{"id":930,"date":"2009-02-20T09:56:17","date_gmt":"2009-02-20T09:56:17","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=930"},"modified":"2009-02-20T09:56:17","modified_gmt":"2009-02-20T09:56:17","slug":"o-estado-brasileiro-e-um-refem-manipulado-atraves-da-sindrome-de-estocolmo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=930","title":{"rendered":"O Estado brasileiro \u00e9 um ref\u00e9m manipulado atrav\u00e9s da s\u00edndrome de Estocolmo"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/dilma_geddel_JC.jpg\" title=\"O pacto de classe entre arrependidos que nunca foram e arenistas que nunca deixaram de ser que sempre foram pode se materializar com Dilma e Geddel. Lula faz laborat\u00f3rios durante o final de governo de Mr. Meirelles - Foto:JC Pernambuco\" alt=\"O pacto de classe entre arrependidos que nunca foram e arenistas que nunca deixaram de ser que sempre foram pode se materializar com Dilma e Geddel. Lula faz laborat\u00f3rios durante o final de governo de Mr. Meirelles - Foto:JC Pernambuco\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">O pacto de classe entre arrependidos que nunca foram e arenistas que nunca deixaram de ser que sempre foram pode se materializar com Dilma e Geddel. Lula faz laborat\u00f3rios durante o final de governo de Mr. Meirelles<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:JC Pernambuco<\/small><\/figure>\n<p>Bruno Lima Rocha, 19 de fevereiro de 2009, Vila Setembrina &#8211; RS <\/p>\n<p>Um pa&iacute;s como o Brasil teria condi&ccedil;&otilde;es de se proteger dos efeitos da &ldquo;crise&rdquo; financeira. Isto se n&atilde;o f&ocirc;ssemos governados por uma alian&ccedil;a entre banqueiros, transnacionais e pol&iacute;ticos profissionais dotados de um grau de certeza ideol&oacute;gica no gerencialismo de tipo selvagem. O ministro do Planejamento, senhor Paulo Bernardo, um homem em tese ligado &agrave; &ldquo;esquerda&rdquo;, anunciou no final de janeiro um corte no or&ccedil;amento da ordem de R$ 37,2 bilh&otilde;es. Para o governo de Lula e Henrique Meirelles, o corte foi &ldquo;preventivo&rdquo;. O que n&atilde;o pode se interromper &eacute; o fluxo de caixa do Tesouro Nacional para a Banca. Os investimentos e gastos de custeio podem e devem &ndash; segundo a cartilha da depend&ecirc;ncia &ndash; ser efetuados.<\/p>\n<p>Os efeitos da crise fruto da mega-estafa financeira est&atilde;o sendo aplicados na base da tesoura or&ccedil;ament&aacute;ria e no refinanciamento daqueles que nos endividaram: bancos privados e empresas que jogaram na especula&ccedil;&atilde;o do d&oacute;lar derivativo. Para quebrar a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal se inventou uma medida, uma sigla, no final do governo Itamar Franco (1992-1994). A DRU, Desvincula&ccedil;&atilde;o dos Recursos da Uni&atilde;o. Ao inv&eacute;s de dizer que est&atilde;o a roubar a riqueza coletiva expressa na forma de moeda digital corrente e manipulada pela tecnocracia da Uni&atilde;o, o termo aplicado &eacute; o &ldquo;contingenciamento&rdquo;. Vejamos que interessante incongru&ecirc;ncia. O corte se d&aacute; nos minist&eacute;rios da Defesa e das Cidades. Respectivamente, desaparecem de or&ccedil;amentos previstos, R$ 5,6 bi dos R$ 11,1 bi para custeio e investimentos militares e nas Cidades, &ldquo;temporariamente&rdquo;, R$ 3,8 de R$ 9,7 bi. <\/p>\n<p>O caso &eacute; grave, no meu modo de ver, por dois motivos. Na Defesa, pensamos nos militares semi-profissionais e sua pouca ou nenhuma atividade em tempos de paz. E, com raz&atilde;o, a&iacute; damos pouca ou nenhuma import&acirc;ncia. Mas, nos esquecemos da miss&atilde;o tecnol&oacute;gica, no absurdo do abandono e da privatiza&ccedil;&atilde;o parcial do parque aeroindustrial do Vale do Para&iacute;ba (SP) e, para piorar, no fato de que nossas pesquisas aeroespaciais est&atilde;o entregues &agrave; morte lenta. N&atilde;o nos consorciamos com a Venezuela para lan&ccedil;amento de sat&eacute;lite, temos a ocupa&ccedil;&atilde;o gringa em Alc&acirc;ntara (curiosamente desaparecida dos meios e ve&iacute;culos) e deixamos na m&iacute;ngua a Ag&ecirc;ncia Espacial Brasileira (AEB). Se isso n&atilde;o &eacute; abrir m&atilde;o da soberania, o que &eacute;? <\/p>\n<p>J&aacute; o corte no Minist&eacute;rio das Cidades, comandado por um pol&iacute;tico de carreira na legenda da ditadura, M&aacute;rcio Fortes (do PP, ex-PPB, ex-PDS, ex-ARENA) ser&aacute; &ldquo;cir&uacute;rgico&rdquo;. Na briga pelas prebendas, o Executivo esvazia o poder do baixo clero, cortando as verbas de emendas paroquianas. Assim, este ano ter&aacute; menos inaugura&ccedil;&atilde;o de pontes e obras circunstanciais e mais lan&ccedil;amentos pr&eacute;-campanha de uma das candidatas do presidente. Os recursos do PAC (Plano de Acelera&ccedil;&atilde;o do Crescimento e da possibilidade de manuten&ccedil;&atilde;o do grupo de poder) s&atilde;o &ldquo;imex&iacute;veis&rdquo;. Por qu&ecirc;? Porque a Ministra Chefe da Casa Civil, a ex-guerrilheira Dilma Roussef, sucessora de Golbery do Couto e Silva e Jos&eacute; &ldquo;Galimberti&rdquo; Dirceu, &eacute; uma das candidatas de Luiz In&aacute;cio para se manter no Planalto. O outro &eacute; o neto de Tancredo Neves, o governador A&eacute;cio, que por sinal joga de dissidente anti-paulista na interna tucana. Baixas margens de varia&ccedil;&atilde;o de um modelo semelhante. <\/p>\n<p>Como o governo morde e assopra, ao mesmo tempo em que Paulo Bernardo anuncia o corte inicial de R$ 37,2 bi; tamb&eacute;m &ldquo;sinaliza&rdquo; (&ocirc; maldi&ccedil;&atilde;o de eufemismos sem fim) que o corte definitivo poder&aacute; ficar em R$ 26 bi. Isto implica em tentar recompor com os parlamentares e oligarquias estaduais, porque as emendas dos currais do nobre e ilibado Congresso Nacional podem compor o fundo do PAC. Isto significa n&atilde;o fazer obras sobrepostas &ndash; o que at&eacute; &eacute; uma racionalidade aparente &ndash; e compartilhar palanque entre pol&iacute;ticos locais e a dona Dilma, capitaneada pelo Ministro da ARENA M&aacute;rcio Fortes e possivelmente secundada por outro arenista hist&oacute;rico, o Sr. Geddel Vieira Lima, ilustre ministro da &ldquo;Integra&ccedil;&atilde;o&rdquo; Nacional. Trata-se de sobreposi&ccedil;&atilde;o de fun&ccedil;&otilde;es ministeriais &ndash; infra-estrutura, cidades, integra&ccedil;&atilde;o e etc. O modus operandi reflete o modus vivendi. Divide-se o bolo do or&ccedil;amento fruto da extors&atilde;o impositiva, rateando aquilo que a Banca deixa de queijo para os ratos roerem. <\/p>\n<p>O poder no Brasil, o Estado ao servi&ccedil;o deste poder e a disputa que resta <\/p>\n<p>Do lado de l&aacute;, de cima do planalto de S&atilde;o Paulo de Piratininga, est&aacute; uma articula&ccedil;&atilde;o cl&aacute;ssica da retomada do arranjo de poder que est&aacute; em disputa. No alto da pir&acirc;mide tupiniquim, tudo corre em paz no ritmo dos Orleans &amp; Bragan&ccedil;a. O reino unido das elites pol&iacute;ticas com os agentes econ&ocirc;micos e midi&aacute;ticos segue tranq&uuml;ilo. Pouco h&aacute; o que disputar porque o conflito entre estes setores &eacute; secund&aacute;rio. Apenas para dar materialidade ao conceito complexo, exemplifiquemos. A banca segue feliz e contente com o &ldquo;imex&iacute;vel&rdquo; funcion&aacute;rio do Bank of America &agrave; frente do governo do Brasil, na fun&ccedil;&atilde;o de 1&ordm; ministro do Banco Central. As operadoras de telecomunica&ccedil;&otilde;es expressam confian&ccedil;a no seu intermedi&aacute;rio Ronaldo Sardenberg; o &ldquo;capital insolente e aventureiro&rdquo; que paira por aqui arrisca o que tem e o que deve na jogatina de derivativos, tendo na sua cabe&ccedil;a de praia o ex-ministro do Desenvolvimento Luiz Fernando Furlan (Grupo Sadia). Jogam, perdem, beiram &agrave; fal&ecirc;ncia e o socorro vem sem negacear esfor&ccedil;os. O Grupo Votorantim que o diga! Setor por setor, ramo por ramo dos agentes com envergadura nacional e vemos o bra&ccedil;o forte e a m&atilde;o amiga do banqueiro que governa em nome do ex-oper&aacute;rio e determina os rumos da 11&ordf; economia do mundo e l&iacute;der da Am&eacute;rica Latina. <\/p>\n<p>O que mais impressiona &eacute; saber que estes dados brutos, de n&uacute;meros or&ccedil;ament&aacute;rios, s&atilde;o lidos e difundidos em linguagem polpuda e &ldquo;t&eacute;cnica&rdquo; nas editorias ou jornais de &ldquo;economia&rdquo;. Poderiam ter o nome de editoria de &ldquo;apropria&ccedil;&atilde;o privada de recursos p&uacute;blicos manejados pelo Estado patrimonial-financeiro&rdquo;. Mas n&atilde;o, porque esperar transpar&ecirc;ncia no reino dos eufemismos? Porque se preocupar com a verdade factual se basta a apar&ecirc;ncia da suposi&ccedil;&atilde;o de se governar por direita com linguagem de &ldquo;esquerda&rdquo;. <\/p>\n<p>Para constatar o que digo, basta contrapor os recursos e investimentos diretos aplicados na distribui&ccedil;&atilde;o e promo&ccedil;&atilde;o social durante o governo de Lula e os 20% das receitas advindas do petr&oacute;leo e injetados por Ch&aacute;vez na base da sociedade venezuelana. Um m&ecirc;s de taxa selic equivale a um ano de Bolsa Fam&iacute;lia. Saem de gra&ccedil;a os quase 40 milh&otilde;es de votos. &Eacute; pouco o investimento para uma popularidade ultrapassando os mais de 80% de apoio do governo do ex-sindicalista que disse &ldquo;nunca fui de esquerda nem socialista&rdquo;! Pelo visto n&atilde;o foi mesmo. Se o Brasil pusesse 10% dos recursos l&iacute;quidos que o Estado repassa e financia aos agentes econ&ocirc;micos transnacionais e brasileiros que aqui agem tendo o pa&iacute;s como hospedeiro e mud&aacute;vamos nossas realidades de forma absurda. Bastava uma d&eacute;cada. Mas, &eacute; certo, a poliarquia brasileira correria o risco de balan&ccedil;ar e talvez cair. Nos tempos mornos que vivemos, sem o recheio volumoso, ningu&eacute;m arrisca a brigar pela mudan&ccedil;a nos ingredientes do empad&atilde;o. <\/p>\n<p>N&atilde;o estando em jogo aquilo que vale a pena jogar, temos a ins&oacute;lita situa&ccedil;&atilde;o de ver a esquerda reformista-parlamentar ainda aut&ecirc;ntica portando-se como jacobina, republicana radical e tendo como &iacute;cone da brasilidade a mais um S&eacute;rpico dos tr&oacute;picos. &Eacute; certo, para os par&acirc;metros da legalidade e da moral da res publica, o delegado federal Prot&oacute;genes Queiroz &eacute; um &iacute;cone. Mas, n&atilde;o se muda a sociedade a partir do aparelho repressivo, judici&aacute;rio e investigativo. N&atilde;o &eacute; com a vassoura janista que se varrer&aacute; a sujeira da politicagem controlando a economia brasileira. E, para quem pensa de forma manique&iacute;sta, tampouco entendo que o economista de Princeton (Jos&eacute; Serra) seja uma alternativa para o mandato do sponsor de Harvard (Mr. Meirelles). <\/p>\n<p>Antecipando-se &agrave;s articula&ccedil;&otilde;es contra a chapa desenvolvimentista-prebend&aacute;ria (Dilma e Geddel, at&eacute; o momento), Luiz In&aacute;cio convida de forma semi-fechada a grandes capit&atilde;es de ind&uacute;stria para conversar. O capital insolente e transnacional brasileiro, ardorosamente defendido pelo Foreign Office tupiniquim (o Itamaraty) nas contendas com Equador (Odebrecht) e Bol&iacute;via (EBX, de Eike e Dirceu), tem suas cadeiras reservadas no co-governo com a Banca. Posi&ccedil;&atilde;o subordinada, mas respeit&aacute;vel. O Planalto p&ocirc;s ao redor de Lula seus ex-advers&aacute;rios de classe, como Olavo Monteiro de Carvalho, Jorge Gerdau Johannpeter e S&eacute;rgio Andrade. Conversaram de forma reservada e a prosa foi convenientemente &ldquo;vazada&rdquo;. O recado chegou ao Pal&aacute;cio dos Bandeirantes, marcando o limite do conflito pela parcela do poder que cabe ao Executivo quando o Estado &eacute; manejado como um ref&eacute;m com s&iacute;ndrome de Estocolmo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pacto de classe entre arrependidos que nunca foram e arenistas que nunca deixaram de ser que sempre foram pode se materializar com Dilma e Geddel. 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