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O pedreiro Amarildo e a transformação do Brasil

gazetadopovo

O pedreiro Amarildo e a ira popular pelo seu desparecimento representam a nova etapa da luta por direitos no Brasil.

8 de agosto de 2013, Bruno Lima Rocha 

 

Amarildo Dias de Souza é pedreiro, 47 anos, residente da comunidade da Rocinha, São Conrado, Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro. Este trabalhador, pai de seis filhos e casado há vinte anos, encontra-se desaparecido desde 14 de julho. As circunstâncias do desaparecimento indicam fortes indícios de participação de policiais militares lotados na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do local. Infelizmente, Amarildo não é um caso isolado. Segundo a Anistia Internacional, apenas nos últimos vinte anos desapareceu mais de 90 mil pessoas no Brasil. A democracia realmente existente trata a base da pirâmide social da mesma forma que a ditadura militar tratava a dissidência política. A “novidade” não é a possibilidade de crime por parte de um agente da lei e sim a reação popular, e a incorporação desta pauta em movimentos de tipo político.

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Aparentemente, o país se transforma e debaixo para cima. As instituições estatais não vêm sofrendo alterações substantivas e menos ainda a promíscua relação entre o agente econômico e os governos federal, estaduais e municipais. O “papódromo” que terminou como o “mar de lama de Guaratiba” assim como o suposto cartel formado por empresas executores de contratos junto ao sistema de transporte de São Paulo (CPTM e Metrô) dão prova disso. As mudanças que cito são perceptíveis na capacidade de reagir, tornando indignação o que antes era visto como “natural”, politizando temas básicos.

 

Alguns analistas caracterizam a violência policial apenas como parte do “entulho autoritário”, uma forma de excrescência antidemocrática, resquício da ditadura. Discordo. A violação de direitos no país, em específico de direitos humanos, é parte da injustiça estrutural sofrida pela maior parte dos brasileiros. Os dois filmes do diretor José Padilha, Tropa de Elite 1 e 2, explicitaram as entranhas do aparelho policial fluminense assim como a relação promíscua entre crimes de Estado e oportunismo político. Parece que, a partir dos protestos de junho, as pautas por direitos se unificaram. 

 

No Rio de Janeiro, o desaparecimento de Amarildo materializa a faixa levada nos protestos contra as relações pouco republicanas do governador Sérgio Cabral Filho (PMDB): “A polícia que reprime na avenida é a mesma que mata na favela!” Deveria ser usual a reação popular e política contra o fato de um cidadão humilde desaparecer estando sob custódia de um agente de Estado. Mas não é. Trata-se de uma poderosa novidade, implicando numa mudança qualitativa para a cidadania.

 

Artigo originalmente publicado no blog do jornalista Ricardo Noblat






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