{"id":91,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=91"},"modified":"2023-03-13T20:44:01","modified_gmt":"2023-03-13T23:44:01","slug":"controle-e-disputa-pela-democracia-na-comunicacao-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=91","title":{"rendered":"Controle E Disputa Pela Democracia Na Comunica\u00e7\u00e3o Social"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/347554.jpg\" title=\"Tv digital brasileira: decis\u00e3o privada  - Foto:\" alt=\"Tv digital brasileira: decis\u00e3o privada  - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Tv digital brasileira: decis\u00e3o privada <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p>Este artigo analisa o estado atual da m&iacute;dia brasileira em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; influ&ecirc;ncia das empresas que constituem os meios de Comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil e a participa&ccedil;&atilde;o dos movimentos pela democratiza&ccedil;&atilde;o do setor, buscando contribuir para o debate te&oacute;rico e de perspectivas para uma melhor atua&ccedil;&atilde;o por parte dos ativistas de comunica&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria, assim como do conjunto do movimento popular. Parte de uma pesquisa bibliogr&aacute;fica e documental, al&eacute;m da an&aacute;lise de dados recentes sobre o setor, que busca evidenciar a import&acirc;ncia da constitui&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas democr&aacute;ticas para o favorecimento do empoderamento popular em nosso pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Originalmente publicado na REVISTA DEBATES, Porto Alegre, v.1, n.1, p. 65-82, jul.-dez. 2007. DOSSI&Ecirc; M&Iacute;DIA E POL&Iacute;TICA, publica&ccedil;&atilde;o do Nupesal, PPG Pol&iacute;tica\/UFRGS.<\/p>\n<p>This article analyzes the current state of the Brazilian media in relation to the influence of the companies that constitute Mass Communication Enterprises in Brazil . On the other hand, observes the participation of the movements for democratizing the media. The paper looks to contribute for the theoretical debate and of perspectives for a better performance on the part of the activists of communitarian communication, as well as the popular movement. The article goes through a bibliographical and documental research, besides the analysis of recent data, looking to evidence the importance of the constitution of democratic public politics for the people empowerment in our country.<\/p>\n<p>Key-Words: Politics of Communication; Democratization of the Communication; Brazilian Media; Empowerment; Community Broadcasting.<\/p>\n<p>Panorama do ambiente da ind&uacute;stria da comunica&ccedil;&atilde;o social no Brasil atual<\/p>\n<p>No s&eacute;culo XXI, com a evolu&ccedil;&atilde;o das tecnologias e os processos de regionaliza&ccedil;&atilde;o e globaliza&ccedil;&atilde;o, verifica-se que a m&iacute;dia se transformou num neg&oacute;cio rent&aacute;vel para a maioria dos empres&aacute;rios que passou a investir neste mercado em todos os lugares que proporcionassem lucro. Assim, com a desregulamenta&ccedil;&atilde;o, concentra&ccedil;&atilde;o e diversifica&ccedil;&atilde;o das atividades empresariais midi&aacute;ticas, atuando tamb&eacute;m nos setores prim&aacute;rio, secund&aacute;rio e terci&aacute;rio da economia, formaram-se grandes conglomerados de comunica&ccedil;&atilde;o, incorporando os pequenos grupos. No Brasil, observa-se uma realidade interessante. A m&iacute;dia brasileira &eacute; dominada por grupos familiares, pol&iacute;ticos e igrejas que se fazem presentes, principalmente, nos ve&iacute;culos mais apreciados pela popula&ccedil;&atilde;o brasileira: a televis&atilde;o e o r&aacute;dio.<\/p>\n<p>Para al&eacute;m do que &eacute; visto e lido nos editoriais dos produtos da m&iacute;dia corporativa, a pol&iacute;tica do controle das comunica&ccedil;&otilde;es no Brasil atravessa uma luta de vida ou morte, propiciando uma mudan&ccedil;a de modelo e de formas de luta. Isto implica uma an&aacute;lise correta, indo al&eacute;m de preceitos institucionais consagrados. Ou seja, a partir da an&aacute;lise estrat&eacute;gica da conjuntura vivida, busca-se apontar outras sa&iacute;das para a afirma&ccedil;&atilde;o da soberania popular e a constru&ccedil;&atilde;o de um novo espa&ccedil;o p&uacute;blico, no que tange ao debate em torno do monop&oacute;lio, do oligop&oacute;lio e da propriedade cruzada, diante de um ambiente militante que vive a crise entre ser sociedade civil (carregando as implica&ccedil;&otilde;es e contradi&ccedil;&otilde;es dessa filia&ccedil;&atilde;o) ou recriar as formas para agir como movimento popular. Constituem agentes mais gravitantes deste sistema a Rede Globo, a estrutura orquestrada pelo Ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es (MiniCom) H&eacute;lio Costa ao final do primeiro mandato do Governo Lula e a alian&ccedil;a com a nova elite ocupante do Planalto neste primeiro momento de implementa&ccedil;&atilde;o da converg&ecirc;ncia e da digitaliza&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>A legisla&ccedil;&atilde;o brasileira pro&iacute;be o monop&oacute;lio e oligop&oacute;lio da m&iacute;dia, no artigo 220, par&aacute;grafo quinto da Constitui&ccedil;&atilde;o Brasileira (1988), al&eacute;m da participa&ccedil;&atilde;o societ&aacute;ria do mesmo grupo em mais de cinco concess&otilde;es em VHF (Very High Frequency) no pa&iacute;s, e em duas em UHF (Ultra High Frequency) <st1:personname w:st=\"on\" productid=\"em cada Estado\">em cada Estado<\/st1:personname>, de acordo com o Decreto 236\/67. De acordo com verifica&ccedil;&atilde;o feita por Caparelli e Lima (2004), tr&ecirc;s grupos familiares nacionais (Rede Globo, Bandeirantes e SBT) est&atilde;o em quase 100% do territ&oacute;rio brasileiro, algo considerado inadmiss&iacute;vel pelas Leis do Brasil. E, no caso dos grupos regionais (Rede Brasil Sul-RBS, Organiza&ccedil;&otilde;es Jaime C&acirc;mara, Rede Amaz&ocirc;nica de R&aacute;dio e Televis&atilde;o, Grupo Zahran e Verdes Mares), est&atilde;o dominando mais de 70% dos locais onde atuam e isso, em dados reais, significa que eles, mesmo negando, t&ecirc;m, tamb&eacute;m, grande influ&ecirc;ncia pol&iacute;tica nos lugares -e isso &eacute; preocupante. N&atilde;o se deve ignorar que os grupos hoje est&atilde;o, tamb&eacute;m, nas m&atilde;os de pol&iacute;ticos e igrejas. Com o dom&iacute;nio de fam&iacute;lias, pol&iacute;ticos e religiosos na m&iacute;dia brasileira percebe-se que &ldquo;os oligop&oacute;lios se formaram atrav&eacute;s de uma brecha deixada na lei. Ela fixou os limites por entidade e por acionista, mas n&atilde;o previu um artif&iacute;cio simples: o registro de concess&otilde;es em nome de v&aacute;rios membros da fam&iacute;lia&rdquo; (LOBATO, 1995, p.36).<\/p>\n<p>No caso da digitaliza&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es, percebe-se que a disputa revive, na primeira d&eacute;cada do s&eacute;culo XXI, os embates da lei da difus&atilde;o a cabo. Naquele momento, a maior emissora do pa&iacute;s iniciou seu processo de endividamento sem fim. Processo este que, se n&atilde;o fosse por vultosas ajudas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico e Social (BNDES) e de sucessivos governos da Uni&atilde;o, j&aacute; teria levado essa empresa &agrave; fal&ecirc;ncia, bem como o total das seis redes privadas nacionais, que comp&otilde;em o oligop&oacute;lio da comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil. Isto porque, como modelo de neg&oacute;cios, a teledifus&atilde;o aberta no Brasil est&aacute; quebrada. Todas elas, Rede Globo, Bandeirantes, SBT, Record, Rede TV e CNT n&atilde;o conseguiriam saldar nem 50% dos seus custos fixos, se n&atilde;o fosse pela publicidade oficial veiculada nas emissoras. Como neg&oacute;cio, a TV aberta depende diretamente de verbas p&uacute;blicas (RODRIGUES, 2005).<\/p>\n<p>&Eacute; na publicidade estatal, a mesma que &eacute; desviada em opera&ccedil;&otilde;es de lavagem e remessa ilegal de divisas (como as do Valerioduto, que consistiu no uso de dois bancos para entrada de dinheiro sem proced&ecirc;ncia), onde os conglomerados operando no pa&iacute;s t&ecirc;m suas maiores fontes de receita. Como a prioridade das inser&ccedil;&otilde;es de propaganda s&atilde;o para a TV aberta, as receitas do r&aacute;dio v&ecirc;m minguando muito em fun&ccedil;&atilde;o disso. Do montante de publicidade p&uacute;blica e privada aplicada nas m&iacute;dias, apenas 4% do total vai para o r&aacute;dio, 56,1% deste vai para a TV, 21,5% para os jornais e 10,6% para revistas. Para as outras m&iacute;dias, onde se inclui a eletr&ocirc;nica, o montante &eacute; de 6,9% (GRUPO DE M&Iacute;DIA, 2004).<\/p>\n<p>Em recursos, a ind&uacute;stria da m&iacute;dia movimenta em publicidade o total de R$ 5 bilh&otilde;es e 358 milh&otilde;es de reais. Deste montante, mais da metade sai diretamente dos cofres p&uacute;blicos para propaganda de governo, institucional, e conforme provado na CPI dos Correios, ser devidamente desviado para caixas dois de campanha e outros investimentos. Dos gastos estatais com publicidade, mais da metade tem como destino os cofres da fam&iacute;lia Marinho e suas emissoras nos estados.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, na entrada do s&eacute;culo XXI, na mesa de negocia&ccedil;&otilde;es entre governo federal, conglomerados de m&iacute;dia e sociedade civil, os empres&aacute;rios de comunica&ccedil;&atilde;o defenderam que a esperan&ccedil;a para salva&ccedil;&atilde;o de seus grupos dependia da aprova&ccedil;&atilde;o da entrada do capital estrangeiro. No final de 2001, os representantes do F&oacute;rum Nacional pela Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o (FNDC) se reuniram em Bras&iacute;lia defendendo que a entrada do capital estrangeiro amea&ccedil;ava a submiss&atilde;o dos meios de forma&ccedil;&atilde;o de consci&ecirc;ncia nacional a perspectivas consideradas estranhas ao interesse p&uacute;blico e a busca da afirma&ccedil;&atilde;o da soberania popular, da democracia e da nacionalidade. J&aacute; para as lideran&ccedil;as da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Jornais (ANJ), da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Emissoras de R&aacute;dio e Televis&atilde;o (ABERT) e da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Editores de Revistas (ANER), somente com a proposta aprovada o Brasil poderia se integrar no cen&aacute;rio mundial, com a m&iacute;dia mais competitiva e continuando a ser respons&aacute;veis pela gest&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o editorial das empresas.<\/p>\n<p>O fato era que os grupos estavam perdendo o controle. A jornalista Giuliana Napolitano, na revista Poder, de fevereiro de 2002, verificou ainda que a d&iacute;vida total das empresas estava superando a receita e o lucro l&iacute;quidos. Caso do Grupo Estado com R$ 436,3 milh&otilde;es, representando um n&iacute;vel de endividamento (sobre os ativos totais) de 70,8%; do Grupo Abril com R$ 1,4 bilh&atilde;o, endividamento (sobre os ativos totais) de 97,1%; e da Gazeta Mercantil de R$ 452,3 milh&otilde;es, levando &agrave; demiss&atilde;o de mais de 500 funcion&aacute;rios e a transfer&ecirc;ncia do controle administrativo da empresa para o fundo WorldInvest.<\/p>\n<p>Observa-se que o modelo de oligop&oacute;lio da m&iacute;dia brasileira tem uma l&oacute;gica de funcionamento baseada na usurpa&ccedil;&atilde;o de recursos e direitos, al&eacute;m da falta de gest&atilde;o. Financiado com dinheiro p&uacute;blico, o Estado que arrecada o botim impositivo tamb&eacute;m extrai da popula&ccedil;&atilde;o o direito a ceder e retirar concess&otilde;es que seriam p&uacute;blicas, mas de fato s&atilde;o apropriadas por elites dirigentes e lobbies pol&iacute;tico-t&eacute;cnicos que incidem na formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas nos mais variados setores, chegando at&eacute; a consolidar a ascens&atilde;o e a queda de presidentes. Outro padr&atilde;o de viol&ecirc;ncia simb&oacute;lica se d&aacute; na unifica&ccedil;&atilde;o nacional for&ccedil;ada a t&iacute;tulo de projeto de integra&ccedil;&atilde;o concebido e impulsionado durante a ditadura militar.<\/p>\n<p>O modelo apresentado em escala nacional tamb&eacute;m se reproduz de forma id&ecirc;ntica nos estados, como na matriz do grupo RBS, controlado pela fam&iacute;lia Sirotsky h&aacute; quatro gera&ccedil;&otilde;es, grupo que atinge 99,7% dos domic&iacute;lios com televis&atilde;o dos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. A import&acirc;ncia da presen&ccedil;a dos captadores de recursos p&uacute;blicos e o livre tr&acirc;nsito pelos corredores do Planalto e do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es &eacute; algo evidente na contrata&ccedil;&atilde;o de intermedi&aacute;rios influentes para altos cargos de gest&atilde;o. No caso da RBS, pela presen&ccedil;a de Pedro Parente, ex-ministro de Or&ccedil;amento e Gest&atilde;o e secret&aacute;rio de Fernando Henrique Cardoso, como vice-presidente executivo do grupo ga&uacute;cho. O exemplo ilustra o conceito: quando a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; estrutural, mudam os atores individuais, mas as disputas e os interesses s&atilde;o os mesmos.<\/p>\n<p>O chamado 4&ordm; poder se funde com a classe pol&iacute;tica e os grandes grupos econ&ocirc;micos. &Eacute; imposs&iacute;vel diferenciar os campos de atua&ccedil;&atilde;o e os interesses diretos entre pol&iacute;ticos profissionais e donos de m&iacute;dia. No Senado da Rep&uacute;blica, um em cada tr&ecirc;s senadores s&atilde;o donos ou testas-de-ferro de donos de grupos de comunica&ccedil;&atilde;o. J&aacute; na C&acirc;mara, ao menos 26% dos parlamentares envolvidos na Subcomiss&atilde;o de Comunica&ccedil;&atilde;o, dentro da Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, s&atilde;o radiodifusores. 40% dos parlamentares est&atilde;o na mesma situa&ccedil;&atilde;o (MATTOS, 2003).<\/p>\n<p>De acordo com o levantamento feito pelo assessor do Partido dos Trabalhadores, Israel Bayma, em 2001, resultado do cruzamento de 33 mil informa&ccedil;&otilde;es do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, da Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no per&iacute;odo de <st1:metricconverter w:st=\"on\" productid=\"1999 a\">1999 a<\/st1:metricconverter> 2001, cinco governadores de Estado e 47 dos 513 deputados federais eram oficialmente propriet&aacute;rios de emissoras de r&aacute;dio e\/ou TV. &Eacute; o caso da fam&iacute;lia do ex-presidente Jos&eacute; Sarney, propriet&aacute;ria da Rede Mirante de Comunica&ccedil;&atilde;o, que tem, em nome de parentes, 39 concess&otilde;es de r&aacute;dios e TVs em cinco cidades do Maranh&atilde;o.<\/p>\n<p>Desde a Constituinte diversos grupos de interesses vinculados ao movimento popular e sindical v&ecirc;m tentando se contrapor a este modelo. Nos debates verifica-se que nenhum modelo &eacute; t&atilde;o concentrador como o brasileiro e mesmo os marcos regulat&oacute;rios da Comunica&ccedil;&atilde;o Social dos Estados Unidos s&atilde;o mais democr&aacute;ticos. Pela lei dos Estados Unidos, &eacute; inimagin&aacute;vel um telejornal atingir um pico de audi&ecirc;ncia de 70% ou 80%, como &eacute; a m&eacute;dia do Jornal Nacional (Rede Globo). Tamb&eacute;m &eacute; impens&aacute;vel a produ&ccedil;&atilde;o ser t&atilde;o concentrada como no Brasil. L&aacute; &eacute; prevista 70% de regionaliza&ccedil;&atilde;o dos produtos de comunica&ccedil;&atilde;o, enquanto aqui a m&eacute;dia &eacute; inversa.<\/p>\n<p>A Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 prop&otilde;e no artigo 221 princ&iacute;pios para produ&ccedil;&atilde;o e programa&ccedil;&atilde;o das emissoras, evidenciando a &ldquo;regionaliza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o cultural, art&iacute;stica e jornal&iacute;stica&rdquo; (inciso III). A deputada Jandira Feghali (PC do B-RJ), em 1991, criou um Projeto de Lei que tem como foco a regionaliza&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia brasileira (CABRAL, 2006). Por&eacute;m, somente em 2004 entrou em pauta no Congresso Nacional. E isso s&oacute; aconteceu porque os conglomerados de m&iacute;dia perceberam que essa &eacute; uma tend&ecirc;ncia do mercado brasileiro. Em 1999 o Anu&aacute;rio de M&iacute;dia 98\/99 -Norte\/Nordeste\/Centro-Oeste (p.11) constatou que as regi&otilde;es brasileiras &ldquo;est&atilde;o se desenvolvendo economicamente, evoluindo no perfil de compras, investindo na m&iacute;dia e atraindo diversos setores da produ&ccedil;&atilde;o com oportunidades de neg&oacute;cio&rdquo;. Hoje observa-se o grande poderio dos grupos regionais no cen&aacute;rio nacional. A RBS, por exemplo, &eacute; o maior conglomerado regional do Brasil. Suas estrat&eacute;gias, conforme verifica&ccedil;&atilde;o feita por Paulo Scarduelli (1996), s&atilde;o os limites geogr&aacute;ficos, os tra&ccedil;os culturais e o tamanho de cada mercado.<\/p>\n<p>O grande trunfo das emissoras regionais, de acordo com as pesquisas da revista Meio e Mensagem, foi o investimento comercial dos anunciantes nas regi&otilde;es: &ldquo;Os mercados regionais passaram a ter peso importante na estrat&eacute;gia das empresas&rdquo; (n. 830, 1998, p.52). Al&eacute;m disso, os &ldquo;grupos regionais est&atilde;o investindo em sinais via sat&eacute;lite para melhorar a qualidade da transmiss&atilde;o. A regionaliza&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m desenvolve oportunidades de neg&oacute;cio muito interessantes&rdquo; (n. 830, 1998, p.52). Para o superintendente comercial da Rede Globo de Televis&atilde;o, Oct&aacute;vio Florisbal, &ldquo;al&eacute;m de melhorar a cobertura regional, com o jornalismo local, por exemplo, a regionaliza&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m desenvolve oportunidades de neg&oacute;cio muito interessantes. Pode-se gerar de US$ 2 milh&otilde;es a US$3 milh&otilde;es em mercados locais com pequenos anunciantes&rdquo; (MEIO E MENSAGEM, n. 804, 1998).<\/p>\n<p>Poucas e parciais estat&iacute;sticas j&aacute; s&atilde;o suficientes para a atesta&ccedil;&atilde;o de uma id&eacute;ia-guia. Mantido este modelo concentrador das comunica&ccedil;&otilde;es no Brasil, a democracia ser&aacute; delegativa, ritual, minimalista e representativa, sempre com n&iacute;veis baixos de participa&ccedil;&atilde;o nas tomadas centrais de decis&atilde;o.<\/p>\n<p>A arena atual: a digitaliza&ccedil;&atilde;o e converg&ecirc;ncia dos meios<\/p>\n<p>A democracia no Brasil se encontra em plena encruzilhada. De um lado, o controle de nosso espa&ccedil;o p&uacute;blico no oligop&oacute;lio financiado pelo Estado de Direito. Do outro, um longo e largo caminho de soberania popular e democr&aacute;tica a ser constru&iacute;da. Para compreender o que est&aacute; em jogo, cabe um breve recuo hist&oacute;rico, rumo ao ano de 1893. Neste momento, em paralelo a uma Guerra Civil no Rio Grande do Sul entre Chimangos e Maragatos, na cidade de S&atilde;o Paulo, um padre ga&uacute;cho avan&ccedil;ava em seus experimentos com as ondas sonoras. Roberto Landell de Moura, nascido <st1:personname w:st=\"on\" productid=\"em Porto Alegre\">em Porto Alegre<\/st1:personname> em 1861, antecipa-se ao italiano Guglielmo Marconi na descoberta e experi&ecirc;ncia da radiodifus&atilde;o.<\/p>\n<p>O Brasil de ent&atilde;o afirmava sua alian&ccedil;a de classes dominantes numa rep&uacute;blica de fazendeiros, partidos estaduais e oligarcas. Sua majestade, o caf&eacute;, controlava os rumos da economia. N&atilde;o havia pol&iacute;tica econ&ocirc;mica al&eacute;m da exporta&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria, e pol&iacute;tica industrial era algo inimagin&aacute;vel.<\/p>\n<p>Hist&oacute;ria muito parecida com a de outro brasileiro, homem genial que encantara o mundo com seus inventos. No dia 13 de setembro de 1906, Alberto Santos Dumont realizara seu primeiro v&ocirc;o bem sucedido do prot&oacute;tipo 14 Bis. Altos mandat&aacute;rios da Inglaterra, Fran&ccedil;a e dos Estados Unidos acompanhavam seus experimentos e testes h&aacute; mais de uma d&eacute;cada. De sua parte, o Estado brasileiro doa uma casa para o inventor, mas n&atilde;o criou nenhuma ind&uacute;stria aeron&aacute;utica nos seguintes 50 anos. Por ironia da hist&oacute;ria, na resid&ecirc;ncia de Petr&oacute;polis, doada pelo Estado que o relegou, foi o local onde o aviador brasileiro se suicidou.<\/p>\n<p>O mesmo se sucedeu em 1893, quando Landell de Moura transmitiu sinais e sons musicais por <st1:metricconverter w:st=\"on\" productid=\"8 quil&ocirc;metros\">8 quil&ocirc;metros<\/st1:metricconverter>. Transmitiu da Avenida Paulista e o sinal alcan&ccedil;ou o Alto de Santana. Os estudos comprovam que ele havia inventado o tr&iacute;odo, ou seja, a v&aacute;lvula de tr&ecirc;s p&oacute;los. Com o invento, tornava-se poss&iacute;vel modular uma corrente el&eacute;trica e transmiti-la, sem fios, a longas dist&acirc;ncias. Como pr&ecirc;mio, nem uma casa o Padre Roberto recebeu.<\/p>\n<p>Os interesses nacionais e a pol&iacute;tica industrial a partir do invento foram mal como sempre. A primeira transmiss&atilde;o radiof&ocirc;nica oficial foi em 1922 e a pioneira emissora somente em 1923. Entre o invento de Roberto Landell de Moura e a inova&ccedil;&atilde;o de Edgar Roquette Pinto com sua R&aacute;dio Sociedade, o pa&iacute;s levou 30 anos. Por&eacute;m, a inven&ccedil;&atilde;o do ga&uacute;cho Roberto assim como a do mineiro Alberto, j&aacute; havia sido usada por outros pa&iacute;ses. Pot&ecirc;ncias da &eacute;poca, dentre elas a Inglaterra, por sinal, credora do Brasil, utilizaram estas inven&ccedil;&otilde;es, tanto para o com&eacute;rcio e transporte, como para a guerra. Mas, o atraso do Estado em identificar objetivos estrat&eacute;gicos antes do benef&iacute;cio para as oligarquias &eacute; algo<\/p>\n<p>sist&ecirc;mico. Com a digitaliza&ccedil;&atilde;o, a trag&eacute;dia ocorrida com Santos Dumont e Landell de Moura se repetem.<\/p>\n<p>No Brasil da primeira d&eacute;cada do s&eacute;culo XXI, o pioneirismo e a capacidade de cria&ccedil;&atilde;o do 4&ordm; setor nacional continuam firmes e com pouco ou nenhum suporte. O caminho brasileiro rumo &agrave; irrevers&iacute;vel digitaliza&ccedil;&atilde;o vem sendo marcado de lutas de gabinete, press&otilde;es de lobbies patronais de um lado e entidades nacionais representativas dos v&aacute;rios setores do movimento pela democracia na comunica&ccedil;&atilde;o de outro. O bra&ccedil;o cient&iacute;fico desta luta, de inova&ccedil;&atilde;o e auto-sufici&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica, custou quase nada aos cofres p&uacute;blicos.<\/p>\n<p>Ao longo de 10 meses do ano de 2005, 22 cons&oacute;rcios nacionais, envolvendo universidades, institutos, funda&ccedil;&otilde;es e &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos de pesquisa tecnol&oacute;gica, desenvolveram as bases do Sistema Brasileiro de Televis&atilde;o Digital (SBTVD). Nele trabalharam mais de 1.500 pesquisadores, que contaram com o investimento de R$ 65 milh&otilde;es, dos quais R$ 50 milh&otilde;es foram destinados &agrave;s universidades componentes dos cons&oacute;rcios (cf. site da FINEP&ndash; Financiadora de Estudos e Projetos&ndash; http:\/\/www.finep.gov.br). Ou seja, aos custos de R$ 5 milh&otilde;es por m&ecirc;s, R$ 50.000 reais por pesquisador e pouco menos de 2 milh&otilde;es e meio por cons&oacute;rcio o Brasil atinge a capacidade de gerar seu pr&oacute;prio Sistema de TV Digital.<\/p>\n<p>Isto significaria um trunfo nacional a ser comemorado como vit&oacute;ria na campanha do candidato da situa&ccedil;&atilde;o, assim como a auto-sufici&ecirc;ncia <st1:personname w:st=\"on\" productid=\"em petr&oacute;leo. Mas\">em petr&oacute;leo. Mas<\/st1:personname>, a diferen&ccedil;a com o combust&iacute;vel f&oacute;ssil &eacute; que desta vez estes cons&oacute;rcios feriram os interesses dos produtores de imagens, bens simb&oacute;licos e identidades no Brasil. Por isso, o Ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es e representante destes interesses dentro dos altos mandos do Estado Nacional, parte para assinar o pr&eacute;-acordo com os japoneses a partir de uma concep&ccedil;&atilde;o acolhida na Casa Civil e no Pal&aacute;cio do Planalto. Tecnologia nacional, desenvolvimento t&eacute;cnico-cient&iacute;fico em &aacute;rea sens&iacute;vel, dom&iacute;nio da cadeia dos semicondutores e at&eacute; a capacidade de gera&ccedil;&atilde;o de ativos e produtos de exporta&ccedil;&atilde;o s&atilde;o colocados em segundo plano diante do interesse maior dos conglomerados de m&iacute;dia e seus pares.<\/p>\n<p>Quando se trata do sistema de r&aacute;dio digital ent&atilde;o, o problema se torna muito maior. Al&eacute;m de n&atilde;o contar com nenhuma pesquisa financiada, o ambiente &eacute; de abertura de fronteiras. O Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es liberou, em setembro de 2005, uma licen&ccedil;a provis&oacute;ria para algumas emissoras de r&aacute;dio AM, operar de forma experimental um sistema americano que comporta o digital e o anal&oacute;gico. O problema n&atilde;o &eacute; esse, mas de custos, de aus&ecirc;ncia de regulamenta&ccedil;&atilde;o e falta de espa&ccedil;o nos dials do pa&iacute;s. N&atilde;o por coincid&ecirc;ncia, a licen&ccedil;a j&aacute; acabou e as cadeias de r&aacute;dio, filiais do oligop&oacute;lio, ampliaram os testes tamb&eacute;m para FM. Aplicam o sistema dos EUA, conhecido como IBOC (In Band on Channel). Apenas para ter uma id&eacute;ia de custos e exclus&atilde;o, neste padr&atilde;o, os investimentos com est&uacute;dio e transmiss&atilde;o s&atilde;o da ordem de US$ 75 mil. Para piorar os custos, ainda ser&aacute; necess&aacute;rio pagar royalties para a empresa estadunidense Ibiquity, detentora dos direitos do padr&atilde;o1.<\/p>\n<p>O problema est&aacute; al&eacute;m do n&atilde;o-aproveitamento do SBTVD desenvolvido pelos cons&oacute;rcios t&eacute;cnico-cient&iacute;ficos, que por sinal &eacute; adapt&aacute;vel para o r&aacute;dio digital. Como a nova tecnologia n&atilde;o est&aacute; regulamentada, ao lado do oligop&oacute;lio se encontra outro agente de peso das telecomunica&ccedil;&otilde;es, as operadoras de telefonia. Observando qual &eacute; o modus operandi das empresas do setor, realmente o respeito da regra formal &eacute; algo pr&oacute;ximo do virtual.<\/p>\n<p>Para os mais bem informados ou curiosos, basta acompanhar as opera&ccedil;&otilde;es do Banco Opportunity, de Daniel Dantas, Carla Cicco (Brasil Telecom) e a transnacional de investiga&ccedil;&otilde;es Kroll O&rsquo;Gara (com filial <st1:personname w:st=\"on\" productid=\"em S&atilde;o Paulo\">em S&atilde;o Paulo<\/st1:personname> e Curitiba). &Eacute; um problema de fundo, num cen&aacute;rio onde o Estado refinancia aquilo que j&aacute; privatizara e n&atilde;o cont&eacute;m nenhuma subida de tarifa. Sem a regulamenta&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via, estas transnacionais entrar&atilde;o na m&iacute;dia brasileira digital gerando conte&uacute;do das m&iacute;dias convergentes, abocanhando fatias enormes de mercado e desnacionalizando o mercado controlado pelo oligop&oacute;lio.<\/p>\n<p>Pouco a pouco, de forma lateral e sempre com mat&eacute;rias positivas e entusiasmadas, o p&uacute;blico receptor da televis&atilde;o aberta vai se acostumando a entender a TV digital e comemorar a alta defini&ccedil;&atilde;o. O problema n&atilde;o est&aacute; a&iacute;, mas sim na exclus&atilde;o de outras potencialidades. Dentre os padr&otilde;es mundiais de digitaliza&ccedil;&atilde;o, com certeza o pa&iacute;s teria mais uma forma de competir gerando o nosso pr&oacute;prio padr&atilde;o. Recursos para isso existem, tanto humanos como de investimento e podem ser verificados nas propagandas oficiais do governo da Uni&atilde;o ao longo da grade de programa&ccedil;&atilde;o das grandes redes.<\/p>\n<p>Apenas para dar um exemplo de sua capacidade, o padr&atilde;o brasileiro de TV Digital prev&ecirc; dois conversores diferentes (cf. CPqD&ndash; http:\/\/ sbtvd.cpqd.com.br). Um de baixo custo e outro de alta defini&ccedil;&atilde;o. Com este pequeno aparelho, que hoje com os investimentos necess&aacute;rios custaria em torno de R$ 200 reais, cada televisor se converteria em um receptor de sinal digital. O padr&atilde;o nacional tamb&eacute;m prev&ecirc; um maior<\/p>\n<p>espectro, o que significa multicanaliza&ccedil;&atilde;o. Ou seja, mais canais e possibilidades m&uacute;ltiplas de intera&ccedil;&atilde;o, transmiss&atilde;o, gera&ccedil;&atilde;o de identidades, regionalidades resgatadas, hist&oacute;rias re-escritas.<\/p>\n<p>A press&atilde;o dos setores mais militantes da m&iacute;dia popular, especificamente os que lutam pela democracia na comunica&ccedil;&atilde;o, resulta na cria&ccedil;&atilde;o da Frente Nacional por um Sistema Democr&aacute;tico de R&aacute;dio e TV Digital. Esta Frente se caracteriza pelo perfil de sociedade civil organizada, somando m&uacute;ltiplos interesses, agentes, com base organizada, terceiro setor e um sem fim de atores individuais.<\/p>\n<p>Fazendo volume no movimento, somam-se neste embate, quase 12 mil r&aacute;dios comunit&aacute;rias segundo os dados da pr&oacute;pria Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel). Seriam 2.464 processos abertos, dos quais 1.519 obtiveram a licen&ccedil;a definitiva e 521 processos a licen&ccedil;a provis&oacute;ria (dados consultados em mar&ccedil;o de 2006, referentes &agrave; totaliza&ccedil;&atilde;o de 2005). Processos abertos com pedidos de cadastramento s&atilde;o mais 9.237. Pela estimativa da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Radiodifus&atilde;o Comunit&aacute;ria (Abra&ccedil;o), as r&aacute;dios comunit&aacute;rias j&aacute; ultrapassam 15 mil no pa&iacute;s, somando-se os v&aacute;rios est&aacute;gios de organiza&ccedil;&atilde;o e legaliza&ccedil;&atilde;o. Destas, o n&uacute;mero de r&aacute;dios organizadas de forma comunit&aacute;ria e com algum n&iacute;vel de engajamento n&atilde;o passa de 5% do total de emissoras.<\/p>\n<p>No outro lado dos grupos de interesse est&atilde;o os mais de 130 parlamentares na Frente da Radiodifus&atilde;o, o poderoso lobby das duas associa&ccedil;&otilde;es patronais (ABERT e Abra&ndash; Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira dos Radiodifusores), o pr&oacute;prio ministro H&eacute;lio Costa. Agindo por fora, os grandes operadores da telefonia transnacional, sob o manto jur&iacute;dico do Telebrasil, do Sinditelebrasil e da Abrafixo. Ansiosamente aguardando uma ampla linha de cr&eacute;dito para produzir os receptores digitais est&atilde;o os fabricantes (em sua maior parte apenas montadoras de componentes) instalados no Brasil. Estes, em sua maioria, organizam-se no guarda-chuva jur&iacute;dico da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletr&ocirc;nicos (Eletros).<\/p>\n<p>Nesta disputa existem interesses estrat&eacute;gicos em jogo, tanto no plano nacional como de soberania popular. Entre a defesa dos oligop&oacute;lios e os objetivos de longo prazo do pa&iacute;s h&aacute; uma infinita dist&acirc;ncia. Com a apropria&ccedil;&atilde;o da tecnologia correta e com a cadeia produtiva sob controle nacional, ser&aacute; poss&iacute;vel contar com o espa&ccedil;o p&uacute;blico necess&aacute;rio para criar uma das novas bases da participa&ccedil;&atilde;o popular direta, a comunica&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica.<\/p>\n<p>Montando as bases para fundamentar a an&aacute;lise<\/p>\n<p>As organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil em geral ainda usam a comunica&ccedil;&atilde;o de modo meramente instrumental, colocando-a &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o de seus interesses institucionais, a despeito do crescente e bem-vindo interesse em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; tem&aacute;tica comunicacional, ao inv&eacute;s de t&ecirc;-la como ferramenta para desenvolver atividades e perspectivas. Dessa forma abrem m&atilde;o da capacidade de avaliar a implementa&ccedil;&atilde;o das suas frentes de luta e de fortalecer articula&ccedil;&otilde;es entre atores afins. A comunica&ccedil;&atilde;o pode contribuir bastante nesse sentido, se tida como um processo caracterizado pela constru&ccedil;&atilde;o de identidade de uma id&eacute;ia, a produ&ccedil;&atilde;o de uma cultura que a consolide e a socializa&ccedil;&atilde;o do saber que a sustenta. Compreender esse processo &eacute; fundamental para localizar a import&acirc;ncia dessa pr&aacute;tica no cotidiano.<\/p>\n<p>Para situar esta quest&atilde;o apenas em rela&ccedil;&atilde;o aos meios de circula&ccedil;&atilde;o, que est&atilde;o ao alcance da sociedade civil de um modo geral r&aacute;dios comunit&aacute;rias e canais comunit&aacute;rios de TV a Cabo -, os canais disponibilizados v&ecirc;m sendo timidamente aproveitados e experimentados diante das possibilidades em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s iniciativas implementadas, embora contenham um perfil novo de participa&ccedil;&atilde;o, basicamente formado por pessoas e grupos que perceberam a import&acirc;ncia da forma&ccedil;&atilde;o de ve&iacute;culos pr&oacute;prios de comunica&ccedil;&atilde;o, com uma din&acirc;mica espec&iacute;fica, seja para refor&ccedil;ar uma determinada comunidade, seja como alternativa de gera&ccedil;&atilde;o de renda ou de veicula&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Um desafio cada vez mais necess&aacute;rio &eacute; o de cativar comunidades e grupos de diferenciadas origens para a import&acirc;ncia das experi&ecirc;ncias comunit&aacute;rias implementadas, visto que se precisa levar em conta a ades&atilde;o popular para fazer valer a pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia das experi&ecirc;ncias de r&aacute;dios comunit&aacute;rias e canais comunit&aacute;rios de TV a Cabo, mostrando, nesse sentido, as peculiaridades que o modelo comunit&aacute;rio possui em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; radiodifus&atilde;o comercial. Cabe explicitar esta distin&ccedil;&atilde;o dando &ecirc;nfase &agrave;s diferen&ccedil;as entre os dois modelos, &agrave;s limita&ccedil;&otilde;es impostas na linguagem e na rotina de trabalho pelos empres&aacute;rios de emissoras comerciais, que tamb&eacute;m veiculam inverdades em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; interfer&ecirc;ncia proporcionada pelo sinal das r&aacute;dios comunit&aacute;rias, al&eacute;m de afirmar e refor&ccedil;ar vantagens pr&oacute;prias das r&aacute;dios comunit&aacute;rias (proximidade, interatividade, etc.) no desenvolvimento de programas e da articula&ccedil;&atilde;o da comunidade.<\/p>\n<p>S&atilde;o decis&otilde;es de defini&ccedil;&atilde;o simples, relacionadas ao projeto editorial, que fazem uma r&aacute;dio afirmar seu perfil comunit&aacute;rio. Em primeiro lugar, sua pr&oacute;pria concep&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; mais adequada &agrave; divulga&ccedil;&atilde;o de sucessos das r&aacute;dios comerciais. As pessoas capacitadas de uma determinada comunidade s&atilde;o ao mesmo tempo profissionais e formadoras, comunicadoras e educadoras, porque o of&iacute;cio n&atilde;o &eacute; argumento de autoridade, mas sim um conhecimento a ser compartilhado com quem se interessar.<\/p>\n<p>Por sua vez, as pessoas e grupos que participam da forma&ccedil;&atilde;o de canais comunit&aacute;rios em v&aacute;rios munic&iacute;pios, tendo o m&eacute;rito de manter vivas suas experi&ecirc;ncias mediante restri&ccedil;&otilde;es impostas pelo governo e pelas operadoras a cabo, perdem a oportunidade de formular discuss&otilde;es sobre outros pontos apresentados dentro da lei: tempo limite para cabeamento da &aacute;rea de concess&atilde;o das operadoras, ocupa&ccedil;&atilde;o dos outros canais (al&eacute;m do comunit&aacute;rio), fundo de apoio &agrave; programa&ccedil;&atilde;o, etc. O espa&ccedil;o de encontro que a implementa&ccedil;&atilde;o dos canais comunit&aacute;rios possibilita pode servir como articula&ccedil;&atilde;o para superar impasses econ&ocirc;micos e de programa&ccedil;&atilde;o, como tamb&eacute;m para formular novas perspectivas de legisla&ccedil;&atilde;o que levem a radicalizar a democratiza&ccedil;&atilde;o desses espa&ccedil;os.<\/p>\n<p>Al&eacute;m dessas contribui&ccedil;&otilde;es, os processos de comunica&ccedil;&atilde;o institucional passam pela constru&ccedil;&atilde;o de identidades comuns, que contemplem as contribui&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas das entidades participantes de cada canal. Dessa forma, o interesse em veicular produ&ccedil;&otilde;es das entidades sem fins lucrativos seria aliado da necessidade de compartilhar a&ccedil;&otilde;es, aproveitando a articula&ccedil;&atilde;o proporcionada pelos canais comunit&aacute;rios.<\/p>\n<p>A capacidade de refletir a defini&ccedil;&atilde;o das identidades, bem como suas afinidades e p&uacute;blicos comuns, n&atilde;o &eacute; devidamente estimulada no planejamento de ve&iacute;culos pr&oacute;prios, o que inviabiliza uma resposta mais elucidativa sobre o prop&oacute;sito de sua atua&ccedil;&atilde;o. Mostrar as possibilidades de utiliza&ccedil;&atilde;o dos ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;rios diante da configura&ccedil;&atilde;o do mercado (na condi&ccedil;&atilde;o de atividade-fim) e principalmente estimular a produ&ccedil;&atilde;o por parte das comunidades -at&eacute; mesmo gerando iniciativas pr&oacute;prias, como as TVs Comunit&aacute;rias dos anos 80 -se tornam necessidades cada vez maiores, na medida em que o cen&aacute;rio de uma sociedade produtiva vem se tornando uma nova realidade, independente das restri&ccedil;&otilde;es legais ao desenvolvimento dos espa&ccedil;os de car&aacute;ter comunit&aacute;rio. Tais iniciativas servem para aquecer e impulsionar a sociedade civil no &acirc;mbito das iniciativas j&aacute; existentes, servindo como experi&ecirc;ncias para o dimensionamento de outras novas tecnologias, como a TV Digital ou as m&iacute;dias digitais transmitidas pela Internet.<\/p>\n<p>Alguns conceitos aplicados para o debate p&uacute;blico<\/p>\n<p>Uma das situa&ccedil;&otilde;es mais cr&iacute;ticas para o movimento de comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; o pleito eleitoral. O governo de Luiz In&aacute;cio Lula da Silva contou com apoio de amplos setores do movimento acolhendo, em seu discurso de 2002, partes inteiras de um programa redigido pelo FNDC &ndash; F&oacute;rum Nacional pela Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o, a partir de suas entidades constitutivas, capitaneada pela Federa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Jornalistas (FENAJ). J&aacute; em 2006, um coletivo de pessoas ligadas ao Governo Lula e a organiza&ccedil;&otilde;es do movimento pela democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o lan&ccedil;a um cap&iacute;tulo de comunica&ccedil;&atilde;o incorporado ao Programa da Campanha de reelei&ccedil;&atilde;o do Presidente Lula, trazendo itens n&atilde;o acionados no primeiro mandato e renovando a promessa de uma comunica&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica acionada pelo aparelho de Estado.<\/p>\n<p>Traduzindo para linguagem corrente, algumas ferramentas de an&aacute;lise e estrat&eacute;gia podem ser incorporadas como parte de uma forma&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica para os militantes das bases do movimento pela democracia da comunica&ccedil;&atilde;o, em especial dos ativistas de r&aacute;dios comunit&aacute;rias. A meta &eacute; pautar uma atua&ccedil;&atilde;o que tenha em vista a amplia&ccedil;&atilde;o dos direitos e realiza&ccedil;&otilde;es da democracia participativa, direta e deliberativa. Isto &eacute;, justo o oposto do regime de mando indireto, delegativo e de hiato de representa&ccedil;&atilde;o em que vivemos.<\/p>\n<p>Assim, cabe elencar algumas frentes de atua&ccedil;&atilde;o como elementos de discurso a pautar pessoas, grupos e organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil na rela&ccedil;&atilde;o com os novos parlamentares eleitos e as conversa&ccedil;&otilde;es de governo: -concess&otilde;es p&uacute;blicas: os servi&ccedil;os s&atilde;o concedidos pelo p&uacute;blico atrav&eacute;s do Estado. Outorgamos ao Estado a sua necess&aacute;ria regula&ccedil;&atilde;o e este nos tira o direito &agrave; liberdade de express&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o. Um dos piores exemplos s&atilde;o as pr&oacute;prias concess&otilde;es para canais de r&aacute;dio e TV. Podemos inverter essa l&oacute;gica criando Conselhos de Comunica&ccedil;&atilde;o Social e Comunit&aacute;ria (em v&aacute;rios n&iacute;veis: municipal, estadual e federal), com poder de delibera&ccedil;&atilde;o e com a devida press&atilde;o popular. Isto implica, enquanto movimento popular, em desconstruir a id&eacute;ia de que a Anatel e o MiniCom s&atilde;o leg&iacute;timos como reguladores; -pol&iacute;tica econ&ocirc;mica: as fontes de receita e administra&ccedil;&atilde;o do Estado, a carga tribut&aacute;ria, a aplica&ccedil;&atilde;o do or&ccedil;amento &ndash; como &eacute; o caso da muito aplicada e pouco discutida DRU, a Desvincula&ccedil;&atilde;o dos Recursos da Uni&atilde;o &ndash; contingenciando verbas e canalizando-as para o esgoto da ciranda financeira. Dentro deste contingenciamento est&atilde;o as verbas do Fundo de Universaliza&ccedil;&atilde;o dos Servi&ccedil;os de Telecomunica&ccedil;&atilde;o (Fust) e do Fundo para Desenvolvimento Tecnol&oacute;gico das Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Funtell), recursos que deveriam\/poderiam ser usados pelas emissoras de difus&atilde;o<\/p>\n<p>comunit&aacute;ria, mas nunca chegam. A luta pelo descontingenciamento e o devido uso dos fundos de acordo com as entidades de luta popular &eacute; uma pauta real e necess&aacute;ria; -economia pol&iacute;tica: os modelos de servi&ccedil;os e neg&oacute;cios aplicados &aacute;rea por &aacute;rea e suas necess&aacute;rias cadeias produtivas; tal &eacute; a situa&ccedil;&atilde;o da cadeia de semicondutores e de microeletr&ocirc;nica, especificamente na urgente necessidade de fabrica&ccedil;&atilde;o de chips no Brasil. Isto implica em a&ccedil;&otilde;es simult&acirc;neas imediatas. Uma delas &eacute; a cria&ccedil;&atilde;o de centros de<\/p>\n<p>produ&ccedil;&atilde;o de ponta, como o Ceitec\/RS cujo montante &eacute; irris&oacute;rio para as verbas de governo (R$ 160 milh&otilde;es para instala&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica). Outra &eacute; a defesa do parque produtivo de Santa Rita do Sapuca&iacute;, MG, e os postos de trabalho da cadeia da eletr&ocirc;nica. E, por fim, alterar o modelo de neg&oacute;cios com verbas publicit&aacute;rias p&uacute;blicas, financiando o monop&oacute;lio e outras verbas, tamb&eacute;m p&uacute;blicas, financiando a expans&atilde;o das teles; -pol&iacute;ticas p&uacute;blicas: as a&ccedil;&otilde;es de governo para atender demandas da sociedade, universalizando o acesso a bens, servi&ccedil;os e oportunidades atrav&eacute;s de pesado investimento p&uacute;blico; este &eacute; o caso emergencial da inclus&atilde;o digital e do acesso a conte&uacute;do e produ&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o. Isto implicaria em duas a&ccedil;&otilde;es reivindicat&oacute;rias simult&acirc;neas. Uma &eacute; o destino de 10% dos gastos com publicidade estatal para as emissoras comunit&aacute;rias de r&aacute;dio e TV (aberta e cabeada).<\/p>\n<p>Obviamente que a luta contra a repress&atilde;o deve acompanhar o destino de verbas p&uacute;blicas. A outra &eacute; a inclus&atilde;o digital, tanto atrav&eacute;s de pontos de acesso p&uacute;blico, como pelo subs&iacute;dio &agrave;s empresas para facilitar a aquisi&ccedil;&atilde;o de computadores pela popula&ccedil;&atilde;o; -infra-estruturas necess&aacute;rias: com a converg&ecirc;ncia digital dos meios, o pa&iacute;s vai demandar uma amplia&ccedil;&atilde;o de rede e suporte. Obviamente que as teles, cada vez mais organizadas a partir de fus&otilde;es e tamb&eacute;m querendo gerar conte&uacute;do, est&atilde;o tentando entrar na fatia de mercado de Internet sem fio. Esta ser&aacute; a sa&iacute;da para amplia&ccedil;&atilde;o da rede no Brasil e aumento do acesso p&uacute;blico. Duas propostas confluem. Uma &eacute; a aplica&ccedil;&atilde;o universal das antenas para internet Wi-fi (sem fio, via r&aacute;dio), com raio de <st1:metricconverter w:st=\"on\" productid=\"100 km\">100 km<\/st1:metricconverter>. A outra, &eacute; o projeto da Rits de Redes Comunit&aacute;rias de Internet sem fio. Os fundos do Fust e Funtel podem ser aplicados, e com as despesas por unidade familiar, sairiam hoje aos custos m&eacute;dios de R$ 15,00 por lar. Ou seja, metade da tarifa b&aacute;sica de qualquer operadora.<\/p>\n<p>Estes cinco conceitos e as respectivas informa&ccedil;&otilde;es correspondentes para sua execu&ccedil;&atilde;o no mundo real deveriam ser pauta da disputa. Este debate, assim como a matriz energ&eacute;tica a ser aplicada em nosso desenvolvimento, a pol&iacute;tica externa do Brasil, o modelo agr&iacute;cola e fundi&aacute;rio, dentre outros, seria informa&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica para a maioria dos pa&iacute;ses. No caso do movimento pela democracia da comunica&ccedil;&atilde;o, se somados alguns conceitos operacionais &agrave; pauta reivindicat&oacute;ria mais imediata, tem-se o surgimento de um projeto pol&iacute;tico para todo um setor, transversal ao movimento popular e &agrave; luta de classes no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>O empoderamento passa pela capacidade de decidir nosso pr&oacute;prio destino, como classe e povo. Assim, para al&eacute;m das poucas vari&aacute;veis de um destino pr&eacute;-tra&ccedil;ado pela disputa eleitoral, o conflito antag&ocirc;nico n&atilde;o se d&aacute; entre candidatos, mas entre for&ccedil;as sociais organizadas e as propostas de fundo estrat&eacute;gico para o pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Eula Dantas Taveira Cabral &eacute; Doutora e Mestre <st1:personname w:st=\"on\" productid=\"em Comunica&ccedil;&atilde;o Social\">em Comunica&ccedil;&atilde;o Social<\/st1:personname> pela Universidade Metodista de S&atilde;o Paulo (UMESP), professora e pesquisadora universit&aacute;ria, jornalista e editora do Informativo Eletr&ocirc;nico SETE PONTOS (www.comunicacao.pro.br\/setepontos). Email: euladtc@comunicacao.pro.br.<\/p>\n<p>Adilson Vaz Cabral Filho &eacute; Doutor e Mestre em Comunica&ccedil;&atilde;o pela UMESP e graduado <st1:personname w:st=\"on\" productid=\"em Comunica&ccedil;&atilde;o Social\">em Comunica&ccedil;&atilde;o Social<\/st1:personname> pela UFF, (habilita&ccedil;&atilde;o Publicidade e Propaganda), Professor do Curso de Comunica&ccedil;&atilde;o da UFF, coordenador do EMERGE (Centro de Pesquisa e Produ&ccedil;&atilde;o em Comunica&ccedil;&atilde;o e Emerg&ecirc;ncia) e do Informativo Eletr&ocirc;nico SETE PONTOS. Email: acabral@comunicacao.pro.br.<\/p>\n<p>Bruno Lima Rocha &eacute; doutorando e Mestre <st1:personname w:st=\"on\" productid=\"em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica\">em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica<\/st1:personname> pela UFRGS, graduado <st1:personname w:st=\"on\" productid=\"em Comunica&ccedil;&atilde;o Social\">em Comunica&ccedil;&atilde;o Social<\/st1:personname> pela UFRJ (habilita&ccedil;&atilde;o Jornalismo), Coordenador do portal Estrat&eacute;gia e An&aacute;lise (www.estrategiaeanalise.com.br) e pesquisador do EMERGE. Email: blimarocha@via-rs.net.<\/p>\n<p>Refer&ecirc;ncias:<\/p>\n<p>BAYMA, Israel. Dados sobre a concentra&ccedil;&atilde;o da propriedade de meios de<\/p>\n<p>comunica&ccedil;&atilde;o e o coronelismo eletr&ocirc;nico no Brasil. Bras&iacute;lia: Assessoria<\/p>\n<p>T&eacute;cnica da Lideran&ccedil;a do PT na C&acirc;mara dos Deputados, 2001 (mimeo).<\/p>\n<p>BRASIL. Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Federativa do Brasil. S&atilde;o Paulo:<\/p>\n<p>Saraiva, 1988.<\/p>\n<p>CABRAL, E. A regionaliza&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia brasileira. Unirevista, S&atilde;o<\/p>\n<p>Leopoldo, v.1, n. 3, p. 1-10, jul. 2006.<\/p>\n<p>CAPARELLI, S.; LIMA, V. A. Comunica&ccedil;&atilde;o e televis&atilde;o: desafios da p&oacute;sglobaliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>S&atilde;o Paulo: Hacker, 2004.<\/p>\n<p>GRUPO DE M&Iacute;DIA. M&iacute;dia dados, 2004. Dispon&iacute;vel em:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>12\/03\/2007.<\/p>\n<p>LOBATO, E. Raio X das telecomunica&ccedil;&otilde;es: oito grupos dominam as TVs<\/p>\n<p>no Brasil. Comunica&ccedil;&atilde;o e Educa&ccedil;&atilde;o, S&atilde;o Paulo, ano 1, n. 3, p. 36-42,<\/p>\n<p>mai.-ago. 1995.<\/p>\n<p>MATTOS, L. Donos de TV atuam em comiss&atilde;o na C&acirc;mara. 21 abr. 2003.<\/p>\n<p>Dispon&iacute;vel em:<\/p>\n<p>msg00049.html&gt; Acesso em 13 jul. 2007.<\/p>\n<p>MEIO &amp; MENSAGEM. ANU&Aacute;RIO DE M&Iacute;DIA 98\/99&ndash;<\/p>\n<p>Norte\/Nordeste\/Centro-Oeste. 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Disserta&ccedil;&atilde;o (Mestrado <st1:personname w:st=\"on\" productid=\"em Comunica&ccedil;&atilde;o Social\">em Comunica&ccedil;&atilde;o Social<\/st1:personname>),<\/p>\n<p>Escola de Comunica&ccedil;&atilde;o e Artes, Universidade de S&atilde;o Paulo, [1996].<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tv digital brasileira: decis\u00e3o privada Foto: Este artigo analisa o estado atual da m&iacute;dia brasileira em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; influ&ecirc;ncia das empresas que constituem os meios de Comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil e a participa&ccedil;&atilde;o dos movimentos pela democratiza&ccedil;&atilde;o do setor, buscando contribuir para o debate te&oacute;rico e de perspectivas para uma melhor atua&ccedil;&atilde;o por parte dos ativistas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-91","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/91","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=91"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/91\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10988,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/91\/revisions\/10988"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=91"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=91"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=91"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}