O secretário de Infra-estrutura e Logística de Yeda Crusius, Daniel Andrade, reflete em sua trajetória política algo conhecido nos EUA como “teoria das portas giratórias”. Daniel é funcionário licenciado da mega-empreiteira Norberto Odebrecht, foi presidente da ONG Aclame (Associação da Classe Média), por sinal bastante conhecida. Abrindo mão da posição na Aclame para ocupar a secretaria de governo, este tucano gaúcho levou a lógica do beneficiamento empresarial para dentro de sua pasta no Piratini.
Interessante observar que esta forma de proceder necessita de uma compreensão além das meras denúncias. O fato de Daniel Andrade haver trabalhado em escalões elevados da Odebrecht não está diretamente relacionado com suas posições políticas. Poderia ser alto funcionário e justo por isso discordar e resolver combater a forma destes empreendedores funcionarem. Não é o caso.
Pulula no estado a proposta de ampliação dos prazos de concessão de rodovias, especificamente a concessão dos pedágios, em troca de obras de duplicação. Ou seja, para fazer cumprir as falhas nos contratos (que por sinal tem vício de origem), o Estado abre mão de sua função e delega a gestão para a concessionária. A única esperança de mudança de rumo, parcial que seja, é a obrigação (possível, ainda para ser discutida) de que as afiliadas da AGCR se vejam obrigadas a trabalhar com recursos não-públicos. Sinceramente, nem a velhinha de Taubaté acreditaria nisso!
Daniel Andrade cumpre sua função nos níveis ideológicos (com as campanhas da Aclame), na política (via PSDB do RS) e agora como operador dos interesses empresariais dentro da secretaria de estado. Este é um exemplo clássico de “portas giratórias” em um governo subnacional.