{"id":894,"date":"2009-01-02T10:53:31","date_gmt":"2009-01-02T10:53:31","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=894"},"modified":"2009-01-02T10:53:31","modified_gmt":"2009-01-02T10:53:31","slug":"sindicalismo-e-decisao-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=894","title":{"rendered":"Sindicalismo e decis\u00e3o pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/greve_de_17_em_poa2.jpg\" title=\"Em Porto Alegre, durante a Greve Geral de 1917, os trabalhadores organizados em torno da Federa\u00e7\u00e3o Oper\u00e1ria e sob coordena\u00e7\u00e3o da Liga de Defesa Popular, chegaram a fazer experi\u00eancia de poder popular - Foto:\" alt=\"Em Porto Alegre, durante a Greve Geral de 1917, os trabalhadores organizados em torno da Federa\u00e7\u00e3o Oper\u00e1ria e sob coordena\u00e7\u00e3o da Liga de Defesa Popular, chegaram a fazer experi\u00eancia de poder popular - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Em Porto Alegre, durante a Greve Geral de 1917, os trabalhadores organizados em torno da Federa\u00e7\u00e3o Oper\u00e1ria e sob coordena\u00e7\u00e3o da Liga de Defesa Popular, chegaram a fazer experi\u00eancia de poder popular<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p>Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>30 de dezembro de 2008, <\/p>\n<p>O processo decis&oacute;rio na pol&iacute;tica &eacute; complexo. Alguns polit&oacute;logos o comparam a um jogo de vari&aacute;veis e probabilidades matem&aacute;ticas. Outros, da escola hist&oacute;rico-estrutural (a qual me filio) compreendem a decis&atilde;o como um recorte de conjuntura, uma janela de possibilidades, sendo parte de processo hist&oacute;rico mais amplo. O modelo de an&aacute;lise se completa no exemplo do Jogo Real da Pol&iacute;tica, o somat&oacute;rio das regras formais e informais, reais e legais. Para ser levado em conta na hora da decis&atilde;o pol&iacute;tica, um setor social precisa ter e poder demonstrar sua pr&oacute;pria for&ccedil;a. Toda decis&atilde;o pol&iacute;tica &eacute; fruto de correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as e do posicionamento de agentes coletivos organizados. O simples reconhecimento do outro como leg&iacute;timo interlocutor &eacute; uma conquista.<\/p>\n<p>H&aacute; menos de quarenta anos atr&aacute;s, o senso comum dizia que no Brasil n&atilde;o havia racismo e a causa das mulheres pertencia &agrave; vida privada. Se isto mudou, n&atilde;o foi gra&ccedil;as &agrave; sensibilidade dominante, mas a organiza&ccedil;&atilde;o dos maiores interessados. Na virada do s&eacute;culo XIX para o XX, o mesmo ocorreu com o sindicalismo. Quando os primeiros sindicatos surgem no Brasil, &ldquo;a quest&atilde;o social era um caso de pol&iacute;cia&rdquo;. Os organizadores do mundo do trabalho eram vistos pelo Estado como uma &ldquo;flor ex&oacute;tica&rdquo;. A rep&uacute;blica dos oligarcas os acusava de pregar sentimentos de &oacute;dio de classe contr&aacute;rios &ldquo;a harmonia social brasileira&rdquo;. Nunca &eacute; demais lembrar que a id&eacute;ia de sindicalismo combativo, fruto das sociedades de apoio m&uacute;tuo, amadurece no pa&iacute;s logo ap&oacute;s a aboli&ccedil;&atilde;o da escravatura. Portanto, esta &ldquo;harmonia social dos bons tempos&rdquo; era a da m&atilde;o de obra escravizada, na rela&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria com a tortura, chibata, pelourinho, tronco, senzala, rebeli&atilde;o, capoeira e quilombo. <\/p>\n<p>A classe trabalhadora urbana brasileira nasce no sincretismo do corti&ccedil;o com o ch&atilde;o de f&aacute;brica, aproximando usos e costumes de origem africana e imigrante. Foi um longo e &aacute;rduo caminho de quase cinq&uuml;enta anos at&eacute; a Carteira de Trabalho e Previd&ecirc;ncia Social em 1932 e as Consolida&ccedil;&otilde;es das Leis Trabalhistas em 1943. Portanto, por quase meio s&eacute;culo, toda decis&atilde;o de governo levava em conta apenas a capacidade de protesto e a&ccedil;&atilde;o direta da for&ccedil;a organizada dos sindicatos. Para chegar &agrave; conquista dos direitos b&aacute;sicos os trabalhadores brasileiros organizaram federa&ccedil;&otilde;es oper&aacute;rias, tomaram as cidades do Rio de Janeiro, S&atilde;o Paulo e Porto Alegre em greves gerais e prepararam uma Insurrei&ccedil;&atilde;o em 1918. As entidades sindicais enfrentaram as Leis Celeradas, o Campo de Concentra&ccedil;&atilde;o da Clevel&acirc;ndia, a repress&atilde;o em massa e os navios-pris&atilde;o de triste mem&oacute;ria. Ap&oacute;s a repress&atilde;o veio o reconhecimento. A perda da autonomia foi fruto da presen&ccedil;a pol&iacute;tica e da a&ccedil;&atilde;o de governo. O Estado se viu obrigado a reconhecer os trabalhadores como agentes sociais importantes e cedeu &agrave; press&atilde;o pelos direitos essenciais. <\/p>\n<p>Passados mais de cem anos, a vida sindical mudou e a quest&atilde;o central continua. A capacidade dos trabalhadores influ&iacute;rem nas decis&otilde;es do pa&iacute;s depende de sua auto-organiza&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o dos postos-chave que ocupam no governo de turno. Este &eacute; o conflito permanente do sindicalismo com a pol&iacute;tica oficial. &Eacute; uma equa&ccedil;&atilde;o simples. Quanto maior a presen&ccedil;a nas institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, mais participa&ccedil;&atilde;o coadjuvante em decis&otilde;es governamentais. Ou, quanto maior a independ&ecirc;ncia de classe, mais influ&ecirc;ncia social ter&atilde;o os sindicatos e melhor a posi&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores no Jogo Real da Pol&iacute;tica. <\/p>\n<p>\nEste texto foi originalmente publicado em minha coluna mensal para de a Revista Voto, Dezembro de 2008.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Porto Alegre, durante a Greve Geral de 1917, os trabalhadores organizados em torno da Federa\u00e7\u00e3o Oper\u00e1ria e sob coordena\u00e7\u00e3o da Liga de Defesa Popular, chegaram a fazer experi\u00eancia de poder popular Foto: Bruno Lima Rocha 30 de dezembro de 2008, O processo decis&oacute;rio na pol&iacute;tica &eacute; complexo. 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