{"id":980,"date":"2009-05-05T16:39:14","date_gmt":"2009-05-05T16:39:14","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=980"},"modified":"2009-05-05T16:39:14","modified_gmt":"2009-05-05T16:39:14","slug":"a-intencionalidade-do-capitalismo-e-o-crime-quase-suicida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=980","title":{"rendered":"A intencionalidade do capitalismo \u00e9 o crime quase suicida"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/SWIFT.jpg\" title=\"O Swift \u00e9 o mecanismo por onde atravessa a estrada de alt\u00edssima velocidade do capital fict\u00edcio, ou seja, da convers\u00e3o em riqueza no formato digital daquilo que \u00e9 apropriado das riquezas coletivas.  - Foto:azizi bank\" alt=\"O Swift \u00e9 o mecanismo por onde atravessa a estrada de alt\u00edssima velocidade do capital fict\u00edcio, ou seja, da convers\u00e3o em riqueza no formato digital daquilo que \u00e9 apropriado das riquezas coletivas.  - Foto:azizi bank\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">O Swift \u00e9 o mecanismo por onde atravessa a estrada de alt\u00edssima velocidade do capital fict\u00edcio, ou seja, da convers\u00e3o em riqueza no formato digital daquilo que \u00e9 apropriado das riquezas coletivas. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:azizi bank<\/small><\/figure>\n<p>Bruno Lima Rocha, 5 de maio de 2009 <\/p>\n<p>A vontade desse artigo &eacute; expor um ponto de vista e um marco de an&aacute;lise que vai al&eacute;m da mera caracteriza&ccedil;&atilde;o da crise c&iacute;clica do capitalismo. Nos recusamos a apontar um essencialismo determinista para um fen&ocirc;meno complexo. Al&eacute;m disso, a base dessa suposta crise do capitalismo financeiro &eacute; a intencionalidade. A partir desse &acirc;ngulo vamos expor um ponto de vista, partindo da an&aacute;lise descritiva, indo al&eacute;m das supostas &ldquo;leis do pensamento econ&ocirc;mico&rdquo; aceito pelo status quo. O mesmo vale para qualquer pressuposto neocl&aacute;ssico (neoliberal) e seus oponentes oficiais.<\/p>\n<p>Entendemos que uma sociedade tamb&eacute;m se move num equil&iacute;brio entre a inten&ccedil;&atilde;o de alguns operadores em postos-chave (como as autoridades econ&ocirc;micas dos EUA) e a in&eacute;rcia estruturante gerada pelos dominantes. Por isso caracterizamos que o capitalismo &eacute; um marco civilizat&oacute;rio, um mecanismo de transforma&ccedil;&atilde;o dos aspectos da vida em mercados e um complexo sistema de domina&ccedil;&atilde;o. Expomos uma parcela de explica&ccedil;&atilde;o plaus&iacute;vel da &ldquo;tal da crise&rdquo;, ou seja, da mega estafa em escala global. A base do capitalismo globalizado &eacute; sua vers&atilde;o financeira. N&atilde;o houve queda na taxa de lucros das mercadorias no formato de carteira de t&iacute;tulos financeiros at&eacute; o capital fict&iacute;cio (financeiro) perder qualquer tipo de lastro. A quebradeira surge do aumento da taxa de juros (desregulados, flutuantes) nos Estados Unidos. Esse aumento &eacute; uma decis&atilde;o de governo que controla o Estado mais poderoso do planeta, e a raz&atilde;o disso &eacute; o financiamento da Guerra de Ocupa&ccedil;&atilde;o do Iraque. Com o pr&oacute;prio Tesouro estadunidense sofrendo rombo devido ao financiamento das transnacionais petrol&iacute;feras e das prestadoras dos servi&ccedil;os de guerra, aumentar a taxa de juros no final do governo Bush Jr. teve como meta remunerar os compradores de t&iacute;tulos de sua d&iacute;vida p&uacute;blica. Ao mesmo tempo, esta remunera&ccedil;&atilde;o atende o crescimento da China, que &eacute; a maior credora dos EUA. Ou seja, a &ldquo;crise c&iacute;clica&rdquo; foi fruto de uma seq&uuml;&ecirc;ncia de decis&otilde;es pol&iacute;ticas, j&aacute; que o &uacute;nico pa&iacute;s rico do planeta que estava com super produ&ccedil;&atilde;o de mercadorias era a pr&oacute;pria China, parceira interdependente do Imp&eacute;rio estadunidense que amea&ccedil;ava se desintegrar caso Obama n&atilde;o sa&iacute;sse vitorioso nas elei&ccedil;&otilde;es de 2008. <\/p>\n<p>A farra dos chamados ativos t&oacute;xicos foi um jogo de m&aacute; f&eacute; onde todos sabem que os t&iacute;tulos negociados n&atilde;o t&ecirc;m valor e nem lastro, materializa a verdadeira &ldquo;ess&ecirc;ncia&rdquo; do capitalismo. Antes, a picaretagem triangulada entre Empresas &ndash; Seguradoras &ndash; An&aacute;lise de Risco &ndash; Consultoria ganhou forma e lugar no caso Enron, emblem&aacute;tico do in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI. Um dos maiores conglomerados econ&ocirc;micos estadunidenses aplicou mais de 1600 empresas laranjas como sendo parte de sua d&iacute;vida ativa, portanto, com suposto dinheiro que teria para receber. Ao fabricar falsos balan&ccedil;os, quebrar a empresa e roubar o dinheiro dos acionistas no varejo, a Enron materializa o conceito de que os grandes operadores do capital financeiro s&atilde;o a vers&atilde;o sofisticada da agiotagem em larga escala. <\/p>\n<p>Empres&aacute;rios, executivos, tecnocratas e analistas de plant&atilde;o sabiam de tudo quando arriscavam as riquezas sob seu controle na roleta russa do cassino da globaliza&ccedil;&atilde;o. Aqui, nos EUA, na Europa e em qualquer lugar do mundo. Houve intencionalidade desde o come&ccedil;o. Processo semelhante aconteceu no sudeste asi&aacute;tico na segunda metade dos anos &rsquo;90. Come&ccedil;a quando a Tail&acirc;ndia libera a flutua&ccedil;&atilde;o de sua moeda nacional. A falsa cren&ccedil;a, de base fraudulenta, acredita ou finge acreditar publicamente, que existe um suposto equil&iacute;brio e que as leis &ldquo;cient&iacute;ficas&rdquo; v&atilde;o designar o valor justo para algo. Pura balela. Os ent&atilde;o chamados tigres asi&aacute;ticos s&atilde;o alvo da a&ccedil;&atilde;o de mega apostadores, incluindo a fal&ecirc;ncia criminosa do Banco Barings, fruto j&aacute; de opera&ccedil;&otilde;es financeiras do mercado de derivativos. Como sempre ocorre, um operador pagou de bode expiat&oacute;rio, sendo acusado de sozinho quebrar a Mal&aacute;sia. <\/p>\n<p>A &ldquo;tal da crise&rdquo; atual &eacute; puro comportamento fraudulento acelerado pela velocidade das novas tecnologias e da perda do lastro do capital fict&iacute;cio (financeiro). <\/p>\n<p>\nO Sistema Swift de compensa&ccedil;&atilde;o banc&aacute;ria via sat&eacute;lite <\/p>\n<p>Na origem da picaretagem dos derivativos atuais est&aacute; o conjunto do sistema financeiro e banc&aacute;rio mundial. Chama-se Swift (Society for World Wide Inter Bank Financial Telecommunicaton &ndash; Sociedade para a Telecomunica&ccedil;&atilde;o Global Interbanc&aacute;ria e Financeira). O mecanismo central vem de 1973, quando as 10 maiores institui&ccedil;&otilde;es financeiras do mundo criaram, em plena escassez do petr&oacute;leo (1973), uma forma global de compensa&ccedil;&atilde;o banc&aacute;ria autom&aacute;tica e mundial. Para garantir o bom funcionamento, este sistema opera um sat&eacute;lite e n&atilde;o sofre regula&ccedil;&atilde;o de governo algum no ato da transa&ccedil;&atilde;o. Contempla 99,9% das opera&ccedil;&otilde;es banc&aacute;rias do mundo, agindo como prestador de servi&ccedil;os. A velocidade adquirida com as Novas Tecnologias de Informa&ccedil;&atilde;o e Comunica&ccedil;&atilde;o (TICs) acelerou de tal forma as transa&ccedil;&otilde;es financeiras que no auge dos derivativos, chegaram a negociar um ativo t&oacute;xico a cada 4 segundos. O tamanho do rombo se fez notar no final de 2007 e estourou de vez no fim de festa do governo de Bush Jr. <\/p>\n<p>Mas, antes da bolha imobili&aacute;ria dos EUA ser estourada pelo aumento dos juros em fun&ccedil;&atilde;o dos custos da Guerra de Ocupa&ccedil;&atilde;o no Iraque, por mais de vinte e cinco anos, o Sistema Swift acelerou as transa&ccedil;&otilde;es banc&aacute;rias, sendo o portador e transmissor do dinheiro eletr&ocirc;nico do mundo. Todos os capitais em formato de dep&oacute;sito banc&aacute;rio, com o Swift, ganharam a capacidade de circular livremente pelo mundo. Neste bolo de dinheiro digitalizado, incluem-se as contas secretas de servi&ccedil;os de intelig&ecirc;ncia, os tesouros da corrup&ccedil;&atilde;o nos pa&iacute;ses subdesenvolvidos e todos os volumes existentes nos chamados para&iacute;sos fiscais. Estas ilhas de ilegalidade capitalista assumida servem como esgoto cloacal, onde um dinheiro com origem suja pelas regras do pr&oacute;prio sistema come&ccedil;a a circular de forma legalmente aceita, atrav&eacute;s da primeira infovia globalizada. <\/p>\n<p>Uma vit&oacute;ria pontual: fechar os para&iacute;sos fiscais e freiar a engrenagem do swift <\/p>\n<p>Para acabar com a farra da jogatina especulativa, bastava com fechar os para&iacute;sos fiscais e proibir a circula&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s do Swift. Isso seria a morte do jogo dentro das pr&oacute;prias regras do capitalismo globalizado. Como nenhum sistema de suicida nem se autodestr&oacute;i, isso somente vai acontecer quando os povos em luta for&ccedil;arem os governos de turno a mudar a correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as, diminuindo a lucratividade do capital fict&iacute;cio, que &eacute; o capital financeiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Swift \u00e9 o mecanismo por onde atravessa a estrada de alt\u00edssima velocidade do capital fict\u00edcio, ou seja, da convers\u00e3o em riqueza no formato digital daquilo que \u00e9 apropriado das riquezas coletivas. 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