{"id":918,"date":"2009-01-15T18:12:15","date_gmt":"2009-01-15T18:12:15","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=918"},"modified":"2009-01-15T18:12:15","modified_gmt":"2009-01-15T18:12:15","slug":"a-rebeliao-cabana-alagoana-pernambucana-1832-1836-estendida-ate-1850","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=918","title":{"rendered":"A Rebeli\u00e3o Cabana alagoana-pernambucana (1832-1836), estendida at\u00e9 1850"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/maragogi15_01_2009.jpg\" title=\"Os atuais munic\u00edpios de Porto Calvo, Maragogi (foto) e Jacu\u00edpe carregam em si as marcas olvidadas da g\u00eanese constitutiva das modernas rebeli\u00f5es populares de Alagoas. A beleza deslumbrante viu na retaguarda de suas matas a epop\u00e9ia da outra funda\u00e7\u00e3o da prov\u00edncia - Foto:\" alt=\"Os atuais munic\u00edpios de Porto Calvo, Maragogi (foto) e Jacu\u00edpe carregam em si as marcas olvidadas da g\u00eanese constitutiva das modernas rebeli\u00f5es populares de Alagoas. A beleza deslumbrante viu na retaguarda de suas matas a epop\u00e9ia da outra funda\u00e7\u00e3o da prov\u00edncia - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Os atuais munic\u00edpios de Porto Calvo, Maragogi (foto) e Jacu\u00edpe carregam em si as marcas olvidadas da g\u00eanese constitutiva das modernas rebeli\u00f5es populares de Alagoas. A beleza deslumbrante viu na retaguarda de suas matas a epop\u00e9ia da outra funda\u00e7\u00e3o da prov\u00edncia<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p>O epis&oacute;dio cabano das Alagoas, na verdade no norte de Alagoas e sul de Pernambuco, inaugura uma nova fase nos Cl&aacute;ssicos. Al&eacute;m dos personagens e primeiros escritos pol&iacute;ticos, vamos buscar na g&ecirc;nese das lutas populares brasileiras as ra&iacute;zes nunca abordadas de forma integrada e coletiva. A Cabanada alagoana &eacute; mais um exemplo de luta coletiva, com ares de epop&eacute;ia, constitutiva da forma&ccedil;&atilde;o alagoana, promotora de unidade de classes oprimidas e forjadora de um significado distinto para o territ&oacute;rio daquela ent&atilde;o prov&iacute;ncia. Na seq&uuml;&ecirc;ncia consta a pesquisa feita pela colaboradora do portal, a acad&ecirc;mica de hist&oacute;ria Daniela Soares, onde encontrou um bom artigo a respeito desta luta quase desconhecida para o conjunto dos brasileiros. Se fica a cr&iacute;tica para o trabalho exposto, &eacute; seu vi&eacute;s economista em e xcesso. Mas, a pesquisa em si j&aacute; &eacute; m&eacute;rito. Em cada rinc&atilde;o do pa&iacute;s existem lutas e epis&oacute;dios pol&iacute;ticos e sociais que, se apresentados em contesto distinto, formam um novo discurso generalizante. Esta &eacute; uma das miss&otilde;es da p&aacute;gina, rendendo desde j&aacute; o reconhecimento para o historiador alagoano Dirceu Lindoso. Foi pelas palavras dele, com o livro A Utopia Armada, onde a luta protagonzada pelos negros papa-m&eacute;is, herdeiros diretos do Quilombo de Palmares, ofereceram a este analista possibilidade de se dar conta do &oacute;bvio. A luta desses cabanos &eacute; continuidade do ambiente pol&iacute;tico da insurrei&ccedil;&atilde;o de 1817, fato que leva &agrave; emancipa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de Alagoas, desvencilhando-se de Pernambuco. Constru&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o pode ser vista de forma picotada. Hist&oacute;ria mal contada &eacute; trajet&oacute;ria incompreendida.<\/p>\n<p>por Vicente Paula Ferreira e cia<\/p>\n<p>Desconhecemos a n&oacute;s mesmos, de modo tal a nunca gerarmos identidades regionais somadas de modo a construir uma nova nacionalidade. Nenhuma novidade, dividir para reinar &eacute; uma m&aacute;xima operando no terreno das identidades coletivas. Segue o trabalho selecionado. <\/p>\n<p>D&iacute;vida de Sangue. Queixas or&ccedil;ament&aacute;rias e decl&iacute;nio de produtividade agr&iacute;cola na guerra dos cabanos (Alagoas &#8211; Pernambuco\/ 1832 &#8211; 1835), trabalho de Janaina Cardoso de Mello, doutoranda em Hist&oacute;ria Social &#8211; UFRJ, apresentado no I Col&oacute;quio do Laborat&oacute;rio de Hist&oacute;ria Econ&ocirc;mica e Social (Lahes\/UFJF, de 13 a 16 de junho de 2005) <\/p>\n<p>&quot;A guerra dos cabanos foi basicamente uma insurrecionalidade realizada pela massa popular dos campos e matas do sul de Pernambuco e norte de Alagoas. Uma massa composta de &iacute;ndios aldeados, brancos e mesti&ccedil;os livres que viviam em regime de moradores e lavradores nas periferias dos engenhos e negros fugidos dos plant&eacute;is, que organizando mocambos mistos, travavam com as for&ccedil;as militares provinciais um confronto fundamentado em t&aacute;ticas de guerrilha apreendidas nos tempos das invas&otilde;es holandesas na regi&atilde;o. Seus ataques e recuos para as matas com &quot;trilhas quase intransit&aacute;veis&quot; tornavam a repress&atilde;o legalista ineficaz. <\/p>\n<p>(&#8230;) a composi&ccedil;&atilde;o social e &eacute;tnica do movimento cabano variou entre os anos de 1832 e 1835. Em 1832 houve uma maior participa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena que compunha o aldeamento de Jacu&iacute;pe, devido ao assassinato do capit&atilde;o-mor dos &iacute;ndios Hip&oacute;lito Nunes Barcelar, fato que desencadeou uma resposta coletiva violenta contra os engenhos e marcou o in&iacute;cio da participa&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena na guerra cabana. No ano de 1833 visualiza-se uma inser&ccedil;&atilde;o maior de escravos levados &agrave; guerra por seus senhores, como no ano anterior, ou como fugitivos dos plant&eacute;is de a&ccedil;&uacute;car. J&aacute; em 1834 os negros &quot;papa-m&eacute;is&quot; (na fala regional exclusivamente fugitivos) tornam-se a quase totalidade dos participantes efetuando ataques aos engenhos para liberta&ccedil;&atilde;o de outros escravos. (&#8230;) h&aacute; uma redu&ccedil;&atilde;o progressiva do n&uacute;mero de &iacute;ndios, moradores e lavradores a partir de 1834 e isso ocorre devido &agrave; escassez de recursos nas matas com a destrui&ccedil;&atilde;o dos ro&ccedil;ados de milho pelas topas legalistas, &agrave;s epidemias, &agrave; intensifica&ccedil;&atilde;o da repress&atilde;o militar com as &quot;expedi&ccedil;&otilde;es batedoras das matas&quot; e as propostas de anistia com oferecimento de roupas, alimentos, rem&eacute;dios, sementes e instrumentos para o cultivo da terra no governo provincial de Pernambuco de Manuel de Carvalho Pais de Andrade. Os negros papa-m&eacute;is estavam exclu&iacute;dos dessa negocia&ccedil;&atilde;o, pois para eles s&oacute; restaria o retorno &agrave; condi&ccedil;&atilde;o escrava na plantation, por isso permanecem no combate mesmo ap&oacute;s o t&eacute;rmino oficial deste, vivendo em mocambos no Riacho do Mato at&eacute; 1850 quando Vicente Ferreira de Paula &eacute; preso. <\/p>\n<p>De in&iacute;cio a revolta foi capitaneada por uma classe de senhores de terra como Domingos Louren&ccedil;o Torres Galindo (ex-Capit&atilde;o-mor da vila de Santo Ant&atilde;o e propriet&aacute;rio nas proximidades da povoa&ccedil;&atilde;o de Bonito), Manuel Afonso de Melo (da regi&atilde;o de Uma), Antonio Tim&oacute;teo (pequeno propriet&aacute;rio em Panelas do Miranda) em Pernambuco; Jo&atilde;o Batista de Ara&uacute;jo (de Barra Grande) e Alexandre Gomes de Oliveira (diretor do aldeamento de &iacute;ndios de Palmeira) em Alagoas. Esses homens com inser&ccedil;&atilde;o na sociedade enquanto participantes da categoria de &quot;homens bons&quot; proclamavam o discurso de restaura&ccedil;&atilde;o do trono &agrave; D. Pedro I em clara oposi&ccedil;&atilde;o ao governo liberal moderado instalado nas prov&iacute;ncias e Corte. Elaboraram um levante que deveria ser vitorioso em poucos dias, por&eacute;m o prolongamento e a natureza r&uacute;stica do confronto, submetendo-os a uma vida penosa embrenhada nas matas, enfrentando inimigos armados e insetos, alimentando-se de frutos silvestres, tendo seu vestu&aacute;rio esgar&ccedil;ado por causa dos espinhos e galhos, fizeram com que essas lideran&ccedil;as oriundas de um cotidiano de privil&eacute;gios e luxos fossem facilmente capturadas, mortas em combate ou em desespero buscassem a rendi&ccedil;&atilde;o &agrave;s tropas governistas. A partir de 1834, a guerra dos cabanos assume sua fei&ccedil;&atilde;o eminentemente popular sob a lideran&ccedil;a do mulato Vicente Ferreira de Paula. Situa&ccedil;&atilde;o esta que propicia a intensifica&ccedil;&atilde;o do medo branco frente &agrave; amea&ccedil;a cabana &agrave;s suas propriedades e &agrave; pr&oacute;pria ordem que se acreditava hegem&ocirc;nica at&eacute; a conflagra&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>(&#8230;) a estrutura agr&aacute;ria escravista que compunha desde o per&iacute;odo colonial uma sociedade patrimonial, em ess&ecirc;ncia patriarcal e rural, cujo centro era o complexo &quot;casa-grande\/ senzala&quot; assistiu &agrave; transfer&ecirc;ncia ou deslocamento de um grande contingente de trabalho para fora de seu espa&ccedil;o de reprodu&ccedil;&atilde;o. Isto &eacute;, o escravo abandonava a condi&ccedil;&atilde;o de trabalhador na plantation, tornando-se um proto-campon&ecirc;s mocambeiro nos arraiais cabanos. Concomitantemente o &iacute;ndio abandonava a aldeia para ocupar um lugar na insurrecionalidade das matas, desertando das fun&ccedil;&otilde;es que lhe foram designadas pelo Estado Imperial. O mesmo ocorria com moradores e lavradores ao abandonarem suas atividades nos engenhos de a&ccedil;&uacute;car, aderindo &agrave; cabanada sem o consentimento senhorial. Eram bra&ccedil;os a menos que implicavam no decl&iacute;nio da produtividade agr&iacute;cola justamente numa l&oacute;gica econ&ocirc;mica que se baseava na apropria&ccedil;&atilde;o do trabalho alheio (de escravos, moradores, lavradores e &iacute;ndios), e apropriava-se por direito do produto do trabalho alheio. <\/p>\n<p>(&#8230;) a guerra cabana representa uma interrup&ccedil;&atilde;o compuls&oacute;ria no direito senhorial, num processo &quot;de baixo para cima&quot;, no qual as camadas populares em estado aguerrido isentam-se ao pagamento de &quot;meia-ter&ccedil;a&quot; do trabalho nos canaviais e nos ro&ccedil;ados de subsist&ecirc;ncia cujos v&iacute;veres transitavam entre a senzala e a casa grande. Al&eacute;m do fato de fundamental import&acirc;ncia de que os saques e inc&ecirc;ndios contra os engenhos representavam n&atilde;o apenas a subvers&atilde;o da ordem dominante, mas a apropria&ccedil;&atilde;o por invers&atilde;o e destrui&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio senhorial. Nesse contexto, v&aacute;rios senhores de engenho tornavam-se paradoxalmente aliados dos cabanos fornecendo v&iacute;veres para que suas propriedades n&atilde;o sofressem a viol&ecirc;ncia de ataques surpresas. <\/p>\n<p>Esse movimento insurrecional a despeito de sua diversidade &eacute;tnica e social consegue aglutinar um contingente significativo em prol de demandas sociais como: terra, liberdade, justi&ccedil;a, religiosidade plural. Busca formas alternativas de exercer uma &quot;cidadania poss&iacute;vel&quot; no exterior do sistema econ&ocirc;mico exportador, demonstrando a capacidade de autonomia dos oprimidos em transformarem as fun&ccedil;&otilde;es que lhes confere a sociedade tradicional ou os dom&iacute;nios, de natureza subalterna e alienat&oacute;ria, num desempenho contestador que permite a forma&ccedil;&atilde;o de sua identidade de pobres das matas. <\/p>\n<p>(&#8230;) nas correspond&ecirc;ncias trocadas entre o presidente da Prov&iacute;ncia de Pernambuco Manuel Zeferino dos Santos e o Ministro do Imp&eacute;rio Nicolau Pereira de Campos Vergueiro encontram-se queixas quanto aos insucessos da repress&atilde;o governista de Alagoas aos cabanos. Relata-se que Pernambuco estaria arcando com o &ocirc;nus de combater o contingente aguerrido nas duas prov&iacute;ncias sem possuir, contudo homens suficientes para compor as tropas de linha. Isto porque estas prov&ecirc;m de recrutamentos entre civis que abandonam o campo de batalha em fun&ccedil;&atilde;o das priva&ccedil;&otilde;es que sofrem suas fam&iacute;lias em decorr&ecirc;ncia de sua prolongada aus&ecirc;ncia no trabalho agr&iacute;cola. Tamb&eacute;m se faz referencia &agrave; &quot;fome de farinha&quot;, uma vez que o inverno do ano anterior havia contribu&iacute;do para o apodrecimento do produto que servia de base alimentar &agrave;s tropas e por isso estaria havendo uma especula&ccedil;&atilde;o nos pre&ccedil;os do produto fornecido aos militares (&#8230;), ainda fala da redu&ccedil;&atilde;o do soldo de 500 r&eacute;is que provocou a indigna&ccedil;&atilde;o dos soldados e do Comandante de Armas, representando mais um fator de desest&iacute;mulo &agrave;s for&ccedil;as da legalidade que combatendo em um local de natureza hostil e desconhecida, sofriam com a falta de v&iacute;veres, uniformes, muni&ccedil;&atilde;o, pagamentos em atraso e agora com a diminui&ccedil;&atilde;o de sua &uacute;nica fonte de ressarcimento por estarem longe do cultivo. Aliado a esse problema, a correspond&ecirc;ncia em junho do mesmo ano exp&otilde;e outro obst&aacute;culo &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o das tropas: a falsifica&ccedil;&atilde;o das moedas de cobre com quais se efetuava os pagamentos. <\/p>\n<p>(&#8230;) os recursos financeiros servem para possibilitar uma melhor organiza&ccedil;&atilde;o &agrave; Secretaria do Estado dos Neg&oacute;cios da Guerra, no sentido de planejar e executar junto aos &oacute;rg&atilde;os militares competentes as a&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para disciplinar o contingente militar envolvido em constantes sedi&ccedil;&otilde;es, bem como premiar aqueles que se destacassem por bons servi&ccedil;os prestados. Ao Conselho de Guerra caberia justamente evitar a morosidade no julgamento dos processos militares em seus tribunais. Os Comandantes de Armas com seus respectivos ajudantes de Ordem, instalados em seis prov&iacute;ncias, deveriam zelar pelo bom funcionamento dos quart&eacute;is. Sobre o Estado Maior do Ex&eacute;rcito e demais elementos da corpora&ccedil;&atilde;o, apesar do n&uacute;mero excessivo, o Ministro que advoga em sua causa solicitando a concess&atilde;o de vantagens para aqueles que demonstraram bom desempenho, propondo um planejamento para evitar o &oacute;cio militar e a &quot;compra de patentes&quot;. <\/p>\n<p>Com rela&ccedil;&atilde;o ao Corpo de Engenheiros o Ministro adota posi&ccedil;&atilde;o diversa da anterior indicando uma proposta de substitui&ccedil;&atilde;o destes que s&oacute; t&ecirc;m onerado os cofres e n&atilde;o tem executado os servi&ccedil;os necess&aacute;rios. Aos Corpos de Linha e Art&iacute;fices o ministro refere-se a necessidade de uma maior organiza&ccedil;&atilde;o destes que compreendem os Batalh&otilde;es de Ca&ccedil;adores, Corpos de Cavalaria e Artilharia. Imperativo tamb&eacute;m indicado para as Divis&otilde;es do Rio Doce (as quais alega o Ministro n&atilde;o conhecer suficientemente) e aponta uma solicita&ccedil;&atilde;o de Goi&aacute;s em constituir um batalh&atilde;o de repress&atilde;o aos &quot;&iacute;ndios hostis&quot; &agrave; exemplo do Maranh&atilde;o. Ressalta a grande despesa dos reformados, mas tamb&eacute;m a contribui&ccedil;&atilde;o destes &agrave; na&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>As Pagadorias s&atilde;o relatadas como produtoras de inconvenientes em v&aacute;rias prov&iacute;ncias e por isso, aponta o Ministro em dire&ccedil;&atilde;o a uma proposta que dever&aacute; substitu&iacute;-las. Apresenta o insucesso da fus&atilde;o da Academia Militar e a de Marinha, ressaltando seus gastos e indicando a futura separa&ccedil;&atilde;o das duas institui&ccedil;&otilde;es. Solicita a regula&ccedil;&atilde;o dos ordenados dos empregados dos Arsenaes de Guerra do Par&aacute;, Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e dos encarregados dos Armaz&eacute;ns e Dep&oacute;sitos de outras Prov&iacute;ncias, mostrando-se satisfeito com esses Arsenaes e avaliando positivamente sua import&acirc;ncia. <\/p>\n<p>Sobre o Arquivo Militar fala de sua transfer&ecirc;ncia para um local que abrigava o antigo hospital militar que possibilite seu melhor funcionamento e da aquisi&ccedil;&atilde;o de materiais inclusos na despesa. O Ministro revela as esperan&ccedil;as do governo na F&aacute;brica de P&oacute;lvora, esperando que esta venha a abastecer todo o imp&eacute;rio e por isso justifica os investimentos feitos, uma vez que desta proviriam lucros. J&aacute; com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; F&aacute;brica de Ferro, o ministro reclama dos gastos que ser&atilde;o necess&aacute;rios para a aquisi&ccedil;&atilde;o de terrenos adjacentes e prop&otilde;e arrenda-la. O ministro faz refer&ecirc;ncia &agrave; substitui&ccedil;&atilde;o dos &quot;hospitaes geraes&quot; que n&atilde;o curavam os enfermos militares e ainda sobrecarregavam as despesas do or&ccedil;amento, valorizando a substitui&ccedil;&atilde;o destes pelos &quot;hospitaes regimentaes&quot; e apontando a necessidade de se conceder as gratifica&ccedil;&otilde;es dos m&eacute;dicos. E incluso nas diversas outras despesas est&aacute; a reforma dos edif&iacute;cios militares e fortalezas em ru&iacute;nas, indicando ainda os gastos com onze pensionistas que freq&uuml;entavam a Academia M&eacute;dico-Cir&uacute;rgica recebendo uma quantia mensal. Essas informa&ccedil;&otilde;es revelam a extrema preocupa&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio da Guerra em preparar as institui&ccedil;&otilde;es que davam sustenta&ccedil;&atilde;o ao governo regencial nas prov&iacute;ncias inst&aacute;veis. Organiza&ccedil;&atilde;o que al&eacute;m de contar com recursos financeiros da Fazenda, deveria investir permanentemente na disciplina das tropas para o sucesso dos combates contra os &quot;inimigos do Imp&eacute;rio&quot;. <\/p>\n<p>Os valores relacionados revelam o alto investimento feito pelo Estado para manter as for&ccedil;as da ordem agindo contra a &quot;sedu&ccedil;&atilde;o da desordem&quot;, fosse esta proveniente das pr&oacute;prias fortalezas militares, de classes senhoriais aliadas a projetos restauradores ou do &quot;populacho&quot; (as camadas sociais populares formadas por pobres livres, &iacute;ndios e escravos) que encontrava brechas nas disputas pol&iacute;ticas citadinas entre liberais moderados e exaltados para sublevar-se em busca de melhores condi&ccedil;&otilde;es de vida ou em repres&aacute;lia a a&ccedil;&otilde;es dos governantes consideradas &quot;injustas&quot;. A cidade oferecia espa&ccedil;os mais prop&iacute;cios para o desenvolvimento de id&eacute;ias contestat&oacute;rias (devido &aacute; proximidade com o Porto enquanto porta de entrada para id&eacute;ias diferenciadas no desembarque de estrangeiros e publica&ccedil;&otilde;es europ&eacute;ias); o campo transparecia a imagem de popula&ccedil;&otilde;es subjugadas pelo dom&iacute;nio senhorial desde os tempos coloniais. Apesar da exalta&ccedil;&atilde;o citadina, devido &aacute; politiza&ccedil;&atilde;o das ruas insuflada pelos peri&oacute;dicos e panfletos de cunho doutrin&aacute;rio que defendiam correntes pol&iacute;ticas moderadas, exaltadas e restauradoras, o campo revelou-se tamb&eacute;m um foco de preocupa&ccedil;&atilde;o para os pol&iacute;ticos da Corte. (&#8230;) A representa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica na capital do Imp&eacute;rio defendia os interesses dos grandes latifundi&aacute;rios, ou seja, da elite agr&aacute;ria que muito havia perdido com as revoltas populares da primeira metade do s&eacute;culo de 1800. <\/p>\n<p>No movimento cabano de Pernambuco e Alagoas a situa&ccedil;&atilde;o havia adquirido uma dimens&atilde;o de gravidade nacional ao apreender dois pontos decisivos para a economia agro-exportadora: a posse de terras por &quot;livres&quot; e a &quot;liberdade&quot; de escravos. Os livres em quest&atilde;o eram compostos por moradores, lavradores e &iacute;ndios que aproveitando o jogo de for&ccedil;as entre os fazendeiros da regi&atilde;o em luta pelo poder inserem-se nas brechas abertas pela guerra cabana para assegurar a posse de uma pequena parcela de terra entre as matas onde se realizava o conflito. Procuram manter nestas &aacute;reas arraiais para o cultivo do milho, da mandioca e a cria&ccedil;&atilde;o de animais. Por&eacute;m, isso n&atilde;o ocorre sem contesta&ccedil;&atilde;o por parte dos senhores de engenho que se sentem desafiados em seu poder. <\/p>\n<p>Eram estas &aacute;reas de antigos mocambos, que abrigara diversos quilombos no per&iacute;odo colonial, sendo o mais famoso deles: o Quilombo dos Palmares. Ainda Tollenare observou no sul de Pernambuco em 1817 uma forma&ccedil;&atilde;o camponesa no interior do sistema agr&aacute;rio composta por arraiais que al&eacute;m de seus ro&ccedil;ados complementavam sua economia primitiva com frutos comest&iacute;veis das matas. Logo, os habitantes livres da regi&atilde;o entendiam ser este um costume tradicional de posse por ocupa&ccedil;&atilde;o efetiva com suas cabanas. Ainda sobre a quest&atilde;o da posse da terra, outro elemento misturava-se a essa reivindica&ccedil;&atilde;o armada que era a participa&ccedil;&atilde;o de escravos que lutavam na cabanada para manter terra e liberdade. Eram, pois, herdeiros de Zumbi, ocupando a mesma regi&atilde;o. Por isso, em 1834 quando h&aacute; o enfraquecimento dos combatentes devido &aacute; deser&ccedil;&atilde;o dos componentes &quot;livres&quot;, s&atilde;o os negros fugidos da ordem escravocrata que mant&ecirc;m a resist&ecirc;ncia nas matas e a salva-guarda de seu l&iacute;der Vicente Ferreira de Paula. Formam a sua &quot;Guarda Negra&quot; e seus mocambos nas matas, sendo fontes de preocupa&ccedil;&atilde;o para as autoridades provinciais (&#8230;). Mais do que isolados nas matas, o contingente ofensivo desses mocambos negros atacavam os engenhos para libertar outros escravos aumentando de forma significativa n&uacute;mero de escravos em fuga, fora da l&oacute;gica de produ&ccedil;&atilde;o capitalista, e fragilizando dessa forma n&atilde;o somente a disciplina necess&aacute;ria ao dom&iacute;nio senhorial sobre terras e homens, mas a pr&oacute;pria economia a&ccedil;ucareira da regi&atilde;o fronteiri&ccedil;a (&#8230;). <\/p>\n<p>Mesmo com a press&atilde;o inglesa para a interrup&ccedil;&atilde;o do tr&aacute;fico atl&acirc;ntico de escravos para o Brasil a id&eacute;ia de que a escravid&atilde;o seria provis&oacute;ria e negativa reduziu sua intensidade &aacute; partir da d&eacute;cada de 1830, quando a alta dos pre&ccedil;os dos escravos atingiu propor&ccedil;&otilde;es elevadas fazendo com que os fazendeiros avaliassem o ganho obtido sobre o custo do escravo e o tempo de perman&ecirc;ncia deste em cativeiro exercendo fun&ccedil;&otilde;es produtivas. Ora, a fuga incidia diretamente sobre as expectativas de lucratividade senhorial, por&eacute;m era a &uacute;nica alternativa vislumbrada para a liberta&ccedil;&atilde;o uma estrutura odiosa aos cativos. <\/p>\n<p>(&#8230;) os negros papa-m&eacute;is assumiam o risco de uma morte em combate, por&eacute;m preservando sua liberdade insurrecional at&eacute; o &uacute;ltimo instante, ao retornar para o espa&ccedil;o de sofrimento dos plant&eacute;is dos engenhos. Despossu&iacute;dos oficialmente de terras e riquezas, constitu&iacute;ram no Riacho do Mato (regi&atilde;o fronteiri&ccedil;a de Pernambuco com Alagoas) um espa&ccedil;o de liberdade poss&iacute;vel para sobreviver de sua economia de coleta e ro&ccedil;ados, al&eacute;m de praticar costumes diferenciados dos brancos portugueses, como o despique (troca de mulheres) que permitia a reprodu&ccedil;&atilde;o do grupo mocambeiro. Diferentemente de movimentos posteriores, j&aacute; na Rep&uacute;blica, como Canudos ou Contestado, os cabanos do norte do Brasil (no per&iacute;odo do conflito ainda n&atilde;o se utilizava a designa&ccedil;&atilde;o nordeste) n&atilde;o foram &quot;arrasados&quot; pelas for&ccedil;as do governo que para por fim &agrave; contenda n&atilde;o os importunou at&eacute; 1850, quando numa emboscada o l&iacute;der Vicente Ferreira de Paula foi aprisionado. Coincidentemente ou n&atilde;o, neste mesmo ano se promulgariam duas importantes leis: aquela que cessaria do tr&aacute;fico atl&acirc;ntico e a Lei de Terras que iria p&ocirc;r fim &agrave;s esperan&ccedil;as das &quot;gentes pobres&quot; de legitimar sua posse sobre terras devolutas, ou matas incultas. <\/p>\n<p>A d&iacute;vida de sangue era afinal cobrada&#8230; &quot; <\/p>\n<p>Introdu&ccedil;&atilde;o e Revis&atilde;o de Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>Pesquisa feita por Daniela Soares, colaboradora desta p&aacute;gina e editora de Trecos &amp; Trapos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os atuais munic\u00edpios de Porto Calvo, Maragogi (foto) e Jacu\u00edpe carregam em si as marcas olvidadas da g\u00eanese constitutiva das modernas rebeli\u00f5es populares de Alagoas. 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