{"id":933,"date":"2009-02-20T11:52:03","date_gmt":"2009-02-20T11:52:03","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=933"},"modified":"2009-02-20T11:52:03","modified_gmt":"2009-02-20T11:52:03","slug":"uma-analise-libertaria-do-papel-do-estado-e-da-luta-por-direitos-no-capitalismo-neoliberal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=933","title":{"rendered":"Uma an\u00e1lise libert\u00e1ria do papel do Estado e da luta por direitos no Capitalismo Neoliberal"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/_38142968_minersstrike.jpg\" title=\"As duas greves dos mineiros brit\u00e2nicos, em 1979 e a segunda, a de 1984-1985 (foto acima), foram  queda de bra\u00e7o entre os neoliberais e conspiradores de Thatcher e a classe trabalhadora inglesa. Na Batalha da Poll Tax, em 1990, a Dama de Ferro rifou o seu governo para aprovar a medida derrotada.  - Foto:wiki\" alt=\"As duas greves dos mineiros brit\u00e2nicos, em 1979 e a segunda, a de 1984-1985 (foto acima), foram  queda de bra\u00e7o entre os neoliberais e conspiradores de Thatcher e a classe trabalhadora inglesa. Na Batalha da Poll Tax, em 1990, a Dama de Ferro rifou o seu governo para aprovar a medida derrotada.  - Foto:wiki\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">As duas greves dos mineiros brit\u00e2nicos, em 1979 e a segunda, a de 1984-1985 (foto acima), foram  queda de bra\u00e7o entre os neoliberais e conspiradores de Thatcher e a classe trabalhadora inglesa. Na Batalha da Poll Tax, em 1990, a Dama de Ferro rifou o seu governo para aprovar a medida derrotada. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:wiki<\/small><\/figure>\n<p>Bruno Lima Rocha &ndash; Novembro de 2008; escrito en la hermosa ciudad de los decididos de C&oacute;rdoba, la primera <\/p>\n<p>Vamos come&ccedil;ar esta an&aacute;lise da suposta &ldquo;crise do capitalismo&rdquo; sem ancorar os conceitos em uma avalanche de n&uacute;meros. Afinal, detr&aacute;s do volume imenso de recursos que se roubou &ndash; e sim, a palavra certa &eacute; ROUBAR &ndash; existe um sistema de id&eacute;ias operando sobre um conjunto de regras informais e formais. Qualquer trabalhador que encara oito horas por dia de batente, mais uma hora de ida e outra de volta do local de labuta, iria se escandalizar com a base moral do capital, e em especial do capital financeiro. Todo pensamento de esquerda concorda que existe uma apropria&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a de trabalho. O sistema salarial &eacute; isso em ess&ecirc;ncia. Esta id&eacute;ia atravessa a hist&oacute;ria das lutas classistas, e nisto estamos de acordo todos, tanto os reformistas cl&aacute;ssicos, as varia&ccedil;&otilde;es de marxismo economicista, os marxistas heterodoxos e o conjunto das correntes e propostas anarquistas.<\/p>\n<p>O que a maioria das outras ideologias de esquerda n&atilde;o entende, ou n&atilde;o concorda com nosso ponto de vista, &eacute; quanto ao papel do Estado no neoliberalismo. Sim, temos acordo que o ente estatal existe como um reflexo de uma conforma&ccedil;&atilde;o de classes dominantes somada com elites dirigentes. Mas, na etapa chamada de neoliberal, iniciada com a ditadura de Pinochet no Chile (1973), com a vit&oacute;ria eleitoral de Margareth Thatcher na Inglaterra (1979) e de Ronald Reagan nos EUA (1980), o papel do Estado mudou. Hoje j&aacute; n&atilde;o existe sociedade ocidental sem a luta e a defesa de direitos. O direito est&aacute; acima da lei e &eacute; fruto de conquistas da luta dos povos. Em qualquer sociedade que n&atilde;o seja socialista libert&aacute;ria, teremos de nos organizar para garantir e avan&ccedil;ar nos direitos atrav&eacute;s da luta. Sua regulamenta&ccedil;&atilde;o legal &eacute; conseq&uuml;&ecirc;ncia da correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as da classe oprimida e do povo em luta. A luta por direitos expandiu a id&eacute;ia de democracia, ultrapassando os limites da democracia burguesa e de mercado. <\/p>\n<p>Hoje o Poder Pol&iacute;tico est&aacute; muito al&eacute;m de um comit&ecirc; de garantia dos privil&eacute;gios das classes dominantes. Infelizmente dizemos isso, porque no Estado m&iacute;nimo do liberalismo do s&eacute;culo XIX e at&eacute; a d&eacute;cada de 1930, &ldquo;a quest&atilde;o social era um caso de pol&iacute;cia&rdquo;. O reflexo dessa opress&atilde;o das massas trabalhadoras, sem ter quase direito algum mesmo vivendo &ldquo;em democracia&rdquo; levou a uma escalada de luta de classes nunca antes vista na hist&oacute;ria do ocidente. Ap&oacute;s a Crise de 1929 e a 2&ordf; Guerra Mundial, houve uma nova concerta&ccedil;&atilde;o das economias capitalistas. N&atilde;o podemos nos esquecer que havia organiza&ccedil;&atilde;o de classe, intencionalidade de ruptura e uma s&eacute;rie de pa&iacute;ses que viviam sob o Capitalismo de Estado (Bloco Sovi&eacute;tico, China e suas dissid&ecirc;ncias). Na Am&eacute;rica Latina, pensar em revolu&ccedil;&atilde;o social era algo vis&iacute;vel. A bipolaridade (Guerra Fria), as lutas sociais no capitalismo de P&oacute;s-Guerra e o risco de revolu&ccedil;&atilde;o nos pa&iacute;ses do sul da Europa, obrigam o pacto de garantia de direitos aos &ldquo;cidad&atilde;os&rdquo; do ocidente. <\/p>\n<p>O neoliberalismo &eacute;, em suma, a derrota destes direitos m&iacute;nimos. A justificativa &eacute; uma cren&ccedil;a absurda em conceitos fantasiosos como &ldquo;autoregula&ccedil;&atilde;o dos agentes econ&ocirc;micos&rdquo;, &ldquo;liberdade de empreender sem limite&rdquo;, &ldquo;expans&atilde;o das potencialidades individuais&rdquo; e uma &ldquo;acumula&ccedil;&atilde;o de riquezas materiais e imateriais sem fim&rdquo;. Onde estava a riqueza acumulada no Ocidente capitalista? N&atilde;o havia pa&iacute;s algum vivendo de forma socialista e libert&aacute;ria, portanto, n&atilde;o havia economia sem a interven&ccedil;&atilde;o estatista. A cren&ccedil;a dos chamados desenvolvimentistas, dos defensores do Estado de Bem-estar social &ndash; pacto de classes que contou com o apoio dos socialistas reformistas e de todos os partidos comunistas de linha sovi&eacute;tica &ndash; era na regula&ccedil;&atilde;o social atrav&eacute;s do Estado. A cren&ccedil;a da esquerda n&atilde;o-revolucion&aacute;ria era a composi&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as mediante a ocupa&ccedil;&atilde;o de cargos e vagas no poder pol&iacute;tico burgu&ecirc;s para incidir sobre esta regula&ccedil;&atilde;o. Hoje nos encontramos em grande parte nesta posi&ccedil;&atilde;o defensiva porque temos de defender os direitos do povo, conquistados durante o per&iacute;odo do p&oacute;s-guerra at&eacute; a d&eacute;cada de 1980. <\/p>\n<p>A rea&ccedil;&atilde;o dentro do capitalismo triunfa primeiro com a vit&oacute;ria dos economistas formados por Milton Friedman na Universidade de Chicago (por isso eram chamados de &ldquo;chicago boys&rdquo;) aliados aos militares golpistas de Pinochet e com o apoio direto da CIA e do Departamento de Estado, somado &agrave;s interfer&ecirc;ncias de transnacionais como a AT &amp; T. Enquanto se torturava no Est&aacute;dio Nacional e desapareciam com militantes em tumbas clandestinas aos p&eacute;s da Cordilheira dos Andes, os alunos de Friedman, conhecidos no Chile como &ldquo;piranhas devoradoras&rdquo;, elevavam o desemprego, destru&iacute;am o sistema de seguridade social e acabavam com o poder de compra dos sal&aacute;rios. Tudo isso se deu ocupando postos-chave no Estado burgu&ecirc;s sob ditadura. Ou seja, ocupando o Poder Pol&iacute;tico para garantir um sistema de cren&ccedil;as. Pelo rigor da &ldquo;economia&rdquo; como sistema de trocas, servi&ccedil;os e planejamento, o m&eacute;todo neoliberal &eacute; invi&aacute;vel. <\/p>\n<p>O neoliberalismo leva ao caos social, o que n&atilde;o significa revolu&ccedil;&atilde;o social. Este &eacute; outro conceito que os economicistas n&atilde;o entendem porque seu sistema de id&eacute;ias n&atilde;o permite. Nenhum sistema de domina&ccedil;&atilde;o se auto-destr&oacute;i e nem governo algum cai de podre. Um sistema tem de ser destru&iacute;do e substitu&iacute;do por outro. Um governo se derruba, modificando o direito de mando e as institui&ccedil;&otilde;es para exercer este direito. &Eacute; por isso que n&atilde;o existe crise capitalista, porque o capitalismo gera suas crises e a cada crise que gera, ao inv&eacute;s de auto destruir-se, sai ainda mais fortalecido. &Eacute; por isso que &eacute; imposs&iacute;vel pensar em revolu&ccedil;&atilde;o social atrav&eacute;s do Estado Capitalista. Porque este ente, por mais complexo que seja, por mais que garanta alguns interesses p&uacute;blicos, &eacute; instrumento de domina&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o pode ser reconvertido. Para assegurar os direitos das maiorias e modificar o campo das rela&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas &eacute; necess&aacute;rio um Poder Pol&iacute;tico que emane do povo, o Poder Popular. Para exercer este poder de forma que amplie a democracia ao seu limite, garantindo que as decis&otilde;es estrat&eacute;gicas de uma sociedade passem por amplo debate e delibera&ccedil;&atilde;o universal, &eacute; preciso criar regras e institui&ccedil;&otilde;es sociais de participa&ccedil;&atilde;o popular. N&atilde;o h&aacute; democracia centralista assim como n&atilde;o houve gest&atilde;o oper&aacute;ria na antiga Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica se a classe vivia sob regime de produ&ccedil;&atilde;o fordista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As duas greves dos mineiros brit\u00e2nicos, em 1979 e a segunda, a de 1984-1985 (foto acima), foram queda de bra\u00e7o entre os neoliberais e conspiradores de Thatcher e a classe trabalhadora inglesa. Na Batalha da Poll Tax, em 1990, a Dama de Ferro rifou o seu governo para aprovar a medida derrotada. Foto:wiki Bruno Lima [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-933","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/933","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=933"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/933\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=933"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=933"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=933"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}