ACM se foi, como é dito e redito na linguagem popular. Dizem, ou espera-se, que com parta uma forma de fazer política. Duvido. Quem se despede é um político, talvez de uma outrora nova tradição de oligarquia renovada, com anel de doutor, aliada dos militares e dona de meio de comunicação. Antônio Carlos Magalhães cumpriu o ritual previsto para um oligarca nordestino de sua geração.
Formado como médico, jamais exerceu a profissão para a qual estudou sob os custos da nação, na gloriosa Universidade Federal da Bahia. Apontou à política, para a mais antiga forma de intermediação entre o poder estatal, os cofres públicos, os veículos de comunicação de massa e os grupos empresariais locais. Seu contemporâneo de UDN é mais camaleônico e tem Phd em equilibrismo. Sim, estamos falando do clã Sarney.
Não cabe aqui extravasar sentimentos, nem tampouco utilizar de caricaturas que deixariam esta página descaracterizada. Para isso, não faltam fontes de informação eletrônicas mais que contundentes. Na análise necessária, a morte de ACM talvez tenha seja o fim do Carlismo, mas não dos vários Toninhos Malvadezas Brasil adentro.
Seu maior desgosto foi a falta de legado. O neto pode ser que venha a ocupar seu posto, daqui a uns vinte anos, de forma semelhante a que Aécio Neves ocupa a sacada do Solar dos Neves, de onde o oligarca discursa ao povo entusiasmado mais pelo espetáculo circense do que pelo conteúdo discursivo. ACM neto ainda é caricato, sendo pouco agressivo. Perdera o cetro da UDN das mãos de um renovado herdeiro de Lacerda pós-moderno, Rodrigo Maia, filho do pai, como outros tantos. Tampouco tem a contundência do avô. Menos ainda, o charme e a agressividade política do tio Luís Eduardo. O carlismo entra em tempos de vacas magras.