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ISSN 0033-1983
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A análise internacional através de uma perspectiva libertária – 2
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 Superar a contraofensiva neoliberal e, simultaneamente, evitar a armadilha da adesão às propostas de desenvolvimento a todo custo, são as duas premissas para a construção de uma teoria analítica e normativa, de base libertária, e apta para intervir nas realidades da economia política internacional.
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Bruno Lima Rocha, para o Jornalismo B, segunda quinzena de dezembro, 2013
Como disse em artigo anterior, o ofício de analista de relações internacionais escrevendo em uma publicação avançada é um ato didático. Para o exercício de análise, a exigência sempre será a separação de vozes e posições. Muitas vezes, a análise vai de encontro ao pressuposto normativo. Ou seja, dizemos aquilo que nos é apresentado como visível e não o que desejamos. É a eterna colisão entre o ser e o dever ser. Para infelicidade teórica e desgraça dos povos, as esquerdas confundem-se todo o tempo, variando de uma filosofia política abstrata para um cinismo resultado de derrotas históricas e falta de possibilidades amplas. Isto ocorre, de forma rotineira, em duas áreas e interdisciplinas das Relações Internacionais onde atuo: os Estudos Estratégicos (com ênfase em Geoestratégia e Geopolítica) e na Economia Política Internacional (com ênfase na crítica a Globalização Financeira e em prol da Economia do Desenvolvimento).
enviar imprimir Assim como é impossível não nutrir simpatias pelos países outrora não-alinhados, tampouco é razoável aderir a propostas de sociedades baseadas no culto a personalidade, a lideranças carismáticas e autocráticas. O mesmo se dá no campo da produção, circulação, distribuição, usufruto e descarte de bens e recursos materiais, virtuais, físicos ou simbólicos. Fazer a crítica de como este processo desenvolve-se em escala global no modo capitalista de produção, a crítica da economia política original, não significa aderir a teses de capitalismo de Estado (vulgo “socialismo” real) e nem de longe considerar justos os sistemas de mal menor ou pesos e contrapesos.
A multilateralidade no Sistema Internacional é uma necessidade, portanto a Organização Mundial de Comércio (OMC) é a menos injusta da tríade que organiza a mundialização financeira. Afirmar isso e considerar que a presença do diplomata brasileiro Roberto Azevêdo como diretor-geral da OMC é um trunfo para o Brasil e os países do G-20, não significa que considere como aceitável o patamar de desenvolvimento proposto neste órgão. É válido como uma alternativa dentro do capitalismo globalizado, mas isso nem de longe se assemelha a qualquer tipo de internacionalização da produção no rumo do desenvolvimento sustentável, incluindo povos e culturas ancestrais.
O problema é que por vezes a crítica é mais urgente do que a proposição. É preciso barrar a contraofensiva neoliberal; dissecar a criminosa Bolha Imobiliária de 2008 e suas terríveis consequências para o mundo, em especial para os direitos sociais duramente conquistados na Europa. Qualquer espaço tomado dos bancos, das agências de análise de risco e suas parceiras de informação planetária, dos grupos e fundos de investimento assim como toda a malha especulativa, sempre será algo positivo para o planeta. Mas, insisto. Isto não significa em aderir a teses keynesianas, artificialmente separando o capital produtivo do fictício. Criticar a economia bandida não é o mesmo que aderir a um “capitalismo mais humano”, se é que isso é possível.

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