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O dilema do Banrisul


Nascido em 1928 como caixa do estado borgista recém saído da guerra civil, o Banrisul sobreviveu às mudanças e o câmbio de políticos profissionais. Resta saber o que acontecerá com o fantasma dos amigos de Martínez de Hoz andando por acá.

4ª, 8 de agosto de 2007, Vila Setembrina dos Farrapos, Continente de São Sepé

No dia 31 de julho a história do Rio Grande do Sul começou a ser mudada. Um dos últimos orgulhos do Estado nacional-desenvolvimentista foi posto à prova. O Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) teve parte de seu capital aberto. Sucesso na Bovespa, a operação traz o fantasma da privatização para a cena da política na província. O argumento da esquerda e dos sindicatos é a defesa do controle público e do interesse social. Pelo ponto de vista do empresariado local, o problema será outro. Se o banco do estado operar apenas com lógica de mercado, quem vai financiar os capitais gaúchos?

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É nas situações limite que o analista tem de expor suas ferramentas. Portanto, temos de observar os pontos de vista conflitantes. No quesito capitalização tudo foi um sucesso. Não podemos ser levianos e deixar de reconhecer o mérito financeiro da venda de ações. O Banrisul aumentou seu capital em R$ 800 milhões e o governo do Rio Grande do Sul obteve R$ 1,2 bilhão, parte que lhe coube do montante de R$ 2,068 bi da venda de ações sem direito a voto. Esta quantia, segundo a governadora Yeda Crusius, será destinada em 90% para o Fundo de Equilíbrio Previdenciário (FE-Prev), cuja missão é garantir os recursos adicionais para o financiamento do próprio déficit com a previdência estadual. Os 10% restantes vão para outro Fundo, o de Garantia Previdenciário (FG-Prev), com a finalidade de reserva financeira para cobertura dos investimentos do governo com as futuras aposentadorias.

Vendo desse ângulo, em tese, a governadora e seu homem forte, o titular da Secretaria da Fazenda Aod Cunha, tem razão. O estado passa por uma crise estrutural, tem um rombo previsto para este ano de R$ 4 bilhões e precisa se capitalizar. O problema não é o diagnóstico, mas sim o remédio. Trata-se da maior colocação primária de ações de um banco ou empresa pública ocorrida na América Latina nos últimos sete anos. A última marca gigantesca foi feita pela abertura de capitais da Petrobrás, iniciada em 2000. Além da venda em si, a operação é de “imagem e confiabilidade”.

O Piratini “sinaliza” aos investidores e se capacita a operações financeiras de mais envergadura. Abrindo seu capital, o Banrisul se habilita ao acesso a importantes fundos de investimentos de longo prazo. Até então, estes eram exclusividade dos dois maiores orçamentos do Estado brasileiro: a União e o governo do Estado de São Paulo.

Antes da operação, Aod, homem de carreira na prestigiada Fundação de Economia e Estatística (FEE) foi a luta executando um “road show” do banco. O “produto” foi exibido a 180 grupos de investidores do Brasil, da Ásia, Estados Unidos e Europa. Como prêmio pela abertura de capitais, a Bovespa eleva a “confiabilidade” da instituição. A própria Yeda Crusius, por sinal professora de Economia da UFRGS, compareceu a cerimônia que migra o banco para o Nível 1 de Governança Corporativa. Significa um certificado de idoneidade e confiança.

Os economistas neoliberais que me perdoem a franqueza, mas nada disso é “científico”. Estas certificações, tanto a dos Fundos como a de Nível 1 são atestados de transparência administrativa e também confiabilidade ideológica. É a mesma confiança que o governo Luiz Inácio obteve quando escalou Henrique Meirelles para o capitão do time da política financeira.

Por outro lado, lembra a motivação que levara Carlos Saúl Menem a dizer que seu governo e país tinham “relações carnais” com os interesses dos Estados Unidos. Depois a bomba relógio social termina estourando no colo de Fernando de La Rúa, tendo a seu lado os “infalíveis” quebradores de economias Domingo Cavallo e Ricardo López Murphy. É esta a “intimidade” retratada pelo cineasta Fernando El Pino Solanas em seu magistral filme “Memoria del Saqueo”.

Voltando ao pago, para quem pensa que exagero, veja a declaração de Aod para a imprensa oficial de seu governo:

“Ainda segundo o secretário, o Rio Grande do Sul abre espaço para intermediação de um ambiente de negócios entre o setor público e investidores nacionais e internacionais. “Estamos diante de um marco histórico, onde demos uma demonstração de que é possível se fazer boa gestão com transparência. O dia de hoje marca um caminho de muitas outras realizações, em que se é bom investir no Brasil, é melhor ainda investir no Rio Grande do Sul”, finalizou.

Enquanto o ambiente de negócios progride, as fusões e aquisições aumentam no Brasil. Já na Província de São Pedro, observamos o fenômeno da “desgauchização” da economia. No ano de 2007, o marco foi a venda da Petróleos Ipiranga S.A. Antes, o trauma veio com a quebra da Varig. E tudo isso é visto como “inexorável progresso” realizado tardiamente.

Existe um rombo crescente no caixa do Rio Grande, e a governadora insiste na isenção fiscal para grandes grupos econômicos. O “progresso” é visto como a perda de controle do Estado sobre a economia, abrindo mão de receita futura e controle de capital. Mais do que um problema de economia, é um dilema de mentalidade política. Fica a pergunta:

- Progresso de quem?

Artigo originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat






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