{"id":962,"date":"2009-04-08T15:52:19","date_gmt":"2009-04-08T15:52:19","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=962"},"modified":"2009-04-08T15:52:19","modified_gmt":"2009-04-08T15:52:19","slug":"o-nexo-politico-sindical-na-argentina-a-mafia-contratista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=962","title":{"rendered":"O nexo pol\u00edtico-sindical na Argentina. A m\u00e1fia contratista!"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/hugomoyano_patotero_mafioso.jpg\" title=\"Hugo Moyano, dirigente dos caminhoneiros e atual secret\u00e1rio geral da CGT oficial, intermedi\u00e1rio das negociatas oficiais da metr\u00f3pole bonaerense. Homens como ele fazem de Paulo Pereira da Silva e Luiz Ant\u00f4nio de Medeiros, amadores na triste arte de trair a classe trabalhadora.  - Foto:infobae\" alt=\"Hugo Moyano, dirigente dos caminhoneiros e atual secret\u00e1rio geral da CGT oficial, intermedi\u00e1rio das negociatas oficiais da metr\u00f3pole bonaerense. Homens como ele fazem de Paulo Pereira da Silva e Luiz Ant\u00f4nio de Medeiros, amadores na triste arte de trair a classe trabalhadora.  - Foto:infobae\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Hugo Moyano, dirigente dos caminhoneiros e atual secret\u00e1rio geral da CGT oficial, intermedi\u00e1rio das negociatas oficiais da metr\u00f3pole bonaerense. Homens como ele fazem de Paulo Pereira da Silva e Luiz Ant\u00f4nio de Medeiros, amadores na triste arte de trair a classe trabalhadora. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:infobae<\/small><\/figure>\n<p>Bruno Lima Rocha &ndash; original datado de 02 de mar&ccedil;o de 2009, escrito do Centro de Buenos Aires, Calle Corrientes na altura do n&uacute;mero 600, ap&oacute;s o Elaopa da Arg. &#8211; Luj&aacute;n <\/p>\n<p>Come&ccedil;o este artigo de forma gen&eacute;rica. Suponhamos um munic&iacute;pio da regi&atilde;o metropolitana de uma capital latino-americana. Nesse munic&iacute;pio, a empresa privada que executa a coleta de lixo e a manuten&ccedil;&atilde;o dos postes de ilumina&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica ganhara a licita&ccedil;&atilde;o debaixo da prote&ccedil;&atilde;o de padrinhos pol&iacute;ticos. At&eacute; a&iacute; nenhuma novidade. O interessante &eacute; saber que esse &ldquo;padrinho&rdquo; &eacute; o presidente de uma central sindical entreguista e de direita (CGT oficial, bra&ccedil;o sindicalero da direita peronista) e que a rela&ccedil;&atilde;o da empresa ganhadora com o sindicato &eacute; de &ldquo;aproxima&ccedil;&atilde;o e di&aacute;logo&rdquo;. Isto, somado a uma pr&aacute;tica de tipo m&aacute;fia (patota, na g&iacute;ria local) leva aos dirigentes da entidade representativa dos trabalhadores a defender mais a uma empresa privada que aos interesses de seus trabalhadores associados. Infelizmente, esta pr&aacute;tica pol&iacute;tica &eacute; recorrente.<\/p>\n<p>O epis&oacute;dio narrado acima &eacute; real. A cidade chama-se Lan&uacute;s e est&aacute; no meio de Buenos Aires capital, no conurbano bonaerense. O sindicalista padrinho pol&iacute;tico da empresa Covelia S.A. &eacute; Hugo Moyano, homem forte da CGT e do sindicato dos caminhoneiros. O v&iacute;nculo pol&iacute;tico-sindical &eacute; o uso do controle da for&ccedil;a de trabalho com um acionar de tipo &ldquo;patotero&rdquo;. O caso aqui &eacute; narrado como exemplo da materializa&ccedil;&atilde;o de um conceito, o nexo pol&iacute;tico-sindical com perfil mafioso. Um exemplo d&aacute;-se quando o governo do prefeito kirchnerista Dar&iacute;o D&iacute;az P&eacute;rez fecha um acordo com Moyano e assina um contrato que lhe rende 65 milh&otilde;es de pesos argentinos (mais de 20 milh&otilde;es de d&oacute;lares) ao ano &agrave; empresa. Segundo o peri&oacute;dico Perfil, do domingo 1&ordm; de mar&ccedil;o, um total aproximado de 3,6 milh&otilde;es de pesos (mais de 1 milh&atilde;o de d&oacute;lares) para o Sindicato dos Caminhoneiros (UOCRA, sindicato nacional) baixo controle direto do homem forte da burocracia de tradi&ccedil;&atilde;o peronista de direita. A fonte tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; &ldquo;neutra&rdquo;. &Eacute; correto, o Grupo Perfil de Jorge Fontevecchia n&atilde;o joga a nenhum neutralismo nem nada por estilo. Mas, a informa&ccedil;&atilde;o &eacute; correta e os fatos s&atilde;o os fatos. <\/p>\n<p>Tamb&eacute;m n&atilde;o o que afirmo &eacute; alguma novidade e se reproduz em 14 munic&iacute;pios da Grande Buenos Aires. E, sejamos justos, isto n&atilde;o come&ccedil;ou agora nem tem vincula&ccedil;&atilde;o exclusiva com os governos de N&eacute;stor e Cristina Kirchner. O problema &eacute; de outra ordem e vem de 62 organiza&ccedil;&otilde;es sindicais de confian&ccedil;a direta do ex-presidente e general Juan Domingo Per&oacute;n. Foi a partir da influ&ecirc;ncia de Evita que a base de direitos e institui&ccedil;&otilde;es de amparo &agrave; classe trabalhadora argentina foram constitu&iacute;das. Gra&ccedil;as a Mar&iacute;a Eva Duarte &eacute; que o bra&ccedil;o popular do peronismo existe e aponta ao protagonismo da classe trabalhadora. A outra pata do peronismo, cuja sinistra pol&iacute;tica interna nunca termina de definir-se, tem hist&oacute;ria triste e macabra. <\/p>\n<p>Desde ent&atilde;o, briga-a pelo controle e influ&ecirc;ncia na for&ccedil;a de trabalho do pa&iacute;s &eacute; de vida ou morte. Para ter uma id&eacute;ia do tipo de crise, a organiza&ccedil;&atilde;o de muito m&aacute; fama chamada Triplo A (Alian&ccedil;a Anticomunista Argentina), esquadr&atilde;o da morte do governo de Mar&iacute;a Estela Isabel Mart&iacute;nez (de Per&oacute;n) baixo o comando do bruxo L&oacute;pez Rega, recrutava seus homens na barra brava do sindicalismo traidor. N&atilde;o &eacute; por acaso que esta gente foi pouco incomodada nos anos de terror de Estado (1976-1983). Isto sem falar dos anos duros de guerra interna para al&eacute;m dos regimes de Ongan&iacute;a e Lanusse. &Agrave; volta &agrave; democracia representativa, a CGT estava intacta e quase sem perdas, dentre os 30.000 mortos e desaparecidos. <\/p>\n<p>Na Argentina, existe um padr&atilde;o de alian&ccedil;a entre as elites pol&iacute;ticas, os dirigentes sindicais e os sectores contratistas, que n&atilde;o muda. O modus operandi &eacute; do tipo criminoso e fortalece o nexo pol&iacute;tico-sindical, e &eacute; de f&aacute;cil entendimento. A hist&oacute;rica Confederaci&oacute;n Geral do Trabalho (CGT), refor&ccedil;ada sua exist&ecirc;ncia como bra&ccedil;o sindical oficial j&aacute; no primeiro governo de Per&oacute;n reproduz a l&oacute;gica corporativista de aliar o capital ao trabalho e corresponder &agrave; for&ccedil;a dos sindicatos com a representa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Esta central &eacute; at&eacute; hoje a &uacute;nica reconhecida pelo governo nacional e tem sua fonte de renda nos conv&ecirc;nios oficiais, do repasse de dinheiro do Estado e do controle da caixa provis&oacute;ria de seus filiados. <\/p>\n<p>Este pa&iacute;s, que at&eacute; sua &uacute;ltima ditadura militar (1976\/1983) tinha pleno emprego viu a sua m&atilde;o de obra reduzida de forma dr&aacute;stica. As pol&iacute;ticas de venda e saque dos bens p&uacute;blicos come&ccedil;aram com o ministro de Economia de Jorge Videla, Jos&eacute; Mart&iacute;nez de Fouce e culminou em era-a Menem (1989\/1998), com o desmonte da estrutura produtiva e a desocupa&ccedil;&atilde;o em massa. O fen&ocirc;meno de cria&ccedil;&atilde;o dos movimentos de trabalhadores desocupados (os MTDs originais) vem desse per&iacute;odo e tem seu &aacute;pice nos anos posteriores &agrave; rebeli&atilde;o popular de dezembro do ano 2001 quando o modelo ultra-neoliberal &eacute; derrotado baixo o lema de: &ldquo;Que se Vayan Todos!&rdquo;. <\/p>\n<p>Ainda nesses piores momentos de desemprego em massa, marginaliza&ccedil;&atilde;o e privatiza&ccedil;&atilde;o selvagem, os chefes da patota da CGT n&atilde;o fizeram nada. Ao inv&eacute;s, sempre obedeceram a uma l&oacute;gica pr&oacute;pria de associa&ccedil;&atilde;o ao poder pol&iacute;tico e a sua alian&ccedil;a entre o capital e os dirigentes da classe trabalhadora. Por isso foram c&uacute;mplices no saque ao pa&iacute;s. Um pa&iacute;s produtor de alimentos para mais de 300 milh&otilde;es de pessoas n&atilde;o pode ter mais de um ter&ccedil;o de sua popula&ccedil;&atilde;o baixo a linha de pobreza e passando fome. Em teoria, o sindicato organiza e defende a for&ccedil;a de trabalho. Quando os dirigentes sindicais n&atilde;o ocupam seu tempo defendendo a seus filiados &eacute; porque jogam para a outra equipa. Quando estas pessoas fazem de sua fonte de renda os recursos provenientes das contribui&ccedil;&otilde;es dos filiados, &eacute; porque formam uma m&aacute;fia. E, como toda a m&aacute;fia, se comportam de maneira antipopular e por isso s&atilde;o combatidos. <\/p>\n<p>Neste caso, a patota do pa&iacute;s irm&atilde;o era um dos alvos permanentes das guerrilhas nos anos 60 e 70. Dirigentes como Augusto Timoteo &ldquo;O Lobo&rdquo; Vandor e Jos&eacute; Ignacio Rucci foram justi&ccedil;ados em fun&ccedil;&atilde;o de serem, de fato, sindicalistas s&oacute;cios dos militares e dos patr&otilde;es. A heran&ccedil;a maldita segue. Para dar uma id&eacute;ia, o pr&oacute;prio Hugo Moyano &eacute; acusado de ter feito parte da Triple A. Os melhores exemplos do sindicalismo argentino pouco ou nada t&ecirc;m a ver com a patota mafiosa, n&atilde;o &eacute; amiga dos Kirchner e nem aliada de qualquer abutre que ocupe da Casa Rosada. Na terra da Semana Tr&aacute;gica e da Patag&ocirc;nia Rebelde, a oposi&ccedil;&atilde;o sindical e a organiza&ccedil;&atilde;o por local de trabalho constru&iacute;ram as bases da outra for&ccedil;a. A melhor experi&ecirc;ncia, a heran&ccedil;a bendita da hist&oacute;ria recente, encontra-se nos exemplos do Sindicato de Luz y Fuerza &ndash; encabe&ccedil;ado por gente como Agust&iacute;n Tosco, na CGT de los Argentinos, com referentes da envergadura de Raimundo Ongaro, e no exemplo coletivo da classe trabalhadora ent&atilde;o rebelde, al&ccedil;ando-se em barricadas no Cordobazo. <\/p>\n<p>Estes sindicalistas n&atilde;o eram corrupt&iacute;veis e, n&atilde;o por acaso, sobre estes militantes sindicais a repress&atilde;o militar, com ajuda da patota de Moyano, pegou duro e golpeou forte.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hugo Moyano, dirigente dos caminhoneiros e atual secret\u00e1rio geral da CGT oficial, intermedi\u00e1rio das negociatas oficiais da metr\u00f3pole bonaerense. Homens como ele fazem de Paulo Pereira da Silva e Luiz Ant\u00f4nio de Medeiros, amadores na triste arte de trair a classe trabalhadora. 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