Com a crise aérea do país que tem um Estado que não planeja e um governo que não governa, a reportagem ganha um novo nicho: os setoristas de aeroportos, outra subespecialização do ofício em extinção.
Foto:O que divide o jornalismo da literatura, em tese, é que a fonte de nossos relatos seja factual. Uma novela, uma boa novela como as de Gabriel García Márquez, surge do cotidiano da crônica jornalística. Dentro desse gênero narrativo, um grande autor é o argentino e ex-montonero Miguel Bonasso. Falo isso, como um singelo nariz de cera, e também para ver se as perguntas abaixo inspiram algum corajoso repórter, e um editor generoso e com o posto mais ou menos seguro. Bem, fica como sugestão para os amigos leitores do valente Claudemir Pereira. (onde esta Nota foi publicada originalmente)
Em tese, a fonte das perguntas, seria um administrador de sistema aeroportuário, se for da Anac, com ou sem medalha fora de ora e de propósito, ainda melhor. Aí vai o roteiro.
– Logo após a tragédia, foi consenso entre os órgãos que a pista de Congonhas não estaria em condições para um dia de chuva como o de ontem? Isto procede? Quais são as condições que liberam ou não a pista de um aeroporto deste porte?
– Outra dúvida que paira entre os leigos, é a ausência de autoridade. Quem decide, em última instância, se a pista está apta para uso ou não? Cabe a um engenheiro da Infraero? Da ANAC? Da FAB? De um colegiado de responsáveis técnicos?
– Em se tratando de órgãos e ausência de responsabilidade, é senso comum que o Brasil vive o caos aéreo. Peço, por favor, que tu narre os percalços de lidar entre os distintos órgãos e autoridades? Existe controvérsia e contradição, choque de autoridade, entre as companhias aéreas, Infraero, ANAC, a Força Aérea e o Ministério da Defesa?
– O acidente, em última hipótese, passa pela autorização do pouso e uma possível imperícia do comandante, correto? Se não houve aderência do trem de pouso, quais são as possibilidades para isso ter ocorrido?
– Me recordo de um acidente semelhante, ocorrido na Argentina, no caso, em função de mau uso e falha de manutenção da companhia aérea LAPA. A mesma empregava muitos pilotos militares e tinha na contenção de despesas a sua meta principal meta. Tu enxergas uma situação semelhante, diminuição de custos operacionais e sempre operando no limite?
– No caso dos familiares, porque as empresas trabalham com a desinformação? Digo, não apenas a ausência de informação, como no caso do acidente, mas desinformando o público, mídia e passageiros, fato visto todos os dias nos aeroportos do Brasil. Porque esse procedimento?
– Tu consideras que o acidente foi uma fatalidade ou fruto de um processo conhecido como Apagão Aéreo? Na segunda possibilidade, como o caos no setor favoreceu as condições do acidente?
– Por fim, te pergunto qual seria a saída para a aviação comercial brasileira? Tu acreditas que voltar o controle da FAB é a saída? No caso de opinião favorável ao modelo da ANAC, entendo que o mesmo toma como tipo-ideal a FAA dos Estados Unidos, correto? Portanto, não seria necessária a construção de dois sistemas de controle paralelos, um de defesa aérea sob controle do Ministério da Defesa e outro sob controle da própria Agência e subordinado ao Ministério dos Transportes?
Nota originalmente publicada na página de Claudemir Pereira,
