Observemos estas manchetes abaixo:
- 3.000 salários acima do teto presidencial
- Conselho do MP eleva teto dos procuradores estaduais a R$ 24.500,00
- Congresso pode rever o reajuste salarial de 90,7%
- PIB cresce só 0,5% no último trimestre da economia
Dentro das regrinhas básicas do pensamento econômico que embasa ao neoinstitucionalismo neoliberal (neo-neo na gíria dos “entendidos”), a democracia é como a economia, um jogo de soma zero. Ou seja, é como o cobertor de pobre, tapam-se os pés e fica a cabeça de fora. Mesmo sendo este um conceito furado, tal e como a imensa maioria dos conceitos neo-neo, se os recursos são ilimitados, o apetite voraz da nobreza do Estado leva a escassez na ponta de baixo da tabela social.
Por mais que se queira remunerar de forma devida carreiras sensíveis do Estado brasileiro, a distância entre o salário mínimo proposto pelo Governo Meirelles, 2º mandato, e o auto-aumento dos nobres procuradores, parlamentares e magistrados é absurda. A nobreza se afasta da sociedade a quem ela deve regular, julgar, defender, representar ou atacar. O jogo corporativo é tão pesado que se altera a lógica, categorizando de “corporativo” aos trabalhadores organizados que exigem salário mínimo de R$420,00.
O efeito cascata iniciou dentro do Supremo Tribunal Federal (TSF), daí foi ao Conselho Nacional de Justiça, o Conselho Nacional do MP e daí não parou mais. Era visto que a farra chegaria ao Congresso, sempre o primeiro a dar exemplo de comportamento. Outra vez mais, a Suprema Corte menemista tupiniquim vai ao encontro da casa de Renan e Sarney.
Por onde anda nestas horas o procurador Luís Francisco e outros próceres da coisa pública?! Um choque entre seus trejeitos e a elegância absoluta da 1ª dama do judiciário seria muito interessante. Se não baixasse os supra-salários, ao menos renderia belos fatos jornalísticos.