Gostaria de iniciar esta Nota semanal reproduzindo breve notícia obtida no portal Comunique-se:
“A Telefónica divulgou nota aos seus investidores informando a conclusão da compra da TVA. A negociação foi aprovada pela Anatel em 19/11, e acordo foi ratificado pelos sócios da Telefónica em 23/11. A transação foi concluída na segunda-feira (03/12). A Telefónica pagará R$ 922 milhões pelas ações da TVA.”
A TVA, antes pertencente ao Grupo Abril, em tese sob controle de capital nacional, foi vendida para uma transnacional cuja matriz é o reino de Espanha. Em Notas anteriores já havíamos insistido nesta relação, entre o grupo de mídia “controlado” pelo clã dos Civita, pioneiro por si na abertura de capital. Recentemente, conforme insistimos, o avanço deu-se sobre o controle acionário, com o Grupo Naspers, da África do Sul, comprando o que antes pertencia ao associado estadunidense da família ítalo-porteña-paulistana.
O paradigma da Economia Política da Informação-Comunicação-Cultura, subcampo acadêmico o qual compartilho, serve de ferramenta de análise para este movimento do capital. A TVA tem canais próprios e capacidade de gerar conteúdo. O avanço das operadoras de telefonia sobre a mídia como ela é, caminha a passos largos e dados junto à convergência das plataformas e meios. Entramos em um banhado perigoso.
Herdeira da Invencível Armada, ostentando este título até ser batida na 1ª Batalha da Inglaterra pelo corsário de sua majestade Sir Francis Drake, eis a antiga estatal franquista privatizada no pacto social-liberal da virada dos ’80 para os ’90 em terras españolas.
Hoje a mesma companhia converge sobre si várias empresas de comunicação-telecomunicação. Nosso meio de ganhar a vida também é um veículo de transporte. O universo ideológico trafega sobre uma carroça chamada linguagem(s) portadora das melancias e abacaxis de nome conceito(s). Assim, a formação do imaginário das representações humanas, coletivas, estéticas e abstratas passa pelo controle de uma ou mais empresas convergentes, operando como herdeiras do período da Conquista e Colônia.
Proprietária do portal Terra, esta empresa subsidiária uma grande compradora da web, comprando também a TIM, agora a TVA, líder de mercado de celulares com a Vivo (onde tem sociedade com a Portugal Telecom), a Telefónica esta em marcha de guerra para abocanhar mais de 1/3 do mercado de comunicação convergente e digital no Brasil. A Anatel, como era de se esperar e já foi prognosticado por este modesto analista seguidas vezes, opera como intermediária e facilitadora das “teles” no Brasil.
É a interface das agências de “regulação” como pedaço do Estado operando contra a regulação estatal sobre o capital. No quesito soberania, estamos em um caminho muito perigoso.