Ao contrário de outros colegas no campo mais à esquerda, onde orgulhosamente me incluo e finco bandeira, não morro de amores nem caio em muitas falácias dos líderes carismáticos. Mas, temos de reconhecer que, Chávez está hoje para a América Latina como o novo paradigma. Tanto para ser criticado como para ser superado. No interior do movimento bolivariano, existem setores muito mais à esquerda, críticos no que tange a corrupção e a burocracia, desconfiados das Forças Armadas venezuelanas e com uma projeção interessantíssima do Poder Popular.
Mas, o que devemos e temos de saber, é a distinção entre uma posição crítica e uma postura de “gorila”. O gorilismo, para os de pouca memória, era o setor das FFAA argentinas que não se alinhavam com o peronismo enquanto governo e potencial de mobilização popular. Lembremos todos, na postura gorila, vários setores da esquerda Argentina assim se posicionaram. A idéia de “gorila” caminha junto da massa de gusanos, isto nas levas de imigrados forçados. Ou seja, por mais que sejamos críticos a revolução cubana, massacrada por sua própria burocracia, ancorada no antigo e maldito PSP, depois PC Cubano, entidade que dava apoio a ditadura de Fulgencio Batista, não há dúvidas enquanto a autodeterminação dos cubanos perante o Império.
Um pouco mais ao sul, o mesmo se reflete. Enquanto o Mercosul faz água por sua excessiva informalidade e a panacéia brasileira, tipo malandragem low profile, vários “chefes de Estado” tiram o seu da reta e assinam de forma unilateral O Tratado de Livre Comércio (TLC) com os EUA. Não podemos nos iludir, há muito de casuísmo e desespero nas assinaturas de gente como Uribe Vélez e Alejandro Toledo. Problemas de fundo existem na aproximação do oncologista Tabaré Vazquez e o TLC, crise com origens na indústria Papelera, trasladada para a Banda Oriental em função da cobiça e corrupção do governador de Entre Ríos, do outro lado do Rio Uruguay.
A questão da soberania nacional é uma necessidade de acordos com alguma equivalência de potencialidades são essenciais para um outro bloco econômico. No momento, o amplo e largo caixa da PDVSA segura as pontas e os rombos do Tesouro boliviano. Uma outra possibilidade, são as assinaturas de convênios triangulares com o dinheiro da Venezuela, alguns ramos produtivos de estados brasileiros e/ou províncias argentinas e a vinda de mão de obra cubana, muito capacitada e sub-aproveitada em função da falência da Ilha. O passo dado pelo governo boliviano de Morales, segue o caminho aberto pelas vias de fato com o Chavizmo da Venezuela. Se Humala sai vitorioso no Peru, está aberto o caminho para o Pacífico.
Enquanto a Petrobras é comandada por um Conselho de Administração com mentalidade de CEOs yankees, o destino da América Latina vai sendo traçado por los cholos e sua grandeza sábia de quem já está cansado de ser o último a saber e o primeiro a perder.