A confusão marcou a final catimbada, típica de um jogo entre Argentina e Brasil - Foto:globoesporte
A confusão marcou a final catimbada, típica de um jogo entre Argentina e Brasil
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15 de dezembro de 2012, por Anderson Santos (editor), Dijair Brilhantes e Bruno Lima Rocha

No Rio Grande do Sul tivemos a primeira arena multiuso da América Latina sendo inaugurada. Uma semana antes do primeiro estádio que será utilizado nos eventos FIFA, o Castelão em Fortaleza, a Arena do Grêmio dá esperanças –ainda inacabadas – à torcida do tricolor gaúcho.

Esperanças que também passaram pelas mentes palmeirenses com a despedida de “São Marcos do Palestra Itália”, no Pacaembu, na terça-feira. Foi um alívio para o torcedor que mais sofreu em 2012 (acabou o ano, a nação palestrina se viu rebaixada e ainda sem estádio).

Esperanças confirmadas para outros dois clubes de São Paulo. Precisando atuar apenas por 45 minutos, o São Paulo volta a ganhar um título, também sendo “campeão de tudo” após vencer a Copa “Bridgestone” Sul-Americana (o Sr. Leoz, ditador vitalício da Confederação da América do Sul, vendeu essa marca também) na última quarta-feira. Quer dizer, se a Conmebol não voltar atrás.

Amanhã será a vez de o Corinthians enfrentar o Chelsea em busca de (mais um) título do Campeonato Mundial de Clubes (o primeiro foi o Torneio Eurico Miranda, feito sob encomenda para o gigante da Colina abocanhar e terminou indo para a várzea do Tietê). A sofrida vitória sobre o Al Ahli mostrou defeitos e qualidades do clube do futuro “Itaquerão”.

Arena do Grêmio

A semana que passou começou muito movimentada, a expectativa no pampa gaúcho era pela festa de inauguração da nova Arena do Grêmio. Após pouco mais de dois anos, com custo estimado em cerca de 540 milhões de reais a nova casa dos gremistas foi inaugurada. Antes teve direito a greve de peões “importados” do nordeste, incêndio nos alojamentos e trabalhador atropelado na Freeway que corre ao lado da obra da OAS. Com bola rolando, houve uma bela festa organizada pela direção do clube, com traços de abertura de Jogos Olímpicos. Estiveram presentes ex-jogadores que fizeram a história do clube, entre eles Milton Kuelle, o único a pisar nos três gramados pertencentes à história gremista. Milton jogou no primeiro campo gremista, a Baixada, no Moinhos de Vento (onde hoje é um parque da moda e antes havia corrida de cachorro), passou pelo estádio Olimpico, no bairro Azenha, e agora na Arena, no bairro Humaitá.

A grande ausência da festa de inauguração foi a de Renato Portaluppi, maior ídolo da torcida gremista, que teria cobrado R$ 60 mil para participar do evento (ele ama o clube, assim como Odone!) – dizem que ele também cobrou para participar do vídeo comemorativo da transição Olímpico-Arena. Nem sempre a paixão da torcida por um ídolo é correspondida.

O acordo firmado entre a construtora OAS (o Dr.Koff deve ser escutado no tema, assim como o ex-presidente Hélio Dourado) e o Grêmio prevê que 65% das receitas obtidas no novo estádio pertencem ao clube, e 35% da construtora, além do estádio Olímpico, onde será construído um condomínio residencial – ainda que boatos dêem conta que a prefeitura pense em comprar o terreno para construir um parque (tomara!).

Apesar de um belo empreendimento, era ainda visível que a inauguração foi um pouco precipitada, ainda faltavam detalhes no acabamento. A construtora diz que a obra só estará totalmente finalizada em março de 2013. O gramado estava em condições ruins para a prática do futebol (muita areia, pouco costurado), enquanto não havia muitas alternativas para a compra de lanches (caros e com filas quilométricas) e os banheiros sequer estavam prontos.

A opção pela inauguração foi de cunho político, já que o atual presidente gremista Paulo Odone (muy nobre, leal e valoroso dublê de cartola e politiqueiro do futebolês pampeano) deixará o comando do clube no final de dezembro de 2012, e não gostaria de ver seu inimigo político, Fábio Koff, que diversas vezes se mostrou contrário à nova casa, inaugurá-la em seu primeiro ano de gestão.

Se Odone foi quem idealizou a obra e fez com que ela acontecesse, tem ele sim o direito de querer inaugurar, e se isso acontecesse em 2013 faltaria civilidade entre os dirigentes para que Koff o chama-se para fazer isso, e como de costume deixa-se de lado a razão. A interna da cartolagem se assemelha com as rivalidades dentre as torcidas “organizadas” ou as barras metido a bravas que pululam na dupla grenal hoje.

A Arena gremista é o único dos estádios brasileiros que foi inaugurado, mesmo não sendo sede da Copa do Mundo. Embora muitos entendam que não há dinheiro público, a isenção fiscal, se o Estado deixa de arrecadar é o mesmo que estar investindo. Os contribuintes cobrem o rombo com a receita que não irá ingressar. Na real, isenção fiscal é dinheiro do povo por tabela. Sendo assim o poder público deveria ter exigido que a construtora fizesse as vias de acesso ao redor do estádio.

A contradição mora aí. Muitos apostam que a evolução do futebol brasileiro começa pelos estádios. Talvez sim. Vamos ter que aguardar para ver se esse novo modelo de futebol será compatível com o padrão financeiro dos torcedores do Brasil. Tudo indica que não e ir ao jogo será equivalente a pagar um ingresso caríssimo para ver um espetáculo. O povão vai ver dos bares com pay per view, assim como a arigolândia compra DVD pirata para ver os pagodeiros pré-fabricados no lixo “cultural” dos brasileiros com baixa ou média escolaridade.

Salve São Marcos

“Meu sonho, quando eu saí de casa, era conquistar o torcedor do meu time de criança, o Palmeiras. Queria que vocês (torcedores) tivessem orgulho de mim. Pela quantidade de gente que vejo aqui hoje, saio daqui com o sentimento de dever cumprido e sonho realizado. Para mim, foi uma honra enorme vestir a camisa da Seleção e, principalmente, da Sociedade Esportiva Palmeiras. Peço que vocês (torcida) nunca se esqueçam de mim, porque nunca vou me esquecer de vocês”, declara Marcos.

Poderíamos falar que a despedida de um jogador colocou quase 40 mil pessoas no Pacaembu, com R$ 2 milhões e 500 mil de renda, que os palmeirenses devem ter sentido saudade de Edmundo – como joga o Animal! – e até de Rivaldo (mas também defendeu o coringão), que jogou com a camisa da Seleção de 2002, falar das vaias principalmente a Edilson (outro ex-curintia também),… Mas nada disso pode se comparar a Marcos Roberto Silveira dos Reis.

Qualquer detalhe a mais sobre Marcos, santificado pela torcida palmeirense e idolatrado por torcedores para além da Rua Turiassu, é chover no molhado. Mais uma vez, ele emocionou a torcida alviverde num ano muito complicado. E o goleirão ainda agradece…

São Paulo vence a Sul Americana, mas…

Tinha tudo para ser uma grande festa. O São Paulo Futebol Clube estava de volta a uma final de um torneio sul americano depois de 6 anos, com a partida de volta no Morumbi marcando também a despedida de Lucas, a caminho do milionário PSG (mais uma lavanderia financeira comoditizando no futebol seus ativos com origem duvidosa).

O adversário era o fraco time do Tigre, da Argentina. O primeiro jogo havia sido 0a0 na Bombonera, em Buenos Aires, marcado pela expulsão infantil de Luiz Fabiano ainda no início do primeiro tempo e pelas constantes provocações e até violência dos jogadores do time argentino, em sua primeira final importante.

No estádio do Morumbi, a primeira confusão se deu antes de a partida começar, com os seguranças do São Paulo proibindo o Tigre de fazer o aquecimento no gramado, após não terem podido fazer o reconhecimento dentro de campo no dia anterior. A justificativa era que o show da cantora Madonna, realizado dias antes, tinha prejudicado o gramado. Nenhuma novidade, quem conhece a cartolagem são-paulina, sabe que o tricolor da garoa em sua cancha não perde nem par ou ímpar.

Quando a bola rolou, o São Paulo rapidamente fez dois gols, com Lucas e Osvaldo, praticamente garantindo o título da Sul-Americana, restando apenas escapar dos carrinhos e agressões dos jogadores argentinos.

Na saída para o intervalo começou o verdadeiro “show” de anti-desportividade. Tudo começou quando Lucas mostrou um chumaço de algodão com sangue, que foi ao seu nariz por conta de uma cotovelada recebida. Na confusão o juiz expulsou Paulo Miranda do São Paulo e Diaz do Tigre, controlando o clima por alguns instantes.

Nos vestiários, mais problemas. Segundo o mandante da partida, o elenco do Tigre tentou invadir o vestiário do São Paulo e os seguranças do clube não deixaram, partindo para uma briga generalizada. Já de acordo com o time argentino, os seguranças do rival é que teriam atacado os jogadores, que foram à delegacia de polícia após o jogo e arranjaram confusão também lá.

Por conta das agressões supostamente recebidas, os jogadores não quiseram mais voltar ao campo. Mais de 30 minutos depois, o árbitro chileno Enrique Osses encerrou a partida sem a presença do elenco do Tigre. A Conmebol entregou a premiação ao São Paulo, e promete punir os argentinos.

Ouvimos muitas críticas aos boleiros do Tigre na mídia brasileira, muitos até os acusando de uma farsa. Imagens da Fox Sports Sul-Americana (TV de Mr. Rupert Murdoch, o cidadão Kane global da etapa do capitalismo financeiro) mostraram sangue no vestiário dos argentinos, mas dificilmente poderá se tirar qualquer conclusão certeira sobre o ocorrido. Lamentável de qualquer jeito, ainda mais se foi causada pelo São Paulo, com o jogo garantido e mais de 65 mil torcedores prontos para festejar.

A primeira final

Após vencer o Al Ahly do Egito, o Corinthians passou para a final do Mundial de Clubes da FIFA. Em um jogo de pouquíssima qualidade, os corintianos venceram os egípcios por 1×0 com um gol do peruano Paolo Guerrero, e pela primeira vez vão disputar o título (a quem considere o titulo do torneio de verão de 2000 no Brasil como mundial).

O adversário deste domingo será o inglês Chelsea, que venceu com facilidade o Monterrey do México por 3 a 1, com David Luiz improvisado como volante, Oscar no meio-campo e Ramires no banco.

A expectativa para a final é de um estádio com mais de 20 mil corintianos. Desta vez os paulistas podem ir a campo com a sensação de dever cumprido, já que a obrigação era de ir à final, o favoritismo agora mudou de lado.

A dúvida é para quem irá torcer Kia Joorabchian, amigo fiel do corintiano Andrés Sanchez e Roman Abramovich dono do clube inglês?

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