O chileno Ariel Dorfman, responsável pela Editora Nacional Quimantú durante do governo Allende no Chile. Ao contrário do ministro Gil, este dramaturgo é um homem sério, inimigo das caricaturas que alguns “artistas” fazem de si mesmo para se eximirem da responsabilidade de nada fazerem.
Foto:O apetite do neoliberalismo não poupa nada que possa lembrar, nem de longe, a soberania nacional e a valorização da identidade cultural dos países periféricos. Com o cinema e as produções audiovisuais dos países e nações latino-americanas não poderia ser diferente. Analisando-se especificamente o caso do Brasil, é notável o quanto nossa produção cinematográfica, depois de submetida a sucessivos governos fiéis à cartilha do Consenso fabricado em Washington, ficou completamente à mercê das estratégias de mercado das cinco grandes distribuidoras norte-americanas presentes em nosso país. São elas:
Columbia,
Buena Vista,
Fox,
Warner
UIP
Estas se quais se tornaram, na prática, as principais responsáveis pela promoção de nosso cinema, com a criação, em 1993, da famosa Lei do Audiovisual.
A Lei de Incentivo ao Audiovisual foi muito mais uma medida emergencial para salvar do desaparecimento o cinema nacional do que qualquer outra coisa. Com o fechamento, em 1990, da Embrafilme, pelo governo Collor – na gênese do processo de enxugamento do Estado brasileiro – nosso cinema foi abandonado à própria sorte. Lembremos, era a estatal que financiava desde o fim dos anos ‘60 mais de 90% das produções cinematográficas brasileiras. Com o desinteresse comercial das majors norte-americanas em veicular as obras tupiniquins, chegamos a ter uma média de apenas três filmes brasileiros exibidos por ano em nossas salas de cinema, no período entre 1990 e 1993.
Com a introdução da lei, que permite às majors deduzirem do Imposto de Renda a quantia investida na difusão de produções brasileiras, foi possível superar este quadro, possibilitando uma gradual reinserção do
cinema brasileiro nas telas do país. Contudo, o tempo de dar graças aos céus por uma participação de
Apesar da panacéia meta-acadêmica a respeito do tema da identidade, todos sabemos que o assunto é sério, estratégico para qualquer pretensão de desenvolvimento nacional com algum grau de autodeterminação. Que o diga o Tio Sam, desde os tempos da Aliança para o Progresso do pós-guerra, enviando gente mais que capaz para dissolver nossa própria capacidade de entender quem somos e para onde queremos ir. Lembremos, Walt Disney não esteve no Rio a passeio nem criou o Zé Carioca por simpatia tropical.
Vale a pena destacar que, de todos os países produtores de cinema do mundo, os únicos que contam com uma indústria audiovisual rentável, sem a necessidade de subsídios estatais, são Estados Unidos e Índia. As produções da França, Alemanha, Rússia e até mesmo do Irã, países com uma sólida tradição cinematográfica, nunca deixaram de contar com um forte apoio de seus respectivos Estados para obterem sustentabilidade. Portanto, fica indiscutível o caráter neoliberal deste “desleixo” dos últimos governos de nosso país em fomentar a expansão do cinema brasileiro – apenas mais um aspecto dos processos de desmonte do Estado com vistas à abertura de novos mercados para as grandes empresas estrangeiras, e de aniquilamento das culturas locais, para a posterior introdução de um vazio de identidade perfeito à aceitação dos produtos baratos da indústria cultural imperialista.
A propósito: porque o chileno Ariel Dorfman não é aplicado nas centenas de escolas de comunicação do Brasil?!
Nota escrita pelo novo estagiário da página, o estudante de comunicação social – jornalismo na Fabico/UFRGS, Murilo Zardo. Nosso mais novo participante é passofundense, gaúcho, colorado e, como se pode ver, bastante talentoso.
Revisão de Bruno Lima Rocha
