{"id":94,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=94"},"modified":"2023-03-13T20:44:01","modified_gmt":"2023-03-13T23:44:01","slug":"a-disputa-dentro-da-pf-agentes-x-delegados-artigo-preparatorio-para-a-dissertacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=94","title":{"rendered":"A disputa dentro da PF: agentes X delegados, artigo preparat\u00f3rio para a disserta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sede_PF.jpg\" title=\"\n\n<p >O edif\u00edcio-sede da PF, conhecido como M\u00e1scara Negra, eixo da intelig\u00eancia e das opera\u00e7\u00f5es de maior envergadura ap\u00f3s 1985. O poder gira muito em torno das a\u00e7\u00f5es destes funcion\u00e1rios de carreira. <\/p>\n<p> &#8211; Foto:&#8221; alt=&#8221;<\/p>\n<p >O edif\u00edcio-sede da PF, conhecido como M\u00e1scara Negra, eixo da intelig\u00eancia e das opera\u00e7\u00f5es de maior envergadura ap\u00f3s 1985. O poder gira muito em torno das a\u00e7\u00f5es destes funcion\u00e1rios de carreira. <\/p>\n<p> &#8211; Foto:&#8221; class=&#8221;image&#8221;><figcaption class=\"fig-caption\">\n<p >O edif\u00edcio-sede da PF, conhecido como M\u00e1scara Negra, eixo da intelig\u00eancia e das opera\u00e7\u00f5es de maior envergadura ap\u00f3s 1985. O poder gira muito em torno das a\u00e7\u00f5es destes funcion\u00e1rios de carreira. <\/p>\n<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p>Vila Setembrina dos Farrapos, 3 de junho de 2003<\/p>\n<p>1) Introdu&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A partir do retorno ao regime democr&aacute;tico, com a promulga&ccedil;&atilde;o da nova Constitui&ccedil;&atilde;o no ano de 1988, se inicia uma mudan&ccedil;a que reorganiza e redimensiona aquilo que no regime militar era chamado de comunidade de informa&ccedil;&otilde;es. O trabalho vai se debru&ccedil;ar sobre o redimensionamento e as disputas internas de um destes &oacute;rg&atilde;os. Trata-se de um dos departamentos de pol&iacute;cia do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a (MJ), criado em 1965 pela ditadura, a Pol&iacute;cia Federal-PF (1). Esta tem desenvolvida em seu interior uma disputa entre duas categorias de policiais, que tamb&eacute;m comp&otilde;em redes de alian&ccedil;as distintas e antag&ocirc;nicas, al&eacute;m de propostas diferentes para o funcionamento do &oacute;rg&atilde;o. Referimo-nos aos delegados, organizados na Associa&ccedil;&atilde;o de Delegados da Pol&iacute;cia Federal (ADPF, criada no ano de 1976) e os agentes, organizados na Federa&ccedil;&atilde;o Nacional de Policiais Federais (Fenapef, criada no ano de 1990). O trabalho vai se desdobrar especificamente nesta disputa, entre uma base associada e que exerce fun&ccedil;&otilde;es de controle e dirig&ecirc;ncia da PF (os delegados) e uma base sindicalizada que se contrap&otilde;e aos seus superiores diretos e tem uma outra proposta de subordina&ccedil;&atilde;o, funcionamento e miss&atilde;o para a PF (os agentes). A disputa entre ADPF x Fenapef, as respectivas redes de alian&ccedil;as e as motiva&ccedil;&otilde;es desta disputa s&atilde;o o tema desta disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado.<\/p>\n<p>Para compreendermos um pouco das motiva&ccedil;&otilde;es desta disputa &eacute; necess&aacute;ria uma pequena digress&atilde;o na transi&ccedil;&atilde;o de regimes e nas origens da comunidade de seguran&ccedil;a e informa&ccedil;&otilde;es. O regime de democracia formal que visaria &agrave; consolida&ccedil;&atilde;o do Estado de direito, reinstalado no Brasil ao longo de um processo de transi&ccedil;&atilde;o negociada, depara-se no interior do aparelho de Estado com um ramo de atividade sens&iacute;vel e profundamente marcado pelo regime autorit&aacute;rio. Ainda que esta transi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica tenha se consumado com a nova constitui&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica de 1988 e posteriormente com as elei&ccedil;&otilde;es diretas presidenciais (1989), as institui&ccedil;&otilde;es de car&aacute;ter coercitivo, que permaneceram com poder de pol&iacute;cia e uso sistem&aacute;tico da for&ccedil;a foram praticamente remontadas ou criadas durante a ditadura militar. Dentro do &acirc;mbito espec&iacute;fico do governo da Uni&atilde;o, a chamada comunidade de informa&ccedil;&otilde;es e os organismos de intelig&ecirc;ncia, &eacute; o fruto direto desta cria&ccedil;&atilde;o. Assim, o elemento de perman&ecirc;ncia (2), parte e natureza mesma da atividade (em qualquer regime e modelo de Estado, sob todo e qualquer n&iacute;vel de controle democr&aacute;tico), marca o grau de conflito interno dos profissionais (burocracia policial e de espionagem) e seus interesses pol&iacute;tico-corporativos no n&iacute;vel da Uni&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como exemplo da afirma&ccedil;&atilde;o acima, podemos utilizar a pr&oacute;pria PF. Seus concursos p&uacute;blicos para agentes, t&eacute;cnicos e peritos, ainda de n&iacute;vel m&eacute;dio, iniciaram no ano de 1973 (3), e isto em plena vig&ecirc;ncia do AI-5. Simultaneamente, seus cargos e fun&ccedil;&otilde;es de comando eram indica&ccedil;&otilde;es do Executivo, isto quando n&atilde;o se tratava de cargos comissionados com generais &agrave; frente das Superintend&ecirc;ncias Regionais (SRs na verdade trata-se de &acirc;mbito estadual) e mesmo na Dire&ccedil;&atilde;o Geral (DG, ver Souza, 2000). Apenas para exemplificar com dados, o primeiro curso interno para forma&ccedil;&atilde;o de delegados federais data de 1977, sendo que a PF foi criada em 1965 (ver p&aacute;gina da ADPF).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Salta uma quest&atilde;o central. Isto &eacute;, com todas as fun&ccedil;&otilde;es de relev&acirc;ncia sendo comissionadas, como seria poss&iacute;vel imaginar uma carreira no sentido cl&aacute;ssico do termo, fazendo uma analogia poss&iacute;vel com os militares profissionais? Mesmo no retorno da democracia, a indica&ccedil;&atilde;o para Diretor Geral da PF do ex-diretor do Servi&ccedil;o Secreto do Departamento de Ordem P&uacute;blica e Social da Pol&iacute;cia Civil do estado de S&atilde;o Paulo (SS-DOPS\/SP), posteriormente do conjunto do DOPS (no governo Paulo Maluf, quando o secret&aacute;rio de seguran&ccedil;a era o coronel do Ex&eacute;rcito Erasmo Dias) e logo ap&oacute;s da Superintend&ecirc;ncia da PF\/SP (1983-1985), Romeu Tuma (4) exp&otilde;e a isto que denominamos de perman&ecirc;ncia. Nos anos posteriores ao retorno da democracia, Tuma vai protagonizar pela categoria dos delegados, boa parte dos conflitos internos da PF, sendo chamado pela Fenapef de um dos representantes da perman&ecirc;ncia dos v&iacute;nculos e inger&ecirc;ncia dos militares por sobre a PF. N&atilde;o por coincid&ecirc;ncia, nos primeiros anos de restabelecimento da ordem jur&iacute;dico-democr&aacute;tica, s&atilde;o fundados os primeiros sindicatos estaduais e no ano de <st1:metricconverter productid=\"1990 a\" w:st=\"on\">1990 a<\/st1:metricconverter> Federa&ccedil;&atilde;o Nacional (5). Obviamente que este avan&ccedil;o organizativo tamb&eacute;m significou refor&ccedil;o nas reivindica&ccedil;&otilde;es, sendo realizadas as greves de policiais federais. A sequ&ecirc;ncia de greves e insubordina&ccedil;&otilde;es constitui numa s&eacute;rie de fatos pol&iacute;ticos at&eacute; ent&atilde;o sem precedentes na &aacute;rea de seguran&ccedil;a, ao n&iacute;vel federal, do Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Temos assim, no desdobramento, v&aacute;rios temas cl&aacute;ssicos que se desenvolvem ao longo desta disputa. Podemos citar as vers&otilde;es antag&ocirc;nicas de autonomia burocr&aacute;tica defendida (e\/ou executadas por delegados e agentes); o projeto pol&iacute;tico para toda a corpora&ccedil;&atilde;o (e como &eacute; utilizada a refer&ecirc;ncia do Federal Bureau of Investigation, FBI, &oacute;rg&atilde;o estadunidense que supostamente seria o referente para a PF desde a sua funda&ccedil;&atilde;o); a defesa da manuten&ccedil;&atilde;o da exig&ecirc;ncia (chamada pelos sindicalistas de conquista) de n&iacute;vel superior (3&ordm; grau) para os agentes &#8211; pela Fenapef &#8211; em contra da defesa de n&iacute;vel m&eacute;dio (2&ordm; grau) para esta mesma fun&ccedil;&atilde;o da parte dos delegados.<\/p>\n<p>Mais recentemente tr&ecirc;s temas de fundo v&ecirc;m sendo alvos de disputa: o fim do inqu&eacute;rito de instru&ccedil;&atilde;o normativa (ou seja, a Fenapef aponta que o inqu&eacute;rito seja exercido pelos ju&iacute;zes de instru&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o por delegados); o fim da categoria de delegado na PF (seguindo o modelo do FBI, a Fenapef aponta uma academia &uacute;nica e carreira &uacute;nica, sem a exig&ecirc;ncia de ser bacharel em direito para fun&ccedil;&otilde;es de comando); um processo de escolha democr&aacute;tico para as fun&ccedil;&otilde;es de superintendente-regional e tamb&eacute;m para o diretor-geral (DG) e a pol&ecirc;mica sobre a exist&ecirc;ncia ou n&atilde;o da cria&ccedil;&atilde;o de uma guarda federal fardada (dentro da PF) para controle de fronteiras e\/ou interven&ccedil;&otilde;es nos estados ou regi&otilde;es conturbadas por parte do governo federal. Esta &uacute;ltima proposta saiu do general Alberto Cardoso, ex-ministro-chefe do Gabinete de Seguran&ccedil;a Institucional, GSI, nos dois &uacute;ltimos governos da Uni&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Conforme vemos acima, o tema dos aparelhos de controle do Estado, especificamente do setor de intelig&ecirc;ncia &eacute; uma &aacute;rea de estudo que no per&iacute;odo hist&oacute;rico onde se desenvolve o objeto do trabalho (de 1998 ao fim do segundo governo de Fernando Henrique Cardoso, FHC; em 1&ordm; de janeiro de 2003), se encontra numa situa&ccedil;&atilde;o aparentemente paradigm&aacute;tica. Trava-se uma batalha velada entre atores opostos, setores e redes de rela&ccedil;&otilde;es. D&aacute;-se, de fato, um jogo posicional no interior da PF entre alas legalistas-sindicalizadas, setores mais pr&oacute;ximos da continuidade da tutela militar e outro segmento, perme&aacute;vel &agrave; inger&ecirc;ncia estrangeira (dos Estados Unidos da Am&eacute;rica, EUA, atrav&eacute;s de seus organismos policiais e\/ou de intelig&ecirc;ncia (6). Nos referimos respectivamente aos agentes sindicalizados, pr&oacute;ximos do Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal (MP); dos delegados associados, alinhados com as propostas e pol&iacute;ticas origin&aacute;rias do GSI e finalmente dos setores cujo financiamento tem origem das verbas de coordena&ccedil;&atilde;o e ajuda dos adidos de intelig&ecirc;ncia da embaixada dos EUA. Nos referimos especificamente ao extinto Setor de Orienta&ccedil;&atilde;o e Intelig&ecirc;ncia Policial, SOIP; hoje este &oacute;rg&atilde;o &eacute; setor &eacute; chamado de Diretoria de Intelig&ecirc;ncia Policial, formando a sigla de passado hist&oacute;rico com reputa&ccedil;&atilde;o duvidosa, DIP (7).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Simultaneamente, no plano dos estudos acad&ecirc;micos, caberia uma observa&ccedil;&atilde;o curta. Segundo nossa compreens&atilde;o, se observa estes fen&ocirc;menos e situa&ccedil;&otilde;es dentro de uma &aacute;rea de estudos que cobrem as for&ccedil;as armadas (FFAA), Estado, transi&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas (a ex., uma refer&ecirc;ncia permanente se encontra em Stepan, 1986) e tutela militar (Zaverucha, 1994 e 2000). Neste trabalho, procuraremos afirmar, a partir destas refer&ecirc;ncias, uma forma de an&aacute;lise complementar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Portanto, um dos intuitos da disserta&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m &eacute; contribuir para abrir caminhos que busquem um paradigma apropriado ao estudo destes &oacute;rg&atilde;os no Brasil atual. Afirmamos que a quest&atilde;o de fundo n&atilde;o &eacute; o retorno a um regime fechado ou a possibilidade de derrocada da democracia brasileira. Existe este ponto de vista e interesse no interior das disputas dos aparelhos de intelig&ecirc;ncia, assim como tamb&eacute;m h&aacute; autonomia burocr&aacute;tica, quebra de hierarquia e insubordina&ccedil;&atilde;o, opera&ccedil;&otilde;es feitas &agrave; revelia da cadeia de comando, algum grau de corrup&ccedil;&atilde;o por vezes acusada de ser end&ecirc;mica e permeando uma boa parte de sua estrutura(8), em diversos &oacute;rg&atilde;os coercitivos, mas, reafirmamos que o tema central n&atilde;o &eacute; este.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N&atilde;o se trata assim de democracia tutelada e\/ou op&ccedil;&atilde;o por um regime de for&ccedil;a, mas sim conflu&ecirc;ncia de m&uacute;ltiplos interesses conflitantes dentro deste universo que tem natureza compartimentada. Isto &eacute;, onde o sigilo investigativo e o segredo de Estado tornam dif&iacute;ceis a penetra&ccedil;&atilde;o de atores externos e a respectiva possibilidade de controle, ainda que institucional. Estamos tratando tamb&eacute;m das disputas pela possibilidade de realiza&ccedil;&atilde;o dos projetos pol&iacute;ticos dos seguintes atores, que, segundo nosso mapeamento e classifica&ccedil;&atilde;o pr&eacute;vios, no que diz respeito da PF, j&aacute; expostos nos par&aacute;grafos anteriores, s&atilde;o:<\/p>\n<p>&#8211; segmentos da burocracia do Estado que s&atilde;o continuidade do regime militar;<\/p>\n<p>&#8211; setores organizados atrav&eacute;s de sindicato;<\/p>\n<p>&#8211; redes de rela&ccedil;&otilde;es e lealdades pessoais, com motiva&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gico-legalistas ou pr&oacute;-tutela militar;<\/p>\n<p>&#8211; inger&ecirc;ncias do Estado mais potente do planeta &#8211; Estados Unidos da Am&eacute;rica, EUA &#8211; sobre as pol&iacute;ticas de intelig&ecirc;ncia do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ainda que a afirmativa possa parecer demasiado complexa, estamos afirmando que o objeto de estudo do trabalho, a contradi&ccedil;&atilde;o e a disputa entre ADPF x Fenapef, se d&aacute; num ambiente voltado para operar sobre dois conflitos simult&acirc;neos. Um &eacute; permanente, de longo prazo, inflex&iacute;vel e estrat&eacute;gico para este modelo de Estado. Parte da natureza do jogo das antecipa&ccedil;&otilde;es (Huntington 1975, p.284), onde todos os atores de intelig&ecirc;ncia, hoje com algum grau de disputas entre si, se unificam (em hip&oacute;tese estrat&eacute;gica) contra a possibilidade de articula&ccedil;&atilde;o de um inimigo comum. Isto &eacute;, uma oposi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-social com orienta&ccedil;&otilde;es de ruptura (ABIN apud Beaklini 2001, 9) &#8211; ainda que inexistente, ou sem poder de realiza&ccedil;&atilde;o &#8211; orienta os organismos por ser simplesmente seu inimigo de longo prazo. A supress&atilde;o da possibilidade de existir um ou mais agentes pol&iacute;ticos de ruptura (Tzu 1996 e Tzu 1958) &eacute; assim um dos objetivos estrat&eacute;gicos (portanto permanentes) de todas as institui&ccedil;&otilde;es que operam na &aacute;rea de intelig&ecirc;ncia no Brasil. A listar, o Centro de Intelig&ecirc;ncia do Ex&eacute;rcito, CIEx; Centro de Intelig&ecirc;ncia da Marinha, CIM; Secretaria de Intelig&ecirc;ncia da Aeron&aacute;utica, SECINT; a Diretoria de Intelig&ecirc;ncia Policial da PF, DIP; a pr&oacute;pria Ag&ecirc;ncia Brasileira de Intelig&ecirc;ncia, ABIN; al&eacute;m do servi&ccedil;o de intelig&ecirc;ncia lotado no Minist&eacute;rio das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores, Itamaraty e os respectivos organismos de cada estado da Uni&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um outro conflito travado simultaneamente, tamb&eacute;m &eacute; de longo prazo. Serve muitas vezes de pano de fundo para a disputa entre delegados e agentes. Trata-se da tentativa de maior autonomiza&ccedil;&atilde;o por parte da institui&ccedil;&atilde;o policial civil (a que estudamos &eacute; a PF) contra a prerrogativa das FFAA (particularmente do Ex&eacute;rcito Brasileiro, EB) sobre estas exercidas, atrav&eacute;s do Gabinete de Seguran&ccedil;a Insitucional (GSI, &oacute;rg&atilde;o da presid&ecirc;ncia que &eacute; a continuidade da extinta Casa Militar). A disputa &eacute; t&atilde;o real que consta literalmente do Programa Sindical da Fenapef: &ldquo;barrar a influ&ecirc;ncia do GSI sobre a PF&rdquo; (ver Beaklini 2001 e p&aacute;gina da Fenapef). As propostas de democracia interna na indica&ccedil;&atilde;o para cargos de confian&ccedil;a visam barrar a alegada influ&ecirc;ncia do GSI na indica&ccedil;&atilde;o destes nomes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para exemplificar o que afirmamos acima, citamos o caso do delegado Jo&atilde;o Batista Campelo, que substitui ao ent&atilde;o todo-poderoso Vicente Chelotti no ano de 1999. O detalhe &eacute; que Chelotti j&aacute; ia para o seu quarto ano no cargo de DG, se mantendo nas gest&otilde;es do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a de N&eacute;lson Jobim, &Iacute;ris Resende e Renan Calheiros. Seu nome foi bancado pelo GSI (via gal. Cardoso) e s&oacute; n&atilde;o emplacou no cargo (ficou apenas tr&ecirc;s dias) pelas acusa&ccedil;&otilde;es de ter participado de torturas nos anos 70 no nordeste (vide revista semanal Isto&Eacute;, 23 de junho de 2003, n&uacute;mero 1551, (&ldquo;O passado condenou&rdquo;). A Fenapef afirma serem indicados, fora os apadrinhamentos pol&iacute;ticos normais no funcionamento do sistema de esp&oacute;lio (spoil system), nomes de delegados pr&oacute;ximos ou remanescentes da comunidade de informa&ccedil;&otilde;es no regime anterior. A chamada Era Tuma (1985-1994), ele mesmo protagonista do aparelho de repress&atilde;o pol&iacute;tica, seria o coroamento deste elemento de perman&ecirc;ncia, prorrogando o conflito no interior do &oacute;rg&atilde;o at&eacute; os dias atuais (10).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Existem projetos distintos para a PF, orientados para metas opostas, que tamb&eacute;m se relacionam com posi&ccedil;&otilde;es outras dentro do universo dos profissionais e agentes de seguran&ccedil;a nacional e de intelig&ecirc;ncia (de Estado, militar e policial). A&iacute; sim, existe a disputa exacerbada entre a tutela militar e a autonomia do Estado de direito, e a possibilidade de controle mais transparente contra a manuten&ccedil;&atilde;o das prerrogativas militares. Por fim, a capacidade em si de operar e trabalhar como defesa e motiva&ccedil;&atilde;o deste ou daquele interesse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Damos como exemplo desta disputa, no interior da PF e no Executivo do pa&iacute;s, o epis&oacute;dio da greve dos policiais federais de 1994. Ocorrida j&aacute; na gest&atilde;o do coronel Rom&atilde;o, governo Itamar Franco, na &eacute;poca o ministro da Justi&ccedil;a era Alexandre Dupeyrat e o ministro do EB o gal. Zenildo Zoroastro de Castro. Neste momento, v&aacute;rias superintend&ecirc;ncias da PF foram ocupadas por tropas do Ex&eacute;rcito, sendo que os militares inclusive tomaram alguns postos de fronteira (em Foz do Igua&ccedil;u, por exemplo). A greve durou sessenta e cinco dias (65) e marcou um conflito em potencial entre tropas federais e policiais federais (11). Um outro exemplo de uma prerrogativa militar sobre a PF &eacute; a possibilidade, pelas vias legais, da ABIN e a Senad (sob tutela do GSI) requisitar pessoal da PF para executar tarefas subordinadas ao GSI. Entendemos que estes dois exemplos acima marcam algum n&iacute;vel de continuidade de prerrogativas militares sobre o &oacute;rg&atilde;o civil, tendo o protagonismo das FFAA (a partir da doutrina de defesa interna) para quest&otilde;es de seguran&ccedil;a de Estado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Especificamente, caracterizamos o estudo dos organismos de repress&atilde;o social e intelig&ecirc;ncia &#8211; considerando contra-intelig&ecirc;ncia no mesmo n&iacute;vel de an&aacute;lise &#8211; como pr&oacute;prio da &aacute;rea de estudos estrat&eacute;gicos, da estrat&eacute;gia geral em sentido pleno (12), e neste universo de an&aacute;lise nos moveremos prioritariamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma vez definida a &aacute;rea de estudo, os objetivos estrat&eacute;gicos apontados (o tema gen&eacute;rico), retomamos ao tema propriamente dito. De forma secund&aacute;ria, como pano de fundo, desenvolveremos um estudo institucional e anal&iacute;tico a respeito da atua&ccedil;&atilde;o do organismo de intelig&ecirc;ncia e repress&atilde;o do Departamento de Pol&iacute;cia Federal, DPF ou PF (13). Esta parte complementar se concentra na seguinte rela&ccedil;&atilde;o multilateral e complexa: miss&atilde;o institucional da PF como organismo de repress&atilde;o pol&iacute;tica e social, via Coordena&ccedil;&atilde;o-Geral de Ordem Pol&iacute;tica e Social &ndash; CGOPS(14) e do &oacute;rg&atilde;o de intelig&ecirc;ncia do DPF (ex-SOIP), a DIP (vide dossi&ecirc; Carta Capital, e p&aacute;gina oficial do DPF), miss&atilde;o que se desenvolve sobre algumas possibilidades de conflitos j&aacute; existentes. Um exemplo do que narramos &eacute; a tensa rela&ccedil;&atilde;o com o Movimento de Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).<\/p>\n<p>Simultaneamente, identificaremos e analisaremos as vozes concordantes e dissonantes dentro desta burocracia-policial. Isto se dar&aacute; a partir dos atores coletivos j&aacute; apontados, ADPF x Fenapef, e seu posicionamento pol&iacute;tico para com esta miss&atilde;o na institui&ccedil;&atilde;o &#8211; compartilhada com as prerrogativas militares de defesa interna &#8211; a qual fazem parte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Conforme afirmamos anteriormente, no centro do estudo e foco do trabalho, identificamos e reconhecemos um jogo de posi&ccedil;&otilde;es, uma disputa travada dentro da PF. Esta &eacute; identificada coletivamente entre a Federa&ccedil;&atilde;o Nacional de Policiais Federais (Fenapef, federa&ccedil;&atilde;o nacional de sindicatos estaduais de agentes) e os respectivos sindicatos estaduais em contra da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Delegados da Pol&iacute;cia Federal (ADPF) e tamb&eacute;m respectivamente suas associa&ccedil;&otilde;es estaduais. Esta disputa representa interesses corporativos, de projetos para a PF (fun&ccedil;&atilde;o e funcionamento) e tamb&eacute;m das lealdades e alian&ccedil;as externas ao &oacute;rg&atilde;o. As vincula&ccedil;&otilde;es das disputas se relacionam com a continuidade da inger&ecirc;ncia militar; da aproxima&ccedil;&atilde;o operacional com o Minist&eacute;rio P&uacute;blico; de aceitar ou n&atilde;o a coordena&ccedil;&atilde;o do Gabinete de Seguran&ccedil;a Institucional e sua Ag&ecirc;ncia Brasileira de Intelig&ecirc;ncia (GSI\/ABIN); dos financiamentos e inger&ecirc;ncias diretas dos EUA, feitas a partir da Embaixada em Bras&iacute;lia atrav&eacute;s das representa&ccedil;&otilde;es do FBI, DEA e CIA; da cria&ccedil;&atilde;o ou n&atilde;o de um setor fardado e militarizado dentro da PF; relacionando isto &agrave; n&atilde;o-exig&ecirc;ncia de 3&ordm; grau para ingresso como agente de pol&iacute;cia federal; a contraparte da FENAPEF, propondo uma reforma no inqu&eacute;rito policial e no modelo de funcionamento da PF, se aproximando assim do modelo de origem da matriz da Pol&iacute;cia Federal, o pr&oacute;prio FBI estadunidense, onde n&atilde;o existe a categoria do delegado, nem a exig&ecirc;ncia de estudos jur&iacute;dicos, apenas o seu indicativo (15).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Consideraremos tamb&eacute;m as redes de lealdades pessoais e corporativas montadas dentro e no per&iacute;metro do organismo, tendo como base atores pol&iacute;ticos individuais que s&atilde;o chave para seu funcionamento. Um mapeamento imediato identifica aos seguintes atores contempor&acirc;neos: Francisco Garisto da Veiga (paulista da capital, agente, sindicalista, presidente da FENAPEF), Romeu Tuma (paulista da capital, senador pelo PFL de S&atilde;o Paulo, policial civil de carreira no DOPS, ex-DG durante os anos 1985-1992) e Vicente Chelotti (ga&uacute;cho de Faxinal do Soturno, delegado federal, ex-sindicalista, ex-DG durante os anos 1995-1999, participante de disputa corporativa e de espionagem com o GSI\/ABIN, candidato a deputado federal em 2002 pelo PMDB\/DF). De fora do organismo, um personagem central (como figura p&uacute;blica da continuidade das prerrogativas e da tutela militar), o general Alberto Cardoso (ex-chefe da Casa Militar e do GSI dos dois governos de Fernando Henrique Cardoso, art&iacute;fice p&uacute;blico da montagem do novo Sistema Brasileiro de Intelig&ecirc;ncia, SISBIN).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O estudo e a an&aacute;lise desenvolvidos em cima de atores coletivos, a Fenapef e a ADPF e atores pol&iacute;ticos singulares (os indiv&iacute;duos que citamos acima), tender&aacute; a cruzar dados, an&aacute;lises, relatos, fontes abertas acompanhamento via trabalho de campo. Apresentados aqui os lineamentos gerais do trabalho, seguimos em seus aspectos mais t&eacute;cnicos e metodol&oacute;gicos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2) O Tema da pesquisa<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O universo da pesquisa pode ser compreendido como um c&iacute;rculo conc&ecirc;ntrico de tr&ecirc;s aros. O primeiro aro &eacute; o mais amplo no que se refere ao pr&oacute;prio. Isto &eacute;, se trata do estudo da possibilidade das antecipa&ccedil;&otilde;es executadas (ou pr&eacute;-executadas) por parte dos organismos de repress&atilde;o policial e intelig&ecirc;ncia (genericamente de defesa do Estado) contra supostos advers&aacute;rios estrat&eacute;gicos (inimigos). A pr&oacute;pria atividade de intelig&ecirc;ncia (seja para defesa do Estado, policial, militar ou de &acirc;mbito financeiro) s&oacute; se desenvolve a partir da probabilidade, coleta e busca das bases destas antecipa&ccedil;&otilde;es. Ou seja, trata-se da pr&oacute;pria natureza da atividade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O segundo aro &eacute; o ambiente desenvolvido no Brasil, da continuidade de rela&ccedil;&otilde;es de for&ccedil;a e prerrogativas militares em institui&ccedil;&otilde;es operacionais (repress&atilde;o e intelig&ecirc;ncia) para a ordem p&uacute;blica (pol&iacute;tica e social), criminalidade e pol&iacute;cia judici&aacute;ria. Especificamente trata-se da perman&ecirc;ncia das tentativas de controle por parte do GSI durante os processos de crise interna da PF, na disputa dentro e pelos setores de intelig&ecirc;ncia e na remontagem do sistema deixado em aberto ap&oacute;s a extin&ccedil;&atilde;o do Servi&ccedil;o Nacional de Informa&ccedil;&otilde;es (SNI e seu respectivo sistema, SISNI).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O terceiro aro &eacute; precisamente o tema em si da pesquisa, &eacute; o reflexo e for&ccedil;a motriz de tudo isto, dentro e a partir da crise interna da Pol&iacute;cia Federal. A partir de fontes abertas se identificam os quatro setores retratados na apresenta&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o eles: sindicalizados; delegados vinculados &agrave; tutela; setores financiados pelas ag&ecirc;ncias dos EUA e um grupo corporativo vinculado ao ex-superintendente Chelotti. Destes quatro atores nos concentraremos especificamente na disputa entre a Fenapef e a ADPF, como institui&ccedil;&otilde;es de representa&ccedil;&atilde;o coletiva de agentes sindicalizados e delegados, respectivamente.<\/p>\n<p>3) Justificativa da relev&acirc;ncia do trabalho<\/p>\n<p>A relev&acirc;ncia deste tipo de estudo e do trabalho proposto em espec&iacute;fico tem v&aacute;rias justificativas, uma miscel&acirc;nea de motivos que expomos aqui de forma sint&eacute;tica. Entendemos que h&aacute; uma grande produ&ccedil;&atilde;o da Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica, concentrada no estudo dos regimes de for&ccedil;a (ou fechados, ditaduras republicanas) e da posterior transi&ccedil;&atilde;o destes regimes na Am&eacute;rica Latina. Neste marco ampliado de estudo do Estado, Institui&ccedil;&otilde;es e For&ccedil;as Armadas &#8211; especificamente como atores pol&iacute;ticos &#8211; j&aacute; existe uma ampla produ&ccedil;&atilde;o brasileira a respeito do papel dos militares na pol&iacute;tica, da atua&ccedil;&atilde;o e autonomiza&ccedil;&atilde;o da chamada comunidade de seguran&ccedil;a e informa&ccedil;&otilde;es e da posterior tutela durante um regime democr&aacute;tico. Entendemos que de uma forma ampliada, o tipo de trabalho proposto pela pesquisa assim se enquadra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma caracter&iacute;stica a ser buscada no trabalho &eacute; a observa&ccedil;&atilde;o do modus operandi dos atores coletivos estudados. Isto &eacute;, suas redes de alian&ccedil;as, press&otilde;es institucionais, medidas de luta, alian&ccedil;as com outros setores do Estado, apoios de parlamentares &#8211; incluindo a&iacute; os deputados federais e senadores que s&atilde;o, ou foram, policiais federais de carreira. Isto se soma com um tipo de estudo, este sim j&aacute; consagrado, que &eacute; o jogo posicional de atores pol&iacute;ticos no interior de institui&ccedil;&otilde;es do Estado. Jogo esse que &eacute; reflexo, mas tamb&eacute;m incide sobre o cen&aacute;rio pol&iacute;tico e do universo das pol&iacute;ticas de seguran&ccedil;a, simultaneamente. A relev&acirc;ncia dos atores coletivos se d&aacute; sobre a exist&ecirc;ncia de uma base de policiais federais sindicalizados, com alto grau de participa&ccedil;&atilde;o e insubordina&ccedil;&atilde;o para com a hierarquia burocr&aacute;tica. Como contraparte, a categoria de delegados de pol&iacute;cia federal, bachar&eacute;is em direito por forma&ccedil;&atilde;o e exig&ecirc;ncia do cargo, e cuja associa&ccedil;&atilde;o de classe j&aacute; foi presidida por alguns ex-superintendentes gerais da PF. &Eacute; o caso de Romeu Tuma assim como do atual superintendente Paulo Lacerda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Observar e analisar este jogo posicional, seja dos atores coletivos (Fenapef, ADPF e mesmo APCF), seja dos indiv&iacute;duos (Garisto, Tuma, Chelotti, Alberto Cardoso), nos permitir&aacute; compreender a sensibilidade do momento de remontagem (a partir da consolida&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica) de um sistema de intelig&ecirc;ncia (o conjunto do SISNI, onde a PF se enquadrava) compreendido e proposto a partir da pr&oacute;pria estrutura&ccedil;&atilde;o de um regime de for&ccedil;a (1964-1985). H&aacute; relev&acirc;ncia, pois permitir&aacute; um aumento (modesto, mas contundente) da capacidade anal&iacute;tica sobre os aparelhos e organismos de pol&iacute;cia e intelig&ecirc;ncia e da compreens&atilde;o dos limites do jogo real, as limita&ccedil;&otilde;es impostas sobre um regime democr&aacute;tico latino-americano dotado de organismos do g&ecirc;nero em funcionamento e disputa interna.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4) Hip&oacute;teses<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Temos duas hip&oacute;teses concentradas no c&iacute;rculo mais conc&ecirc;ntrico do tema de pesquisa (o de aro mais fechado). Todas se desenvolvem dentro do marco estrito do estudo sobre o conflito interno da PF e s&atilde;o apresentadas de em ordem de import&acirc;ncia decrescente (ou seja, mais afastado tema central). S&atilde;o elas:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4.1 &#8211; A disputa entre a ADPF x Fenapef, num sentido mais amplo, &eacute; a contradi&ccedil;&atilde;o e disputa entre a prerrogativa de controle militar e a ala legalista, pr&oacute;-democracia de direito e pr&oacute;-controle civil de fato sobre o aparato de seguran&ccedil;a-intelig&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4.2 &#8211; O FBI como refer&ecirc;ncia para a PF n&atilde;o &eacute; algo exequ&iacute;vel. Isto levando em conta tanto a g&ecirc;nese do &oacute;rg&atilde;o como o desenvolvimento da corpora&ccedil;&atilde;o. Este modelo e refer&ecirc;ncia &eacute; uma contradi&ccedil;&atilde;o perante a tutela militar, a falta de autonomia perante o Executivo (especificamente a Presid&ecirc;ncia e os partidos aliados) e a inger&ecirc;ncia dos EUA sobre a PF.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>5) Objetivos<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os objetivos do trabalho obviamente se relacionam com as hip&oacute;teses levantadas e a possibilidade de comprov&aacute;-las. Al&eacute;m disso, tem a inten&ccedil;&atilde;o de somar e colaborar com o conhecimento pol&iacute;tico sobre &aacute;reas que por vezes se escondem sob apar&ecirc;ncias jur&iacute;dico-normativas e\/ou t&eacute;cnicas.<\/p>\n<p>Reconhecemos tamb&eacute;m estas caracter&iacute;sticas, mas n&atilde;o deixamos de buscar os eixos pol&iacute;ticos que tra&ccedil;am e condicionam a atua&ccedil;&atilde;o dos atores que estudamos. Apontamos a seguir, especificamente tr&ecirc;s objetivos, sendo que o terceiro est&aacute; al&eacute;m das hip&oacute;teses do &iacute;tem 4. S&atilde;o eles:<\/p>\n<p>5.1 &#8211; Estudar a continuidade das prerrogativas de controle militar, atrav&eacute;s dos v&iacute;nculos entre delegados federais &#8211; comunidade de informa&ccedil;&otilde;es &#8211; alto oficialato (via GSI); acrescentado o que este v&iacute;nculo significa em termos de barrar uma plena atua&ccedil;&atilde;o da PF. Tais prerrogativas implicam em modelo de privil&eacute;gios, inger&ecirc;ncia pol&iacute;tica, perda de capacidade operacional e choque de lealdades.<\/p>\n<p>5.2 &#8211; Estudar como as disputas internas na PF em regime democr&aacute;tico e com base sindicalizada aponta uma tentativa de reforma no aparato policial (da parte da Fenapef). Esse intento encontra eco no MP (dos estados, mas especificamente o federal), resson&acirc;ncia (alegada) da m&iacute;dia, mas pouca ou nenhuma efetiva&ccedil;&atilde;o concreta. O Plano Nacional de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica, a n&atilde;o-interven&ccedil;&atilde;o federal no Esp&iacute;rito Santo (ambos epis&oacute;dios no 2&ordm; governo de Fernando Henrique) e a nomea&ccedil;&atilde;o de Paulo Lacerda (j&aacute; no governo Lula) s&atilde;o exemplos que reiteram esta afirma&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>6) Uma parte de metodologia e seus derivados<\/p>\n<p>1a vers&atilde;o de question&aacute;rio b&aacute;sico a ser aplicado como roteiro de entrevista na pesquisa de campo da disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado. As perguntas n&atilde;o est&atilde;o ainda em nenhuma proposta de ordem para serem feitas.<\/p>\n<p>Como o senhor analisa as acusa&ccedil;&otilde;es de inger&ecirc;ncia dos EUA (a exemplo do dossi&ecirc; da revista Carta Capital), atrav&eacute;s da embaixada e com financiamento direto de opera&ccedil;&otilde;es treinamento por parte da CIA, DEA e FBI, no interior da PF? Estas den&uacute;ncias procedem? H&aacute; setores que n&atilde;o respondem mais &agrave; hierarquia do &oacute;rg&atilde;o e sim diretamente &agrave;s ag&ecirc;ncias dos EUA? Se a afirma&ccedil;&atilde;o for positiva, quais seriam as alternativas para realizar estas opera&ccedil;&otilde;es, equipagem e treinamento?<\/p>\n<p>Qual &eacute; baseado na opini&atilde;o do senhor e em sua experi&ecirc;ncia profissional, a rela&ccedil;&atilde;o e a possibilidade de trabalho em conjunto entre a PF e o GSI\/ABIN? Quais seriam, ainda na opini&atilde;o do senhor, os pap&eacute;is precisos da PF e da ABIN? Quem deveria operar, aonde e sob qual tipo de coordena&ccedil;&atilde;o? No plano do concreto, que tipo de influ&ecirc;ncia exercia o general Cardoso sobre a PF e o conjunto da &ldquo;comunidade de intelig&ecirc;ncia&rdquo;, especialmente a partir da queda de Vicente Chelotti at&eacute; o fim do 2o mandato de Fernando Henrique?<\/p>\n<p>Como entende que deveriam ser as carreiras de delegado e agente na PF? Considera poss&iacute;vel uma PF sob os moldes do FBI atual (p&oacute;s-Hoover e com carreira operacional &uacute;nica)? Considera poss&iacute;vel uma PF onde os agentes voltem a ter exig&ecirc;ncia de 2o grau completo ao inv&eacute;s de n&iacute;vel superior?<\/p>\n<p>O que o sr. pensa sobre as transforma&ccedil;&otilde;es no MJ? Deveria funcionar como um Minist&eacute;rio do Interior? Considera necess&aacute;rio a exist&ecirc;ncia de uma guarda federal fardada e com emprego a n&iacute;vel nacional? Existindo esta guarda, como ficaria a rela&ccedil;&atilde;o com o Ex&eacute;rcito, especialmente em zonas que h&aacute; Pelot&otilde;es Especiais de Fronteira? Seria empregada somente na faixa de fronteira ou tamb&eacute;m para interven&ccedil;&atilde;o nos estados?<\/p>\n<p>Qual deveria ser, tanto o crit&eacute;rio como a motiva&ccedil;&atilde;o para uma interven&ccedil;&atilde;o federal em estados, micro-regi&otilde;es e\/ou munic&iacute;pios? Seria, apenas para exemplificar:<\/p>\n<p>Por calamidade p&uacute;blica? Zona de emerg&ecirc;ncia? Por corrup&ccedil;&atilde;o end&ecirc;mica? Por rebeli&atilde;o de pol&iacute;cias? &Aacute;rea de seguran&ccedil;a nacional? Descontrole do Estado, como no chamado Pol&iacute;gono da Maconha? Munic&iacute;pios na faixa de fronteira? Tratando de um caso espec&iacute;fico, foi a favor da interven&ccedil;&atilde;o federal no Esp&iacute;rito Santo, a que n&atilde;o ocorreu, no ano de 2002? Porque?<\/p>\n<p>Pediria ao senhor que fizesse uma an&aacute;lise profissional e pol&iacute;tica, pormenorizada, dos seguintes profissionais, quando no exerc&iacute;cio de fun&ccedil;&otilde;es de chefia e lideran&ccedil;a em suas institui&ccedil;&otilde;es e\/ou corpora&ccedil;&otilde;es:<\/p>\n<p>&#8211; A gest&atilde;o de Vicente Chelotti como presidente da ADPF?<\/p>\n<p>&#8211; A gest&atilde;o de Vicente Chelotti como DG da PF?<\/p>\n<p>&#8211; A gest&atilde;o de Romeu Tuma como DG da PF? A presen&ccedil;a pol&iacute;tica e profissional de Tuma no &oacute;rg&atilde;o?<\/p>\n<p>&#8211; A gest&atilde;o de Romeu Tuma na presid&ecirc;ncia da ADPF?<\/p>\n<p>&#8211; A atua&ccedil;&atilde;o e trajet&oacute;ria de Francisco Garisto no movimento sindical da PF, incluindo a greve de 1994? A gest&atilde;o dele na Fenepef? A trajet&oacute;ria profissional de Garisto como agente da PF?<\/p>\n<p>Qual &eacute; hoje, o grau de coordena&ccedil;&atilde;o entre os MPs estaduais e Federal com a PF? Considera a atua&ccedil;&atilde;o do GAECO do MP-SP e a Superintend&ecirc;ncia naquele estado como modelar? Qual seria ent&atilde;o o tipo de coordena&ccedil;&atilde;o, incluindo o n&iacute;vel dos recursos e o grau de autonomia t&aacute;tica, necess&aacute;rios para fazer frente &agrave;s urg&ecirc;ncias investigativas e processuais?<\/p>\n<p>Como o senhor v&ecirc; o papel da PF como &oacute;rg&atilde;o executor de repress&atilde;o pol&iacute;tica e social? Esta fun&ccedil;&atilde;o seria da ABIN? Seria da pr&oacute;pria PF? Como se dariam ent&atilde;o as antecipa&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para cumprir o trabalho? Deveria ser exercida, por exemplo, a repress&atilde;o &agrave;s r&aacute;dios comunit&aacute;rias?<\/p>\n<p>O senhor v&ecirc; necessidade da figura do delegado no processo de instru&ccedil;&atilde;o? Quem deveria executar o processo &eacute; o delegado ou o juiz de instru&ccedil;&atilde;o? Como funcionaria ent&atilde;o uma pol&iacute;cia exclusivamente investigativa e judici&aacute;ria?<\/p>\n<p>Como o senhor v&ecirc; o papel da Fenapef e dos sindicatos estaduais na PF? Tanto hoje como durante a gest&atilde;o de Chelotti como DG? Como o sr. v&ecirc; o papel da ADPF e as respectivas associa&ccedil;&otilde;es e sindicatos estaduais de delegados, na PF? Tanto hoje como durante a gest&atilde;o de Chelotti?<\/p>\n<p>Se o senhor fizesse um mapeamento da institui&ccedil;&atilde;o, quantos setores de fato existem hoje? Seus interesses s&atilde;o conflitantes, s&atilde;o confluentes? Seus projetos para o &oacute;rg&atilde;o s&atilde;o conflitantes, s&atilde;o confluentes? A hierarquia do &oacute;rg&atilde;o exerce de fato poder de mando no conjunto dos servidores? Que setores t&ecirc;m autonomia dentro da pr&oacute;pria institui&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p>Existe continu&iacute;smo na PF? Existe continu&iacute;smo de resqu&iacute;cios e pessoal do regime militar? Que relev&acirc;ncia tem esse continu&iacute;smo, caso exista, para a filosofia de trabalho do &oacute;rg&atilde;o?<\/p>\n<p>Existe alguma transpar&ecirc;ncia na PF? Que tipo de transpar&ecirc;ncia e rela&ccedil;&atilde;o com a sociedade, na opini&atilde;o do sr., deveria existir?<\/p>\n<p>Caso o sr. tivesse poder de mando e execu&ccedil;&atilde;o, que mudan&ccedil;as realizaria na PF?<\/p>\n<p>Fontes bibliogr&aacute;ficas e hemerogr&aacute;ficas do Projeto<\/p>\n<p>Bibliografia<\/p>\n<p>BEAKLINI, Bruno. O Grampo do BNDES: um di&aacute;logo da ABIN coim a m&iacute;dia oficiosa. Rio de Janeiro, UFRJ\/CFCH\/ECO (monografia de conclus&atilde;o do curso de comunica&ccedil;&atilde;o social-jornalismo) 2001, 143p.<\/p>\n<p>ESG. Manual B&aacute;sico. Rio de Janeiro, ESG, 1992, 336p.<\/p>\n<p>FICO, Carlos. Como eles agiam. S&atilde;o Paulo, Record, 2001, 269p.<\/p>\n<p>HUGGINS, Martha K. Pol&iacute;cia e Pol&iacute;tica: rela&ccedil;&otilde;es Estados Unidos\/Am&eacute;rica Latina. S&atilde;o Paulo, Cortez, 1998, 292p.<\/p>\n<p>HUNTINGTON, Samuel P. A ordem pol&iacute;tica nas sociedades <st1:personname productid=\"em mudan&ccedil;a. S&atilde;o Paulo\" w:st=\"on\">em mudan&ccedil;a. S&atilde;o Paulo<\/st1:personname>, EdForense e EdUSP, 1975, 496p.<\/p>\n<p>SOUZA, Percival de. Aut&oacute;psia do Medo. S&atilde;o Paulo, Globo, 2000, 650p.<\/p>\n<p>STEPAN, Alfred. Os Militares: da Abertura &agrave; Nova Rep&uacute;blica. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1986, 115p.<\/p>\n<p>TZU, Sun. A Arte da Guerra. Rio de Janeiro, BibliEx, 1958, 78p.<\/p>\n<p>TZU, Sun. A Arte da Guerra. S&atilde;o Paulo, Record, 1996, 111p.<\/p>\n<p>ZAVERUCHA, Jorge. Rumor de Sabres. S&atilde;o Paulo, &Aacute;tica, 1994, 270p.<\/p>\n<p>ZAVERUCHA, Jorge. Fr&aacute;gil Democracia. Rio de Janeiro, Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira, 2000, 333p.<\/p>\n<p>Hemerografia, impressa:<\/p>\n<p>Caros Amigos, No. 36, mar&ccedil;o 2000, entrevista com Francisco Carlos Garisto.<\/p>\n<p>Hemerografia eletr&ocirc;nica:<\/p>\n<p>www.abin.gov.br<\/p>\n<p>www.adpf.com.br<\/p>\n<p>www.dpf.gov.br<\/p>\n<p>www.fenapef.org.br<\/p>\n<p>www.terra.com.br\/cartacapital\/dossiegrampos<\/p>\n<p>www.terra.com.br\/istoe<\/p>\n<p>Notas finais do anteprojeto<\/p>\n<p>1 Optamos no trabalho em utilizar a sigla PF (Pol&iacute;cia Federal), por ser a de maior refer&ecirc;ncia e uso na m&iacute;dia, em especial a m&iacute;dia impressa. O termo t&eacute;cnico correto, pelo qual este &oacute;rg&atilde;o &eacute; denominado &eacute; DPF (Departamento de Pol&iacute;cia Federal), como uma autarquia departamental do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a (MJ).<\/p>\n<p>2 Estamos nos referindo &agrave; uma dicotomia b&aacute;sica em todo e qualquer processo.pol&iacute;tico: elementos de Perman&ecirc;ncia x os elementos de Altern&acirc;ncia. No que diz respeito especificamente &agrave; comunidade de seguran&ccedil;a e informa&ccedil;&otilde;es, a Perman&ecirc;ncia (em especial nos &oacute;rg&atilde;os de intelig&ecirc;ncia) &eacute; da pr&oacute;pria natureza da atividade. Para dados quantitativos de perman&ecirc;ncia na Ag&ecirc;ncia Brasileira de Intelig&ecirc;ncia (ABIN, apenas p\/ex.)e exemplos hist&oacute;ricos afins, ver Beaklini (2001).<\/p>\n<p>3 Ver www.adpf.com.br<\/p>\n<p>4 Hoje senador da rep&uacute;blica pelo PFL\/SP, curiosamente o ex-delegado nega seus antecedentes no DOPS. Tuma diz apenas haver sido policial civil de carreira de S&atilde;o Paulo, isto em seu curr&iacute;culo exposto na p&aacute;gina oficial de sua candidatura e tamb&eacute;m na p&aacute;gina oficial de seu mandato no senado. Ver www.senadortuma.com.br e www.senado.gov.br\/web\/senador\/rtuma\/rtuma.2htm.<\/p>\n<p>5 Ver www.sitedogaga.hpg.ig.com.br, nesta p&aacute;gina oficiosa da Fenapef constam os fatos mais relevantes da cria&ccedil;&atilde;o do sindicalismo policial e suas respectivas greves. O primeiro sindicato criado foi o do Rio Grande do Sul, no ano de 1988. Foi apelidado pela hierarquia dos delegados como (a praga dos pampas(. Ver www.sinpef-rs.org.br.<\/p>\n<p>6 Nos referimos aos &oacute;rg&atilde;os do governo dos EUA que operam no Brasil. S&atilde;o eles, o FBI (Federal Bureau of Investigation), equivalente e refer&ecirc;ncia alegada da PF; a DEA (Drug EnforcementAdministration),ag&ecirc;ncia estadunidense anti-drogas, que ao contr&aacute;rio da Secretaria Nacional Anti-drogas (SENAD, pertencente ao Gabinete de Seguran&ccedil;a Institucional, GSI, ex-Casa Militar), tem capacidade operacional; e a CIA (Central Intelligence Agency),o servi&ccedil;o que centraliza a espionagem externa dos EUA. Veremos ao longo do trabalho que houve duplo alinhamento, a CIA financiando uma ala e a DEA a outra.<\/p>\n<p>7 Para as acusa&ccedil;&otilde;es, ver www.terra.com.br\/cartacapital, no dossi&ecirc; especial de intelig&ecirc;ncia, no sub&iacute;tem chamado (A Pol&iacute;cia Federal do Chelotti(. Para a mudan&ccedil;a do organograma da PF, ver a p&aacute;gina oficial www.dpf.gov.br, &iacute;tem de organogramas, primeira p&aacute;gina dos organogramas completos, referente ao decreto No. 4.053, de 13\/12\/2001 &#8211; RIDPF &#8211; aprovado pela portaria No. 1.016\/MJ, de 04\/2002.<\/p>\n<p>8 Esta pol&ecirc;mica poderemos ver quando no ano de 2002, nos meses de junho e julho, se deu a possibilidade de interven&ccedil;&atilde;o federal no estado do Esp&iacute;rito Santo (ES), e na falta desta, a posterior demiss&atilde;o do ent&atilde;o ministro da Justi&ccedil;a Miguel Reale J&uacute;nior. Reale Jr.<\/p>\n<p>9 Cabe aqui uma observa&ccedil;&atilde;o. Ap&aacute;gina da oficial da ABIN (www.abin.gov.br) foi alterada da troca de governo, e a Ag&ecirc;ncia sob comando do governo Lula (2002-2006) retirou esta afirmativa de seus textos oficiais. Mas, n&atilde;o &eacute; por isso que a Miss&atilde;o haveria de mudar<\/p>\n<p>10 O delegado Paulo Lacerda, indicado pelo ministro da Justi&ccedil;a M&aacute;rcio Thomaz Bastos (o advogado paulista ministro da Justi&ccedil;a indicado na posse do governo Lula, defendeu Ant&ocirc;nio Carlos Magalh&atilde;es quando o senador baiano renunciou ao cargo por causa do esc&acirc;ndalo da fraude do painel do senado)al&eacute;m de ex-presidente da ADPF, foi assessor de Tuma quando j&aacute; ocupava o cargo de senador da rep&uacute;blica pelo Partido da Frente Liberal de S&atilde;o Paulo (PFL\/SP). Para uma an&aacute;lise a respeito &eacute; interessantever a revista mensal Caros Amigos, No.72, mar&ccedil;o de 2003, no artigo do rep&oacute;rter investigativo Cl&aacute;udio J&uacute;lio Tognolli, de t&iacute;tulo (A &eacute;gua do PFL).<\/p>\n<p>11 Para um detalhamento desta greve, ao menos a vers&atilde;o da Fenapef, ver Caros Amigos, No. 36, mar&ccedil;o de 2000, que tem na mat&eacute;ria de capa a entrevista com Francisco Carlos Garisto, primeiro presidente e um dos fundadores da Fenapef.<\/p>\n<p>12 Para n&atilde;o nos tornarmos repetitivos em rela&ccedil;&atilde;o aos cl&aacute;ssicos da estrat&eacute;gia, tomamos como refer&ecirc;ncia nosso trabalho anterior, (O Grampo do BNDES( (Beaklini 2001, em vias de publica&ccedil;&atilde;o editorial ainda este ano)), onde no seu primeiro cap&iacute;tulo (Introdu&ccedil;&atilde;o Metodol&oacute;gica) realizamos recorte, interpreta&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise a partir das obras de Golbery do Couto e Silva, Clausewitz, Leo Hamon, Hector Luis Saint-Pierre e um documento da Federa&ccedil;&atilde;o Anarquista Uruguaia (FAU), escrito durante a guerrilha urbana uruguaia, em plena clandestinidade, onde esta organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-militar operava atrav&eacute;s de seu bra&ccedil;o militar (chamado de Organiza&ccedil;&atilde;o Popular Revolucion&aacute;ria 33 Orientales, OPR-33).<\/p>\n<p>13 Repetimos a op&ccedil;&atilde;o por utilizar a sigla difundida na m&iacute;dia, que &eacute; PF, e n&atilde;o o nome correto da corpora&ccedil;&atilde;o, que &eacute; DPF.<\/p>\n<p>14 Dentro da CGOPS, a Coordena&ccedil;&atilde;o 2, COPS, &eacute; voltada para a Ordem Pol&iacute;tica e Social e a de n&uacute;mero 3, Coordena&ccedil;&atilde;o de Preven&ccedil;&atilde;o e Repress&atilde;o a Conflitos Agr&aacute;rios e Fundi&aacute;rios, CCAF, &eacute; voltada para os conflitos desta ordem no campo (profanamente &eacute; chamado de (DOPS Rural(). Ver www.dpf.gov.br, organograma geral II, decreto No. 4.053, de 13\/12\/2001.<\/p>\n<p>15 Uma ressalva a partir deste par&aacute;grafo. Em momento algum estamos afirmando estarem os agentes e delegados conformados como dois blocos hegem&ocirc;nicos. Esta afirma&ccedil;&atilde;o seria no m&iacute;nimo absurda. Recorrendo &agrave; hist&oacute;ria recente, o pr&oacute;prio Chelotti foi presidente da ADPF durante a greve de 1994. Obviamente que sua gest&atilde;o&agrave; frente da Associa&ccedil;&atilde;o foi distinta daquela exercida por Paulo Lacerda. Uma parte importante do trabalho &eacute; a identifica&ccedil;&atilde;o deste grupo que hoje controla a ADPF e os pontos que o distinguem da gest&atilde;o de Chelotti. O mesmo pode ser afirmado em rela&ccedil;&atilde;o aos agentes. H&aacute; uma refer&ecirc;ncia marcante que &eacute; Francisco Garisto. Na p&aacute;gina oficial da Federa&ccedil;&atilde;o tem um link para sua p&aacute;gina pessoal. Somente esta evid&ecirc;ncia j&aacute; bastaria para comprovar que se trata no per&iacute;odo hist&oacute;rico onde o trabalho se desenvolve, de duas associa&ccedil;&otilde;es de classe protagonizadas por grupos espec&iacute;ficos (ou redes de grupos). Entendo que seria uma leviandade afirmar que agentes e delegados conformam no momento dois blocos homog&ecirc;neos e que a disputa se d&aacute; apenas por interesses corporativos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-94","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/94","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=94"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/94\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10991,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/94\/revisions\/10991"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=94"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=94"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=94"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}