{"id":924,"date":"2009-02-05T12:28:25","date_gmt":"2009-02-05T12:28:25","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=924"},"modified":"2009-02-05T12:28:25","modified_gmt":"2009-02-05T12:28:25","slug":"a-esquerda-bolivariana-para-alem-do-oficialismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=924","title":{"rendered":"A esquerda bolivariana para al\u00e9m do oficialismo"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/mural_comunidadesALmando.jpg\" title=\"O controle dos territ\u00f3rios comunais \u00e9 parte central da estrat\u00e9gia da esquerda bolivariana para cria\u00e7\u00e3o de poder popular n\u00e3o-estatal por dentro do processo bolivariano  - Foto:\" alt=\"O controle dos territ\u00f3rios comunais \u00e9 parte central da estrat\u00e9gia da esquerda bolivariana para cria\u00e7\u00e3o de poder popular n\u00e3o-estatal por dentro do processo bolivariano  - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">O controle dos territ\u00f3rios comunais \u00e9 parte central da estrat\u00e9gia da esquerda bolivariana para cria\u00e7\u00e3o de poder popular n\u00e3o-estatal por dentro do processo bolivariano <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p>\nBruno Lima Rocha, Caracas, Venezuela, 03\/02\/2009 <\/p>\n<p>Assim como na semana passada, escrevo o artigo daqui de Caracas. Dessa vez o tema s&atilde;o os conflitos internos do chavismo e o papel de sua ala esquerda em busca de protagonismo. Ao contr&aacute;rio do que possa parecer, o movimento bolivariano est&aacute; longe de ser homog&ecirc;neo. Para entender esta din&acirc;mica &eacute; preciso retornar ao m&ecirc;s de abril de 2002. Quanto da tentativa de golpe de Estado, o presidente eleito se recusou a resistir, apostando no desgaste e desarticula&ccedil;&atilde;o entre os golpistas.<\/p>\n<p>A rea&ccedil;&atilde;o veio da popula&ccedil;&atilde;o medianamente organizada. O &ldquo;morro literalmente desceu&rdquo;, chegando a haver mais de 100 mil pessoas nas ruas protestando contra o intento. As medidas espont&acirc;neas de rodear o Pal&aacute;cio de Miraflores, envolver em cord&otilde;es humanos a sede do canal estatal retomado pelos bolivarianos e cortar as entradas de Caracas com barricadas, geraram o impasse necess&aacute;rio para a rearticula&ccedil;&atilde;o do governo de Hugo Rafael Ch&aacute;vez Fr&iacute;as. Na hora de fazer as contas, n&atilde;o foram for&ccedil;as oficialistas do ent&atilde;o Movimento Quinta Rep&uacute;blica (MVR) que garantiram o governo, e sim as bases sociais assistidas pelo Estado, mas organizadas desde antes de 1998. <\/p>\n<p>Tais setores que conformam hoje a ala radical da chamada &ldquo;esquerda bolivariana&rdquo; defendem o conceito de poder popular exercido diretamente pela popula&ccedil;&atilde;o, indo al&eacute;m do controle do aparelho de Estado. Alguns coletivos pol&iacute;tico-sociais v&ecirc;m da hist&oacute;rica Par&oacute;quia (distrito) 23 de Enero, como o Sim&oacute;n Bol&iacute;var, Alexis Vive, La Piedrita, Tupamaros e Lina Ron. Outros, s&atilde;o movimentos mais amplos, como as Comunidades al Mando, Misi&oacute;n Boves, Frente Campesino Ezequiel Zamora e a ANMCLA (associa&ccedil;&atilde;o de meios de comunica&ccedil;&atilde;o alternativos). <\/p>\n<p>Todos eles se dividem pelo tipo de estrutura interna (se vertical ou horizontal) e na rela&ccedil;&atilde;o com o Executivo. Existe certa independ&ecirc;ncia pol&iacute;tica frente ao governo e lealdade inquestion&aacute;vel ao processo bolivariano. Todas estas agrupa&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m militantes mortos em seu hist&oacute;rico, boa parte deles executados pela repress&atilde;o pol&iacute;tica da chamada 4&ordf; Rep&uacute;blica (at&eacute; 1998). Da&iacute; se refor&ccedil;a a intransig&ecirc;ncia com a Oposi&ccedil;&atilde;o. Para desespero do pr&oacute;prio Ch&aacute;vez, n&atilde;o s&atilde;o raros os confrontos diretos, algumas vezes a tiros, entre o setor organizado pelo Comando Angostura (direita pelo N&atilde;o &agrave; Emenda) e estes coletivos. <\/p>\n<p>Tampouco s&atilde;o raros os conflitos (ainda n&atilde;o-violentos) com o aparato governista, dominado por dirigentes chamados de &ldquo;direita end&oacute;gena&rdquo;. O apelido se justifica na medida em que sua pr&aacute;tica pol&iacute;tica ainda se parece com os tempos dos &ldquo;adecos&rdquo; (A&ccedil;&atilde;o Democr&aacute;tica). Isto se d&aacute; por v&aacute;rias raz&otilde;es as quais destaco tr&ecirc;s. Uma, o fato do servidor p&uacute;blico venezuelano n&atilde;o entrar por concurso e sim por indica&ccedil;&atilde;o. Como Ch&aacute;vez acabou com a estabilidade vital&iacute;cia, cada grupo que toma uma fatia de poder demite uma leva e p&otilde;e os seus, do secret&aacute;rio de governo ao cont&iacute;nuo de reparti&ccedil;&atilde;o. Outra &eacute; que, neste processo pol&iacute;tico, o Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV) &eacute; convocado por Hugo Rafael depois de iniciada a acumula&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as e n&atilde;o ao contr&aacute;rio. Ou seja, o &acirc;mbito massivo de inclus&atilde;o pol&iacute;tica se d&aacute; somente ap&oacute;s derrotarem a sabotagem na PDVSA no in&iacute;cio de 2003. Por fim, os crit&eacute;rios do presidente para formar sua equipe direta s&atilde;o mais de amizade pessoal do que de capacidade pol&iacute;tico-t&eacute;cnica. A lista de reclama&ccedil;&otilde;es contra os &ldquo;an&eacute;is de entorno ao comandante&rdquo; &eacute; enorme. <\/p>\n<p>Podemos afirmar que na Venezuela o grande jogo do poder tem duas arenas simult&acirc;neas. Uma, &eacute; marcada pelo calend&aacute;rio eleitoral-plebiscit&aacute;rio (14 pleitos em dez anos), onde se op&otilde;em o bloco da direita e a alian&ccedil;a chavista-bolivariana. Outra, dentro deste segundo campo, se d&aacute; na interna do governo e do movimento. Mesmo vencendo na primeira arena, a defini&ccedil;&atilde;o de pa&iacute;s e de sociedade caber&aacute; ao setor hegem&ocirc;nico dentro do movimento bolivariano. At&eacute; o presente momento, a direita end&oacute;gena vem ganhando.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O controle dos territ\u00f3rios comunais \u00e9 parte central da estrat\u00e9gia da esquerda bolivariana para cria\u00e7\u00e3o de poder popular n\u00e3o-estatal por dentro do processo bolivariano Foto: Bruno Lima Rocha, Caracas, Venezuela, 03\/02\/2009 Assim como na semana passada, escrevo o artigo daqui de Caracas. 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