O exercício direto do poder destes trabalhadores passa bem longe da urna e do modelo de representação através de políticos profissionais. Ainda que as lideranças sindicais não o saibam, as diretorias das transnacionais trabalham, e bem, com este conceito.
Foto:Durante anos, a classe trabalhadora brasileira sonhara em ter um ministro de Estado. Especificamente um ministro do Trabalho, alguém que saísse de suas fileiras, pessoa com origem e identidade de classe; apostando que a forma como alguém se vê no mundo e diante do espelho, refletisse sua forma de atuar e os compromissos traçados.
Perante a correlação de forças operando no interior do sindicalismo e nas câmaras setoriais, tal identidade hoje mais contêm do que favorece uma posição de defesa da classe. A reestruturação produtiva da Volkswagen, que ocorre em termos globais, veio justamente bater
Embora, por milagre da pressão eleitoral, O BNDES venha se comportando com boas declarações, a verdade da peleia passa longe dos corredores. O chão de fábrica elege um operário para o Planalto e perde paulatinamente sua capacidade de pressão. Dependesse dos votos dos metalúrgicos e Luiz Inácio apontaria uma outra saída e posição. Como tem um vínculo direto com os mais pobres, embreta os setores organizados da classe trabalhadora, impedindo assim qualquer chance de frente de classe, entre excluídos e trabalhadores formais.
Quando se hipoteca o objetivo estratégico original, no caso do PT e da CUT, deixando de lado um reformismo radical que talvez pudesse levar a um tensionamento e fratura da sociedade de classes no Brasil (a ex. do programa de 1989), o que sobra é a retórica, e vazia. Obtida a capacidade de se comunicar com a massa e negociar com quem manda, a luta de classes e popular fica relegada a um segundo e terceiro plano.
A Volks e a Anfavea, através da capacidade de seus dirigentes – que ao contrário dos dirigentes sindicais, digo, em sua maioria – são bons operacionalmente e tem lealdade de classe (a deles), vão abrir a porteira com a demissão de 1800 trabalhadores. Contra a parede, uma saída de mal menor, a partir de uma suposta “flexibilização da greve” (a genialidade do marketing econômico atinge em cheio o fígado cirrótico com neologismos absurdos!), põe nas cordas todos os trabalhadores do setor privado no Brasil. Diante da ilegalidade plena por parte dos dirigentes da transnacional de matriz alemã, a meta era outra.
Crescimento de 0,5% e uma derrota vergonhosa para a classe trabalhadora. Mas, segundo Luiz Marinho, a culpa é do IBGE que mente e omite os números. Os fundos contidos no FGTAS, no FAT, no próprio empréstimo de quase 500 milhões que seriam liberados pelo BNDES, seria o suficiente para gerir ao menos a fábrica de São Bernardo do Campo sob controle operário.
Fica a pergunta: Se as transnacionais não têm limites, quais são os limites para a traição de classe?!
