Se existe uma prática política muito comum na esquerda brasileira é a autofagia política. Mesmo quando a “esquerda” governa pela direita, como bem comenta Noblat em sua apresentação de seu blog, as práticas e idiossincrasias seguem idênticas. Na disputa para a eleição da Câmara não haveria de ser diferente.
Entre Aldo Rebelo e Arlido Chinaglia, há que se reconhecer, não existe muita distinção de comportamento. Ambos se portaram bem, com lealdade e firmeza, no olho do furacão e no pior das crises de 2005. As costuras palacianas implicam no jogo de forças entre os aliados estratégicos, ainda que minoritários, como o PC do B e PSB, e o peso incômodo do próprio PT para a tentativa de vôo solo que Luiz Inácio está tentando alçar.
Trazendo as defecções da antiga direita para dentro da disputa da nova fração de classe dirigente composto pela ex-esquerda, também se retoma uma velha prática. Quando uma força ou corrente trás consigo um aliado incomodativo, se costuma dizer: “A contradição é deles!” No caso, é mesmo. A contradição é da parcela tucana aliada a Chinaglia e não ao mais potável Rebelo. Já do PMDB, de tudo se espera a não ser que se porte como partido político.
Nunca se imaginou situação assim quando da fundação da legenda de Dirceu em 1980. O mundo gira e vai parar mais à direita, sem nem sequer carregar os vernizes da contradição.