Enquanto essa agressão militar contra a Venezuela acontecia, o país já vivenciava seu quarto ano consecutivo de crescimento econômico, tendo registrado o maior crescimento da América Latina nos últimos dois anos.

Para a SDN Federal, uma rede de rádio na Argentina, com sede em San Luis, Argentina
Por Equipe Editorial da SDN | 3 de janeiro de 2026

Em um dia que marcará a história da América Latina, o analista internacional e cientista político Dr. Bruno Lima Rocha apresentou um editorial impactante na Rede Federal da SDN. Em meio à confusão informacional e ao que ele chama de “a maior agressão imperialista do século XXI”, Lima Rocha não apenas descreve os eventos, mas também lança uma crítica contundente tanto ao agressor quanto à ineficácia da defesa da Venezuela.

Abaixo, a transcrição completa de suas declarações, seguida de uma análise dos pontos centrais de sua argumentação.

Transcrição do Editorial
“Olá a todos, ouvintes da Rede Federal da SDN. Aqui é Bruno Lima Rocha, falando do Brasil.

” O sábado, 3 de janeiro, marca uma data que era esperada, antecipada e prevista como a maior agressão imperialista do século XXI.” Estamos envoltos numa névoa de notícias falsas, onde, mesmo enquanto gravamos esta reportagem, não sabemos o que realmente aconteceu ao Presidente Maduro e à Primeira-Dama, Cilia Rodríguez.

Vejamos os fatos. Quatro ataques simultâneos contra locais físicos na Venezuela, incluindo símbolos como a estátua do ex-presidente Hugo Chávez. O sequestro do Presidente Nicolás Maduro e da Primeira-Dama. Isso me lembra 1989, quando os Estados Unidos invadiram o Panamá e sequestraram Manuel Noriega, ex-agente da CIA e ex-operador do Cartel de Medellín, que foi aliado de longa data dos Estados Unidos e mais tarde se tornou um inimigo circunstancial.

Enquanto essa agressão militar contra a Venezuela acontecia, o país já vivenciava seu quarto ano consecutivo de crescimento econômico, tendo registrado o maior crescimento da América Latina nos últimos dois anos. Os dados são da CEPAL, a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe das Nações Unidas. Não são dados falsos, não são dados de algum serviço de streaming obscuro pago pela Embaixada dos EUA.

A outra questão é que a eleição, por mais controversa que seja, e o segundo turno entre González Urrutia, aquele diplomata venezuelano exilado na Espanha que foi informante da CIA nos anos 80, e sua líder, María Corina Machado… foram de fato contestados. Assim como a eleição de Trump foi contestada quando ele perdeu para Biden. Trump reagiu. Ninguém invadiu os Estados Unidos. E havia outros 10 candidatos, nenhum deles reagiu.

É de se perguntar: existe alguma potência mundial que justifique a intervenção dos Estados Unidos onde bem entender? E existe um poder titânico exercido pelo presidente na Casa Branca que lhe permite perdoar um narcotraficante extraditado para seu país, Juan Orlando Hernández, por meio de canais legais hondurenhos, um ex-presidente de Honduras… e ele o perdoa? Bem, sim. Sim para tudo.

O poder, na verdade, reside na força financeira, cibernética e militar dos Estados Unidos. Ponto final. E uma impressionante capacidade de manipular, de influenciar de 30 a 40% do eleitorado, os padrões eleitorais em toda a América Latina. Em outras palavras, ainda vivemos em uma situação, no inconsciente coletivo, de natureza neocolonial e pós-colonial.

Finalmente. Eu preferiria, neste momento, estar falando sobre o bombardeio da Venezuela e como a resistência das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas foi eficaz e conseguiu defender seu objetivo principal, que era a proteção do presidente e da primeira-dama. Mas isso não aconteceu.

Não estaríamos… não estaríamos falando agora sobre a situação, por exemplo, de Havana e Cuba… sim, quando ocorreu a invasão da Baía dos Porcos, a defesa cubana teria falhado.

Há um plano. Quando os países latino-americanos se levantam contra o império ou as potências ocidentais, como foi o caso na Guerra das Malvinas, a retórica não basta mais. Eles precisam vencer. Simplesmente precisam vencer; a denúncia não é mais suficiente. Hoje, uma vitória na Venezuela seria: sim, os bombardeios aconteceram, e não, eles não capturaram nem sequestraram o presidente e a primeira-dama.

Que isso sirva de lição, mais uma. Não se pode confiar nos americanos. Os países latino-americanos precisam ser protegidos. E se existe unidade nacional, ao menos na defesa anti-imperialista, ela precisa se materializar em termos técnicos e efetivos.

Obrigado por ouvir, compartilhar e divulgar. Bruno Lima Rocha para a SDN Federal.
Originalmente publicado no portal de SDN Federal, Argentina

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