Por vezes, a compensação do ofício se dá sem reconhecimento. Na maior parte dos momentos, alguém que viva de opinar e analisar fica contente quando acerta. Noutras não. Isto porque acertar significa que as coisas vão pior do que se pensava. No caso do S.C. Corinthians Paulista, acertar é chorar.
Durante o ano de 2005 uma força-tarefa de procuradores do estado de São Paulo, conhecido como Gaeco, abriu investigação sobre a empresa MSI. O iraniano Kia Joorabchian, testa de ferro de Boris Berezovsky no Brasil, veio “administrar” o novo empreendimento. Commodities caras, andando, vestindo-se na moda, carregando computadores portáteis e carros 0 kms, os boleiros ganharam o apelido de “gado” na gíria desta máfia. Mientras tanto, diria o amigo del lado de allá, a imprensa esportiva se ocupava da dancinha de Carlitos Tévez.
Infelizmente, o lúdico do futebol brasileiro e mundial está subordinado a uma lógica financeira. Do hoje modesto Uruguai, onde o mafioso Paco Casal manda e desmanda, passando pela dinastia Havelange-Teixeira, e recentemente com os investimentos absurdos dos menemistas da empresa TyC, além dos já referidos Kia-Berezovsky, é preciso compreender que a cobertura jornalística da área está muito além das quatro linhas, como dizia o saudoso alegretense João Saldanha.
Dualib é mais um dentre vários, distinguindo-se por se associar com capitais estrangeiros e suspeitíssimos. A triangulação K$ (capital financeiro) – Commodities sem baliza (como o jogador de futebol, quando não existe uma base de valoração) – e Pouca ou nenhuma regulação tinha que dar nisso. Os clubes tornaram-se “empresas”, mas do tipo S.A. falcatrua, com laranjas e dívidas sem fim.
Há pouco mais de um ano afirmei no Programa Frente a Frente da TVE-RS que ainda sentiríamos falta da Parmalat e das operações feitas pela transnacional italiana no Palmeiras. Disse que sentiríamos “falta” desta multi, assim como a Klefer, intermediadora das verbas de publicidade da Petrobrás desde o ano de 1984 ao patrocinar o Flamengo, a pioneira da financeirização do maior espetáculo da terra, o futebol brasileiro. Ou seja, como pioneira ou quase, ainda teria certos pudores de procedimentos, coisa que os investidores subseqüentes não fariam. Não deu outra.
Podemos ler também a agonia corintiana como uma vingança de Vicente Matheus. Eram todos felizes e sem saber, nem o folclórico espanhol, com ares ditatoriais, mas que só fez perder dinheiro com o clube de seu coração, e não enriquecer como a máfia do Parque São Jorge associada com sua prima maior, Georgiana, com um testa de ferro iraniano à frente.
Crônica futeboleira e anti-desportiva, tragédia anunciada à frente, todos sabiam, menos o CADE e o Banco Central. Porque será?
Nota originalmente publicada no portal de Claudemir Pereira