Após o ataque do MST a planta da Aracruz Celulose, somando-se a ocupação da família Guerra, em Coqueiros do Sul, a mídia gaúcha expôs-se de forma induvidável. Quando se afirma a ligação corporativa e umbilical entre a mídia e a oligarquia local, imagina-se um estado nordestino ansiando verbas estatais.
Mas, no Rio Grande, os discursos são mais sofisticados embora não menos virulentos. Não se trata de defender ou atacar a ação do MST; a frieza da análise nos faz buscar a precisão das palavras. A busca de resposta, da atuação da mídia de ser porta-voz do latifúndio e do agronegócio é inequívoca. As pressões buscam forçar uma situação de fato, onde se criminaliza ou contêm o movimento popular.
Há mais de uma semana, pouco ou nada ouvindo os dois lados, a mídia local se enerva e clama por punição através do braço repressor da lei. O que não se fala é que as terras atacadas em Barra do Ribeiro, eram destinadas a reforma agrária e depois mudou-se a orientação.
Tampouco se toca no tema do fato da Riocel, concessionária da Aracruz, ser uma das maiores poluidoras do Lago Guaíba. Menos ainda uma cobertura nacional como os ataques aos territórios ancestrais guaranis no litoral capixaba.
A cobertura da grande mídia, deputados da direita agrária e de "especialistas" afirma o óbvio. A necessidade de gerar meios de comunicação que não vivam de verbas oficiais nem publicidade de grandes grupos econômicos. No momento a holding do BNDES, Votorantim e Aracruz, fabricante de desertos verdes ganha de lavada em cobertura midiática.
O que foi feito é tipificado como ludismo agrário, tática bicentenária de protesto das classes despossuídas.