A ponte construída com tecnologia brasileira demarca o afastamento das posições dos dois governos. O resto, é apenas a liturgia de campanha.

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No último dia 13, Chávez e Lula inauguraram uma ponte sobre o Rio Orinoco, em Ciudad Guayana, na Venezuela. A obra foi financiada pela empresa brasileira Odebrecht e custou US$ 1,28 bilhão. Com três quilômetros de extensão, ela vai ligar o Estado de Bolívar, no lado sul do rio, a Anzoátegui e Monagas, no nordeste do país. Nesse dia, enquanto o canal de televisão estatal venezuelano mostrava a inauguração, os canais de televisão privados, de oposição a Chávez, exibiam reportagens questionando o processo eleitoral no país.

A guerra da mídia na Venezuela reflete o uso privado e a aplicação utilitarista da comunicação social de massas. É sabido que a mídia venezuelana é golpista, mas é no mínimo curioso como a Odebrecht se meteu nesta contenda. Ou seja, sem o Itamaraty e a bênção do Planalto, a empresa baiana não terá entrado. Qualquer semelhança com a aceitabilidade de Jaques Wagner não será mera coincidência.

Em seu discurso durante o evento, Lula disse ter certeza de que Chávez será reeleito. Justificou assegurando que o mesmo povo que o colocou no poder e elegeu Kirchner, Daniel Ortega e Evo Morales, também elegerá Chávez. Assim, a inauguração da ponte se tornou, na verdade, um grande ato da campanha chavista.

Lula pega carona com el Hugo no país vizinho, mas nem de longe acerca-se das experiências bolivarianas de distribuição de renda, desenvolvimento nacional autônomo, uso estratégico da Petrobrás (equivalente a Pedevesa deles) assim como a convocatória de massas como suporte de seu governo.

A ponte construída pela Odebrecht, na analogia da política, é para demarcar campos opostos e não aproximar posições.

1a redação de Camila Reinheimer

Redação final e revisão de Bruno Lima Rocha

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