{"id":929,"date":"2009-02-18T21:37:00","date_gmt":"2009-02-18T21:37:00","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=929"},"modified":"2009-02-18T21:37:00","modified_gmt":"2009-02-18T21:37:00","slug":"chavez-e-a-democracia-plebiscitaria-na-venezuela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=929","title":{"rendered":"Ch\u00e1vez e a democracia plebiscit\u00e1ria na Venezuela"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/marearoja_dom.jpg\" title=\"A democracia de tipo plebiscit\u00e1ria necessita da mobiliza\u00e7\u00e3o popular permanente - Foto:\" alt=\"A democracia de tipo plebiscit\u00e1ria necessita da mobiliza\u00e7\u00e3o popular permanente - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A democracia de tipo plebiscit\u00e1ria necessita da mobiliza\u00e7\u00e3o popular permanente<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p>Bruno Lima Rocha, 18 de fevereiro de 2009 <\/p>\n<p>No domingo 15 de fevereiro a popula&ccedil;&atilde;o da Venezuela experimentou seu 15&ordm; pleito eleitoral em dez anos. Naquele pa&iacute;s, o voto &eacute; opcional e a ida &agrave;s urnas tanto pode ser para eleger cargos executivos e legislativos, como para temas de fundo, alterando a ordem constitucional do pa&iacute;s ou pondo &agrave; prova o presidente eleito. Dessa vez, ao contr&aacute;rio do plebiscito de dezembro de 2007, a proposta de Hugo Ch&aacute;vez saiu vitoriosa.<\/p>\n<p>At&eacute; o momento de fechar este artigo a totaliza&ccedil;&atilde;o final ainda n&atilde;o havia sido divulgada; portanto trabalho com os 99,75% divulgados pelo Conselho Nacional Eleitoral na tarde de 17 de fevereiro. Foram 54,86% para o SIM a possibilidade de candidatura &agrave; reelei&ccedil;&atilde;o sem limite e 45,13% para o N&Atilde;O. Os totais representam um esfor&ccedil;o mobilizado das duas partes. O Comando Sim&oacute;n Bol&iacute;var, coaliz&atilde;o comandada pelo PSUV governista, somada a legendas como UPV, PPT e PCV, obteve mais de 6.319.636 de votos. J&aacute; os partidos que encabe&ccedil;am o Comando Angostura, capitaneados pelo Podemos, Primero Justicia, Nuevo Tiempo, dentre outras siglas menores, al&eacute;m do que restou dos hist&oacute;ricos partidos A&ccedil;&atilde;o Democr&aacute;tica e Copei, obtiveram mais de 5.198.996 votos. J&aacute; os nulos n&atilde;o passaram de 206.419. A marca elevada seguiu sendo a da absten&ccedil;&atilde;o, chegando a 30,08% do total de 16.949.000 pessoas aptas a votar. <\/p>\n<p>&Eacute; interessante notar que o maior esfor&ccedil;o do governo foi o de mobilizar eleitores chavistas. Em 2 de dezembro de 2007, quando houve o plebiscito da Reforma Constitucional, Ch&aacute;vez perdeu por 100.000 votos. Naquela ocasi&atilde;o, mais de 2.800.000 n&atilde;o foram a votar, equivalendo a cerca de 70% dos eleitores. Desses, ao menos 1 milh&atilde;o e meio eram votantes seguros de Hugo Rafael. Dessa vez a li&ccedil;&atilde;o de casa foi aprendida, concentrando a mobiliza&ccedil;&atilde;o nos bairros de renda mais baixa. <\/p>\n<p>Este &eacute; o paradoxo da nova forma de participa&ccedil;&atilde;o de tipo plebiscit&aacute;ria. Na 4&ordf; Rep&uacute;blica (1958-1998), quando vigorava o Pacto de Punto Fijo, havia 35% de venezuelanos em idade de votar que jamais foram registrados. Agora, segundo o CNE, n&atilde;o passam de 6% os inaptos ao voto. A barreira de participa&ccedil;&atilde;o est&aacute; no paradoxo de mobilizar para votar justamente os setores mais pobres, p&uacute;blico alvo das pol&iacute;ticas sociais do governo. Em 2007, o clima de &ldquo;j&aacute; ganhou&rdquo; e a profus&atilde;o de emendas confusas, catapultou a rejei&ccedil;&atilde;o parcial da proposta e fez com que os cidad&atilde;os n&atilde;o sa&iacute;ssem de casa. A diferen&ccedil;a m&iacute;nima que marcou a derrota assustou as for&ccedil;as que comp&otilde;em o SIM. Em sua meta, elegeram a apatia como inimiga interna e diminu&iacute;ram a absten&ccedil;&atilde;o de 70% para 30%. Ainda assim o n&uacute;mero segue alto para a &ldquo;democracia de massas&rdquo; promovida desde o governo. <\/p>\n<p>Com o resultado sendo admitido pela oposi&ccedil;&atilde;o, o governo de Ch&aacute;vez e o movimento bolivariano ganham f&ocirc;lego e tempo para se dedicar aos problemas internalizados no Processo. Como afirmei no &uacute;ltimo artigo sobre a Venezuela, l&aacute; se d&aacute; uma disputa simult&acirc;nea. Ao derrotar pontualmente as antigas for&ccedil;as pol&iacute;ticas, os bolivarianos ter&atilde;o dois anos para outra refrega, esta interna. Para al&eacute;m da mobiliza&ccedil;&atilde;o plebiscit&aacute;ria, a contenda se d&aacute; sobre o projeto de pa&iacute;s, incluindo a transfer&ecirc;ncia de parte das decis&otilde;es fundamentais para a base da sociedade. Mas, cabe uma ressalva. Coordenar o protagonismo popular com o peso de uma lideran&ccedil;a carism&aacute;tica &eacute; um desafio que at&eacute; hoje nenhuma sociedade conseguiu realizar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A democracia de tipo plebiscit\u00e1ria necessita da mobiliza\u00e7\u00e3o popular permanente Foto: Bruno Lima Rocha, 18 de fevereiro de 2009 No domingo 15 de fevereiro a popula&ccedil;&atilde;o da Venezuela experimentou seu 15&ordm; pleito eleitoral em dez anos. 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