conjunto. <\/p>\n<p >Hoje, na era da m\u00eddia, o \u00f3cio deixa de ser visto como tal e se torna estrat\u00e9gico. Na \u00e9poca, sem ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica e de distribui\u00e7\u00e3o aberta (como o r\u00e1dio e a TV), o lazer era o momento de congrega\u00e7\u00e3o. Nos sindicatos formavam-se companhias de teatro, orquestras de baile, bibliotecas populares e as escolas conhecidas como modernas, livres ou racionalistas. O pensador Francisco Ferrer (Francesc Ferrer i Gu\u00e0rdia), pedagogo libert\u00e1rio, catal\u00e3o, era a refer\u00eancia intelectual daqueles educadores da classe. Ferrer, era visto como m\u00e1rtir, porque foi fuzilado durante a Semana Tr\u00e1gica de Barcelona, em 13 de outubro de 1909. Hoje \u00e9 nome de rua <st1:PersonName ProductID=\"em Porto Alegre\" w:st=\"on\">em Porto Alegre<\/st1:PersonName> e quase ningu\u00e9m sabe o porque. Detalhe, isto foi cinco d\u00e9cadas antes de ser criada a pedagogia do oprimido. <\/p>\n<p >Outro quesito importante era a auto-organiza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o havia dinheiro do FAT, conselho gestor do FGTS e nem do BNDES para bancar cursos de \u201creciclagem\u201d e \u201creconvers\u00e3o\u201d de m\u00e3o de obra. Das escolas financiadas pelo dinheiro do trabalhador, que se organizava sem imposto sindical, sa\u00edram os mais dedicados quadros da antiga Federa\u00e7\u00e3o Oper\u00e1ria do Rio Grande do Sul (FORGS). Por outro lado, a rela\u00e7\u00e3o com a patronal era tensa, havendo pouco ou nenhum di\u00e1logo entre os representantes de classe. Tamanha autonomia resultava em uma express\u00e3o de poder que ganhava as ruas e passava longe das urnas. <\/p>\n<p >Como se pode ver, muita coisa mudou em cem anos no sindicalismo ga\u00facho. Se hoje sobram legitimidade e espa\u00e7os institucionais, faltam empenho e capacidade de defesa dos pr\u00f3prios interesses. Um debate necess\u00e1rio \u00e9 saber onde est\u00e1 a \u201csocializa\u00e7\u00e3o for\u00e7ada\u201d, quando um trabalhador era condicionado pelas rela\u00e7\u00f5es e o meio onde vivia, e assim tinha de se informar e participar. Na aus\u00eancia desta forma de socializa\u00e7\u00e3o, a vida passa mediatizada. Entre um pe\u00e3o e outro existe um interlocutor for\u00e7ado. Se atravessa no meio da prosa do intervalo um profissional ou produto de comunica\u00e7\u00e3o social, cujo processo produtivo passa longe do cotidiano das maiorias. <\/p>\n<p >Por isso se carregam nas tintas da \u201cforma\u00e7\u00e3o sindical\u201d. Porque o dia a dia, ao contr\u00e1rio de um s\u00e9culo atr\u00e1s, despolitiza, desmobiliza e desinforma. Sem o estudo formal, regular e orientado por educadores de confian\u00e7a da classe, fica imposs\u00edvel debater qualquer tema. E como se sabe, a aus\u00eancia de debate \u00e9 o reino da burocracia e do peleguismo. <\/p>\n<p ><a href=\"http:\/\/www.revistavoto.com.br\/visualiza_artigo.php?id=82\"><span style=\"COLOR: windowtext; TEXT-DECORATION: none; text-underline: none\">Este artigo<span style=\"COLOR: windowtext; TEXT-DECORATION: none; text-underline: none\"> foi originalmente publicado na Revista Voto, Ano 4, No 44, Junho 2008, p\u00e1gina 74, ISSN 1982-730-X <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco Ferrer, educador libert\u00e1rio fuzilado em Barcelona em 1911, embora seja nome de rua em Porto Alegre, tem sua mem\u00f3ria apagada pelos formadores sindicais especializados em costurar acordos Foto: Um dos maiores problemas na organiza\u00e7\u00e3o sindical na atualidade \u00e9 o quesito \u201cforma\u00e7\u00e3o\u201d. 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