{"id":923,"date":"2009-01-29T02:26:59","date_gmt":"2009-01-29T02:26:59","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=923"},"modified":"2009-01-29T02:26:59","modified_gmt":"2009-01-29T02:26:59","slug":"a-venezuela-e-o-limite-da-democracia-representativa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=923","title":{"rendered":"A Venezuela e o limite da democracia representativa"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/venezuela.jpg\" title=\"El destino de un pueblo es jugado en dos partidos simultaneos - Foto:\" alt=\"El destino de un pueblo es jugado en dos partidos simultaneos - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">El destino de un pueblo es jugado en dos partidos simultaneos<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p>A Venezuela e o limite da democracia representativa <\/p>\n<p>Bruno Lima Rocha, desde Caracas, 28 de fevereiro de 2009 <\/p>\n<p>Inicio o artigo aclarando que o escrevo daqui de Caracas onde me encontro a trabalho e sem convite nem despesas pagas por governo algum. Inicio assim o primeiro de dois textos sobre a conjuntura pol&iacute;tica Venezuelana. No primeiro, trato da situa&ccedil;&atilde;o anterior ao referendum do pr&oacute;ximo dia 15 de fevereiro. No segundo, abordo a esquerda do movimento bolivariano e as posi&ccedil;&otilde;es para al&eacute;m do oficialismo.<\/p>\n<p>No momento o pa&iacute;s est&aacute; em plena campanha plebiscit&aacute;ria, a favor ou contra do projeto de Emenda Constitucional dos artigos 160, 162, 174, 192 e 230 (<a href=\"http:\/\/www.minci.gob.ve\/reportajes\/2\/187244\/manual_minimo_de.html\">leia o texto completo em castelhano<\/a>). A ess&ecirc;ncia da proposta &eacute; simples. Se aprovada, o conjunto dos cargos de representa&ccedil;&atilde;o e mandat&aacute;rios pol&iacute;ticos venezuelanos poder&atilde;o se apresentar para reelei&ccedil;&atilde;o o n&uacute;mero de vezes que queiram. Assim, tanto legisladores (municipais, estaduais e nacionais) como prefeitos, governadores e o presidente poder&atilde;o tentar ganhar no voto a perman&ecirc;ncia no cargo sem nenhuma barreira. <\/p>\n<p>Exposta a quest&atilde;o, os argumentos que vi e ouvi s&atilde;o evasivos. A oposi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica venezuelana, encabe&ccedil;ando o bloco do N&Atilde;O afirma que a vit&oacute;ria da Emenda implicar&aacute; a reelei&ccedil;&atilde;o indefinida de Hugo Ch&aacute;vez. Isto n&atilde;o &eacute; verdade, porque apresentar-se para a elei&ccedil;&atilde;o n&atilde;o garante vit&oacute;ria antecipada. J&aacute; a alian&ccedil;a do SIM define a escolha pela perman&ecirc;ncia no poder um tema de soberania popular. Tamb&eacute;m d&aacute; para discordar, uma vez que a popula&ccedil;&atilde;o sempre escolhe em cima das op&ccedil;&otilde;es oferecidas. Vejo os dois argumentos como evasivos porque o tema de fundo &eacute; outro. <\/p>\n<p>A democracia representativa na Venezuela (chamada de 4&ordf; Rep&uacute;blica) surge com o Pacto de Punto Fijo, assinado em 1958 ap&oacute;s a derrota da ditadura de P&eacute;rez Jim&eacute;nez. Neste ac&oacute;rd&atilde;o, tr&ecirc;s grandes partidos, AD, Copei e URD concordam com a altern&acirc;ncia no poder do Estado e compartilham a mesma vis&atilde;o s&oacute;cio-econ&ocirc;mica. A distribui&ccedil;&atilde;o de renda &eacute; p&eacute;ssima, o pa&iacute;s n&atilde;o planta o que consome e as cidades crescem na base da faveliza&ccedil;&atilde;o. Para piorar, fora do sistema pol&iacute;tico partid&aacute;rio, o protesto social era criminalizado e havia repress&atilde;o de sobra. O fato &eacute; que a partir da elei&ccedil;&atilde;o de Ch&aacute;vez em 1998, tudo isso muda. Para n&atilde;o expor aqui dados sem fim, basta dizer que: em dez anos o analfabetismo foi erradicado; o n&uacute;mero de estudantes de todas as s&eacute;ries saltou de menos de 3 milh&otilde;es para 11 milh&otilde;es; se multiplicou por seis o total de universit&aacute;rios; a sa&uacute;de e o transporte p&uacute;blico s&atilde;o universais, antes n&atilde;o eram; a renda per capita aumentou; e a extrema pobreza diminuiu. <\/p>\n<p>O tema em pauta e a percep&ccedil;&atilde;o popular giram por outro lado. Existe uma melhoria real da qualidade de vida do venezuelano pobre. Isto se d&aacute; atrav&eacute;s da soma de recursos do Estado com a promo&ccedil;&atilde;o da sociedade civil de baixa renda. A maioria, ao sentir o gosto do protagonismo pol&iacute;tico, mesmo que sob a condu&ccedil;&atilde;o de um l&iacute;der carism&aacute;tico, n&atilde;o quer arriscar abrir m&atilde;o de suas conquistas. Os beneficiados pelos dez anos de governo chavista (cerca de 60% da popula&ccedil;&atilde;o) desconfia dos partidos de intermedia&ccedil;&atilde;o tradicionais. Discute-se aqui um cl&aacute;ssico da teoria democr&aacute;tica. Se a democracia de concorr&ecirc;ncia e altern&acirc;ncia pol&iacute;tica n&atilde;o solucionar os problemas b&aacute;sicos do cotidiano, a maioria n&atilde;o se sente comprometida com este regime pol&iacute;tico. E, havendo alternativa, esta ser&aacute; considerada v&aacute;lida. <\/p>\n<p>&Eacute; por isso que a Emenda &eacute; t&atilde;o temida pela oposi&ccedil;&atilde;o. Ch&aacute;vez e seus candidatos aumentaram seus &iacute;ndices eleitorais em 20%, passando de 4.379.392 na derrota do referendum de 2007 para 5.504.902 votos nas elei&ccedil;&otilde;es municipais e estaduais de 2008. Hoje a alian&ccedil;a encabe&ccedil;ada pelo PSUV governa 265 das 327 prefeituras, 18 das 24 capitais de estado, 80 dos 100 munic&iacute;pios mais populosos e 17 dos 22 estados. Estes n&uacute;meros j&aacute; s&atilde;o impactantes e avisam aos analistas que h&aacute; massa e fidelidade eleitoral. Some-se isto &agrave; desconfian&ccedil;a das maiorias para com as antigas elites pol&iacute;ticas e j&aacute; temos os elementos para uma democracia de tipo plebiscit&aacute;ria. Se o SIM ganhar, &eacute; meio caminho andado para, no m&iacute;nimo, um terceiro mandato de Hugo Rafael Ch&aacute;vez Fr&iacute;as. Se a continuidade do governo atual implicar em mais benef&iacute;cios sociais e organiza&ccedil;&atilde;o de base, como desmontar essas estruturas depois? Entendo que a quest&atilde;o de fundo &eacute;: <\/p>\n<p>&#8211; Como pode algu&eacute;m defender algo &#8211; a altern&acirc;ncia no poder &#8211; quando entende que isto n&atilde;o lhe favorece?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>El destino de un pueblo es jugado en dos partidos simultaneos Foto: A Venezuela e o limite da democracia representativa Bruno Lima Rocha, desde Caracas, 28 de fevereiro de 2009 Inicio o artigo aclarando que o escrevo daqui de Caracas onde me encontro a trabalho e sem convite nem despesas pagas por governo algum. 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