{"id":910,"date":"2009-01-15T17:35:25","date_gmt":"2009-01-15T17:35:25","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=910"},"modified":"2009-01-15T17:35:25","modified_gmt":"2009-01-15T17:35:25","slug":"manifesto-de-frei-caneca-1824","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=910","title":{"rendered":"Manifesto de Frei Caneca (1824)"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/frei_pagina15_01_2009.jpg\" title=\"Fuzilado por suas id\u00e9ias, Frei Caneca deixou seu exemplo em atos, palavras, a\u00e7\u00f5es, escritos, opera\u00e7\u00f5es militares e articula\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.  - Foto:\" alt=\"Fuzilado por suas id\u00e9ias, Frei Caneca deixou seu exemplo em atos, palavras, a\u00e7\u00f5es, escritos, opera\u00e7\u00f5es militares e articula\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.  - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Fuzilado por suas id\u00e9ias, Frei Caneca deixou seu exemplo em atos, palavras, a\u00e7\u00f5es, escritos, opera\u00e7\u00f5es militares e articula\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p>O texto abaixo &eacute; um tratado pol&iacute;tico do pernambucano, garoto de origem humilde que vendia canecas nas ruas de Recife, ele pr&oacute;prio carmelita descal&ccedil;o e militante liberal radical. Participou ativamente da rebeli&atilde;o de 1817 e do levante revolucion&aacute;rio de 1821 a 1824. Foi capit&atilde;o de guerrilhas, secret&aacute;rio do governo revolucion&aacute;rio e jornalista-articulista pol&iacute;tico. Frei Caneca condensava o pensamento pol&iacute;tico mais radical de sua prov&iacute;ncia de Pernambuco, e o fazia em palavras e atos. Homem pouco conhecido foi o anti-maqui&aacute;vel do nordeste, operando contra as maquina&ccedil;&otilde;es dos Andrada e Silva e seus aliados da Corte portuguesa.<\/p>\n<p>por Frei Caneca<\/p>\n<p>Reuni&atilde;o popular no Recife para deliberar-se sobre o juramento do Projeto de Constitui&ccedil;&atilde;o (retirado do site dhnet.org.br) <\/p>\n<p>Algumas pessoas de patriotismo fogoso, sabendo ou conjeturando com bons fundamentos, que a C&acirc;mara Municipal da Cidade do Recife se dispunha a jurar e fazer jurar o Projeto de Constitui&ccedil;&atilde;o, que o Imperador impunha, reuniram-se na Casa da mesma C&acirc;mara; e esta ausente, a declaram deposta, e elegeram outra; tudo isto, se ilegalmente feito, o fizeram todavia sem o menor barulho, e em serena tranq&uuml;ilidade. <\/p>\n<p>Dissemos se ilegalmente feita; mas no estado que desorganiza&ccedil;&atilde;o social, em que nos ach&aacute;vamos, pela dissolu&ccedil;&atilde;o da Assembl&eacute;ia Constituinte, suposto o diverso modo de confeccionar-se a Constitui&ccedil;&atilde;o Pol&iacute;tica do Brasil, modo novo e avesso do que t&iacute;nhamos proclamado e jurado, e conosco o Imperador, novidade e mudan&ccedil;a a que n&atilde;o ader&iacute;amos; que havia a&iacute; de rigorosamente ilegal, naquelas deposi&ccedil;&atilde;o e elei&ccedil;&atilde;o? Em t&atilde;o extraordin&aacute;rias circunst&acirc;ncias toda a aplica&ccedil;&atilde;o e cuidado, todo o zelo e afago dos esp&iacute;ritos exaltados e at&ocirc;nitos dirigiam-se a procurar e manter o bem e dignidade nacional, a vigiar e defender a nossa honra, intelig&ecirc;ncia e direitos, &agrave; salva&ccedil;&atilde;o da p&aacute;tria, podemos diz&ecirc;-lo. <\/p>\n<p>Havia boa-f&eacute;, e a melhor inten&ccedil;&atilde;o. Nem se pode fugir de reconhecer, que posto a salva&ccedil;&atilde;o da P&aacute;tria seja as mais das vezes um pretexto para o despotismo ou a anarquia, n&atilde;o deixa algumas vezes o emprego dessa suprema lei de ser um verdadeiro e saud&aacute;vel recurso para a boa conserva&ccedil;&atilde;o e liberdade social. <\/p>\n<p>Mas a quem se deve imputar, em &uacute;ltima an&aacute;lise, tais ilegalidades, se de qualificarmos assim aquelas deposi&ccedil;&atilde;o e elei&ccedil;&atilde;o n&atilde;o cabe desdizer-nos? <\/p>\n<p>A nova c&acirc;mara por editais, que repetidos f&ecirc;z afixar, e por inumer&aacute;veis cartas, que dirigiu a todas as autoridades, empregados p&uacute;blicos de todas as classes, propriet&aacute;rios e pessoas not&aacute;veis do seu distrito, convidou-os a comparecer no dia, que marcou, na casa da mesma c&acirc;mara, para ai livremente darem o seu voto sobre a execu&ccedil;&atilde;o do decreto, que mandava jurar o projeto de constitui&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, que oferecera o imperador; pois que este magno assunto pertencia a todos resolver, e n&atilde;o a ela s&oacute;, e menos impor com o seu voto e conduta aos cidad&atilde;os do seu munic&iacute;pio. Muitos dos convidados por cartas deixaram de comparecer no dia aprazado, e pelos que compareceram foi o neg&oacute;cio discutido, e afinal venceu-se, que se n&atilde;o devia receber nem jurar o projeto; primeiro por ser iliberal, contr&aacute;rio &agrave; liberdade, independ&ecirc;ncia e direitos do Brasil, e apresentado por quem n&atilde;o tem poder para o dar; e segundo por envolver o seu juramento perj&uacute;rio ao juramento c&iacute;vico, em que se prometeu reconhecer e obedecer &agrave; assembl&eacute;ia constituinte e legislativa. <\/p>\n<p>Frei Joaquim do Amor Divino Caneca leu o seu voto, e este impresso correu pelas m&atilde;os de todos; ei-lo aqui: &quot;Senhor presidente, tendo eu recebido a honra de ser convidado por V. Ex.&ordf; para, como membro do corpo liter&aacute;rio desta cidade, dar o meu voto sobre a mat&eacute;ria do decreto de S.M.I. e C. de 11 de mar&ccedil;o deste presente ano, pelo qual o dito senhor manda jurar, como constitui&ccedil;&atilde;o do imp&eacute;rio do Brasil, o projeto feito pelo minist&eacute;rio e conselho de estado, apareci neste lugar, n&atilde;o s&oacute; para provar a V. Ex.&ordf; quanto prezei o seu convite, mas tamb&eacute;m para fazer ver aos meus honrados compatriotas, que me n&atilde;o poupo a cooperar com eles para o bem e felicidade da P&aacute;tria, quanto permitem minha fraqueza e meu estado; e n&atilde;o tenho, nem passar por or&aacute;culo em uma assembl&eacute;ia que compreende tantas pessoas acima de mim em princ&iacute;pios luminosos e sentimentos liberais. Portanto, me abalan&ccedil;o a manifestar as minhas curtas e mesquinhas id&eacute;ias na esperan&ccedil;a de que dos s&aacute;bios merecerei corre&ccedil;&atilde;o, e dos que n&atilde;o se acham nesta linha, desculpa e docilidade; digo pois; que n&atilde;o se deve adotar, nem jurar como constitui&ccedil;&atilde;o do imp&eacute;rio o projeto oferecido para este fim. <\/p>\n<p>A certeza, em que estou, de falar entre cidad&atilde;os livres, patriotas e coro&aacute;veis da verdade, &eacute; o sustent&aacute;culo da liberdade e fraqueza, com que avan&ccedil;o esta proposi&ccedil;&atilde;o, que por mais escabrosa que pare&ccedil;a aos &acirc;nimos prejudicados, e id&oacute;latras fan&aacute;ticos de antigos preju&iacute;zos, se far&aacute; aceit&aacute;vel, se me n&atilde;o engano, pelas raz&otilde;es, que desenvolverei; e &eacute; a quanto aspiro. <\/p>\n<p>Parecia-me, que seria &uacute;til, para melhor estabelecer o meu voto, fazer aqui uma ligeira exposi&ccedil;&atilde;o das vicissitudes e mudan&ccedil;as pol&iacute;ticas, por que h&aacute; passado a nossa P&aacute;tria, o Brasil, desde que S. M. I. se dignou ficar conosco at&eacute; agora; mas respeit&aacute;veis senhores, lembrando-me que talvez a julg&aacute;sseis sup&eacute;rflua, por estardes ao fato de tudo, a deixei de m&atilde;o e passo logo a tratar da mat&eacute;ria. Falarei primeiramente da qualidade do presente projeto, quanto posso alcan&ccedil;ar, para ao depois examinar, se se deve ou n&atilde;o adotar. <\/p>\n<p>Uma constitui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; outra coisa, que a ata do pacto social, que fazem entre si os homens, quando se ajuntam e associam para viver em reuni&atilde;o ou sociedade. Esta ata, portanto, deve conter a mat&eacute;ria, sobre que se pactuou, apresentando as rela&ccedil;&otilde;es, em que ficam os que governam, e os governados, pois que sem governo n&atilde;o pode existir sociedade. Estas rela&ccedil;&otilde;es, a que se d&atilde;o os nomes de direitos e deveres, devem ser tais, que defendam e sustentem a vida dos cidad&atilde;os, a sua liberdade, a sua propriedade, e dirijam todos os neg&oacute;cios sociais &agrave; conserva&ccedil;&atilde;o, bem-estar e vida c&ocirc;moda dos s&oacute;cios, segundo as circunst&acirc;ncias de seu car&aacute;ter, seus costumes, usos e qualidade do seu territ&oacute;rio etc. Projeto de constitui&ccedil;&atilde;o &eacute; o rascunho desta ata, que ainda se h&aacute; de tirar a limpo, ou apontamentos das mat&eacute;rias que h&atilde;o de ser ventiladas no pacto; ou, usando de uma met&aacute;fora, &eacute; o esbo&ccedil;o na pintura, isto &eacute;, a primeira delinea&ccedil;&atilde;o, nem perfilada, nem acabada. Portanto, o projeto oferecido por S. M. nada mais &eacute; do que o apontamento das mat&eacute;rias, sobre que S. M. vai a contratar conosco. Vejamos, portanto, se a mat&eacute;ria ai lembrada, suas divis&otilde;es e as rela&ccedil;&otilde;es destas s&atilde;o compat&iacute;veis com as nossas circunst&acirc;ncias de independ&ecirc;ncia, liberdade, integridade do nosso territ&oacute;rio, melhoramento moral e f&iacute;sico, e segura felicidade. <\/p>\n<p>Sendo a nossa primeira e principal quest&atilde;o, em que temos empenhado nossos esfor&ccedil;os, brio e honra, a emancipa&ccedil;&atilde;o e independ&ecirc;ncia de Portugal, esta n&atilde;o se acha garantida no projeto com aquela determina&ccedil;&atilde;o e dignidade necess&aacute;ria; porque primeiro no projeto n&atilde;o se determina positiva e exclusivamente o territ&oacute;rio do imp&eacute;rio, como &eacute; de raz&atilde;o, e o tem feito sabiamente as constitui&ccedil;&otilde;es mais bem formadas da Europa e Am&eacute;rica; e com isto se deixa uma fisga, para se aspirar &agrave; uni&atilde;o com Portugal; o que n&atilde;o s&oacute; trabalham por conseguir os d&eacute;spotas da santa alian&ccedil;a e o rei de Portugal, como o manifestam os peri&oacute;dicos mais apreci&aacute;veis da mesma Europa e as negocia&ccedil;&otilde;es do minist&eacute;rio portugu&ecirc;s com o do Rio de Janeiro e correspond&ecirc;ncia daquele rei com o nosso imperador, com o que S. M. tem dado fortes ind&iacute;cios de estar deste acordo, n&atilde;o s&oacute; pela dissolu&ccedil;&atilde;o arbitr&aacute;ria e desp&oacute;tica da soberana assembl&eacute;ia constituinte, e proibi&ccedil;&atilde;o da outra que nos havia prometido, mas tamb&eacute;m, al&eacute;m de outras muitas coisas, porque se retirou da capital do Imp&eacute;rio para n&atilde;o solenizar o dia 3 de maio, anivers&aacute;rio da instala&ccedil;&atilde;o da assembl&eacute;ia, que por decreto era dia de grande gala; e no dia 13, dia dos anos do rei de Portugal, S. M. deu beija-m&atilde;o no pa&ccedil;o e foi &agrave; Ilha das Enxadas, onde se achavam as tropas de Portugal, vindas de Montevid&eacute;u, estando arvorada com o maior esc&acirc;ndalo a bandeira portuguesa; segundo porquanto ainda que no primeiro artigo se diga, que a Na&ccedil;&atilde;o brasileira n&atilde;o admite com outra qualquer la&ccedil;o algum de uni&atilde;o ou federa&ccedil;&atilde;o, que se oponha a sua independ&ecirc;ncia, contudo esta express&atilde;o &eacute; para iludir-nos; pois que o executivo, pela sua oitava atribui&ccedil;&atilde;o (art. 102) pode ceder ou trocar o territ&oacute;rio do imp&eacute;rio ou de possess&otilde;es, a que o imp&eacute;rio tenha direito, e isto independentemente da assembl&eacute;ia geral; terceiro porque jurando o Imperador a integridade e indivisibilidade do imp&eacute;rio, n&atilde;o jura a sua independ&ecirc;ncia. <\/p>\n<p>Ao depois &eacute; este Juramento contradit&oacute;rio com esta oitava atribui&ccedil;&atilde;o, porque se S. M. jura a indivisibilidade do Imp&eacute;rio, como pode ceder ou trocar o seu territ&oacute;rio? S&oacute; se isto se deve entender de ceder o territ&oacute;rio do Imp&eacute;rio todo por inteiro e passar-nos ent&atilde;o a todos, com suas fam&iacute;lias e haveres, ou para os desertos da Tartaria, ou para os da &Aacute;frica, ou afinal l&aacute; para os Botocudos, entregando as nossas cidades e vilas ao que com ele contratar. <\/p>\n<p>O art. 2.&ordm; n&atilde;o pode ser mais prejudicial &agrave; liberdade pol&iacute;tica do Brasil; porque permitindo que as prov&iacute;ncias atuais sofram novas subdivis&otilde;es, as reduz a um imp&eacute;rio da China, como j&aacute; se lembrou e conheceu igual maquiavelismo no projeto dos Andradas o Deputado Barata; enfraquece as prov&iacute;ncias, introduzindo rivalidades, aumentando os interesses dos ambiciosos para melhor poder subjug&aacute;-las umas por outras; e esta desuni&atilde;o tanto mais se manifesta pelo art. 83, em que se pro&iacute;be aos conselhos provinciais de poderem propor e deliberar sobre projetos de quaisquer ajustes de umas para as outras prov&iacute;ncias, o que nada menos &eacute;, que estabelecer a desliga&ccedil;&atilde;o das prov&iacute;ncias entre si, e faz&ecirc;-las todas dependentes do governo executivo, e reduzir a mesma na&ccedil;&atilde;o a diversas bordas de povos desligados e indiferentes entre si, para melhor poder em &uacute;ltima an&aacute;lise estabelecer-se o despotismo asi&aacute;tico. <\/p>\n<p>O poder moderador de nova inven&ccedil;&atilde;o maquiav&eacute;lica &eacute; a chave mestra da opress&atilde;o da na&ccedil;&atilde;o brasileira e o garrote mais forte da liberdade dos povos. Por ele o imperador pode dissolver a c&acirc;mara dos deputados, que &eacute; a representante do povo, ficando sempre no gozo dos seus direitos o senado, que &eacute; a representante dos apaniguados do imperador. Esta monstruosa desigualdade das duas c&acirc;maras, al&eacute;m de se opor de frente ao sistema constitucional, que se deve chegar o mais poss&iacute;vel &agrave; igualdade civil, d&aacute; ao imperador, que j&aacute; tem de sua parte o senado, o poder de mudar a seu bel prazer os deputados, que ele entender, que se op&otilde;em a seus interesses pessoais, e fazer escolher outros de sua fac&ccedil;&atilde;o, ficando o povo indefeso nos atentados do imperador contra seus direitos, e realmente, escravos, debaixo por&eacute;m das formas da lei, que &eacute; o c&uacute;mulo da desgra&ccedil;a como tudo agora est&aacute; sucedendo na Fran&ccedil;a, cujo rei em dezembro passado dissolveu a c&acirc;mara dos deputados, e mandando-se eleger outros, foram ordens do minist&eacute;rio para os departamentos a fim de que os prefeitos fizessem eleger tais e tais pessoas para deputados, declarando-se-lhes logo, que quando o governo empregava a qualquer, era na esperan&ccedil;a de que este marchar&aacute; por onde lhe mostrassem a estrada. Demais, eu n&atilde;o posso conceber como &eacute; poss&iacute;vel, que a c&acirc;mara dos deputados possa dar motivos para ser dissolvida, sem jamais poder d&aacute;-los a dos senadores. A qualidade de ser a dos deputados tempor&aacute;ria, e vital&iacute;cia a dos senadores, n&atilde;o s&oacute; &eacute; uma desigualdade, que se refunde toda em aumentar os interesses do imperador, como &eacute; o meio de criar no Brasil, que felizmente n&atilde;o a tem, a classe da nobreza opressora dos povos; a qual s&oacute; se tem atendido naqueles povos, que foram constitu&iacute;dos depois de j&aacute; terem entre si seus duques, seus condes, seus marqueses etc. E este &eacute; o mesmo fim da atribui&ccedil;&atilde;o und&eacute;cima do poder executivo, que na minha opini&atilde;o &eacute; o bra&ccedil;o esquerdo do despotismo, sendo o direito o minist&eacute;rio organizado da maneira que se v&ecirc; no projeto. <\/p>\n<p>Podem os ministros de estado propor leis, (art. 53) assistir a sua discuss&atilde;o, votar sendo senadores e deputados (art. 54). Qual ser&aacute; a coisa, portanto, que deixar&atilde;o eles de conseguir na assembl&eacute;ia geral? Podem ser senadores e deputados, (art. 30) exercitando ambos os empregos de senadores e ministros; e o mesmo se diz dos conselheiros, (art. 32) ao mesmo tempo que o deputado, sendo escolhido para ministro, n&atilde;o pode conservar um outro emprego; isto al&eacute;m de ser um estatuto sem o equil&iacute;brio, que deve de haver entre os mandados e o mandante, &eacute; um absurdo em pol&iacute;tica, que aqueles que fazem ou influem na fatura das leis sejam os mesmos que as executem; e n&atilde;o se pode apresentar uma prova mais aut&ecirc;ntica da falta de liberdade do projeto, do que esta. &Eacute; por este motivo, que diz o s&aacute;bio cardeal Maury, que: &quot;Todo o cidad&atilde;o que sabe calcular as conseq&uuml;&ecirc;ncias dos princ&iacute;pios pol&iacute;ticos, deve abjurar uma p&aacute;tria em que aqueles que fazem as leis, s&atilde;o magistrados, e onde os representantes do povo que t&ecirc;m fixado a legisla&ccedil;&atilde;o, pretendem influir na administra&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a.&quot; <\/p>\n<p>A suspens&atilde;o da san&ccedil;&atilde;o imperial a qualquer lei formada pela assembl&eacute;ia geral por duas legislaturas (art. 65) &eacute; inteiramente ruinosa &agrave; felicidade da na&ccedil;&atilde;o, que pode muito bem depender de uma lei, que n&atilde;o deva admitir uma dila&ccedil;&atilde;o pelo menos de oito anos, muito principalmente quando vemos, que para a lei como sancionada, pela dila&ccedil;&atilde;o do tempo, &eacute; indispensavelmente necess&aacute;rio que as duas legislaturas seguintes insistam a eito sobre a mesma lei (art. 65). <\/p>\n<p>A oitava atribui&ccedil;&atilde;o do poder executivo, que &eacute; de fazer tratados de alian&ccedil;a defensiva e ofensiva, levando-os depois de conclu&iacute;dos ao conhecimento da assembl&eacute;ia geral, &eacute; de muito perigo para a na&ccedil;&atilde;o, pois que ela n&atilde;o interfere com o seu conhecimento e consentimento em neg&oacute;cio que tanta import&acirc;ncia, muito principalmente quando se v&ecirc;, que o mesmo executivo julga necess&aacute;ria a aprova&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via da assembl&eacute;ia geral para execu&ccedil;&atilde;o dos breves, letras pontif&iacute;cias, decretos e conc&iacute;lios, quando envolverem disposi&ccedil;&atilde;o geral (art. 14). <\/p>\n<p>A atribui&ccedil;&atilde;o privativa do executivo de empregar, como bem lhe parecer conveniente &agrave; seguran&ccedil;a e defesa do imp&eacute;rio, a for&ccedil;a armada de mar e terra (art. 148), &eacute; a coroa do despotismo e a fonte caudal da opress&atilde;o da na&ccedil;&atilde;o, e o meio de que se valeram todos os d&eacute;spotas para escravizar a &Aacute;sia e Europa, como nos conta a hist&oacute;ria antiga e moderna. <\/p>\n<p>Pelos arts. 55, 56, 57, 58 e 59, a c&acirc;mara doa deputados est&aacute; quase escrava da dos senadores, e o rem&eacute;dio que se aplica, no caso de disc&oacute;rdia, me parece paliativo, obscuro e impratic&aacute;vel. <\/p>\n<p>Os conselhos das prov&iacute;ncias s&atilde;o uns meros fantasmas para iludir os povos; porque devendo levar suas decis&otilde;es &agrave; assembl&eacute;ia geral e ao executivo conjuntamente, isto bem nenhum pode produzir &agrave;s prov&iacute;ncias; pois que o arranjo, atribui&ccedil;&otilde;es e manejo da assembl&eacute;ia geral faz tudo em &uacute;ltimo resultado depender da vontade e arb&iacute;trio do Imperador que arteiramente avoca tudo a si, e de tudo disp&otilde;e a seu contento e pode oprimir a na&ccedil;&atilde;o do modo mais prejudicial, debaixo da forma da lei. Depois, tira-se aos conselhos o poder de projetar sobre a execu&ccedil;&atilde;o das leis, atribuindo esta, que parece de suma necessidade ao conselho; pois que este mais que nenhum outro, deve de estar ao fato das circunst&acirc;ncias do tempo, lugar, etc., da sua prov&iacute;ncia, conhecimentos indispens&aacute;veis para a c&ocirc;moda e frutuosa aplica&ccedil;&atilde;o das leis. <\/p>\n<p>Estas s&atilde;o as coisas maiores, que minha fraqueza pode descobrir no projeto em quest&atilde;o, e que eu julgo de sumo perigo para a independ&ecirc;ncia do imp&eacute;rio, sua integridade, sustenta&ccedil;&atilde;o da liberdade dos povos e conserva&ccedil;&atilde;o sagrada da sua propriedade; e estas mesmas coisas as expus sumariamente, ou levemente tocadas, por n&atilde;o admitir a presente confer&ecirc;ncia discursos extensos. Talvez eu nestas mesmas me engane, e n&atilde;o tenha id&eacute;ias exatas, nem saiba combin&aacute;-las e conceder-lhes a necess&aacute;ria rela&ccedil;&atilde;o, que h&aacute; entre si, por cujo motivo me pare&ccedil;a mau, opressor e contradit&oacute;rio o projeto; mas no entanto &eacute; o que por ora entendo, e sendo chamado para dar o meu voto, hei de votar n&atilde;o pelas id&eacute;ias que os outros t&ecirc;m, sim pelas minhas; portanto digo, que pelo que &eacute; em si esta pe&ccedil;a de pol&iacute;tica, estes rascunhos de constitui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se deve admitir. <\/p>\n<p>Agora direi o mesmo por outro princ&iacute;pio, a saber, pela fonte de que manou. &Eacute; princ&iacute;pio conhecido pelas luzes do presente s&eacute;culo, e at&eacute; confessado por S. M., que a soberania, isto &eacute;, aquele poder, sobre o qual n&atilde;o h&aacute; outro, reside na na&ccedil;&atilde;o essencialmente; e deste princ&iacute;pio nasce como prim&aacute;ria conseq&uuml;&ecirc;ncia, que a mesma na&ccedil;&atilde;o &eacute; quem se constitui, isto &eacute;, quem escolhe a forma do governo, quem distribui esta suma autoridade nas partes, que bem lhe parece, e com as rela&ccedil;&otilde;es; que julga mais adequadas ao seu aumento, seguran&ccedil;a da sua liberdade pol&iacute;tica e sua felicidade; logo &eacute; sem quest&atilde;o, que a mesma na&ccedil;&atilde;o, ou pessoa de sua comiss&atilde;o, &eacute; quem deve esbo&ccedil;ar a sua constitui&ccedil;&atilde;o, purific&aacute;-la das imperfei&ccedil;&otilde;es e afinal constitu&iacute;-la; portanto como S. M. I. n&atilde;o &eacute; na&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o tem soberania, nem comiss&atilde;o da na&ccedil;&atilde;o brasileira para arranjar esbo&ccedil;os de constitui&ccedil;&atilde;o e apresent&aacute;-los, n&atilde;o vem este projeto de fonte leg&iacute;tima, e por isso se deve rejeitar por exce&ccedil;&atilde;o de incompet&ecirc;ncia. Muito principalmente quando vemos, que estava a representa&ccedil;&atilde;o nacional usando da sua soberania em constituir a na&ccedil;&atilde;o, e S. M. pelo mais extraordin&aacute;rio despotismo e de uma maneira a mais hostil dissolveu a soberana assembl&eacute;ia e se arrogou o direito de projetar constitui&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p>Reflito, que s&oacute; a a&ccedil;&atilde;o de escolher por si a mat&eacute;ria do pacto social, e d&aacute;-lo, como faz S. M., &eacute; um ato da soberania, que ele n&atilde;o tem. Isto &eacute; uma conseq&uuml;&ecirc;ncia imediata da soberania da na&ccedil;&atilde;o, como pode ocorrer a qualquer que pensar por alguns minutos neste neg&oacute;cio; mas se fossem precisos argumentos externos, al&eacute;m de outros muitos, que por abreviar eu calo, basta lembrar o autor das reflex&otilde;es contra os redatores do investigador Portugu&ecirc;s da Inglaterra, o qual prova forte e justamente, que as cortes de Lamego, e outras de Portugal nunca tiveram o poder legislativo, como as c&acirc;maras dos pares e comuns da Inglaterra, porque os reis de Portugal foram os que nas cortes propuseram a mat&eacute;ria das ordena&ccedil;&otilde;es e das leis. Em segundo lugar, que em S. M. n&atilde;o h&aacute; atribui&ccedil;&atilde;o alguma, donde se possa deduzir o poder de nos dar constitui&ccedil;&atilde;o e mand&aacute;-la jurar, porquanto o t&iacute;tulo de imperador, com que o Brasil extemporaneamente o condecorou, n&atilde;o foi mais que uma declara&ccedil;&atilde;o antecipada de que ele seria o chefe do poder executivo no sistema constitucional, que proclamamos, com um certo poder provis&oacute;rio, que se fazia indispens&aacute;vel para preparar a na&ccedil;&atilde;o para o efeito de se constituir como mesmo S. M. confessou no dia 3 de maio da abertura da assembl&eacute;ia soberana, o qual poder provis&oacute;rio cessou com a abertura da assembl&eacute;ia, e as atribui&ccedil;&otilde;es que ele teria, ainda haviam de ser declaradas pela mesma assembl&eacute;ia; &eacute; por isso que S. M a dissolveu: as suas atribui&ccedil;&otilde;es s&atilde;o tudo aquilo, que lhe adquirem as suas armas, e lhe cederem a fraqueza e medo dos povos. <\/p>\n<p>S. M. est&aacute; t&atilde;o persuadido, que a &uacute;nica atribui&ccedil;&atilde;o, que tem sobre os povos, &eacute; esta do poder da for&ccedil;a, a que chamam outros a &uacute;ltima raz&atilde;o dos estados, que nos manda jurar o projeto com um bloqueio &agrave; vista, fazendo-nos todas as hostilidades; por cujo motivo n&atilde;o se deve adotar nem jurar semelhante esbo&ccedil;o de constitui&ccedil;&atilde;o, pois o juramento para ligar em consci&ecirc;ncias, e produzir seu efeito, &eacute; indispensavelmente necess&aacute;rio ser dado em plena liberdade, e sem a menor coa&ccedil;&atilde;o; e ningu&eacute;m jamais obrou livremente obrigado da fome, e com bocas de fogo aos peitos. <\/p>\n<p>Ainda que, Ilustre senhores, para se estabelecer uma verdade, n&atilde;o se faca mister multid&atilde;o de provas, contudo h&aacute; ocasi&otilde;es, em que ela deve ser encarada por todos os lados, muito principalmente quando &eacute; de tanta monta como esta, e pode produzir conseq&uuml;&ecirc;ncias funest&iacute;ssimas; e al&eacute;m disto, correm impressos sedutores, que se esfor&ccedil;am em sustentar o erro, adornando-o com as galas emprestadas da verdade e da justi&ccedil;a. Portanto, ainda vos lembro, que este juramento vos conduziria a um horroroso perj&uacute;rio, que vos tornar&aacute; detest&aacute;veis &agrave; face dos homens. <\/p>\n<p>V&oacute;s, senhores, no dia 17 de outubro de 1822, na Igreja matriz do Sacramento, dissestes &#8211; N&oacute;s juramos perante Deus, seus sacerdotes e altares, ades&atilde;o &agrave; causa geral do Brasil, e seu sistema atual, debaixo dos ausp&iacute;cios do Sr. Pedro, pr&iacute;ncipe regente constitucional, e defensor perp&eacute;tuo do Brasil, a quem obedecemos; e assim juramos reconhecer e obedecer as cortes brasilianas constituintes e legislativas, e defender a nossa p&aacute;tria, liberdade e direitos ate vencer ou morrer.&quot; <\/p>\n<p>Como agora podereis jurar uma carta constitucional que n&atilde;o foi dada pela soberania da na&ccedil;&atilde;o, que vos degrada da sociedade de um povo livre e brioso para um valongo de escravos e curral de bestas de carga? Um projeto, que destr&oacute;i a vossa categoria no meio das na&ccedil;&otilde;es livres do orbe? Seria injusta a mat&eacute;ria do primeiro juramento para n&atilde;o vos ligar? Ou estareis agora loucos rematados? Ou haver&aacute; poder, que, dispensando-vos do primeiro juramento, possa de v&oacute;s exigir o segundo? Onde est&aacute; vossa moral, vossos costumes, vossa religi&atilde;o? Se tal desgra&ccedil;a sucedesse, como olhariam para n&oacute;s os outros povos nossos conterr&acirc;neos e externos? Quem querer&aacute; contratar com um povo t&atilde;o imoral e t&atilde;o sem respeito aos la&ccedil;os mais sagrados da sociedade, e t&atilde;o sem acatamento para a religi&atilde;o de que faz gl&oacute;ria? <\/p>\n<p>Tenho ouvido a algumas pessoas, que se pode jurar o projeto, &agrave; exce&ccedil;&atilde;o daqueles artigos, que ofendam os nossos interesses. Isto ou &eacute; uma velhacaria, para por este jeito manhoso nos lan&ccedil;arem os ferros do cativeiro; ou uma Ignor&acirc;ncia pueril, que merece compaix&atilde;o. Porque havendo-se demonstrada, que este artefato pol&iacute;tico &eacute; um sistema de opress&atilde;o; que os principais an&eacute;is desta cadeia, s&atilde;o inteiramente destruidores da nossa independ&ecirc;ncia, da integridade do Brasil, liberdade pol&iacute;tica e civil, tem-se feito ver que o sistema &eacute; mau, opressor e ruinoso, e portanto inadmiss&iacute;vel, bem que hajam alguns elos interm&eacute;dios, que sejam bons, como se v&ecirc;m alguns nas disposi&ccedil;&otilde;es gerais. Depois disto, esperar-se, que o imperador, que teve a valentia de dissolver a assembl&eacute;ia constituinte com o maior esc&acirc;ndalo da raz&atilde;o, da justi&ccedil;a e da constitucionalidade jurada; que se arrogou a monstruosa atribui&ccedil;&atilde;o de dar constitui&ccedil;&atilde;o a quem n&atilde;o devia dar, se abaixe a reformar o seu projeto por representa&ccedil;&atilde;o daqueles, que ele julga com o dever de lhe obedecer cegamente. <\/p>\n<p>Se esta reflex&atilde;o n&atilde;o vos convence de que o oferecimento do projeto &agrave;s c&acirc;maras para ser discutido era ilus&oacute;rio, e sem o sincero desejo de o reformar conforme as anota&ccedil;&otilde;es dos povos, eu me lembro, senhores, que a capital da Bahia depois de tantos sacrif&iacute;cios de sua honra e dignidade, depois de tanto servilismo, n&atilde;o mereceu a reforma de dois &uacute;nicos artigos que requereram, e tiveram do ministro do imp&eacute;rio a seguinte resposta: &#8211; &quot;&Eacute; conquanto desejasse S.M.I. poder responder j&aacute; a esta representa&ccedil;&atilde;o, manda pela secretaria de estado dos neg&oacute;cios do imp&eacute;rio particular &agrave; sobredita c&acirc;mara, que requerendo todas as outras, se jure o projeto sem restri&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel por ora fazer nele mudan&ccedil;a alguma, n&atilde;o havendo inconveniente em que se remetam essas observa&ccedil;&otilde;es, para quando se fizer a revis&atilde;o marcada no mesmo projeto&quot;. (Cart. de 11 de mar&ccedil;o de 1822). <\/p>\n<p>&Eacute; por todas estas raz&otilde;es, que eu sou de voto, que se n&atilde;o adote e muito menos jure o projeto de que se trata, por ser inteiramente mau, pois n&atilde;o garante a independ&ecirc;ncia do Brasil, amea&ccedil;a a sua integridade, oprime a liberdade dos povos, ataca a soberania da na&ccedil;&atilde;o, e nos arrasta ao maior dos crimes contra a divindade, qual o perj&uacute;rio, e nos &eacute; apresentado a maneira mais coativa e tir&acirc;nica.&quot; <\/p>\n<p>Frei Joaquim do Amor Divino Caneca <\/p>\n<p>pesquisa realizada por Jo&atilde;o Vitor Cassela Novoa <\/p>\n<p>revis&atilde;o e introdu&ccedil;&atilde;o de Bruno Lima Rocha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fuzilado por suas id\u00e9ias, Frei Caneca deixou seu exemplo em atos, palavras, a\u00e7\u00f5es, escritos, opera\u00e7\u00f5es militares e articula\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Foto: O texto abaixo &eacute; um tratado pol&iacute;tico do pernambucano, garoto de origem humilde que vendia canecas nas ruas de Recife, ele pr&oacute;prio carmelita descal&ccedil;o e militante liberal radical. Participou ativamente da rebeli&atilde;o de 1817 e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-910","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/910","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=910"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/910\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=910"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=910"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=910"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}