{"id":932,"date":"2009-02-20T11:37:08","date_gmt":"2009-02-20T11:37:08","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=932"},"modified":"2009-02-20T11:37:08","modified_gmt":"2009-02-20T11:37:08","slug":"os-fins-os-meios-e-as-esquerdas-na-democracia-burguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=932","title":{"rendered":"Os fins, os meios e as esquerdas na democracia burguesa"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/greve 1979ABC.jpg\" title=\"A classe oper\u00e1ria acordava da ressaca do Milagre abandonando as posi\u00e7\u00f5es de poder e aderindo ao canto da sereia da legenda legal - Foto:wiki\" alt=\"A classe oper\u00e1ria acordava da ressaca do Milagre abandonando as posi\u00e7\u00f5es de poder e aderindo ao canto da sereia da legenda legal - Foto:wiki\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A classe oper\u00e1ria acordava da ressaca do Milagre abandonando as posi\u00e7\u00f5es de poder e aderindo ao canto da sereia da legenda legal<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:wiki<\/small><\/figure>\n<p>Bruno Lima Rocha, Grande Porto Alegre, 01 de novembro de 2008 <\/p>\n<p>A inten&ccedil;&atilde;o do artigo &eacute; debater um tema cl&aacute;ssico da Teoria Pol&iacute;tica. Refor&ccedil;o a id&eacute;ia de que n&atilde;o se trata de &ldquo;novidade&rdquo; e menos ainda uma formula&ccedil;&atilde;o de tipo &ldquo;livre pensador&rdquo;. O que trago para ser lido &eacute; uma parcela do pensamento pol&iacute;tico que est&aacute; no cotidiano de nossas organiza&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Para come&ccedil;ar, &eacute; necess&aacute;rio aportar defini&ccedil;&otilde;es. Que diferen&ccedil;a existe entre os fins e os meios? &Eacute; comum escutarmos uma afirma&ccedil;&atilde;o do tipo: &ldquo;os fins justificam os meios&rdquo;. N&atilde;o concordo. Os meios s&atilde;o o produto dos fins. Na pol&iacute;tica, o processo &eacute; t&atilde;o ou mais importante do que as vit&oacute;rias pontuais. Com a no&ccedil;&atilde;o de fins que justificam qualquer coisa, a finalidade termina sendo &ldquo;qualquer coisa&rdquo;. &Eacute; tudo menos o processo de c&acirc;mbio profundo. Esta forma de pensamento simplista, de que tudo serve, acaba por ser uma f&aacute;brica de traidores de classe. Para quem pensa que exagero, convido que o leitor fa&ccedil;a uma breve pesquisa sobre a trajet&oacute;ria pol&iacute;tica dos homens e mulheres do PT com algum peso tanto no partido como no governo Lula. Nesta lista, a presen&ccedil;a de ex-sindicalistas &eacute; larga. <\/p>\n<p>Um bom exemplo de como n&atilde;o mudar a sociedade <\/p>\n<p>Porque estes militantes sindicais, que enfrentaram a ditadura militar brasileira (1964-1985) no final da d&eacute;cada de &rsquo;70, se deixaram envolver por um projeto pol&iacute;tico que sequer chega a ser reformista? Como sou militante de uma federa&ccedil;&atilde;o anarquista, entendo que a rela&ccedil;&atilde;o de causa e efeito n&atilde;o &eacute; direta e nem pr&eacute;-determinada. Mas, uma das raz&otilde;es porque l&iacute;deres sindicais com trajet&oacute;ria pol&iacute;tica inicial acabaram fortalecendo o neoliberalismo no Brasil, me parece ser &oacute;bvia. Esta milit&acirc;ncia jamais se prop&ocirc;s a organizar um processo de c&acirc;mbio profundo no pa&iacute;s. Mesmo quando alguns deles ainda acreditavam nisso, nunca empregaram as ferramentas necess&aacute;rias. E nem pensaram de forma estrat&eacute;gica para acumular for&ccedil;as visando uma ruptura com a ordem social vigente. Ou seja, se chegaram a ter intencionalidade revolucion&aacute;ria, desde o come&ccedil;o n&atilde;o contaram com o instrumento necess&aacute;rio para isso. <\/p>\n<p>Na tese aprovada em 24 de janeiro de 1979, no IX Congresso dos Trabalhadores Metal&uacute;rgicos, Mec&acirc;nicos e de Material El&eacute;trico do Estado de S&atilde;o Paulo, na cidade de Lins (SP), a disposi&ccedil;&atilde;o de luta se confunde com o instrumento das elei&ccedil;&otilde;es na democracia burguesa. Como o partido j&aacute; nasce de massas &ndash; de filia&ccedil;&atilde;o aberta e sem defini&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-ideol&oacute;gica &ndash; e quer participar da administra&ccedil;&atilde;o do Estado, galgando postos com a competi&ccedil;&atilde;o eleitoral, a radicalidade j&aacute; nascia morta. Vejam as palavras originais daqueles sindicalistas que convocavam o congresso de funda&ccedil;&atilde;o do PT (ver na p&aacute;gina oficial do partido de governo, em documentos, anos &rsquo;70) : <\/p>\n<p>&ldquo;N&atilde;o (queremos) um partido eleitoreiro, que simplesmente eleja representantes na Assembl&eacute;ia, C&acirc;mara e Senado, mas que, al&eacute;m disso e principalmente (o grifo &eacute; meu), seja um partido que funcione do primeiro ao &uacute;ltimo dia do ano, todos os anos, que organize e mobilize todos os trabalhadores na luta por suas reivindica&ccedil;&otilde;es e pela constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade justa, sem explorados e exploradores.&rdquo; <\/p>\n<p>Neste caso, se os fins eram: &ldquo;constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade justa, sem explorados e exploradores&rdquo;, o meio empregado gerava conflito com a finalidade da organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Isso porque, a tend&ecirc;ncia de uma competi&ccedil;&atilde;o pelo voto dentro das regras burguesas &eacute; absorver o esfor&ccedil;o militante. E, &agrave; medida que se vai ocupando postos nas administra&ccedil;&otilde;es locais, este partido se torna respons&aacute;vel cada vez mais respons&aacute;vel pela legalidade capitalista. Ou seja, o caminho tra&ccedil;ado, &ldquo;o meio&rdquo;, est&aacute; em contra &ldquo;o fim&rdquo; tra&ccedil;ado por este partido antes mesmo de ser fundado. O outro equ&iacute;voco &eacute; confundir o movimento popular com um partido de massas de tipo eleitoral. Ambas as propostas ocupam o mesmo espa&ccedil;o pol&iacute;tico e o conflito &eacute; inevit&aacute;vel. Da&iacute; para a luta interna, entre &ldquo;pol&iacute;ticos&rdquo; e &ldquo;massistas&rdquo; &eacute; uma quest&atilde;o de tempo. A decis&atilde;o de agir &ldquo;taticamente&rdquo; dentro do jogo pol&iacute;tico burgu&ecirc;s se revela. &Eacute; um tiro no p&eacute;, um suic&iacute;dio pol&iacute;tico. <\/p>\n<p>A f&oacute;rmula da trai&ccedil;&atilde;o de classe <\/p>\n<p>Outra vez nos deparamos com o dilema de fins e meios. Entendo que na falta de um objetivo permanente, a estrat&eacute;gia n&atilde;o existir&aacute;. Sem estrat&eacute;gia, entramos no reino da t&aacute;tica. A t&aacute;tica marca o momento, a manobra em batalha. A estrat&eacute;gia &eacute; definidora da guerra. Se o plano t&aacute;tico e o &uacute;nico que existe, ent&atilde;o as atividades v&atilde;o corresponder apenas ao curto prazo. Bem, a hist&oacute;ria das lutas sociais nos mostra que a f&oacute;rmula: <\/p>\n<p>pol&iacute;tica de curto prazo + participa&ccedil;&atilde;o eleitoral + partido de massas = <br \/>\n= 1&ordm; reformismo e 2&ordm; trai&ccedil;&atilde;o de classe <\/p>\n<p>Sem a finalidade de c&acirc;mbio profundo, as parcelas de poder ocupadas ser&atilde;o atrav&eacute;s do voto e n&atilde;o das ruas. Tomar esta parcela de poder burgu&ecirc;s tem um custo alto. A m&aacute;quina pol&iacute;tico-partid&aacute;ria cresce, mas quanto mais votos na urna, governos locais e cadeiras no parlamento, quanto menos militantes ficar&atilde;o na organiza&ccedil;&atilde;o de base. Pouco a pouco, a pol&iacute;tica deixa de ser um fim e passa a ser apenas um meio de sobreviv&ecirc;ncia e ascens&atilde;o social. Para os anarquistas, a organiza&ccedil;&atilde;o deve ser uma escola de vida. Na pol&iacute;tica da ex-esquerda que ajuda e se alia com a direita, a &ldquo;escola&rdquo; &eacute; de arrivismo. <\/p>\n<p>N&atilde;o d&aacute; para quebrar concreto com uma colher de pau <\/p>\n<p>Compreendo que os fins s&atilde;o produtos dos meios. Portanto, entendo que o Objetivo (o fim) subordina o M&eacute;todo (o meio). Logo, a Estrat&eacute;gia (o longo prazo) &eacute; marcada pela finalidade, pelo objetivo. E, a t&aacute;tica (o curto prazo), &eacute; subordinada &agrave; estrat&eacute;gia e ao fim. Por isso, n&atilde;o se podem fazer manobras que n&atilde;o sirvam para acumular for&ccedil;as rumo ao Objetivo. Sem os instrumentos pol&iacute;ticos necess&aacute;rios, &eacute; imposs&iacute;vel fazer a constru&ccedil;&atilde;o do processo de c&acirc;mbio. N&atilde;o d&aacute; para quebrar concreto com uma colher de pau.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A classe oper\u00e1ria acordava da ressaca do Milagre abandonando as posi\u00e7\u00f5es de poder e aderindo ao canto da sereia da legenda legal Foto:wiki Bruno Lima Rocha, Grande Porto Alegre, 01 de novembro de 2008 A inten&ccedil;&atilde;o do artigo &eacute; debater um tema cl&aacute;ssico da Teoria Pol&iacute;tica. Refor&ccedil;o a id&eacute;ia de que n&atilde;o se trata de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-932","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/932","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=932"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/932\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=932"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=932"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=932"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}